A pesquisadora e artista Raquel Dantas lança o livro "A Conquista do Rock 2". A obra é a continuação do primeiro volume, publicado em 2017, e resgata a trajetória de Vitória da Conquista, município que já carregou o título de "Capital Baiana do Rock". Foto: Divulgação/Instagram
Gêneros
Multicultura, Matéria, Rock, Música, Raquel Dantas, Bruna Ferraz
Multicultura
Programa de jornalismo cultural da 107.5 Educadora FM - Bahia.
De segunda a sexta das 12h às 13h.
Apresentação: Renato Cordeiro
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Publicado originalmente em 10/06/2026, em Educadora FM.
Publicado originalmente em 10/06/2026, em Educadora FM.
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Obra de Raquel Dantas, “A Conquista do Rock” reúne memórias, bandas e personagens da música independente conquistense
A memória da cena rock de Vitória da Conquista será celebrada no dia 13 de junho, às 15h, durante o lançamento da segunda edição do livro A Conquista do Rock, da pesquisadora e artista Raquel Dantas. O evento acontece na Sala Multiuso 1 do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima e reúne música, roda de conversa e encontros entre artistas e pessoas que ajudaram a construir essa história ao longo das últimas décadas.
A programação será aberta com apresentação musical de Plácido Oliveira, vocalista da Distintivo Blue e autor do prefácio do livro. Em seguida, acontece uma roda de conversa com participação de Raquel Dantas, Plácido, da escritora Noi Soul, responsável pela narração do audiobook da obra, e da cantora e compositora Joy, que encerra a programação com um show em voz e violão. A atividade contará com a mediação da radialista Jacqueline Silva.
Sobre o livro
Lançado originalmente em 2017 e considerado o primeiro livro dedicado à história da cena rock conquistense, A Conquista do Rock consolidou-se como um importante registro da produção musical independente da cidade ao documentar trajetórias, bandas, movimentos e personagens que ajudaram a construir uma identidade cultural muitas vezes invisibilizada. O projeto foi contemplado no edital A Bahia que Escreve – Edital nº 16/2024 (PNAB Bahia) e prevê a publicação de exemplares físicos da obra, além do lançamento em formatos acessíveis e digitais, como audiobook, EPUB e PDF.
“Esta obra demorou muito a aparecer. Vitória da Conquista tem muitas histórias a contar, e o primeiro passo para a valorização é o registro”, escreve Plácido Oliveira no prefácio da primeira edição. O músico e historiador destaca o caráter pioneiro da publicação e sua importância para a preservação da memória cultural conquistense. “Mais um fragmento da nossa história é ‘salvo’ do esquecimento com esta segunda edição”, afirma.
Para Raquel Dantas, o livro também nasce como um incentivo ao fortalecimento da produção artística independente da cidade. “Sem grandes pretensões, espero que esse registro inspire novos escritores e amantes da música alternativa local. Que outras pesquisas e livros como esse possam nascer, assim como um parto ou um legado, para que novas gerações tenham conhecimento do quão rico é o seu cenário cultural. E, acima de tudo, que gestores, produtores e artistas reconheçam a importância de manter viva a arte local e, juntos, criem oportunidades visando ao seu crescimento e à valorização profissional”, destaca a autora.
A identidade visual da obra também dialoga diretamente com o universo do rock. Desenvolvida pela designer Ana Luiza Dias a partir de ilustração original de Raquel Dantas, a capa traz a figura da águia como símbolo de liberdade, força, atitude e resistência — elementos associados ao rock e ao heavy metal. A proposta busca reforçar a ideia de ocupação de espaços por uma cena marcada pela expressividade e rebeldia.
Dia Municipal do Rock – Miguel Côrtes
O lançamento acontece em um momento simbólico para a cena musical conquistense. Em 2025, a Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista instituiu oficialmente o “Dia Municipal do Rock – Miguel Côrtes”, celebrado em 5 de outubro. A data homenageia o radialista e apresentador do programa Som da Tribo, figura histórica na difusão da música independente na cidade. A legislação também reconhece a importância histórica, artística e social do rock para o município e destaca iniciativas como o Festival Suíça Bahiana, o Point do Rock, o Agosto de Rock, o Festival de Inverno Bahia e o Conquista Moto Rock.
O lançamento da segunda edição do livro A Conquista do Rock foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado. O projeto conta ainda com apoio institucional do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima.
SERVIÇO
Lançamento da segunda edição do livro A Conquista do Rock
Local: Sala Multiuso 1 – Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima
Data: 13 de junho (sábado)
Horário: 15h
Entrada gratuita
Evento aberto a todos os públicos
Assessoria de Imprensa | Vagalume Press
Ana Paula Marques
(77) 98101-1254
vagalumepress@gmail.com/
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Gosto bastante de ler sobre história de lugares, principalmente de locais onde estou inserida. Ler esse livro foi bom para ter um leve panorama do cenário musical cultural de Conquista e região. "Vitória da Conquista tem muitas histórias a contar, e o primeiro passo para a valorização é o registro". Eu vejo esse livro como um documento, porque ele literalmente documenta o desenvolvimento do cenário musical, do rock e das suas variações, em VCA. A edição que li está precisando de algumas revisões textuais, mas nada que atrapalhe a leitura. Vou fazer esse comentário um pouquinho extenso porque já vai me ajudar na apresentação de um trabalho.
