Roberto Martins
O anúncio do forrozeiro Flávio José, semana passada, de que em 2026 não fará shows no São João da Bahia, perdão pelo trocadilho, botou lenha na fogueira dos debates sobre o valor dos cachês artísticos para as festas juninas.
Flávio informou que o Ministério Público da Bahia “resolveu diminuir seu cachê”. O MP-BA, ao seu turno, disse que o pedido de redução foi baseado em critérios técnicos como “notoriedade e projeção”.
A explicação técnica é plausível, porém, ao sabor da letra fria da Lei, soa como nota dissonante por não se adequar ao calor cultural da situação.
Um artista como Wesley Safadão, por exemplo, pode superar Flávio José em centenas de milhares de seguidores, views, entrevistas na TV, audições nos streamings, etc, etc.
No entanto, quando se fala em festas juninas na Bahia, no campo da tradição, Flávio certamente tem maior “projeção” e é mais “notório”.
A situação dá conta de que a cultura, ainda quando considerada mercadoria, tem suas peculiaridades e não é um produto como outros facilmente mensuráveis e reajustáveis à base das variações mercadológicas regidas pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor).
Repertório – O caso demonstra que, com a digna atitude de acompanhar os gastos públicos com pagamentos de bandas no São João da Bahia (aqui, aqui, e aqui), o MP-Ba tem dado o passo certo na dança errada.
A função típica do Ministério Público, conforme artigo 127 da Constituição da República Federativa do Brasil Federal – CRFB, não é regular preços em um regime de livre concorrência.
O Ministério Público, como órgão independente, deve trilhar pela garantia de direitos, “a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis”.
A cultura é um direito do povo brasileiro, para o qual, o pleno exercício deve ser garantido pelo Estado, conforme o artigo 215 da mesma CRFB.
Esse direito, podemos afirmar, vem sendo negligenciado em muitos municípios baianos. O MP-Ba pode constatar isso com clareza ao analisar os dados do seu importante e imprescindível Painel Junino e confrontá-lo com orçamentos e investimentos municipais em cultura.
De cara, tal análise já deverá mostrar casos nos quais 80 ou até 90% do investimento declarado em “cultura”, em muitos municípios, vai nos cachês das festas juninas ou de outras datas.
É como se “a cultura” só acontecesse em três ou cinco dias de festa. E o restante do ano?
Já imaginou se tal desequilíbrio fosse verificado na Saúde ou na Educação? Imagina um município com hospital ou escolas com cinco dias de funcionamento e a maior parte do ano fechados… Fatalmente o Ministério Público iria acionar o prefeito.
Movimento – Tal cenário de carência e desequilíbrio do investimento em cultura fica ainda mais triste e monotônico quando a gente lembra que a cultura vai muito além do entretenimento.
É importante verificar quais são as políticas municipais para a salvaguarda do patrimônio material e imaterial, formação artística, literatura, artes cênicas e plásticas, cultura digital, audiovisual, para o funcionamento continuado de espaços culturais e bibliotecas, etc.
Muitos municípios investem pouco ou quase nada nesses segmentos e, nos últimos anos, o que tem dado um respiro é a remessa anual da PNAB – Política Nacional Aldir Blanc.
A PNAB ajuda, bem da verdade, mas vários municípios, com os recursos próprios de suas transferências constitucionais poderiam ir bem além.
Se o MP-Ba confrontar os dados do Painel Junino com os valores da PNAB vai perceber que existem municípios que gastam, só com pagamento de cachês artísticos nos dias de São João, o equivalente a cerca de vinte vezes o que mesmo recebe de PNAB em um ano.
Como se vê, o Painel Junino, a fiscalização dos cachês, “o São João sem milhão”, representam um passo importante na luta pela valorização das tradições e da cultura da Bahia.
No entanto, os descompassos acima descritos evidenciam que a dança é outra. Não é sobre os valores dos cachês. O movimento é a luta pela garantia dos direitos culturais.
Imagino que, se os municípios forem provocados a investir em cultura de modo amplo e vinculado, como já acontece na educação e saúde, talvez não sobrem apelos e nem recursos para populismos.
Que o protesto de um forrozeiro nordestino, criado com tareco e mariola, seja o ponto de partida para provocar a sociedade e o Ministério Público a refletirem sobre isso, antes que derramem todo o mungunzá da cultura.
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Publicado originalmente em 09/06/2026, em Roberto Martins.
