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| Luciano PP, Camilo Oliveira, Stanley Patez, Mazinho Jardim e Dan Ribeiro. Imagem: Eduarda França. |
Plácido Oliveira
Agosto é um mês de grande expectativa musical para o conquistense, a começar pelo tradicional Festival de Inverno Bahia. Aos mais atentos e adeptos do rock n’ roll, há, ainda, a única oportunidade do ano para conferir de perto o gaitista Mazinho Jardim se apresentando ao vivo. Triplamente pioneiro, foi fundador da banda SS 433, a primeira autoral do gênero na cidade (1982) e atual detentora do “título” de primeira banda de blues da Bahia, cujo único trabalho gravado, o compacto homônimo, foi lançado no mesmo ano de Som na Guitarra (1984), álbum de estreia de Celso Blues Boy, maior nome do gênero no Brasil (sim, o blues na Bahia é conquistense!).
Vivendo há mais de meia década na pequena Vizela, norte de Portugal, sempre menciona a saudade da família e amigos, aproveitando suas férias anuais para atravessar o Atlântico. Desde 2023, reserva tempo e energia para reencontrar mais um velho companheiro: o palco.
O Rock Solidário teve início em 2009, quando Mazinho (gaita e voz), Caco Santana (guitarra e voz), Arodir Assis (contrabaixo) e Isaac Dantas (bateria) reuniram, depois de duas décadas de hiato, a SS 433 para um espetáculo beneficente no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, o Rock Contra a Fome. A ideia ressurgiu em 2023, após o trauma mundial da pandemia, sob o título Mazinho Jardim & 3 Homens Sem Conflito - Rock n’ Roll Solidário, acompanhado de Luciano PP (contrabaixo), Camilo Oliveira (guitarra) e Stanley Patez (bateria), que receberam os fonogramas de diversas fases da carreira do artista, incluindo também as bandas On Jack Tall Back e Dragster, e ensaiaram antes mesmo da chegada de Mazinho ao Brasil. Já em 2024, sua performance aconteceu na quarta edição do festival Agosto de Rock, ao lado do eterno parceiro Caco Santana, para celebrar os 40 anos de lançamento do histórico vinil.
Neste ano, os 3 Homens Sem Conflito se tornaram quatro, com a adição do guitarrista Dan Ribeiro, mantendo o mesmo método de trabalho anterior, culminando em um único show, na última sexta (29), no teatro do Centro de Cultura, com entrada condicionada à doação de 2kg de alimentos não perecíveis, destinados ao Programa Bahia Sem Fome, do Governo do Estado.
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| Plácido Oliveira e Klebber Santos. Imagem: @memoriasudoeste |
Convidado a fazer a apresentação de abertura, decidi ressoar a ideia de confraternização, chamando o guitarrista Klebber Santos, líder da conhecida banda Simple Jeans, para um pocket show intimista com apenas cinco canções: três do Distintivo Blue, uma da Simple Jeans e uma homenagem ao nosso saudoso amigo Evandro Correia, que já executo desde 2022: a belíssima faixa Lua de Agosto.
Abrem-se novamente as cortinas vermelhas e o riff de gaita de Bola Gigante volta a ecoar em terras conquistenses. Visível e assumidamente emocionado, Mazinho, sempre sorridente, esbanja seu carisma ao longo de dezesseis faixas, extremamente bem executadas pelos 4 Homens Sem Conflito, ainda mais entrosados que antes. Na lateral do palco, Niel Costa, técnico de som conhecido pela cena rock local e baixista da banda punk Renegados, operava a mesa de som. Todo o evento foi devidamente gravado em som e imagem. Em perfeita sintonia com o público, Mazinho se divertiu, explicou algumas canções, contou histórias e até arrancou risadas ao voltar ao camarim para buscar uma gaita para Blues Subterrâneo, dando à banda a chance de fazer um blues instrumental de improviso, como é de praxe no gênero musical do Mississippi.
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| Mazinho Jardim. Imagem: Eduarda França |
A competência da banda de apoio impressionou a todos, sobretudo nas faixas da Dragster, de maior complexidade técnica e arranjos mais diversificados que as da SS 433. Destaque para o baterista Stanley Patez, capaz de reunir precisão, feeling, timbragem e peso com rara maestria. Durante toda a apresentação pude ouvir, da arquibancada, toda sorte de elogios aos músicos, às músicas e ao anfitrião (mais um motivo para refletir sobre o quão absurda foi a não-lotação de um dos mais tradicionais espaços do rock conquistense àquela noite).
Felizmente, como dissemos, tudo foi gravado e poderá ser lançado em breve, quem sabe, nas plataformas de streaming. Aguardemos as próximas movimentações do velho blueseiro, inclusive no final de agosto do ano que vem, no mesmo local. “Vida longa ao rock conquistense!”, disse por diversas vezes, em entrevistas, redes sociais e no palco. Assim seja!
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| Mazinho Jardim no palco do Agosto. Imagem: William Soares |
Em sua participação na segunda temporada do projeto Toca Autoral!, o cantor, gaitista e compositor Mazinho Jardim, atualmente residindo na pequena cidade de Vizela, em Portugal, prometeu retornar a Conquista em 2024 para mais um show. Sua sessão foi gravada quatro dias após a apresentação do Rock Solidário, no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, com uma banda apelidada de 3 Homens Sem Conflito, e repertório composto por canções antigas, dos tempos de SS-433, e mais recentes, do seu projeto atual, Dragster. A vinda anual ao Brasil coincide com suas férias, e o tempo é dividido entre o reencontro com parentes, amigos e alguma iniciativa musical, portanto, agosto é o mês para aproveitar uma possível chance de conferir o pioneiro do blues baiano em ação, no palco.
A intenção inicial do artista era a de repetir o show do ano passado, no mesmo espaço. Porém, 2024 ainda nos traria o surpreendente anúncio de retorno do Agosto de Rock, icônico festival independente que marcou a primeira metade da década de 2000, deixando um forte legado para os eventos que vieram em seguida. A data dos dois eventos coincidiu, e o artista decidiu participar da seleção aberta publicada para compor a disputadíssima grade que contou com 81 bandas inscritas.
Com a divulgação do resultado, Mazinho optou por convidar o guitarrista e amigo de longa data, Caco Santana, com quem fundou, em 1982, a SS-433, para apresentar um repertório composto essencialmente por canções da lendária banda, aproveitando para comemorar os 40 anos de lançamento do compacto homônimo, que acumula, até o momento, os títulos de primeiro vinil de uma banda de blues baiana e de primeiro da cena rock conquistense.
Assim, na semana anterior ao evento, Mazinho pegou a estrada rumo a Ipiaú (a cidade da igreja de torre blue), onde vive Caco, que convocou o baixista Roque Fischer e o veterano baterista Zé Tenaz para comporem a banda de apoio, e fizeram alguns ensaios. O show Mazinho Jardim & Caco Santana: SS-433 40 Anos despertou a curiosidade e animação de muitos: a presença dos pioneiros no tão sonhado retorno do mais importante festival da história da cena rock conquistense era uma garantia de boas experiências, unindo várias gerações de roqueiros. "Mazinho foi o primeiro roqueiro verdadeiro de Conquista. Quando eu era moleque, bem antes de começar a tocar, costumava assistir à SS-433 no antigo Jardim das Borboletas (atual Praça Tancredo Neves), na Praça da Normal...", disse o músico Gil Barros, membro do também lendário Grupo Barros, enquanto aguardava o início do show, na Mansão Lost, um enorme espaço rural situado à beira do Anel Viário, onde aconteceu o evento.
| O rol de canções disponíveis para o show, pelo próprio Mazinho. |
Chegado o momento, a apresentação tem início com a participação do gaitista Diro Oliveira (Café com Blues) no palco, em um duo de gaitas, culminando em Bola Gigante, primeira canção da noite. "Este show é totalmente autoral, falou, gente?", disse Mazinho antes de iniciar O Lado Escuro da Cidade. Após Diamante, Caco apresenta a si mesmo e ao restante dos companheiros, enfatizando a presença do baterista Zé Tenaz: "Tocou com Luiz Caldas!". O peso do momento parece ter sido demais para a estrutura do evento, já que ouviu-se uma explosão, seguida de um grande blackout, que durou cerca de duas horas, até que um gerador de energia fosse providenciado e instalado.