A autora deixa evidente no livro as dificuldades de manter e compor um trabalho, com obstáculos como achar local para ensaio, integrantes, investir em equipamentos e muito mais. Apesar desse contexto, muitas bandas de rock surgiram nos anos 2000 em Vitória da Conquista, porém como não tinham condições para lançar trabalhos autorais, trabalhavam com covers. Na década seguinte, de 2010 a 2015, o desenvolvimento da tecnologia já facilitou o processo de produção autoral, assim muitas bandas conseguiam produzir sem sair de casa, utilizando seu próprio computador para gravar e editar seu trabalho. Algumas bandas marcantes do cenário conquistense foram citadas pela autora, como 1 Em Pé 2 Alados, Cama de Jornal, Ardefeto, Liatris, In Mundos.
Raquel Dantas cita os sucessos do rock conquistense e das variações do estilo, como o punk/hardcore, death e doom metal, blues, rockabilly, rock alternativo e grunge. No punk a banda Cama de Jornal se destacou não só no cenário municipal, como nacionalmente. A banda que surgiu em 2001 se destaca com letras autorais e de relevância social, como nas músicas: Horda Punk, Naquele dia, etc. Vale ressaltar que a banda existe até hoje, e a sua estabilidade serviu de inspiração para o surgimento de outras bandas, como Princípio Ativo e Dona Iracema.
No death e doom metal, a banda Inside Hatred, que surgiu em 2004, foi citada como exemplo, com suas músicas compostas na língua inglesa e com teor anticristão. Já no blues, a banda que surgiu em 2005, Café com Blues, foi citada como a única banda conquistense a ter participado em 2008 do Festival de Inverno Bahia (FIB), até então ? o livro foi publicado em 2017. No estilo rockabilly, que é uma mistura de rock com a palavra hillbilly ? palavra usada para se referir a música country americana ? a banda Ladrões de Vinil surgiu em 2006 na cidade de Vitória da Conquista, com inspirações no tempo da jovem guarda, como Roberto Carlos e Erasmo Carlos. No rock alternativo as bandas citadas foram Randômicos e Garboso, ambas criadas em 2009. No grunge algumas bandas se destacaram, como Abismos, Reason, Retilíneos, Mr. Gross e Stone Sheep, porém todas se desintegraram e alguns de seus integrantes formaram novos projetos, como a banda Social Freak que surgiu em 2008.
A autora também cita a importância de festivais e shows com bandas locais para valorizar a produção cultural da cidade. Mas destaca também que é importante haver uma mistura com bandas famosas e undergrounds com intuito de que as pessoas conheçam novos trabalhos. Alguns festivais que aconteceram em Vitória da Conquista foram muito importantes para alavancar algumas bandas, muitos deles já não existem mais, porém deixaram sua marca. Alguns festivais e shows citados foram: Point do Rock, Conquista Rock Festival, Festival Rock Cordel, Suíça Baiana, Acrock, Oktober Rock, Festival da Juventude e Festival de Inverno Bahia ? que inicialmente era um festival de rock, mas atualmente conta com uma diversificação de ritmos para alcançar um público maior, como axé, sertanejo, MPB, etc.
"Criou-se uma cultura errada onde acreditam que no Nordeste não existe metal ou rock que seja.. isso é muito errado' (Victor Elian, guitarrista da Inside Hatred, pg.55)
"Acredito que falta mesmo um pouco de interesse do resto do Brasil pelo Nordeste. O heavy metal alcançou lugares inóspitos mundo afora e não iria alcançar uma região como o Nordeste do Brasil? Infelizmente, essa ideia ficou muito bem difundida". (Escamium)
A Conquista do Rock
Raquel Dantas Silva
ISBN-13: 9788559963984
ISBN-10: 8559963987
Ano: 2017 / Páginas: 193
Idioma: português
Editora: Multifoco Música
⭐⭐⭐⭐
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Publicado originalmente em 26/05/2024, em Skoob.
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O rock, nascido na década de 1950, nos Estados Unidos, foi sinônimo de transgressão e rompimento com as gerações anteriores, demasiadamente sérias, formais e marcadas pelos traumas das duas Grandes Guerras. Exportou, junto ao cinema, um estilo de vida novo, onde o jovem era o protagonista, mudando para sempre a forma de se consumir e produzir cultura. Foi, certamente, o gênero musical que melhor soube se adaptar a cada contexto que encontrou pelo mundo, unindo-se às realidades locais e gerando novos estilos de expressão.
No Brasil, passou pelos tempos ingênuos da Jovem Guarda, o experimentalismo da Tropicália, a ironia reflexiva de Raul Seixas, a explosão pop dos anos 80-90, chegando a Vitória da Conquista, de forte tradição regionalista, mas de grande potencial cosmopolita. A cidade, que já foi chamada de “a capital baiana do rock”, passou a perceber uma movimentação roqueira cada vez mais consistente desde a década de 1980, chegando ao seu auge a partir de 2000, quando conseguiu romper a barreira do nicho e impor-se à sociedade geral como uma representação cultural tão válida quanto qualquer outra, ocupando diversos espaços urbanos importantes, como a Miconquista, o Natal da Cidade e as ondas do rádio FM.
