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Sites de compartilhamento foram algumas de  minhas grandes descobertas no período de net, desde o longínquo final  dos anos 90 até hoje. A possibilidade de descobrir novas bandas é muito  grande e para o circuito alternativo, foi uma coisa memorável.

Algumas bandas insistem em ser contra o  compartilhamento de musicas, mesmo elas tendo chegado onde estão graças a  internet, pois acreditam que ela tira todo o lucro que poderia ir para o  artista. Oh, que rombo na indústria fonográfica…

Eu sempre fui a favor da socialização das  músicas, desde os tempos das fitas k7 e as mensagens nas demos que  lançávamos que dizia: “Se preferir, copie essa fita ao invés de  comprar”. E acho que a internet veio ser a grande “demo” para diversas  bandas, pois eles podem divulgar sua música para pessoas de tudo que é  canto do mundo.

Um exemplo claro disso, são os sites PALCO  PRINCIPAL e MYSPACE, que disponibilizam micro-sites/blogs das bandas,  espaço para fotos, letras, entre outras coisas. Mas o principal é a  possibilidade de você ouvir ou baixar as musicas, além de montar sua  própria playlist.

Passeando pelos artistas cadastrados,  consegui encontrar algumas coisas bem interessantes e acho que todos  precisam também ouvir. Claro que a lista ficaria enorme, pois o universo  musical é imensurável, mas escolhi algumas bandas que eu não conheceria  se não fosse o advento da internet. 

(...)

E o nordeste vem cada vez mais representando a cena rocker nacional, dessa vez vindo de Vitória da Conquista na Bahia, os blueseiros do Distintivo Blue não fazem feio e te transportam para um bar sujo, de beira de alguma estrada esquecida no Mississipi, com um uísque na mesa e algumas garotas com tristes sorrisos ao canto do salão. E é assim desde 2009, quando a banda (formada por músicos já experientes e que passaram por grupos como The New Old Jam, Tomarock, Freebird e Tombstone) surgiu.

A banda lançou seu EP de estréia, “Aplicando a lei”, com seis faixas próprias, todas disponibilizadas na internet e para o seu formato físico, foi lançado em mini-cd, que acompanha uma faixa multimídia, material exclusivo e encarte digital com letras, textos, fotos, biografias, além de já ter nascido raro, pois apenas 110 cópias foram editadas artesanalmente e cada faixa multimídia é de conteúdo exclusivo de cada cd, ou seja, não há um cd igual ao outro.

Enquanto isso, a banda não para e já prepara material para seu mais novo lançamento, um cd com 12 faixas.

Uma particularidade da banda é o fato de não se prender apenas ao seu mundo, trazendo um site super caprichado que trata de todo o universo do blues e do jazz, seja ele nacional ou internacional, com reportagens, dicas, colunas semanais, e muita coisa bem “faça você mesmo” que merece ser visto. Posso até dizer que a banda segue a cartilha do “Faça Você Mesmo” muito mais (e muito melhor) que muitas bandas que se rotulam punks.

Nos shows da banda, você ainda pode adquirir de forma gratuita o zine BLUEZINADA! Confira tudo em 


Essas são apenas algumas das supresas que venho tendo com a internet, que cada vez mais confirma a minha tese de que o rock só está morto para quem se acomodou a consumir o que as rádios oferecem.

Jay Rocker

Publicado em 19/01/2012, em Vinagre & Fel.
A abertura do projeto acontece na próxima quinta-feira (16) na Escola Municipal Ridalva Correa de Melo, às 13h
 


Aprender rock na escola? Mais que isso! A Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio das Secretarias Municipais de Educação, de Cultura e de Comunicação, promove a primeira edição do projeto Escola de Rock, com a proposta de formação e profissionalização de jovens da Rede Municipal de Ensino, promovendo apresentações artísticas, a vivência com a produção cultural e o contato com os bastidores de um festival de rock.

A programação tem início na próxima quinta-feira (16), com a primeira etapa do projeto, que contempla alunos da Escola Municipal Ridalva Correa de Melo com oficinas e cursos de produção cultural. Na segunda etapa, os alunos irão produzir e organizar o Festival Rock na Praça, que acontecerá no mês de julho, na Praça da Juventude, com bandas de rock locais e nacionais.