A esta altura, a grade, já atrasada, sofreu baixas: devido a questões contratuais, o evento anunciou, nos bastidores, que a banda paulistana Korzus subiria ao palco quando a energia fosse retomada, e que as demais bandas se limitariam a tocar apenas cinco músicas, com Mazinho & Caco retornando logo após a headliner, sendo seguida pela banda conquistense Dona Iracema. Os veteranos, que previam um repertório de 18 faixas, escolheram algumas das mais animadas e retomaram a apresentação algumas horas depois do apagão.
REPERTÓRIO
(Pré-apagão)
1) Bola Gigante (com Diro Oliveira)
2) O Lado Escuro da Cidade
3) Diamante
(Pós-apagão)
1) Rock da Palestina
2) Eles Pensam Que Me Enganam (Velhos Blues)
3) O Bem e o Mal
4) Sem Vacilo
5) Você Não Vê
6) Jane Furacão
7) Bola Gigante
8) Walking By Myself (Caco cantando)
| O palco, às 2:30h de 1º de setembro. Foto: Plácido Oliveira |
Em diversos festivais famosos sempre ocorreram problemas técnicos que entraram para a história e até mesmo adquiriram, com o tempo, certo romantismo. Muitos sonham, ao ler os inúmeros livros sobre o primeiro Woodstock ou o Rock in Rio, em como teria sido fantástico viver tudo aquilo de perto. Os que de fato viveram contam sobre suas experiências aos demais com nostalgia. Porém, no calor do momento e sem essa consciência histórica, a frustração parece ser o sentimento dominante no público, organização (que inevitavelmente também é tomada por um justificado desespero, por motivos óbvios) e artistas, em especial os que ocupavam o palco no momento do problema. Nos bastidores, muitas dúvidas sobre quando e se seria possível retomar a apresentação, em meio às tradicionais disputas de ego entre as bandas, para garantir melhores posições na nova configuração.
Madrugada adentro, Mazinho e Caco retomam sua apresentação com a responsabilidade de conduzir um público já cansado e recém-saído de um show pesado, alto e longo da Korzus, com suas canções autorais que há muito não eram tocadas por aqui: um momento de redescoberta e reencontro entre artistas, público, a cidade e a obra.
De cabeça erguida, os pioneiros tocaram mais oito músicas, sendo sete autorais, conhecidas pelo público underground conquistense "das antigas", encerrando sua histórica apresentação no esperado retorno do Agosto de Rock, protagonizando o momento do apagão, que já se tornou sinônimo de boas histórias. Mazinho, com 65 anos recém-completados (20/08) retorna a Portugal, Caco (61 anos) e o restante da banda a Ipiaú e aos fãs fica a esperança de vê-los juntos novamente cantando e tocando seus blues e rocks de letras críticas e divertidas, que resistiram muito bem ao passar das décadas. Quem sabe, no próximo ano?
Assista, abaixo, a trechos da apresentação, por William Soares:
Um dos principais objetivos do Memória Musical do Sudoeste da Bahia [@memoriasudoeste], projeto de pesquisa, fomento e preservação independente, para além do simples acumular material sobre a música da nossa região, como qualquer museu, é incentivar os artistas através da produção original de conteúdo: pensar não apenas o passado, mas o hoje, o agora.
No subprojeto TOCA AUTORAL! não há espaço para tributo: queremos mostrar que, em nossa região, há muita gente criando e se expressando através da arte. Apresentaremos diversos artistas, de variados gêneros musicais, mostrando suas próprias obras, muitas vezes ainda inéditas, e disponibilizando gratuitamente em plataformas de streaming, em formatos diversos.
A segunda Temporada tem início com o pioneiro do blues baiano, Mazinho Jardim (Vitória da Conquista), revisitando sua obra desde os tempos da banda SS 433 até o Dragster, seu projeto mais recente, fundado em São Paulo.
Música é arte. Arte é expressão. O que nossos artistas têm a dizer atualmente?
A PRODUÇÃO
A ideia do Toca Autoral! remonta a 2017, quando desenvolvemos uma experiência semelhante, no então interditado teatro do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, fechado para eventos com a presença de público, mas utilizado pelo Distintivo Blue como local de ensaio e gravações desde 2015. Utilizando a mesma pauta (duas manhãs por semana), convocamos artistas locais para gravar vídeos no formato voz-e-violão, executando cinco músicas, sendo que destas, três deveriam ser autorais. O @memoriasudoeste ainda não existia: tudo foi realizado sob o seu projeto ancestral, a BLUEZinada! [confira aqui uma playlist com esses vídeos antigos], mais direcionado ao blues e jazz, portanto, as CCCJL Sessions extrapolavam sua temática e anunciavam a necessidade de um trabalho voltado à musicalidade da região sudoeste da Bahia, que só nasceria em 2019.
Desta vez, pensando na enorme popularização dos chamados "shows-tributo", onde a nostalgia pelos chamados "clássicos" termina por, não raro, desestimular a execução da música autoral nos diversos palcos da região, decidimos radicalizar a antiga proposta, convidando apenas artistas que não se limitam unicamente a reproduzir o que já foi consagrado, mas também criam arte nova, provando que a música contemporânea ainda existe e continua expressando seu tempo e espaço, papel de todas as artes desde tempos remotos. Desta vez são seis músicas, todas autorais, além de pequenas falas explicativas e uma autobiográfica de até cerca de dez minutos. O formato ainda é minimalista, geralmente voz + instrumento, dada a nossa limitação em equipamentos, pessoal e tempo para a produção dos materiais.
O título do subprojeto é uma clara provocação ao universo dos "shows-tributo": ao invés do famoso, exaustivo e, muitas vezes, automático "toca Raul!", incentivamos o artista a mostrar suas próprias criações. O "Toca Autoral!" surge, pela primeira vez, no texto da matéria de capa da primeira edição da nossa zine, Memória Musical do Sudoeste da Bahia [Acesse aqui], nos inspirando a aprofundar o conceito que se materializa agora. Afinal, se o próprio Raul Seixas tivesse cedido e estacionado no confortável "tributo a Elvis" que marcou o início de sua carreira, não investindo em sua própria identidade artística, quem gritaria "toca Raul!" hoje?
O CONTEÚDO
O Toca Autoral! não se limita à produção de vídeos: o artista tem acesso a um sistema completo de produção original, que inclui a publicação de vídeos individuais de cada uma das faixas, além do vídeo completo, incluindo as falas explicativas e autobiográfica. Ainda, a uma sessão de fotos, que poderão ser utilizadas para a sua própria divulgação, como desejar. As músicas são mixadas e masterizadas para compor um EP de verdade e distribuído para as principais plataformas de música, como Spotify, Deezer, Apple Music, Amazon, etc. A gravação ainda será lançada no formato podcast e disponibilizada nos principais agregadores. Ao final da temporada, será lançada, ainda, uma edição especial da nossa zine, que será publicada tanto em formato digital (.pdf) quanto impresso e em áudio, enriquecendo o portfólio do artista e, mais amplamente, a musicalidade da região em geral, valorizando a produção autoral e incentivando outros artistas a tocar suas próprias músicas.