Na exposição “A Conquista do Rock”, três diferentes olhares sobre a cena rock conquistense revelam interessantes e importantes pontos de vista para se compreender o movimento: Raquel Dantas, artista plástica e autora do primeiro livro sobre o rock local, apresenta registros diversos, oriundos da sua pesquisa, incluindo não publicados na obra; PH, fotógrafo com vasta experiência em capturas de shows e acompanhamento de bandas, mostra os artistas em plena ação, em contato direto com o público, revelando ricos detalhes; Plácido Oliveira traz o triplo ângulo do artista-produtor-pesquisador através de uma pequena amostra de sua obra e de seu vasto acervo construído desde o início da década de 2000 e inserido ao universo acadêmico.
Rock é atitude. Rock é coragem e vontade de gritar. É estilo de vida e um interessante “termômetro” dos tempos, espaços e mentalidades de cada universo onde se inseriu. Conhecer o rock local é conhecer uma importante parcela do grande mosaico sociocultural onde vivemos. O rock já é mundial, assim como a fala e a escrita, mas também local, com inúmeros sotaques. Já escutou um rock hoje?
🟠 Na ocasião, o Projeto Memória Musical do Sudoeste da Bahia lançou a nova edição regular da sua zine homônima. Distribuição gratuita.
🤘🏼 Exposição "A Conquista do Rock" 🎸📸
⏳ Duração: 13 de janeiro a 20 de fevereiro de 2024
🕒 Abertura: sábado, 13/01, às 15h
(com apresentação musical do Distintivo Blue e roda de conversa com convidados)
📍 Local: SESC Vitória da Conquista [@sescconquista] - bairro Ibirapuera
⚠ Entrada: gratuita 🆓
💡 Mais informações: clique aqui
RAQUEL DANTAS
A artista visual autodidata conquistense lançou seu primeiro livro em 2017, intitulado “A Conquista do Rock”. O registro faz um apanhado sobre várias bandas autorais que marcaram e marcam o cenário underground de Vitória da Conquista. Com o objetivo de continuar o projeto, a autora traz, nesta exposição, um acervo próprio, com materiais coletados por bandas e músicos, como fotos, letras e textos, incluindo aqueles publicados em seu primeiro livro e os que pouco foram explorados e acessíveis ao público.
PH SOARES
PH (Paulo Henrique Soares do Nascimento), fotógrafo, editor e cinegrafista, começou a registrar momentos em uma variedade de shows e eventos musicais, em 2018. Com experiência tanto em festivais quanto em eventos mais intimistas, vem aprimorando seu conhecimento e habilidades ao longo dos anos. Teve a oportunidade de registrar e colaborar com artistas renomados, como Titãs, Seu Pereira e o Coletivo 401, Almir Sater, Nando Reis, Dead Fish, Capital Inicial, Altoramas, Ira! E com várias outras bandas do cenário independente, como Benjamin Existe, Mictian, Dona Iracema, Garboso, Randômicos, Nèspera, entre outras. 2º colocado do prêmio Formemus de Fotografia em 2023, sua paixão pela música e pela arte da fotografia é o que o inspira a capturar a essência e a energia de cada apresentação, criando memórias visuais memoráveis tanto para o público quanto para os próprios artistas.
PLÁCIDO OLIVEIRA
Cantor, compositor, produtor e historiador musical, começou sua carreira artística aos 15 anos, como roteirista freelancer na Maurício de Sousa Produções (Turma da Mônica), passando à música ao final da década de 1990, quando conheceu a cena rock conquistense e integrou bandas como a Tomarock e The New Old Jam. Em 2009, funda seu projeto de blues autoral, o Distintivo Blue, ainda em atividade. Foi sócio-fundador do Viela Sebo-Café, um dos principais espaços culturais da cidade no período. Criador do projeto de pesquisa e divulgação sobre o blues nacional “BLUEZinada!”, que incluía uma zine, um portal (vencedor do Prêmio TopBlog 2013-14 na categoria Música/Profissional) e o primeiro podcast de Vitória da Conquista, de mesmo nome, publicado de 2016 a 2017. Fundador do projeto de pesquisa, fomento e preservação “Memória Musical do Sudoeste da Bahia”, 100% independente, que engloba diversos subprojetos, como a zine homônima e o “Toca Autoral!”, experimento multilinguagem com músicos autorais da região. Doutorando e mestre em Memória: Linguagem e Sociedade (com pesquisa sobre a música conquistense), Licenciado em História e bacharelando em Direito, todos pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Carrega consigo o lema “faça você mesmo” como filosofia de vida.
Na Imprensa
Matéria Blog do Redação
BIBLIOGRAFIA
CAMPOS, Hamilton. Caledoscópio. A história do Blues.
Disponível em < www. Caledoscopio.art.br/ > Acesso em 09 de março de 2015.