“Vitória da Conquista tem uma cena de rock de destaque no Nordeste brasileiro e a ideia desse projeto é fomentar a formação de uma nova geração de produtores culturais e o próprio cenário musical conquistense”, afirma o secretário interino de Cultura, Adriano Gama.

De acordo com o secretário de Educação, Esmeraldino Correia, a iniciativa foi bem recebida pela coordenação pedagógica do município. “Essa iniciativa é de extrema importância para os jovens, pois traduz de maneira inequívoca o seu protagonismo na realização de ações culturais, mas também possuem um caráter pedagógico”, destaca.

A ideia da Prefeitura é realizar o projeto anualmente, contemplando a cada ano uma escola e estilos musicais diferentes.

O produtor Bigbross participa da abertura do projeto

Aula Magna – A abertura do projeto será com a aula magna “Vivendo do rock na Bahia”, com a participação do produtor cultural e DJ soteropolitano Rogério Bigbross.

Envolvido em festivais desde 1993, quando começou a trabalhar no histórico Garage Rock, Rogério foi um dos idealizadores dos festivais Boom Bahia e Big Bands. Ele também foi responsável por levar artistas como Planet Hemp, Mundo Livre S/A, Charlie Brown Jr. e Los Hermanos a Salvador. Rogério também tem um selo, o Big Bross Records, que já lançou discos de bandas como Retrofoguetes, Soma, Lisergia e Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, entre outras.

A abertura do projeto acontece na próxima quinta-feira (16) na Escola Municipal Ridalva Correa de Melo (Avenida Jequié, 872, Ibirapuera), às 13 horas.

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Publicado originalmente em 13/05/2019, em Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista.
O evento utilizará o “Dia Mundial do Rock” (13 de julho) para poder homenagear a cena rocker conquistense. Vão ser 30 bandas que atuam ou atuaram durante esses logos anos de rock na cidade, além de DJs para que a festa não tenha fim.


A festa vai rolar em dois dias – 13 e 14 de julho – no Sitio Viver.


Pra você que é fã de rock, é quase uma obrigação estar presente. Uma cena só existe por haver banda e público, e ao derredor disso vem o resto (zines, sites, merchandising). Lá estarão as bandas e elas precisam de vocês. Além desse “compromisso”, de quebra vamos encontrar os amigos, bagunçar, dançar banguendo, moshando, rodando e o principal: curtindo o som!


Pra você que não é fã de rock, será uma ótima oportunidade de conhecer um estilo de festa diferente das que você esta acostumado a ir. Ver gente diferente, outras cabeças, outras experiências. Saber o que rola no meio alternativo da cidade e até mesmo rir de nossos costumes. =P

Então pra que ninguém fale que não sabe como ir na festa estão aqui as dicas.


Ingressos: Camisas à venda na Drop´s ( Moda Alternativa) por R$ 20,00, em até 2 X no Hiper (até o dia 11/07). A Drop´s fica na Galeria Madrigal no centro de Vitória da Conquista-BA.

A venda das camisas no Spaço Xis (com Miguel) e Banca Central, a partir do dia 12 de julho, estarão custando R$ 30,00 à vista.

Transporte: Haverá ônibus e vans saindo regularmente da Lauro de Freitas.


informações:
779199-1444
77 3421-0200
http://www.nucleouniversitario.com.br/
acrock2007@hotmail.com

Uma matéria sobre o evento no site do Festival de Inverno Bahia
http://www.festivaldeinvernobahia.com.br/cms?cd=53&link=0&mat=57


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Publicado originalmente em 09/07/2007, em Társis Valintim.
Gilmar Dantas lista os principais shows da história da cidade em sua coluna

Por Gilmar Dantas*

Difícil dizer quais foram os melhores shows da história da cidade com apenas alguns dias de pesquisa. Creio que esta lista poderá ser mais justa e completa com uma pesquisa melhor elaborada, mas esta já serve como esboço para uma próxima. Se alguém se interessar por bancar a empreitada, estou à disposição. Acho que é uma pesquisa importante e renderá um bom livro. Muitas dessas informações não estão registradas em lugar algum e correm o risco de ficarem completamente perdidas.