Todo esse material é entregue ao artista, gratuitamente, para que o utilize como julgar adequado para o desenvolvimento de sua própria carreira artística. Assim, durante o período de lançamentos, ainda buscamos formas de acesso aos veículos de Imprensa, como emissoras de rádio, TV, jornais, revistas, blogs, etc., sempre com a preocupação de registrar toda e qualquer participação nesse sentido e publicar em seguida.
Ao artista é exigido, para a participação, certo nível de comprometimento: ensaiar suficientemente suas músicas para uma boa execução, ser pontual às participações e fornecer as letras cifradas de todas as canções, afinal, o "'Toca' Autoral!" também significa incentivar e permitir que o público conheça sua obra a ponto de também desejar/conseguir executá-la, de onde estiver. Trata-se de um projeto de fomento ao artista, mas, também, de formação de público. Demonstrar que o artista regional guarda, em si, tanto valor quanto o "consagrado" e divulgado em grandes proporções é uma das máximas mais caras do @memoriasudoeste.
"Em 1982, quando voltei do Amazonas, encontrei uma figura aqui, o Pepino, o Luiz Alberto. Frequentava casa dele, ia com a minha gaita. E também um figura que mora em Salvador, o compositor de Jane Furacão, Arodir Assis. ele morava aqui, fez faculdade de Agronomia, acho... E a gente se encontrava, ele tinha uma viola de 12 cordas , e a gente se batia na casa de Arô, fazendo um rock n’ rollzinho, a gaita com craviola, etc., aí compus o Jeremias Rock, a primeira que fiz, e a gente tocava nos barzinhos.
E aí o Pepino propôs: “Porque você não faz uma banda, cara? E se for fazer mesmo, bota o nome de SS43 que, segundo Nostradamus, é um cometa, um asteróide, que vai trazer destruição...” Isso é segundo Nostradamus e a história que Pepino contou pra gente, mas há outras versões sobre o SS43, falando de astros, mas não que viria destruir a terra, tanto que deu 2000 e a terra está se destruindo por outra forma, não por causa do SS43.
Então, um dia, fomos tocar, eu e Arô, violão e voz e gaita, lá no Teatro Carlos Jehovah. Aí eu falei: “gente, vamos fazer um som aqui, que pouca gente aqui de Conquista conhece: é um blues, não é muito difundido aqui em Vitória da Conquista, e acho que quase ninguém conhece, então, vamos fazer alguns blues aqui. Espero que vocês curtam”. E, de repente, uma voz lá no meio da plateia disse assim: “como não conhece? Eu conheço! Eu conheço blues”. Era o Caco Santana: Paulo Cezar Santana Andrade. Então, já surgiu o terceiro componente da banda SS 433. Super legal, né?
Caco tinha umas canções muito massa, e a gente era meio que tachado de louco por aí. Caco já soltava voz daquele jeito dele, uma figura de conhecimento político muito grande, e ele gostava de fazer músicas de protesto e tudo o mais. A gente se deu bem. Depois disso, faltou um batera, e entrou Zeca Metal tal na banda, uma figura exotérica, assim como Pepino. Aos poucos, a gente foi solidificando a ideia, e assim surgiu o SS43.
A gente teve a ideia de ir para São Paulo gravar o nosso disco, o compacto simples, mas na ocasião já era um outro baterista. Tocamos no underground, no Bixiga, na rua 3 de Maio, No Personinha, que era um local muito famoso de lá, por quatro anos seguidos, todo sábado, só com música própria, já com um baterista de lá, porque o que foi daqui foi com a gente tinha outros trabalhos para fazer. Lá eu conhecia duas garotas: a Rita Killer e a Aline Joint, que entrou para fazer backing e tinha um conhecimento muito grande do circuito musical, de arte em geral. A Rita trabalhava no centro de cultura, figura maravilhosa, a Aline dava uma puta força pra gente e fizeram parte do nosso vinil.
Tocamos no Rádio Clube, tocamos com Marcelo Nova, a banda Zero nesse mesmo dia... Nós dividimos palcos com essas celebridades da época, inclusive quando a gente foi mostrar Jane Furacão, nós mandamos para algumas emissoras pra ver se conseguíamos uma gravadora, e houve um dia, no Colégio Objetivo, lá tinha alguns estúdios, e fomos para uma sala, e na ao lado, tinha os Titãs mostrando Sonífera Ilha, e foi legal pra caramba, porque Sonífera Ilha se deu bem, tirou primeiro lugar, e Jane Furacão bateu na trave, mas fez parte da nossa história e deu mais coragem ainda pra dar continuidade no trabalho.
A SS continuou durante um período, acho que até 86, eu, Caco e Arô ficamos juntos, fizemos alguns shows por lá, com outro baterista, aí cada um terminou tomando o seu rumo. O Arô ainda ficou mais tempo lá comigo lá em São Paulo, assim como o Caco também, e já não tava quase rolando mais a SS 433. Cada um fez o seu trabalho, o Arô teve de ir para Salvador, Caco voltou para Conquista, eu fiquei lá sozinho, só que algumas pessoas que costumavam a curtir o som da gente nos bares, “e aí, o SS não vai rolar mais?” e eu falei: “não, os meninos estão voltando, eles têm outras coisas pra fazer, né, que tem a filha, tudo mais, aí o rolou o casamento, de um, Arô também se casou, e a partir daí, o SS não voltou mais.
Aí eu me reuni, por causa de um estúdio que a gente tocava no Brás, com Carlos Santee, Marcelo Grego e Sandro Moreira, e fizemos uma banda chamada On Jack Tall Back. Durante um bom período a gente tocou com esse nome. Entrou um tecladista sensacional, Marcelo Ataíde, e tocamos na feira da Vila Madalena, no Bixiga, em outros bares na feira da Pompeia, muitos lugares, e percebíamos que o público adorava o nosso trabalho, que a gente não consumava fazer cover. Eu não falo muito bem inglês, e preferia mesmo cantar em português e tentar passar uma mensagem nossa, canções da dona nossa vivência, tudo que a gente já passou desde Vitória da Conquista, Salvador, inclusive no Circo Troca de Segredos, que foi uma participação com bandas punk, e a gente entrou com o blues, uma loucura, porque na hora que a gente começou a tocar, os punks viraram de costas para a gente, rejeitando mesmo o blues, ninguém curtia mesmo. Depois de tudo isso, em 2003, é que montei o Dragster. A gente mudou o nome porque On Jack Tall Back, não estava legal, já existia outra banda com esse nome, e tinha uma coisa relacionada à droga, achavam que era apologia… O legal é porque a forma de escrever On Jack Tall Beck não tem tradução em inglês, porque é mais pela sonorização, pela fala que dá “onde é que tá o beck”.
Só depois que montamos o Dragster que fizemos umas gravações das mesmas músicas e algumas canções novas. Carlos Santee ficou durante 20 anos comigo, Marcelo Grego, que veio a sair depois, e o Sandro Moreira continuou comigo até 2017, e aí o Roger Baccelli, um maestro, professor de música que tem na Vila Maria, eu morava ao lado da casa dele, sempre passava em frente, ouvia o trabalho dele e tudo mais, e aí a gente tinha esse trabalho feito, mas estava sem baixista. O Carlão, o Carlos Santee, falou: “a gente não pode deixar isso para lá. Eu tenho umas canções novas, e quero que você faça esse trabalho, Mazinho, então eu vou dar um jeito, eu vou pro estúdio”. Ele mesmo tocou baixo, depois a bateria foi o Sandro Moreira e, no fim, fui colocar a voz e as gaitas, ou seja, nós fizemos a gravação desse disco, Memória Seletiva, e não nos encontramos nenhuma vez durante a gravação. Só depois que tudo estava feito a gente se reuniu, já para ensaio, para fazer um show, e eu achei sensacional isso, eu acho que é dessa forma que ter acontecido, ultimamente. A gente não tem muito tempo, a vida é muito corrida, trabalha e tudo mais, então a gente não tem tempo de ficar encontrando para ensaiar todos os dias ou todo fim de semana, então foi feito dessa forma.