Clube de Patifes. Disponível em < www.clubedepatifes.com.br >.
Acesso em 22 de janeiro de 2015.
DECHEN, Catia. Território da Música. Café Com Blues: Tipo Exportação.
Disponível em < www.territoriodamusica.com/resenhas > .Aceso em 10 de fevereiro de 2015.
Distintivo Blue. Brazuca da Semana: Clube de Patifes.
Disponível em < www.distintivoblue.com >. Acesso em 19 de janeiro de 2015.
Distintivo Blue, Biografia. Disponível em < www.distintivoblue.com >.
Acesso em 15 de janeiro de 2015.
Distintivo Blue, Orgânico (2014) EP. Disponível em <www.distintivoblue.com >.
Acesso em 08 de janeiro de 2015.
Distintivo Blue, 2012, Miopia. Disponível em < www.distintivoblue.com >.
Acesso em 08 de janeiro de 2015.
Distintivo Blue, Distintivo Blue Tem Letras Publicadas Em Livro.
Disponível em < www.distintivoblue.com >. Acesso em 11 de janeiro de 2015.
Eu Ovo. Blues Com Bastante Cafeína.
Disponível em <euovo.blogspot.com.br>. Acesso em 06 de fevereiro de 2015.
FLORES, Rafael, O Rebucetê Entrevista: Distintivo Blue.
Disponível em <orebucete.blogspot.com.br >. Acesso em 06 de março de 2015.
KAOOS, Mariana. Conversa de Balcão: Café Com Blues.
Disponível em <conversadebalcao.com.br >. Acesso em XXXXXXXXX
Megaphone. Resenha /Máfia da Mortadela: união de brasileiros resulta em álbum independente. Disponível em < portalmegaphone.com.br. >. Acesso em 19 de janeiro de 2015.
OLIVEIRA, A. J. Revista Gambiarra. Os ensaios abertos, a dedicação à internet e a primeira turnê da Distintivo Blue.
Disponível em < revista-gambiarra.com.br > . Acesso em 07 de março de 2015.
Rock Loco. Tranquem sua filhas em casa! A Vinil 69 está de volta.
Disponível em <rockloco.blogspot.com.br >. Acesso em 09 de março de 2015.
The Backstage. Vinil 69: uma banda de rock/ rock com pitadas de rock.
Disponível em <https://thebackstageblog.wordpress.com > . Acesso em 09 de março de 2015.
Raquel Dantas nasceu em Vitória da Conquista-BA. Amante da música independente brasileira, conviveu desde cedo com vários artistas locais. Chegou a cursar Pedagogia na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, mas acabou desistindo para se dedicar ao desenho e à escrita. Seu primeiro livro, A Conquista do Rock, lançado em maio 2017, já nasceu pioneiro ao registrar a história da música independente local.
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| Distintivo Blue. Foto: divulgação |
O nome do grupo se deu por meio de uma expressão usada pelo amigo e irmão do atual* baixista (Lú do Blues), o qual dizia que ter o distintivo blue é ter o dom ou habilidade para fazer o blues. As influências são variadas e partem tanto dos antigos clássicos internacionais, como Robert Johnson, Jimi Hendrix e The Doors, aos brasileiros como a Legião Urbana, Raul Seixas e Barão Vermelho.
Por conta das dificuldades, começaram com um som acústico que, com o tempo, foi se expandindo e dando origem a novos trabalhos. Após o primeiro show, gravaram a canção Luar de pontal, composta para a The New Old Jam, mas que nunca foi executada. A música fez parte da coletânea Máfia da Mortadela, lançada em 2010, da qual a DB foi a única representante fora do eixo Rio-São Paulo. Segundo a entrevista com o produtor do projeto, Roberto Terremoto, para o site Megaphone, as letras retratam bem a nossa realidade, mostrando que o blues também pode ser feito em português.
No mesmo período, a banda gravou mais três músicas, a instrumental Extempore blues, por Rômulo Fonseca, De cara no blues, de Thomaz Oliveira e Blues do covarde, por Malforea. Após um ano, lançaram o primeiro EP, Aplicando A Lei, em um dos principais programas de rock da cidade, O Som da Tribo. A DB tirou cento e dez fotos diferentes para que cada unidade do disco tivesse seu conteúdo único. Por isso, a primeira edição do EP foi limitada, tornando-se raríssima**.
As iniciativas não se limitaram a gravações de CDs, encartes e questões burocráticas. Para ampliar o acesso e divulgação, lançaram no mesmo ano a BLUEZinada!. A zine é distribuída gratuitamente e produzida pelos integrantes em formato de livreto. A cada edição é possível saber, em oito páginas, sobre todas as notícias vinculadas ao grupo, com dicas culturais e textos diversos. Tudo é registrado de acordo com as necessidades da banda, por isso não existe uma periodicidade certa.