20 – Amado Batista (1989) – Parque de Exposições
O show mais lotado da história da cidade. Não dá pra precisar quantas pessoas haviam na hora que Amado Batista subiu ao palco, mas a organização confirma que sessenta mil ingressos foram vendidos neste dia. Uma marca incrível e até hoje não foi alcançada (e acredito muito, pelo tipo de mercado que temos, que esta marca dificilmente será batida).

19 – Criolo (2012) – Praça Barão do Rio Branco
Primeiro grande nome do hip hop a fazer show na praça. A polícia foi embora na metade do show e uma briga aconteceu. No auge da tensão, Criolo parou o show e disse: “Nós não conhecemos os procedimentos locais pra resolução destes problemas. Então, vamos, humildemente, esperar vocês seguirem os trâmites da cidade e depois continuamos o show”. A briga parou imediatamente e o show seguiu sem maiores incidentes.

18 – Radiola + Otto (2010) – Praça Barão do Rio Branco
Uma das formas de baratear os custos para trazer grandes artistas acabou propiciando a criação de shows incríveis. Nesta mesma linha, podemos incluir “Autoramas + BNegão” (2011), “Vendo 147 convida Pepeu Gomes, Lucas Santtana e Nina Becker (2012) e Móveis Colonais de Acaju convida Leoni (2012).


17 – Milton Nascimento (2013) – Praça Barão do Rio Branco
Encerrou com maestria um ano incrível pra quem gosta de ver grandes nomes da mpb. Um dia marcado por muita chuva, que impediu muita gente de sair de casa, mas os grandes fãs de Milton que se arriscaram a ir pra praça saíram extasiados. Em 2013, também se apresentaram na cidade Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Alceu Valença, Djavan e Erasmo Carlos.

16 – Cordel do Fogo Encantado (2003) – Praça Tancredo Neves

A primeira vez que uma atração conhecida apenas entre os mais jovens e que nunca tocou nas rádios da cidade surpreende a prefeitura (Teatro Mágico e Móveis Coloniais repetiram o feito mais tarde). Com direito à presença do então prefeito Zé Raimundo.

15 – Biquini Cavadão (2005) – Parque de Exposições
O Festival de Inverno Bahia nunca foi de arriscar muito nas atrações. Principalmente nos últimos anos, passou a trazer somente aqueles artistas que frequentam as listas de mais vendidos  Entretanto, o show do Biquini na primeira edição do evento transformou a banda em um símbolo do próprio festival.


14 – Lobão (1994) – Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima
Sem banda e tentando recomeçar uma carreira, Lobão vagava pelo país aceitando os convites que apareciam. Os shows, ou não tinham nenhuma estrutura, ou não tinham público. Na maioria das vezes, nem um nem outro. Em Conquista, num show acústico acompanhado apenas por um músico, o roqueiro encontrou um teatro cheio e, empolgado, descarregou todos os seus sucessos.

13 – Racionais MC’s (2006) – Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima
A banda não precisou tocar nenhuma música para fazer um show incrível. A presença do grupo é tão impactante que bastou subir no palco para conversar com a galera da periferia pra ser um espetáculo inesquecível para os dois mil jovens que compareceram ao evento.

12 – Engenheiros do Hawaii (1989) – Parque de Exposições
Em uma programação que tinha artistas como Amado Batista e Zezé di Camargo e Luciano, o Engenheiros era o patinho feio da festa. No auge e com sua formação clássica, o grupo enfrentou os preconceitos e colocou o rock na exposição agropecuária.

11 – Paulo Sérgio  (1972) – Cine Glória
Um show no auge da carreira de um artista que faleceu com apenas 36 anos de idade. Neste mesmo ano, Paulo Sérgio assinou um contrato com a Copacabana que foi considerado o mair acontecimento artístico daquele ano, por conta das cifras envolvidas e o seu cachê era equivalente ao de Robero Carlos.

10 – Wanderley Cardoso (1967)* – Lomantão
No ano em que lançou “O Bom Rapaz”, que vendeu mais de cinco milhões de discos, Wanderley fez um show no Lomantão, que fora inaugurado no ano anterior e passou a ser palco de grandes shows.