Eu produzi esse disco assim, e eu tenho essa história toda, minha história, a história de 2003 até 2010, que me casei e vim para Conquista, uma história muito interessante, Me separei depois, e tive problemas de saúde, etc., e tudo isso conversava muito com o Carlos Santee, um cara espiritualista. A gente tem uma sintonia espiritual muito grande, e como não escrevo muito, eu escrevo uma canção ou outra, algumas com o Caco e com o Arô, mas esse caso é do Carlos Santee. Contei a minha história, ele passou tudo para o papel. É o caso de O que é preciso, Inexplicação. Dragster eu mesmo compus, mas a canção, os arranjos, são todos de Carlos Santee.
Oito canções desse disco são do Carlos, o cara a quem eu dedico todo meu trabalho. A sintonia que a gente tem é muito grande. Eu mandei para alguns lugares, inclusive o CD depois de pronto, até para a Kiss FM, e quem estava trabalhando lá na ocasião era o Clemente, dos Inocentes, que eu tenho ouvido muito o trabalho deles, é inclusive o Filhos da Pátria. Ao meio-dia ele tinha esse programa lá na Kiss FM, e eu levei para se tocavam, mas a primeira coisa que ouvi lá dentro de algumas pessoas, foi: “tem um jabazinho aí?” Aí não tem condições, né? Tanto trabalho mal feito sendo tocado, e a gente traz uma obra até que, interessante, e a primeira coisa que as pessoas já perguntam é sobre jabá, pagar para tocar, então eu fui me virando eu mesmo. Produzi esse trabalho todo. Carlos Santee fazendo as composições, nós todos fomos ao estúdio para fazer o trabalho, mas a parte logística mesmo foi o que fiz, porque sempre senti prazer em fazer esse trabalho com eles. O Dragster vem disso aí, e vale a pena. Eu não vou deixar de lado, e eu não vou também tocar com outras pessoas dentro do Dragster, não.
Esse projeto que eu trouxe aqui pra Vitória da Conquista, Rock Solidário, eu fiz porque o Carlos, por exemplo, se casou, e às vezes quando se casa, já tem outras obrigações. E filho, que nasce, o trabalho, ocupa muito tempo dele, o Marcelo Grego já teve outras coisas para fazer também. O Roger Baccelli ficou, porque ele é músico mesmo. Então deu certo, tocava no Nacionarquia, uma banda de metal pesado, em São Paulo, que fez muito sucesso também, inclusive tocou em rádio, tudo mais. O Nacionarquia é uma tremenda banda. Quem não conhece, procure saber, que é legal. E aí ele faz um trabalho comigo também, e qualquer hora que a gente chamar para fazer um show, eles estão junto. Não dá é para a gente se encontrar sempre, exatamente por essas obrigações. Eu me entreguei mais, pelo rock n’ roll, de corpo e alma, dedico o meu trabalho, a renda que tenho, se eu posso investir nesse trabalho, eu faço.
Foi o que aconteceu agora (2023) com o Rock Solidário: Mazinho Jardim e 3 Homens Sem Conflito. Luciano PP, o Stanley Patez e o Camilo, músicos maravilhosos, eu não poderia ter tido maior sorte. Aliás, foi uma sugestão de Pedro Massinha. Ele falou: “Mazinho, por que que ficar trazendo gente para lá para cá? Aqui tem músicos maravilhosos”, e então falei: "Poxa, quem é que vai tocar aí comigo? É um trabalho um pouco complicado para se fazer, as músicas são meio complexas, e tudo mais”. “Bota o Luciano PP”. Eu falei: "Ah, mas Luciano é um profissional, não tocaria comigo, ele está muito ocupado, tem outros projetos, tem muita coisa que ele tá fazendo, acho que não vai ter tempo isso”. Mas eu mandei o trabalho, e o PP falou: "É na hora, estamos juntos." Eu falei "Então pronto, PP, vamos fazer esse trabalho juntos?" E aí, ele indicou o baterista, o Stanley, e indicou o Camilo, que quando eu saí daqui em 2010, ele era muito jovem, tinha menos de 20 anos, sobrinho de Diro Oliveira, que é outro parceiro maravilhoso que eu tenho.
Então, foi aí, que surgiu esse projeto aí do rock solidário. E eu espero, o ano que vem (2024), fazer esse rock solidário novamente.
Agradeço a oportunidade de fazer esse Toca Autoral!, agradecer ao Plácido, ao PP, que sentou aqui comigo, puta irmão, agora já parece que não tem mais jeito de eu falar que o cara não tocaria comigo, porque eu acho que ele gosta de mim. Ele é retado, viu? Então, eu agradeço muito, gente, e prometo, ano que vem, a gente vai estar junto novamente. Dá-lhe Toca Autoral!. Um abraço, gente. Muito obrigado."
Confira o Episódio completo abaixo:
🟠 Playlist completa no Youtube [episódios completos]
🟢 Playlist completa no Youtube [músicas separadas]
MÚSICAS
1) Bola Gigante (Mazinho Jardim)
BR7PI2400020
"Bola gigante é uma canção que fiz em 1983, na época do SS 433, e passamos a executá-la muito tempo depois. Quando formei o Dragster, fiz uma nova roupagem. Nela, falo da minha existência aqui no planeta Terra, porque acredito muito que a gente veio de outro lugar, que está aqui de passagem, lapidando o espírito, para depois voltar para a nossa terra de origem. E falo do que a gente vive neste mundo cheio de violência, discórdias e tudo mais, mas acredito num mundo melhor, fora daqui."
Vivo preso numa bola gigante
Rodeado de pessoas hostis
Tenho sede de lugares distantes
De uma terra que eu nunca vivi
Vivo preso numa bola gigante
Rodeado de pessoas hostis
Tenho sede de lugares distantes
De uma terra que eu nunca vivi
Olho por olho
Dente por dente
Mata ou morre
Deixa de existir
Seu espírito em outro planeta
Sua missão ele acabou de cumprir
Agora eu peço pros meus amjos de guarda
Noutro plano que eu vier assumir
Me protejam dessa raça desumana
Deem-me asas pra eu nunca cair
Vivo preso numa bola gigante
Rodeado de pessoas hostis
Tenho sede de lugares distantes
De uma terra que eu nunca vivi
Olho por olho
Dente por dente
Mata ou morre
Deixa de existir
Seu espírito em outro planeta
Sua missão ele acabou de cumprir
2) Blues Subterrâneo (Caco Santana)
BR7PI2400021
"Blues Subterrâneo fez parte do compacto que nós fizemos, o SS 433. Caco escreveu essa música e achei interessante. Vale a pena regravar desta forma, acústica. É um rhythm and blues. Normalmente a gente faz aqueles blues lentos, mas o rhythm and blues pega muito bem. Ela é o que diz mesmo, não há muito o que explicar: rodando o planeta, no hemisfério sul. Em todos os lugares desse planeta que a gente passa, e eu tenho viajado tanto, e ela me acompanha. É uma música atemporal. Foi feita em 1982 e está num formato bem diferente agora. Gosto muito dessa canção, por isso faz parte deste Toca Autoral!. Tomara que vocês gostem."