Ainda sobre a iniciativa, vale ressaltar algumas curiosidades. Muitas pessoas não sabem, mas antes de começar a ter contato com antigas bandas locais, como a Tomarock ,em 2004, e a The New Old Jam, o vocalista I. Malforea atuava como roteirista freelancer do Maurício de Sousa, cujo contato começou aos quinze anos de idade. Além disso, foi licenciado em História e tanto o Rômulo Fonseca quanto o Camilo Oliveira seguiram a vida acadêmica. Tais fatos explicam, em grande parte, a preocupação com o meio social e mostram que muito do que aprenderam não se restringiu à sala de aula, tanto que o trabalho não se limita às informações do grupo e todos podem ter acesso.
Após um ano (em 2012), a DB voltou a lançar mais um disco, o segundo EP Riffs Shuffles, Rock N`Roll, que, assim como o primeiro, traz o encarte virtual, mas com uma capa única. Com uma formação mais equilibrada de integrantes, o álbum conta com a faixa O álcool me persegue, da Cama de Jornal, e a própria Na trilha do blues, a qual trouxe grandes participações no X Festival de Música Educadora FM e o segundo volume da coletânea Máfia da Mortadela, lançado em outubro do mesmo ano.
Em entrevista para o veículo de comunicação local, O Rebucetê, a DB comentou sobre o processo de composição do disco, ainda quando contavam com a participação do Camilo Oliveira. A reportagem chama atenção para o caráter diferenciado do grupo e explica a escolha da música O álcool me persegue, da Cama de Jornal, para integrar o projeto. Para os integrantes, a versão tem uma cara mais humorada e as próprias composições não chegam a fazer parte de canções de lamentos e “dores de cotovelo”, como a maioria dos artistas que aderem ao estilo. “O pessoal tenta seguir essa linha aqui no Brasil, mas acaba em boa parte dos casos não sendo verdadeiro, é só uma questão de imitar os caras de lá”, acrescenta o ex-guitarrista.
No ano de 2013, a DB lançou o single 2012, Miopia, o qual também rendeu grandes frutos no cenário baiano. A música foi classificada para participar do X Festival de Música da Bahia e o seu título foi escolhido por meio de uma seleção realizada no mesmo site da banda. Além de se tratar de uma crítica social, parte da canção foi composta no momento em que a cidade estava em maior desespero.
Com a greve da polícia em toda a Bahia, em fevereiro de 2012, o número de violência e roubo aumentou absurdamente, deixando muitas pessoas aflitas e com medo de sair de casa. Além disso, fazia pouco tempo que a nova edição do programa Big Brother Brasil havia começado a ser transmitido pela rede Globo. Esse e outros fatos inspiraram a letra por se tratar, principalmente, de problemas reais em momentos de distrações que o próprio reality show oferecia, como aponta os trechos abaixo:
A polícia em greve
Não temos saúde
Trancados em casa
Sem ter quem nos ajude
E então se segure:
A bolsa caiu!
O mundo acabando e só se fala em Big Brother Brasil
Dinheiro
Não há por aqui
E como pode o fruto do nosso trabalho
Assim, do nada, sumir?
Televisão
Ou mundo real?
“Não tenha medo de sair de casa quando for carnaval!”
O prédio caiu
O rio transbordou
Na terra do frio
Se morre de calor
As tropas nas ruas
Com escudo e fuzil
O mundo pega fogo e só se fala em Big Brother Brasil
Tanto a canção 2012 Miopia quanto Blues do covarde e Luar de Pontal, compostas pela DB, fizeram parte da coletânea do livro Letristas em Cena, lançado oficialmente em setembro de 2013. A obra faz parte do projeto Clube Caiubi de Compositores, produzido pela Branca Tirollo, da editora Sotaques, em São Paulo. O projeto também conta com um portal, no ar desde 2008, voltado para diversos compositores, intérpretes, poetas ou produtores e demais interessados.
Em 2014, após paralisar as atividades, o grupo voltou com participações em diversos eventos e com o lançamento do terceiro EP, Orgânico, em formato todo acústico. O disco foi feito com o objetivo de mostrar a verdadeira cara da banda, de forma livre e despretensiosa, incluindo apresentações em praças, ensaios e locais do gênero. Além dos próprios trabalhos e a coletânea da Máfia, a DB fez parte de vários projetos como o Best - Brazilian Blues e o Discover: Brazilian Blues, lançados em 2013.
O último período também propiciou novas oportunidades de partir para outros estados. Os eventos, antes mais focados ao território baiano, como festival Avuador, Natal da Cidade e Festival Suíça Bahiana, abriam espaço para a realização de turnês. A passagem por outras cidades do Nordeste, no último ano, fez com que o grupo percebesse o quanto tem sido valorizado, muito mais pelo público de fora do que local. A turnê gerou uma matéria para a Revista Gambiarra, em março de 2014, cuja reportagem muito elogia o desempenho do grupo, destacando os ensaios abertos ocorridos na praça Guadalajara em Vitória da Conquista, mais conhecida como a praça da Normal.
Apesar das diferenças de idade e percalços, a trajetória da Distintivo Blue muito se compara a das grandes bandas, embora não tenha o mesmo reconhecimento. O grupo conseguiu fazer muito mais do que bandas antigas, como a Excalibur Rock Band e a Mictian, em poucos anos de existência. Atualmente, a DB vem divulgando o mais recente álbum, Todos os Dias – Vol. I, lançado em setembro de 2015.