09 – Nelson Gonçalves (1974) – Tacuara Drinks
No mesmo dia, o cantor fez dois shows na cidade. O primeiro, para as famílias, aconteceu no Cine Glória. Mas o segundo era o mais concorrido, por ser destinado à boemia. O Tacuara já abrigou grandes shows importantes na cidade, como o de Jair Rodrigues (1980) e da Tia Arilma (década de 1980)

08 – Los Hermanos (2005) – LZ129
Em plena tour do disco Ventura, ou seja, auge da banda, Los Hermanos veio à Conquista e fez um show incrível que foi presenciado apenas por 300 pessoas. Este evento foi responsável pela criação de um imenso público do grupo na cidade e vários dos presentes iriam montar bandas motivadas por esta apresentação.

07 – Petra (2003) – Lomantão
Uma banda conhecida internacionalmente e um dos maiores nomes da música gospel de todos os tempos veio ao Brasil e fez um único show, justamente este de Vitória da Conquista.

06 – Jimmy Cliff (1992)** – Clube Social
Maior nome internacional a se apresentar na cidade. Muita gente duvidou que este show realmente aconteceria. O evento foi marcado por diversas peculiaridades, com destaque para o acidente na Serra do Marçal que destruiu o Opala Comodoro exigido pela produção do artista (Jimmy Cliff não se encontrava no carro).

05 – Raimundos (2000) – Parque de Exposições
Em um período que a cidade recebeu shows de Titãs, Paralamas do Sucesso e Los Hermanos, foi o hardcore dos Raimundos que mais levou público ao parque de exposições. Cerca de dez mil pessoas assistiram a quase três horas de um show meses antes da banda implodir com a saída de Rodolfo.

04 – Luiz Gonzaga (1976) – Praça Barão do Rio Branco**
Não foi a primeira vez do rei do baião em Vitória da Conquista, mas esta show marcava o início de uma extensa turnê no Norte/Nordeste do país toda patrocinada pela fábrica de bicicletas Monark.

03 – Raul Seixas (1977) – Lomantão
O maior nome da história do rock baiano levou 15 mil pessoas ao Lomantão em um show incrível. O evento aconteceu no dia 02 de janeiro do ano em que o punk rock se tornou popular e há pessoas que acreditam não se tratar de Raul, mas de um cover dele, por conta da qualidade do som estar perfeita no dia, gerando também a dúvida de ter sido playback.

02 – Gilberto Gil (1972) – Cine Glória
O primeiro show de Gilberto Gil ao voltar do exílio foi justamente na capital do sudoeste baiano, na terra em que seu pai escolheu viver.

01 – Roberto Carlos (1973) – Lomantão
Depois de várias vezes ser anunciado, finalmente Roberto Carlos veio á cidade. Nesta época, Roberto já havia deixado a fase da jovem guarda e fazia sucesso internacional como cantor romântico.

*Gilmar Dantas é produtor cultural e membro fundador da Casa Fora do Eixo Vitória da Conquista.
**Dados não confirmados.


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Publicado originalmente em 09/02/2014, em Revista Gambiarra.
Cidade fria. Pouco mais de 250 mil habitantes. Sem praia. Distante 509 quilômetros da capital. Um cinema e poucas outras opções culturais. Nada melhor que o rock para preencher a cabeça dos jovens de Vitória da Conquista e ocupar as tardes e noites de tédio. É nesse clima que a cidade realizou no último fim de semana, pelo segundo ano, o Conquista Rock Festival, um festival reunindo bandas locais e de Salvador. A banda de fora do estado, a goiana MQN, acabou desfalcando o evento na última hora.

Segundo um dos produtores do evento, Gilmar Dantas, o evento foi satisfatório, ajudando a colocar Conquista no circuito brasileiro de bandas independentes. Pouco? Não para uma cidade sem grande tradição rocker, mas que começa a produzir uma boa variedade de bandas e já é sede do atual maior festival de rock do estado. Sim. Apesar da dimensão pequena, o CRF é o maior do estilo no estado. “Nosso objetivo é fortalecer a cena, promover o intercâmbio e mostrar as bandas daqui, projetando elas e possibilitando que possam tocar fora da cidade”?, diz Gilmar. Os frutos não devem tardar.