Rodo o planeta
No hemisfério sul
Vejo um milhão de estrelas
Para tocar meus blues
Persigo tua alma
Me encontro com você no azul
Como um subterrâneo
Mergulho no oceano atlêntico
Voando como um anjo
Me sinto um robô atômico
Persigo tua alma
Me encontro com você no azul
3) Blues de Ipiaú (José Américo Castro, Mazinho Jardim, Jaime Cobra)
BR7PI2400022
"O Blues de Ipiaú originalmente foi composta por José Américo, de Ipiaú. Em 1982, Caco me apresentou essa canção, mas não lembrava da letra, lembrava só da primeira parte. E eu gostei demais dessa canção, e a segunda parte foi escrita por mim. Ela lembra outras canções, como o Vapor Barato, de Jards Macalé, e falam que é uma cópia, mas não é não. Foi um sentimento muito bom que tivemos naquele momento. Gosto dessa parte da gaita, fica muito bonito. As pessoas adoram essa canção, na verdade. independentemente de se parecer com outra canção. Foi uma canção despretensiosa. Gosto e vou tocar sempre, sem dúvida."
Sentado aqui
Neste pedaço de estrada
Meus olhos vermelhos
De tanto chorar
Sentado aqui
Neste pedaço de estrada
Meus olhos vermelhos e cansados
Podem ver muito bem
A torre azul da igreja de Ipiaú
A torre blue da igreja de Ipiaú
Você aqui
Sentada ao meu lado
Lembrando o passado
Que eu também vivi
Lembranças que hoje
Eu trago no peito
Revolucionário
Este lindo blues
A torre azul da igreja de Ipiaú
A torre blue da igreja de Ipiaú
4) O Bem e o Mal (Caco Santana)
BR7PI2400023
"Esse blues é demais, eu adoro. Tem tudo a ver com a minha vida, com o underground, com a vida dos músicos de modo geral, para quem faz rock n roll, o underground de São Paulo, do Bixiga, aquilo tudo que a gente fazia. Caco compôs a letra. Estou com uma roupagem diferente, que fiz com o Dragster. O bem e o mal é uma mulher, aquelas mulheres que você se apaixona, se entrega de toda forma, e às vezes se entrega demais e se perde. São paixões assim que acontecem com todo homem, e às vezes a gente faz, como diz a letra, um pacto com mulheres como essas, que nos levam a fazer loucuras. Mas faz parte do amor, com pela música, pelo blues, pela bebida, pelas coisas loucas que a gente faz, as besteiras que a gente faz na vida. Mas vale a pena viver tudo isso, e gente tem de contar. Eu vi isso, nós vivemos isso, nós, músicos do underground, subways, da vida, né? Eu adoro. O bem e o mal é bem por aí: mulheres de cabelos longos, que nos fazem perder a cabeça, nos drogam de alguma forma… É o bem o mal, o demônio do mal."
Certo dia eu saí de casa
Pra curtir uma legal
Vejam só quem eu encontrei
Foi o bem e o mal
Foi o bem e o mal
Foi o bem e o mal
Foi o bem e o mal
Tinha os cabelos longos
Etecetra e tal
Chamavam-na de o bem
O demônio do mal
O demônio do mal
O demônio do mal
O demônio do mal
Me chamou pra uma esquina
E o meu pulso cortou
Fiz um pacto com ela
De virar seu amor
De virar seu amor
De virar seu amor
De virar seu amor
Foi o bem e o mal
Foi o bem e o mal
O demônio do mal
O demônio do mal
De virar seu amor
De virar seu amor
5) O Que É Preciso (Carlos Santee)
BR7PI2400024
"O que preciso é uma canção que fala de mim mesmo, de um amor que tive durante muito tempo e perdi, mas quando o amor é incondicional, a gente nunca perde. O importante é que essa pessoa esteja feliz, né? E contei essa história ao guitarrista da Dragster, o Carlos Santee. Ele tem uma ligação muito forte comigo, espiritual. E eu, como não escrevo muitas canções, ele passou todo o meu sentimento, meu pensamento, da história que contei para o papel. Um amor que eu tive aqui em Conquista, né? Começou em São Paulo, daí vim aqui para Conquista. O amor da minha vida. A mãe da Vida, entende o que eu estou querendo falar? Se fosse possível que ela voltasse um dia, se fosse preciso qualquer coisa, eu faria. Mas eu penso dessa forma às vezes, mas penso melhor ainda: se ela está feliz, cara, do jeito que ela está agora, isso é que é importante. Para mim, isso é a amor incondicional, não importa o que tem acontecido entre nós. Os anos que vivemos juntos foram os mais felizes da minha vida. Eu faria qualquer coisa para ela voltar, mas se ela está feliz como ela está agora, é isso é que vale. Esse é um amor verdadeiro, então “o que é preciso?” É preciso a gente compreender um ao outro, amar um ao outro e deixar a vida seguir, que daqui não se leva nada, se não as esperanças de coisas futuras no outro mundo, melhor que este. É isso aí."
Fechei meus olhos pra te libertar
Aceitei perder para você ganhar
Perdi meu rumo pra te orientar
Cortei minhas asas para você poder voar
Sangrei minha alma pra te imacular
Reprimi instintos pra te preservar
Mandei flores aos mortos que eu mesmo matei
Pra te saciar
Cerrei todas as cortinas para te blindar
Fingi gostar quando você fingiu prazer
Senti raiva e dor para seus risos arrancar
Cessei minhas dependências para você se entorpecer
Quebrei todas as regras para você jogar
Refiz meu repertório para nunca te ofender
Eu tentei
Juro que tentei
Mas não consegui
Me diz então, baby
O que é preciso
Pra fazer você voltar a respirar
Nos mesmos metros cúbicos que eu respiro
Me diz então, baby
O que é preciso
Pra você voltar a respirar
Comigo
Voltei no tempo para te acompanhar
Pausei as rotações do mundo para te esquecer
Marquei todos os limites para tentar te confinar
Mudei meus planos pra tentar te convencer
Vendi meus sonhos para a realidade se inventar
Superei meus medos pra te fortalecer
Comprei lotes no inferno ao preço do fim
Pra te dar o céu
Fechei, aceitei, perdi
Cortei, sangrei, reprimi
Cerrei, fingi, senti
Cessei, quebrei, refiz
Eu tentei
Juro que tentei
Mas não consegui
Me diz então, meu bem
O que é preciso
Pra fazer você voltar a respirar
Nos mesmos metros cúbicos que eu respiro
Me diz então, meu bem
O que é preciso
Pra você voltar a respirar
Comigo
6) Jane Furacão (Arodir Assis)
BR7PI2400025
"Jane Furacão é a primeira canção, do lado A, do vinil do SS 433. Gravamos em 1984. No lado A, Jane Furacão, do B, Blues Subterrâneo. Jane é uma menina que Arô conheceu nas praias de Salvador. É uma menina danada, vivia meio que fora da galera, porque era um outro ambiente que ela queria. Naquela época em Salvador, a coisa do carnaval, a coisa do axé, tudo mais, mas ela não curtia nada disso, ela curtia rock n’ roll. Puta figura, vale a pena falar dela, daquela época do radinho de pilha, do walkman, tudo o mais. Tudo isso é verdadeiro. Eu gosto muito de Jane. Se ela quisesse, eu namoraria com ela, sem dúvida, mas o guru já falou que não deveria: daria problemas de mais na minha vida. Valeu pela fase do rock n’ roll. Jane! Estamos juntos, minha querida!"