Por outro lado a DB poderia ter feito muito mais do que o esperado se não fosse a dificuldade de manter integrantes e outros entraves. A banda passou todo o ano de 2011 em formato acústico. Inclusive, uma das maiores perdas veio em setembro da mesma época, quando o ex-baixista Junior Damaceno veio a falecer, vítima de uma agressão. A Café Com Blues também havia passado três anos parada somente para definir o estilo da banda, voltando a se apresentar na cidade em dezembro de 2013.
Hoje, comparando a história de ambos os grupos, é possível desconstruir a ideia de que a falta de profissionalismo é o principal fator responsável pelo não alavancamento de muitas bandas baianas no cenário brasileiro. Apesar da facilidade de acesso à internet e os principais veículos de comunicação, muitos grupos ainda lutam por espaço. Por não serem tão reconhecidos em âmbito nacional, o blues baiano ainda é encarado com estranheza e poucos conseguem enxergar uma evolução.
* A formação da DB já sofreu alterações, desde a composição do livro. ** A segunda edição veio com uma capa diferente e contou com patrocínio do BNB (Banco do Nordeste do Brasil) e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)
Raquel Dantas nasceu em Vitória da Conquista-BA. Amante da música independente brasileira, conviveu desde cedo com vários artistas locais. Chegou a cursar Pedagogia na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, mas acabou desistindo para se dedicar ao desenho e à escrita. Seu primeiro livro, A Conquista do Rock, lançado em maio 2017, já nasceu pioneiro ao registrar a história da música independente local.
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Vem do samba, do agogô
Seja de que lado for
o som da nossa história
Se achegue por favor
(Café Com Blues)
* A formação atual da Café com Blues já mudou novamente, desde a composição do livro.
** Trata-se do ataque à revista sátira “Charlie Hebdo”, ocorrido na França, em janeiro de 2015.
*** A formação da Distintivo Blue também mudou desde a composição do livro.
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| Café Com Blues. Foto: divulgação |
No mesmo dia em que o Dead Billies se apresentou para o programa Musikaos, pela TV Cultura, em 2003, foi recebido com estranheza pelo público. Questionado sobre um certo produtor dizer que “o problema do rock na Bahia é que ninguém gosta de levar na base do profissionalismo”, o vocalista respondeu que, dentro de oito anos de carreira, o grupo tinha feito muito. Se as grandes bandas de rock independentes baianas representavam uma surpresa no cenário nacional, quiçá o blues?
De acordo com o autor Hamilton Coragem, “o blues não nasceu de uma emancipação em si mesma, mas de transformações da música negra sobre o efeito de novas condições socioeconômicas criadas por essa emancipação”, logo, tal aparecimento teria se dado a partir do século XIX ou XX. Embora a existência do blues na época da escravidão seja uma dúvida, é certo dizer que os cantos e lamentos entre os homens negros, durante os trabalhos forçados e as danças, serviram de grande respaldo para tal aparecimento.
Sabe-se que a palavra foi citada pela primeira vez por Charlotte Forten em seu diário, datado em 1862. Mas, ainda assim, não define claramente a expressão como um gênero ou algo referente à música. Por outro lado, em outra data, ela cita Poor Rosy, cujo relato diz: “uma das escravas me disse: 'Gosto de Poor Rosy mais do que de qualquer outra canção, mas para cantá-la bem é preciso estar muito triste e com o espírito inquieto'”. Nesse sentido, pode-se concluir que, embora a canção não seja um blues, as características eram bem visíveis, e a palavra já fazia parte do vocabulário entre os negros.
Com o fim da escravidão, a luta pelos direitos ao voto e contra a segregação racial, o blues foi se tornando mais visível. Os músicos profissionais surgiram, geralmente aqueles impossibilitados de seguir um trabalho manual, outras vezes, para atrair outros trabalhadores ou simplesmente para se expressar em meio a tantas injustiças. Desde então, todo o sofrimento e revolta do povo negro passou a ser registrado frequentemente nas canções.
Com o tempo, o gênero foi se difundindo pela Europa e França até se tornar uma influência mundial. Hoje, é cantado e tocado não apenas por negros, mas por brancos. Talvez seja, também, por isso que o blues feito no Brasil é encarado de forma tão estranha. Além disso, a música não vinha mais acompanhada de relatos de pressões e lutas sofridas por homens negros, mas sim pelo povo, incluindo as diversas origens, seja o sertanejo, o nordestino, o trabalhador, o miserável, ou mesmo a mulher, geralmente vista como quem atrai e desperta desejos.
Com a diversidade de ritmos e misturas, poucos grupos e artistas nacionais ainda são “fiéis” ao estilo. Muitos deles não são tão visíveis pela mídia, o que nos dá a impressão de que cantar e tocar blues são para poucos. Geralmente, o gênero exige do músico mais habilidade, compromisso, estudo e interação, como qualquer outro estilo pouco habitual. Consequentemente, poucos grupos chegam a durar muito. Outros só chegam ao reconhecimento tardiamente, como vem acontecendo no território baiano.