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A pesquisadora e artista Raquel Dantas lança o livro "A Conquista do Rock 2". A obra é a continuação do primeiro volume, publicado em 2017, e resgata a trajetória de Vitória da Conquista, município que já carregou o título de "Capital Baiana do Rock". Foto: Divulgação/Instagram
Gêneros
Multicultura, Matéria, Rock, Música, Raquel Dantas, Bruna Ferraz
Multicultura
Programa de jornalismo cultural da 107.5 Educadora FM - Bahia.
De segunda a sexta das 12h às 13h.
Apresentação: Renato Cordeiro
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Publicado originalmente em 10/06/2026, em Educadora FM.
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Por Felipe Ribeiro
Em cada edição do Vestibular Uesb, algumas obras são escolhidas para serem abordadas nas questões das provas. Dessa maneira, os candidatos têm contato com produções que ajudam na formação crítica e cultural, ao tempo em que se preparam para tentar o ingresso em um dos cursos da Universidade.
Para seu próximo processo seletivo, a Uesb traz uma novidade. Além das tradicionais obras literárias, os candidatos terão um álbum musical entre os escolhidos, abrindo espaço para um novo formato de ampliação do conhecimento. Assim, para o Vestibular 2027, serão cobrados os livros “Mata Doce”, de Luciany Aparecida, e “Sagarana”, de João Guimarães Rosa, bem como o disco “Raça Humana”, do cantor Gilberto Gil.
Pelo segundo ano consecutivo, “Mata Doce” entra na lista. Lançado em 2023, o livro nomeia não só a obra, mas também o povoado fictício onde são retratadas jornadas de mulheres negras e nordestinas, que têm que ser resistentes para lidar com diversas questões, como luta por territórios e memória coletiva. A história se aprofunda em temas relacionados à ancestralidade, às relações de poder e às vivências femininas no interior do Brasil, apresentando múltiplas vozes e experiências marcadas pela força e construção de identidades.
Estreando no Vestibular Uesb, “Sagarana” é composto por nove contos ambientados, em sua grande maioria, no sertão mineiro. Livro de estreia de João Guimarães Rosa, em 1946, a obra é considerada um marco na literatura brasileira pela linguagem inovadora e forma de abordar o universo sertanejo. Nele, o autor trabalha temas como vingança, religiosidade, coragem e a famosa lei do mais forte. Com personagens marcantes e uma escrita repleta de neologismos e expressões populares, a obra consolidou o autor como um dos principais nomes da literatura nacional.
Por fim, o álbum musical “Raça Humana”, lançado em 1984, é considerado um dos discos mais emblemáticos de Gilberto Gil. Reunindo influências do pop e do rock característicos dos anos 1980 com elementos da música popular brasileira, o disco apresenta canções que refletem sobre a sociedade brasileira, a pluralidade que marca a experiência humana, a desigualdade e a busca por liberdade e afeto. Recentemente, o álbum foi relançado com participações de artistas da nova geração.
Além dos dois livros e do álbum musical, o Vestibular Uesb 2027 contará com filmes entre os conteúdos que serão cobrados nas provas. Em breve, mais informações serão divulgadas sobre essas obras cinematográficas selecionadas.
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Publicado originalmente em 30/06/2026, em UESB.
Publicado originalmente em 30/06/2026, em UESB.
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P/ Plácido do Distintivo
A música alimenta minha poesia
Além da dela
Alimenta aquela saída desse mundo
Alimenta aquela alegria sufocada pelo dia a dia
A música
Faz a gente resistir
A gente
Com a música
A gente dança
A gente pensa aqui
E lá no outro
A música tem som de trovão
Tem som do vento bailando as pétalas
Das margaridas
JeanClaudio
18/06/26
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Publicado originalmente em 18/06/2026, no Facebook.
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Quando eu morava em Conquista lutando para sobreviver, um amigo de Urucuca me convidou para passar um fim de semana no Sul da Bahia. No momento Evandro descia alameda vagarosamente,quando apresentei o amigo Dr Manoel de Urucuca que fez o convite.Vamos passar fim de semana lá em casa?
Evandro com o sorriso de canto de boca disse vamos,mas vou ter que avisar o empresário, que era o saudoso Paulo Mascena.Com essa brincadeira ficamos um mês tocando no sul da Bahia,produzido pelo amigo Paulinho,um dos maiores amigos do Evandro dos tempos de criança. Toda vez que a gente marcava para vir embora,o Paulinho dizia não vai,porque acertei para inaugurar a primeira barraca de Curumuxatiba,depois temporada em Eunapolis,e Texeira de Freitas.O Paulinho viajou com a esposa,e ficamos na casa até cumprir os contratos.