Jane era uma garota muito calada
Ficava sempre fora da rapaziada
Garota muito estranha naquela cidade
O seu rádio de pilha era a felicidade
Cresceu desde menina com a razão
De ser o rock n' roll a única saída
Mudou o visual, deu um jeito na vida
Tornou-se para todos Jane Furacão
Ela é Jane, ela é Jane
Amante do rock n' roll
É a garota que o guru me disse
Para não ter um caso de amor
Ela é punk, ela é punk
Amante do rock n' roll
É um motor de arranque
Que faz gerar pavor
FICHA TÉCNICA
Memória Musical do Sudoeste da Bahia apresenta: Toca Autoral! - II Temporada
Produção: Plácido Oliveira [http://linktr.ee/placidoliveira]
Agradecimentos: Luciano PP
Gravado em 28 de agosto de 2023, na Sala Angelina Timóteo de Oliveira - Distintivo Blue.
Vitória da Conquista, Bahia, Brasil.
Publicação: 31 de julho de 2024
DIVULGAÇÃO
AGUARDE MAIS UM POUCO...
Podcast | Memória Musical do Sudoeste da Bahia [zine] Edição Especial | Letras cifradas
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José Américo Castro [@jose.americo.castro], autor dos versos que deram origem ao "Blues de Ipiaú", escreveu, em março deste ano:
"Um passeio pela arte dos monumentos e templos religiosos de Ipiaú é a exposição que o ilustrador digital Pedro Gabriel apresentará na Virada Cultural. Nesse passeio o artista mostra seu personagem visitando o prédio da matriz de São Roque com sua torre de azulejos azul que motivou uma canção conhecida com 'A Torre Blue da Igreja de Ipiaú'. [...]".
Segundo Mazinho Jardim [@mazinho.jardim] e Caco Santana [@paulocezarsantanaandrade], quando decidiram criar a versão eternizada pela SS 433, na primeira metade da década de 1980, não conseguiam se lembrar da letra original com exatidão, por isso reescreveram diversos trechos, já de acordo com os arranjos de Jaime Cobra.
🟠 Escute agora mesmo a versão executada por Mazinho Jardim até hoje, no YouTube ou em qualquer plataforma de música, através do EP "Toca Autoral! - Mazinho Jardim".
🟠 Esta e outras histórias, você confere no Episódio completo do Toca Autoral! com Mazinho Jardim, a partir desta sexta (26/07) ao meio dia, em nosso canal no YouTube: @memoriasudoeste.
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| Nem Tosco Todo, da Cama de Jornal, durante apresentação no festival Point do Rock, em Vitória da Conquista. Foto: Caique Santos |
Hoje é dia de rock, bebê! A data 13 de julho, comemorada em todo mundo, foi escolhida em homenagem ao concerto Live Aid, que reuniu diversos artistas do gênero musical, em 1985, para levantar fundos e combater a fome na Etiópia, país do continente africano. Mas não é preciso ir tão longe, já que Vitória da Conquista é palco para que muitas bandas vivam o bom e velho Rock n’ Roll. Acompanhe a seguir uma seleção de grupos que têm o seu nome marcado no Rock conquistense.
Cama de Jornal
Em atividade há mais de vinte anos e com seis discos lançados (sendo quatro de estúdio e dois com gravações ao vivo), é impossível não interligar a banda Cama de Jornal ao rock de Vitória da Conquista. A primeira formação, composta por Emanuel “Nem Tosco Todo” Moraes (vocais), Lázaro (guitarra), Rose (baixo) e Rodinei (bateria), se uniu em um primeiro momento apenas para fazer um som sem pretensões comerciais, como discos ou apresentações, mas foi inevitável. Ali, a banda dava os seus primeiros passos.
Em 2003, com um novo integrante, Helder, que assumiu a bateria no lugar de Rodinei, a Cama de Jornal gravou o seu primeiro álbum, intitulado “A Revolta dos Miseráveis”, com dez músicas autorais e um cover. Mesmo sendo o primeiro disco de uma banda, até então, desconhecida, o tiro foi certeiro e o impacto foi imediato, com parte das faixas sendo tocadas em rádios locais após pedidos de ouvintes. O som punk, sincero e sem tantas preocupações com os quesitos técnicos chamou atenção por onde passou, já que aquilo era rock em sua essência pura.
No ano seguinte, 2004, a Cama de Jornal se apresentou no festival Point do Rock. A apresentação foi gravada e lançada em março daquele ano em um formato demo (demonstração) ao vivo. Ainda em 2004, a banda lançou o segundo disco, “Comendo Lixo”, com músicas que se tornaram indispensáveis no setlist do grupo, como a faixa-título, além de “Sim, Nós Somos os Piores” e “Os Políticos”.
Já como uma banda consolidada na cena local, em 2006, chega ao público o segundo álbum de estúdio, “Nada a Perder”, lançado pelo selo Tosco Todo e distribuído pela Terceiro Mundo Chaos Discos, de Curitiba, e pela DMN, de Amparo, São Paulo. A Cama de Jornal fecha a década com o lançamento do seu terceiro disco de estúdio, “Punk Rock de Conquista”, no fim de 2009, marcado pelo hit “O Álcool Me Persegue”, além de contar com participações especiais de Dalmo, vocalista da banda Atestado de Pobreza, e Houly, da banda Horda Punk, em duas das músicas do disco.
Marcando dez anos de atividade, em 2012, o conjunto lançou mais um trabalho ao vivo em comemoração ao feito. Esta é a Cama de Jornal, de Vitória da Conquista, que segue na estrada e é presença indispensável nos festivais que acontecem na cidade.
Mas se engana quem acha que o Rock conquistense é recente. Há cerca de quarenta anos, na década de 80, ecoava por aqui o som da SS433, uma banda de Rock'nBlues formada por Arodir Assis, no baixo, Isaac Oliveira, na bateria, e Marco Aurélio, que se apresenta com o nome Mazinho Jardim, nos vocais e na gaita. Em 1984, foi lançado o primeiro compacto de vinil (o que hoje equivale a um single) da banda, que já contava com a presença de uma das faixas mais conhecidas do grupo, a “Jane Furacão”.
Após a separação da banda, Mazinho Jardim fundou a banda Dragster, em São Paulo, e retornou a Conquista em 2009 para uma reunião da SS433, se apresentando no Viela Sebo-Café e no Centro de Cultura, participando, também, de programas de TV.
Posteriormente, Mazinho se mudou para Portugal, contudo, em um dos seus retornos ao Brasil, em agosto de 2023, o artista fez uma apresentação no Centro de Cultura de Vitória da Conquista para relembrar os sucessos lançados entre os anos 80 e 90. Apesar de não ter sido uma apresentação com a formação original, Mazinho, representando uma das bandas pioneiras do rock conquistense, fez com que os fãs se sentissem outra vez naquele ano em que “Jane Furacão” foi lançada.
O compacto, lançado originalmente em ‘84, não está disponível em plataformas de áudio, mas foi publicado no site Memória Musical do Sudoeste da Bahia. Ouça clicando aqui.
Outra Conduta
Em atividade na cena musical de Vitória da Conquista desde 2011, a Outra Conduta tem referências que vão do Hardcore, com seu som “cru”, até as melodias do New Metal, consolidado por bandas como Sepultura, Slipknot e System Of A Down mundo a fora.
A formação inicial do grupo contava com quatro membros: Velto Oliveira, nos vocais, Deni Lima, na guitarra, Fernando Coelho, no contrabaixo, e Alemão, na bateria. Mais tarde, Deni deixou a banda e deu espaço para a entrada de Diego Borges, que se tornou o novo guitarrista do grupo. Já neste ano, em janeiro, a banda anunciou o nome de Léo Oliveira, também para assumir as guitarras, ao lado de Diego, tornando o som da Outra Conduta mais completo, tanto no estúdio, quanto no ao vivo, sendo esta a formação atual.