Poucos sabem, mas antes de 2003, existiam grandes grupos de blues independentes na Bahia. Um bom exemplo disso foi a Vinil 69. A banda se apresentou em Vitória da Conquis-ta, divulgando ainda o primeiro trabalho, antes de encerrar as atividades por completo. Além de ter bons músicos, o grupo fazia o público dançar cantando trechos das canções Tremendo ao som de um blues e Dentro de você. Infelizmente, a falta de espaço no cenário baiano e a desintegração dos músicos fizeram com que a banda chegasse ao fim, antes mesmo de ser reconhecida.
Na época em que a Vinil 69 estava começando, algumas ferramentas de comunicação nem existiam, como o YouTube, Orkut, Myspace e Fotolog. Em entrevista para o site The Backstage, publicada em novembro de 2010, o vocalista comentou o assunto e a dificuldade de se sobressair no cenário brasileiro, mesmo com o surgimento de tais mecanismos, anos depois, auxiliando na divulgação do trabalho autoral:
“Em 2006, fechamos uma turnê por quatro capitais nordestinas (Aracaju, Recife, Natal e João Pessoa) sem dar um telefonema, só por e-mail e MSN”, disse Leandro Araújo e acrescenta: “o boca a boca continua a principal forma de divulgação (...) A maioria só baixa o seu disco se alguém falou bem, só paga pelo show se o amigo já viu e elogiou”.
Com o crescimento da música independente, outras bandas foram surgindo, mas são poucas que conseguiram se desvencilhar de um blues regado à bebida ou desilusões amorosas. Mesmo que a Vinil 69 tenha deixado grandes marcas no cenário baiano, no momento em que o axé mais roubava o foco, as letras não deixam de ser polêmicas. Versos como “e o calor em tua boca/ me dizendo que és louca/ e tem prazer em apanhar”, podem dar uma impressão bastante superficial de como a mulher é tratada, além de pouco abrir espaço para outros temas e estilos. É nesse sentido que, em contrapartida, se destacam duas bandas conquistenses, a começar pela Café Com Blues.
Formado em meados de 2005, o grupo continua, mas com algumas alterações, com a presença do vocalista Diro Oliveira (gaita e flautas), Thomaz oliveira e Lúcio Ferraz (guitarras), Luciano PP (baixo), Horton Macedo (sax tenor), Emílio Bazé (percussão), Abdalan da Gama e Daniel Novaes (trompete) e Paulo (trombone). No momento atual, a banda deixou de contar com a participação do guitarrista Júlio Caldas, que deixou o grupo em dezembro de 2014, para se dedicar a novos projetos. Além disso, houve a entrada de Eugênio Rocha, assumindo a bateria.*
Foi quase com essa formação que a Café Com Blues se tornou destaque em vários veículos de comunicação local e do estado, como o programa Aprovado, exibido em novembro de 2012, pela TV Bahia. Essa dinâmica foi tão forte que, atualmente, os músicos passaram a contar com a presença do ator e apresentador Jackson Costa, na própria formação. A Café Com Blues também foi a única banda conquistense a participar do palco principal do Festival de Inverno Bahia, em 2008, e, atualmente, vem divulgando o trabalho do segundo CD, O Sertão é o meu Certão, ainda sem data para lançamento.
O nome do grupo se deve ao fato de Vitória da Conquista ser considerada a cidade do café, além de fazer uma alusão ao café brasileiro feito na caatinga e o modo cordial em que oferecido “em toda casa que se entra”. Por isso, também, o título Tipo Exportação do primeiro disco, lançado em 2008. A banda costuma juntar elementos nordestinos com o blues norte-americano e tanto as letras quanto a sonoridade ganharam destaque no cenário baiano, como as faixas De repente um Blues e Blues na Caatingueira, as quais apresentam um caráter bastante repentista.
No sertão
Pé rachado caatingueira
Carcará
Quando é que vai chover?
No topo da serra, um murundú
A cerca a seca, demarcando a região
Uma paisagem bela no sertão
É onde nasce o improviso
De um broto nasce um riso
Flora no ser coração
15, 14, 13, 12, 11
10 e 9
Só faz lama quando chove
E enche o riacho Gramum
Pássaro preto é Anum
Que o bico trás o vinco
8, 7, 6 e 5
4, 3, 2 e 1
Na lua cheia uma paisagem prateada
Mandacaru retém água pra viver
O solo seco é a riqueza dessa terra
A vela, a reza para o que vem acontecer
“Chuveu na cabiceira" Riachão
É onde nasce o improviso
De um broto nasce um riso
Flora no seu coração
Em um comentário para o site Território da Música, postado no mesmo período, a autora Cátia Duchen, compara a sonoridade do grupo com um dos ícones do rock baiano: “são baianos, e não pude deixar de reparar numa certa semelhança com Raul Seixas. A ousadia nas misturas de ritmos e gêneros musicais realizada por Raul décadas atrás é vista agora na Café com Blues. Certamente que são estilos diferentes, mas causam o mesmo efeito de fascínio sobre as pessoas”.