Embaixo de uma noite de 15 graus, o público na primeira noite de festival impressionava pela pouca idade. Numa média de 16/ 18 anos, pouco mais de 300 pessoas reservava sua noite de sábado para assistir seis bandas na primeira noite. A neblina noturna não era a única semelhança com Londres. Ecos do bom rock inglês apareciam na abertura do festival, com a banda local Ardefeto fazendo um som inspirado no Brit Pop, mas com um pé no indie-rock dos anos 80 e no pós-punk. Um som meio melancólico, com um baixo forte e melódico, uma muralha ruidosa de guitarra, letras existencialistas e um vocal meio épico. Com boas composições e arranjos, a banda causou boa impressão apesar de mostrar ainda estar um pouco verde.

Essa parece ser, aliás, a tônica do rock em Conquista. O festival ainda tem o que melhorar, mas tem um enorme potencial, assim como a cena local e as bandas. É o caso também da Flauer, banda de Salvador formada quase só por meninas. Com um pop-punk cantando em inglês e português, o grupo se mostrou um pouco tímido no palco, mas ainda assim apresentaram bem seu misto de guitarras sujas e vocais doces. Na seqüência, o melhor show da noite. Também de Salvador, a Los Canos prova a cada show ter atingido o equilíbrio necessário entre diversão e competência. Rock, punk, bom humor e total despretensão que rendem algumas das melhores pérolas que o rock brasileiro tem notícia. Enquanto metade do público cantava as músicas, a outra metade se largava nas rodas de pogo e a banda se divertia. Na segunda ida da banda ao festival, um desfile de quase hits que agradou em cheio ao público adolescente conquistense.

A banda punk Cama de Jornal já entrou no palco soltando um provocativo “agora vocês vão ter punk de verdade”?. E soltaram o braço, com um punk cru, direto, tosco e ácido. Eles podem até seguir os clichês do gênero, tanto no som podreira quanto nas letras politizadas, mas fazem com competência. Sobra para todo mundo, playboys, ACM e políticos em geral. Nas rodas de pogo surgiram até moicanos. Outra banda local, a D´P, mostrou um som também bem feito, mas ainda sem muita personalidade. Talvez as diversas influências dos integrantes ainda não resultem num som próprio e a banda, uma das mais ativas do cenário conquistense, pareça ainda meio perdida. Passeando por referências diversas, indo do rock tradicional ao nu-metal.

Para encerrar a noite, a The Honkers pagou o débito de dois shows desmarcados na cidade. Mesmo que o público já fosse bem pequeno e estivesse cansado, a banda mais uma vez provou porque tem um show considerado por muitos como o melhor do país no meio rock. Não se importaram se tinham uma ou dez pessoas dançando e o resto assistindo, estavam ali para tocar e quando tocam é diversão garantida, ou pegue seu dinheiro de volta. Mais um show marcante, rock dos bons, no talo, banda insana e o vocalista Rodrigo Sputter mais uma vez mostrando do que o rock é capaz. Subiu, desceu, botou máscara, colocou o microfone na boca, nas partes íntimas e mostrou um modelito novo, uma sunga vermelha com um elefantinho e sua tromba na parte da frente, daquelas fáceis de achar em sex shops. Horrorizados, os seguranças quase tiram ele do palco, enquanto uns roqueiros mais tradicionais xingavam o rapaz.. Um final quase apoteótico.

Noite do Metal

Abrindo a segunda noite do festival uma banda com uma formação inusitada. Além de baixo, bateria e guitarra, a Pectus Maculosus reunia um violino, teclado e um coro de oito vozes. Foi difícil o pequeno palco comportar todo mundo. Vindo de Salvador, a Vinil 69 era o Carlinhos Brown na noite de Metal do Rock in Rio, se o público conquistense não soubesse se comportar. Quem não estava a fim deu as costas e só os mais interessados curtiram o rock clássico da banda, com direito a covers bacanas de Mutantes, Who e Kinks. “É ótimo tocar num festival desses. A gente está meio de saco cheio de tocar em Salvador para as mesmas pessoas e o interior é o mais próximo. O CRF é uma excelente oportunidade”?, disse o vocalista da Vinil 69, Pardal.