Além de produzir trabalho autoral, o conjunto também realiza tributos a bandas conhecidas do rock nacional, como Charlie Brown Jr., Mamonas Assassinas, Detonautas e CPM 22. Com a mescla de músicas autorais e clássicos do gênero, a Outra Conduta se tornou uma presença cada vez mais frequente em festivais na cidade. Em 2024, a banda foi uma das atrações do Point do Rock e também fará parte do line-up do Conquista Motorock deste ano.
Após ver a sua visibilidade crescer exponencialmente, visando se consolidar de vez como um dos nomes mais relevantes do cenário recente do rock de Vitória da Conquista, em julho, a Outra Conduta lançou o single autoral “Blitz”, disponível em todas as plataformas de áudio e com um clipe no Youtube. Para o lançamento, foi feito um evento em parceria com o pub FomeStop, local onde a banda se apresenta frequentemente, que transmitiu o vídeo em primeira mão.
Ladrões de Vinil
Surgida em 2006, a banda Ladrões de Vinil deu os seus primeiros passos no Rock N’ Roll transitando por variações do gênero, como o Rockabilly, Jovem Guarda, o Surf Music e o Rock Instrumental. O power trio é formado por Loro, na guitarra e vocais, Dieguinho, no baixo, e Ed Goma, na bateria.
O conjunto já realizou apresentações em diversos festivais no estado da Bahia, estando entre eles o Festival Big Bands, em Salvador, Feira Noise Festival, em Feira de Santana, e o já conhecido Festival de Inverno da Bahia, em Vitória da Conquista. Fora do estado, a Ladrões de Vinil também já se apresentou no festival Grito Rock América do Sul, na cidade de Montes Claros, em Minas Gerais.
Em seu currículo, a banda acumula duas premiações como melhor intérprete no Festival Universitário de Música (FESTUESB). O primeiro prêmio veio em 2008, com a faixa “Formas”, já em 2010, o conjunto conquistou o seu segundo prêmio com a canção “Invisível”.
O álbum de estreia do grupo leva o mesmo nome da banda e foi lançado oficialmente em dezembro de 2016, contendo 13 faixas.
No ano passado, a Ladrões de Vinil foi a banda escolhida para realizar o show de abertura para o grupo Selvagens à Procura da Lei, de relevância nacional, que realizou uma apresentação na cidade em julho de 2023.
*Esta publicação foi realizada com informações obtidas através do projeto Memória Musical do Sudoeste da Bahia, que organiza sobre as bandas em atividade no município de Vitória da Conquista. Conheça mais sobre o projeto clicando aqui.
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Publicado originalmente em 13/07/2024, em Mega Rádio VCA.
Publicado originalmente em 13/07/2024, em Mega Rádio VCA.
Por que publicamos conteúdo já publicado em outros sites?
O Programa Somos Nós teve início em 1991, inspirado no original idealizado pela TV Santa Cruz, sendo exibido às tardes de sábado, após o Jornal Hoje, até junho de 2005. Em 1997, foi a vez de celebrar o rock conquistense, aproveitando o dia mundial do rock (13 de julho).
Data provável da exibição original: 12/07/1997 (sábado)
Remasterizado por Memória Musical do Sudoeste da Bahia
Fonte original do vídeo: Canal @tatuagemhilton (YouTube)
Apresentação: Rosana Guimarães
Edição / direção de imagens: Carlos Henrique
Imagens: Ricardo Lima, Luís Marcos
Repórter: Ciro Brigham
Abertura: Plínio Figueiredo
Computação gráfica: Discovery CG
Produção: Ricardo Marques
Editora: Veruska Anacirema
Chefe de redação: Aureni de Almeida
Diretor responsável: Carlos Liborio
Operadores: Plínio Figueiredo, Manoel Messias, Edmar Mendes, Alex Nery
Entrevistados: André Cairo, Seca Gás, Álcio Patchanca, Mauré, Neguinho, Formigão, Caetano Bonfim, Zeca Metal, Danilo Moreira, Russano Siavon, Ruckson, Elton Becker, Sérgio Bonfim, Ary Marcelo, Ricardo Boca,
👀 Possui mais informações sobre este vídeo? Entre em contato, pelos comentários ou pelo nosso site.
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| O baterista e percussionista Zeca Metal |
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| Foto: Plácido Oliveira |
Em sua entrevista ao @memoriasudoeste¹, em 30 de janeiro de 2022, direto de sua casa em Vizela, Portugal, onde vive desde 2020, o gaitista, cantor e compositor Mazinho Jardim revela: "pretendo passar 30 dias aí (no Brasil) em 2023 e gostaria de fazer mais um Rock Contra a Fome. Essa, ao menos, é a intenção", referindo-se ao show beneficente realizado quando da reunião de sua antiga banda, SS 433, em 2009, no teatro do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, Que foi registrado em vídeo, mantido oculto por todo esse tempo.
A promessa foi cumprida. O músico aproveitou suas férias para voltar rapidamente ao Brasil, revendo parentes, amigos e, claro, fazer um som. A nova reunião da primeira (ao menos até o atual momento da nossa pesquisa) banda de blues da Bahia, fundada em 1982, não foi possível, mas o artista incumbiu ninguém menos que Luciano PP (ex-MPBlues e Café com Blues, além de inúmeros outros nomes em gêneros musicais variados) para formar sua banda de apoio, elegendo o guitarrista Camilo Oliveira (banda Tombstone) e o baterista e produtor Stanley Patez. Tornaram-se os "Três Homens Sem Conflito" que, de posse dos fonogramas e orientações, ensaiaram sem Mazinho até a véspera do evento.
A divulgação foi tímida. Ainda em Portugal, Mazinho gravou um vídeo-convite que foi distribuído pelas redes sociais. Ao mesmo tempo, buscamos o apoio da Imprensa local, enviando os fonogramas da Dragster, atual projeto do artista, a emissoras de rádio e TV, coincidindo com o nosso primeiro acesso ao compacto da SS 433, lançado em 1984, contendo Jane Furacão e Blues Subterrâneo, que conheceram, finalmente, as ondas do rádio conquistense moderno. Assim, desde a sua chegada, em 22 de agosto, até o dia do show, Mazinho participou de diversos programas, no rádio e na televisão, anunciando o novo evento, Rock n' Roll Solidário, a se realizar em 24 de agosto, novamente no teatro do Centro de Cultura, sem fins lucrativos. O ingresso foi trocado, na bilheteria do espaço, por 2kg de alimentos, destinados a instituições de caridade locais.
A abertura, referenciando o período em que Mazinho morou em Conquista pela última vez, na segunda metade da década de 2000, quando participava de inúmeras jam sessions com Diro Oliveira (Café com Blues) e sua turma, ficou por conta do há muito ausente Quarteto de Blues, formado pelo próprio (gaita e flauta), Lúcio Ferraz (guitarra), Luciano PP (contrabaixo) e Neto Fernandes, atual baterista da Café com Blues, substituindo Thomaz Oliveira, da formação original. Após três covers (BB King, Pink Floyd e Fleetwood Mac), Mazinho é convidado ao palco pela gaita do amigo, respondendo à altura, como nos velhos tempos. Após o duelo, os músicos se cumprimentam e tem início o show principal.
¹ Um pequeno trecho da entrevista foi publicado na primeira edição da zine Memória Musical do Sudoeste da Bahia (junho de 2022).