Importante lembrar que juntar o rock e o blues com elementos nordestinos não é mais uma surpresa para o cenário independente brasileiro. Em Feira de Santana (BA), a banda Clube de Patifes se destacou no cenário por conseguir equilibrar o sofrimento da música afro-americana e o forró da música tradicional. Inclusive, foram chamados de “candomblues” pela canção Um dia blue, do disco Com Um Pouco Mais de Alma, lançado em 2010. O grupo também passou por Vitória da Conquista, participando de vários eventos, como o projeto Noites Fora do Eixo, Grito Rock (2010) e o Festival Suíça Bahiana (2011).
Embora, atualmente, a Café Com Blues conte com um estilo mais definido, com canções que remetem ao olhar sertanejo, ou à caatinga, algumas canções, presentes no primeiro álbum, contaram com outros temas, como a faixa Jornal da manhã. Versos como “os homens enchem as carteiras/ e eu aqui sem grana tomando o meu café da manhã” e “o papa beija o solo da terra/ e ainda não há paz entre as nações”, muito se adequam à realidade atual. Nesse sentido, destaca-se o terrorismo e guerras que vêm amedrontando diversos países, incluindo os EUA e a França, como o último atentado contra a imprensa local**, tema também presente na faixa Cultura. Mesmo não tratando sobre o caso, o autor atenta para a liberdade de expressão e aponta para a necessidade de valorizar as diferentes expressões artísticas e costumes, independente da origem.
Mas, ainda que o blues esteja bastante presente na banda, é com a Distintivo Blue que o gênero vem de forma mais intensa. O grupo surgiu em 2009 e, atualmente, segue formado por Lavus Bittencourt, (guitarra, violão), Rodrigo Bispo (contrabaixo), Nephtali Bittencourt (bateria) e o Plácido Oliveira (voz, gaita, violão, guitarra), mais conhecido como I. Malforea***. Este produz, compõe e gerencia o próprio site que está em constante movimento sobre as novidades vinculadas ao estilo.
* A formação atual da Café com Blues já mudou novamente, desde a composição do livro.
** Trata-se do ataque à revista sátira “Charlie Hebdo”, ocorrido na França, em janeiro de 2015.
*** A formação da Distintivo Blue também mudou desde a composição do livro.
Raquel Dantas nasceu em Vitória da Conquista-BA. Amante da música independente brasileira, conviveu desde cedo com vários artistas locais. Chegou a cursar Pedagogia na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, mas acabou desistindo para se dedicar ao desenho e à escrita. Seu primeiro livro, A Conquista do Rock, lançado em maio 2017, já nasceu pioneiro ao registrar a história da música independente local.
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Em maio anunciamos aqui na BLUEZinada! o lançamento do livro A Conquista do Rock, de Raquel Dantas. Trata-se de uma obra pioneira, cujo tema é a cena musical independente em Vitória da Conquista, sudoeste da Bahia: nunca antes uma obra literária inteiramente dedicada ao tema havia sido produzida na região. O rock e suas várias vertentes são o carro-chefe do texto, mas o blues não foi esquecido, recebendo um capítulo inteiro em sua homenagem.
O blues, como costumo dizer, é o alternativo ao que se costuma chamar de alternativo (embora não use mais a expressão "alternativo" ao me referir à música independente): nem mesmo entre os mais ortodoxos roqueiros é fácil encontrar quem ao menos tenha uma ideia clara de o que é o blues. Muitos músicos o subestimam, inclusive, com as já batidas frases do tipo "blues é fácil de tocar". Bem, basta vê-los se aventurar a tocá-lo ao menos uma vez para a dura realidade vir à tona: blues é muito mais feeling do que técnica.
Por esse motivo, bandas de blues sempre serão mais raras que as de rock, e não poderia ser diferente neste caso: basicamente o capítulo trata das duas bandas mais expressivas do gênero, a Café com Blues e a Distintivo Blue, que possuem origens que se entrelaçam consideravelmente. São as duas únicas bandas autorais que se tem notícia na cidade ou, ao menos, as únicas que gravaram e lançaram material autoral.
O livro já está à venda no site da editora e pelas mãos da própria autora, que nos concedeu uma entrevista quando do lançamento, contando sua trajetória e contextualizando a obra (link ao final do texto). Agora, é com imensa alegria que anunciamos a disponibilização, pela autora e a editora, de um capítulo do livro na íntegra, com exclusividade à BLUEZinada!: justamente o capítulo sobre o blues, para você ter acesso a uma boa amostra do material.
O texto será lançado em formato de minissérie especial, em quatro capítulos, um por dia, sendo esta introdução o primeiro, o segundo focado na Café com Blues, o terceiro na Distintivo Blue e, o quarto, finalizando com a bibliografia. Este é um texto valioso aos que se interessam pela história do blues nacional, formada pelas histórias e regionalismos de cada região, ainda muito pouco documentados.
Claro, nós recomendamos que você adquira uma cópia física do livro e confira todas as suas histórias. São quase duzentas páginas de informações inéditas, que certamente servirão de bibliografia para obras futuras. Confira abaixo o índice deste especial:
#1 - Introdução (esta página)
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Postado originalmente em 21/08/2017 na BLUEZinada!
Postado originalmente em 21/08/2017 na BLUEZinada!

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