Mas era noite mesmo do metal e os “camisa preta”? infestaram o lugar. Se não bastassem as blusas negras com estampas de bandas, haviam ainda rostos maquiados no estilo gótico, máscaras de monstros e um desfile de longas cabeleiras. Era noite de bater cabeça. Os cerca de 400 pagantes puderam ver ainda muito metal local, como o gothic metal da Sorrow’s Embrace, que chamava atenção pela bela voz soprano da vocalista, além do metal gutural da Mictian e a Void Main. A Veuliah, de Salvador, mostrou o que 10 anos de palco é capaz. Lançando seu primeiro disco, apresentaram extrema competência em tocar o terror. Fizeram um excelente show, jorrando Dark Metal nos ouvidos do insano público conquistense. O inferno.

O próximo Conquista Rock Festival já está marcado para março e a promessa dos produtores é ampliar o evento e fazer um festival bem maior. Enquanto eles prometem manter o cenário roqueiro local aceso, com shows mensais (Cachorro Grande e Automata já estão agendados) . É assim que se constrói uma cena.

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Publicado originalmente em 01/06/2005, em el Cabong.
Curitiba - Colocar na estrada um ônibus cheio de bandas de rock é uma idéia que já rendeu várias histórias e documentários. A MTV Brasil decidiu adotar o formato e a iniciativa gerou seis programas que serão exibidos na emissora em setembro. A MTV Rock Tour Independente registrou na segunda quinzena de julho um giro das bandas Faichecleres, Daniel Belleza e os Corações em Fúria, Rock Rocket, Ecos Falsos, Zefirina Bomba e Vanguart por sete cidades nordestinas: Recife (PE), João Pessoa (PB), Natal (RN), Garanhuns (PE), Maceió (AL), Aracaju (SE) e Vitória da Conquista (BA).

Os Faichecleres, de Curitiba, foram os representantes do Paraná na turnê. O baterista da banda, Tuba, conta que as seis bandas viajaram juntas no mesmo ônibus. ''A gente ficava no mesmo hotel, no mesmo camarim, almoçava junto, saía junto, fazíamos tudo juntos. Era tanto homem junto que era um fedor só, fedia muito. Mas foi ótimo. Estava todo mundo na mesma sintonia, todos os shows foram excelentes. Eu já conhecia pessoalmente os caras das outras bandas. Essa turnê serviu para tornar todo mundo mais amigo'', diz Tuba.

''Tocamos em vários tipos de lugar. Tocamos numa praça gigantesca em um festival em Garanhuns, em casas de shows, fizemos várias apresentações ao ar livre. Todos os shows foram ótimos, mas eu gostei especialmente de dois: o de Garanhuns e o de João Pessoa. Nesse show, não tinha palco. O público estava na nossa cara. Foi muito intenso'', afirma o baterista.

Tuba comenta que a turnê pelo Nordeste também serviu para que os Faichecleres arranjassem novos contatos para shows. ''Nunca tínhamos tocado no Nordeste. Essa turnê abriu muitas portas'', acredita.

A banda está fazendo os últimos shows de divulgação do álbum ''Indecente, Imoral & Sem Vergonha'', lançado no ano passado. ''Já estamos com várias músicas novas. Se tudo der certo, lançamos o novo CD em outubro'', diz o baterista.

Formada em Curitiba em 1998 (os outros integrantes são Giovanni Caruso, baixo e voz, e Marcos Gonzatto, guitarra e voz), a banda está ''sediada'' em São Paulo desde o final do ano passado. ''Os veículos de comunicação mais importantes estão em São Paulo. Se você está lá, está no Brasil inteiro. Esse programa da MTV e o lançamento do novo CD devem dar uma bela divulgação para a gente'', diz Tuba.


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Publicado originalmente em 11/08/2006, em Folha de Londrina.


Festival de metal em Vitória da Conquista.com as bandas: Pectus Maculosus (Conquista), Mictian (Conquista), Cobalto (Salvador) e Sinking (Finlândia)

Horário: 21hs
Contato - Info: Durval - acessor de imprensa
Email: duddcampos@hotmail.com
URL: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=18385313
Local: Espaço Massicas

Ingresso: Passaporte (meia) R$ 20,00

Endereço: Vitória da Conquista - BA


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Publicado originalmente em 14/09/2006, em Burn, Bahia, Burn!.

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