SETLIST
Quarteto de Blues
01 - The Thrill is Gone
02 - Another Brick in the Wall, Pt. 2
03 - I Loved Another Woman
04 - Duelo de gaita (com Mazinho Jardim)
Mazinho Jardim & 3 Homens Sem Conflito
01 - Dragster
02 - Bola Gigante
03 - Você Não Vê
04 - Desabstinência
05 - Rock Macabro
06 - Blues Subterrâneo
07 - O Bem e o Mal
08 - Blues de Ipiaú
09 - O Que É Preciso
10 - Diamante
11 - Humaniforme
12 - Mariana
13 - Espectrocêntrico
14 - Jane Furacão
15 - Inexplicação
O teatro não lotou, possivelmente por conta da pouca divulgação, mas o público testemunhou um grande show de rock n' roll legítimo, com uma banda enxuta e especialmente competente celebrando o reencontro de um icônico artista local com seu público, no melhor espaço possível. O repertório, completamente autoral, intercalando faixas antigas, dos tempos da SS 433, e novas, gravadas pelo Dragster, atual projeto musical do artista, arrancou aplausos constantes e prendeu a atenção da plateia até o final, em grande contraste com o cenário que aconteceria nos dias seguintes, com as bandas de rock locais disputando (e perdendo) a atenção do público durante o Festival de Inverno, ainda que atendendo à fórmula predominante atualmente, a dos "shows-tributo".
Mazinho, sempre sorrindo, esbanja carisma e musicalidade sobre o palco, demonstrando ser ali o seu habitat natural. Ao final do show, recebeu os cumprimentos de fãs e amigos, de diversas gerações, que também se manifestaram durante a apresentação. O evento foi registrado em fotografias, vídeo e áudio, que devem ser disponibilizados em breve. Fique atento(a) ao nosso site.
Na semana seguinte, antes de voltar a São Paulo para atravessar o oceano novamente, Mazinho, acompanhado de Luciano PP, compareceu à Sala Angelina Timóteo de Oliveira (Distintivo Blue) para gravar a primeira etapa da segunda temporada do projeto Toca Autoral!, do @memoriasudoeste, seguindo o mesmo formato da anterior: seis faixas autorais, uma fala autobiográfica e pequenas falas referentes a cada uma das músicas. Este material será disponibilizado apenas em 2024, mas aproveitamos para gravar três vídeos tocando juntos, sem ensaio e confiando puramente no feeling. O primeiro já está disponível:
Com o sucesso da experiência, Mazinho termina o show e sua rápida passagem pelo Brasil com uma nova promessa, mais otimista que a anterior: "ano que vem tem mais". Nos resta aguardar ansiosamente. Vida longa ao rock n' roll!
Possui fotos, vídeos ou outros materiais sobre esse show? Entre em contato conosco e ajude a expandir o acervo.
ENTREVISTAS
Rádio Up - FM 100,1 MHz - 23/08/2023
Rádio Câmara - FM 90.3 MHz - 24/08/2023
TV UESB - Canal 4.1 - 24/08/2023
DIVULGAÇÃO
Cartaz
FOTOS
Fotos por Plácido Oliveira
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| O repertório, no chão do palco. |
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| A camiseta oficial do show, utilizada pelos músicos |
Fotos por Bárbara Jardim
VÍDEOS
Vídeos por Plácido Oliveira
O raríssimo compacto da banda SS-433, fundada em 1982, finalmente disponível. Em 1984, a primeira banda de blues da Bahia caiu na estrada até São Paulo para gravar Jane Furacão e Blues Subterrâneo, onde se juntou às backing vocals Aline Joint e Rita Killer. Nesse período, aproveitou para se apresentar por um tempo na metrópole, em busca de um lugar ao emergente cenário do BRock, sem sucesso. Em Vitória da Conquista, a banda era considerada a maior, em nível profissional. Após a separação, Mazinho Jardim fundou a banda Dragster, em São Paulo e retornou a Conquista em 2009, para uma reunião da SS-433, se apresentando no Viela Sebo-Café e no Centro de Cultura, participando, também, de programas de TV.
Agradecemos a Emilio Bazé pela gentil disponibilização do disco para o acervo virtual do Memória Musical do Sudoeste da Bahia.
OUÇA AGORA
Nosso player
YouTube
SETLIST
Lado A
Jane Furacão (Arodir)
Lado B
Blues Subterrâneo (Kako Santana)
FICHA TÉCNICA
Produção: SS-433
Dir. de Estúdo: Chica Brother
Técnico de Mixagem: Fabian
Estúdio: Cítara (São Paulo)
Capa: Luiz Augusto (canal Marcão)
Foto: Jan Matula
FORMAÇÃO
Marco Aurélio (Mazinho Jardim) - vocal e gaita
Kako Santana - guitarra
Arodir - contrabaixo
Isaac Dantas - bateria
Rita Killer e Aline - backing vocals
AGRADECIMENTOS
Iara Cairo (Sec. Ed. - BA); Cupe; Mazinho Bijouterias; Emurc; Pipistrello e aos amigos que dão força ao movimento.
Oferecemos este trabalho aos nossos pais pelo carinho, apoio e compreensão.
MATERIAL GRÁFICO
Direto de Portugal,
Mazinho Jardim & 3 Homens Sem Conflito
Um dos grandes nomes da música independente conquistense, Mazinho Jardim, gaitista e vocalista da lendária banda SS-433 (a primeira banda de blues da Bahia, fundada em 1982) e Dragster retorna à cidade pela primeira vez desde 2009, para um show beneficente, no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima.
Quinta, 24 de agosto, às 20h.
Entrada: 2kg de alimentos não-perecíveis.
Participação Especial: Quarteto de Blues
Fortaleça a música independente da região compartilhando esta mensagem.
Álbum da banda Dragster, formada em São Paulo por Mazinho Jardim (ex-SS-433), lançado em 2016.
RELEASE
Banda Dragster, mescla o som setentista do Rock and Roll com o peso a mais do Hard Rock.
Em meados de 1998, em um proto estúdio situado no bairro do Brás, região central de São Paulo, surge a banda Dragster – união resultante dos ex-integrantes das bandas SS-433, Apátridas, Free Animals, SuperNova e Rock Fantasma. A proposta estatutária da banda era produzir músicas autorais na linha hard rock e blues, influenciadas pelas bandas do gênero das décadas de 60 e 70, com letras compostas em português. Mesmo com algumas variações na formação, duas interrupções e quase quinze anos na estrada, a proposição inicial continua mantida e o som do Dragster ainda soa como um genuíno motor V8.
Com temáticas relacionadas à vida nas grandes cidades, política, problemas sociais e de saúde pública, autorreflexão e relações afetivas - entre outras -, as canções do Dragster resgatam o rock em seu estado mais natural, porém, com uma pequena adição de “veneno”; no entanto, as inserções de gaita e vocalizações mais harmoniosas fazem um balanceamento preciso entre o profano e o sagrado.
Com os álbuns “Volume I” (2000) e “Fugindo das Intempéries Alienalistas” (2016), ambos independentes, a banda Dragster já se apresentou em diversas casas de shows (Fofinho Rock Club, Smiths Club), bares (Café Aurora, Camelot, Zinc Bar, Café São Paulo Antigo, The Nossauros Bar, Magic Bus, V2, Get Back, Los Muchachos Rock Bar), eventos (encontros dos moto-clubes Renegados, Corvos, Balaios, Escorpiões), feiras de artes (Vila Madalena, Pompéia, Pirituba, Osasco, Carapicuíba) e festivais (Casa de Cultura Penha, Tiquatira Rock, Dia do Rock na CPTM, CMTC Rock Clube, I Festival de Rock / EE Zuleika de Barros) na região metropolitana de São Paulo. E isso é só uma pequena citação do que já aconteceu nesse período que pode ser intitulado de “Bodas de Cristal” firmado entre o Dragster e o rock.
E que venham mais anos, porque o tanque do Dragster está cheio de nitrometano e pronto para estremecer os palcos da cidade com muita energia.
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