E foi lá na beira da piscina,que ele me mostrou a nova composição Gema,que acabara de compor. Um sucesso que lembrarei sempre,e que fez morada no coração de muita gente.
E de lá fomos para Paulo Afonso,onde tocamos em um clube.Em abril desse ano nos encontramos aqui em Salvador,e lembramos dessas caminhadas, e as gargalhadas marcaram nosso encontro.Tambem falei de uma conversa que tive com Mão Branca a muitos anos na fazenda dele,onde elogiei a potente voz de Evandro.Meu amigo Mão foi real quando disse,se Juntar todos cantadores da região, ele canta mais que nós tudo.kkk
A saudade será eterna,mas Deus colheu quem semeou amor nessa vida.
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Publicado originalmente em 19/06/2026, no Facebook.
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Eu não tenho o que falar sobre Evandro Correia,
Ele fala por si só.
Eu prefiro ficar no meu cantinho menino
No menino lá dele.
Há um aconchego lá,
Onde o tempo frio ameniza,
Onde o calor em excesso vira morno
E as asas em canções torna o céu mais chão e vida.
Uma voz eterna tinge de estrelas
Bem no céu visto por nós
Bem te vi
Bem no chão sentido por nós
Bem te vi
Evandro caminha
Evandro ficou
Evandro está seguro agora
Vou cantar Menino da Vida
Por isso sangro nas cordas da canção
Menino da Vida.
JeanClaudio
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Publicado originalmente em 19/06/2025, no Facebook.
Publicado originalmente em 19/06/2025, no Facebook.
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Por Gilmar Dantas*
Vou contar para vocês o principal motivo de as festas de São João ficarem mais caras, e ninguém fala sobre isso. Engana-se quem acha que é simplesmente o caixa 2, o aumento dos custos ou a ganância. Embora tudo isso de fato exista (não sejamos hipócritas).
O principal motivo é que, no atual modelo de contratação pública, não existe a diminuição de cachês que existe no mercado privado.
No mercado privado, é normal um artista estourar e seu cachê ir para o teto. Foi assim com o rock brasileiro nos anos 1980, com toda a cena do axé baiano e do pagode romântico nos anos 1990, e com o sertanejo nos anos 2000. Isso porque os cachês se baseavam principalmente em um princípio clássico chamado lei da oferta e da procura. Só que, passado o hype, o preço do cachê do artista volta ao normal. Não tem jeito. Sempre foi assim. E o artista mais longevo é aquele que aproveita esse hype para criar repertório, base de fãs e estrutura para manter um preço de cachê razoável a longo prazo. Mas não será o teto.
Já no atual modelo de contratações públicas, baseado em três notas fiscais de shows anteriores, o teto passa a funcionar como preço mínimo nas negociações (loucura, hein?).
Se o artista não fizer mais nada que justifique uma alta demanda, ele sempre terá as três notas fiscais do seu auge para gerar outras notas de igual ou maior valor e seguir mantendo seu teto, mesmo em seu pior momento.
Tomemos o caso de Devinho Novaes. Quando explodiu nacionalmente, era natural que seus cachês atingissem valores muito superiores aos praticados anteriormente. O problema é que, no modelo atual de contratações públicas, os valores praticados durante aquele auge tendem a se transformar em referência permanente, dificultando que os cachês retornem aos patamares compatíveis com a demanda de outros momentos da carreira. Em 2024, ele fez 42 shows no período junino para prefeituras baianas a um custo de R$ 150 mil cada show. Hoje, seu cachê simplesmente dobrou de preço.
Assim, o São João da Bahia, ou qualquer festa baseada em contratações públicas, torna-se um festival de artistas com milhares de cachês em seu limite máximo, como se todos estivessem no auge (no São João da Bahia do ano passado, foram 4.191 artistas contratados).
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Gilmar Dantas é técnico em assuntos culturais da prefeitura municipal de Vitória da Conquista. Mestrando em Cultura, Educação e e Linguagem (UESB) e Pós-graduando em Gestão Cultural (UFRB). Produz festivais de música desde 2003.
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O MP-Ba dá passo certo na dança errada
Roberto Martins O anúncio do forrozeiro Flávio José, semana passada, de que em 2026 não fará shows no São João da Bahia, perdão pelo trocad...

