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 A nova gestão do conselho municipal de Cultura de Vitória da Conquista assumiu o mandato no dia 06 de Outubro de 2023 para fortalecimento das políticas públicas do setor cultural em colaboração com a sociedade civil. As assembleias do conselho ocorrem sempre às primeiras segundas-feiras de cada mês, no prédio do Memorial Regis Pacheco, e constituem o espaço ideal para que os diferentes agentes culturais atuantes na sociedade civil, organizados em cadeiras temáticas, possam discutir e pleitear ações e políticas para o setor cultural a nível municipal, mantendo um diálogo com os representantes do Poder Executivo e Legislativo. Para representar o legislativo, foram definidos em consonância com o Decreto n. 22.860, os seguintes vereadores: Luis Carlos Dudé e Valdemir Dias como titulares, e Dinho dos Campinhos e Alexandre Xandó como suplentes. Desde então, foram realizadas três reuniões nos meses de novembro, dezembro e fevereiro. No entanto, para nossa surpresa, a segunda e a terceira reunião não tiveram quórum suficiente por causa da ausência dos respectivos vereadores. Estavam presentes, além dos conselheiros, os coletivos e associações da cultura, entre eles, a SASB e o Coletivo de Bibliotecas Comunitárias, que assumiram a responsabilidade de acompanhar e construir coletivamente a política cultural do município, e se sentiu profundamente desrespeitado pela ausência dos vereadores que parece não ter assumido um compromisso real com o setor cultural de Vitória da Conquista, já que só foram em uma reunião (a primeira) de três já realizadas. Foram encaminhados ofícios pela SASB no dia 27/02 para os vereadores solicitando uma resposta do motivo da ausência, mas ainda não houve retorno. Nós, enquanto sociedade civil, cobramos nesse momento os parlamentares e exigimos que eles cumpram com as obrigações assumidas. Estaremos lá, acompanhando e dialogando, e queremos que esse cenário da ausência do legislativo no conselho não se repita.



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Publicado originalmente em 01/03/2024, em Instagram.

Por que publicamos conteúdo já publicado em outros sites?


Comentários publicados:

Gente, é o seguinte: tivemos apenas três reuniões da nova gestão do Conselho municipal de Cultura e das três, duas não teve quorum por falta de... Imagina quem? Os vereadores que representam o legislativo. Enviamos um ofício há três dias pedindo explicação aos vereadores e não nos responderam ainda. Segunda feira que vem é a quarta reunião, e não queremos mais ter que lidar com esse desrespeito do legislativo. Por isso, postamos uma cobrança no Instagram e precisamos da ajuda de todo mundo para pressionar. Compartilhem a postagem nos storys de vocês e marquem por favor os vereadores que representam o legislativo no Conselho de Cultura. São eles: Carlos Dude, Valdemir Dias, Dinho dos Campinhos e Alexandre Xando. Marquem também perfil da Câmara Municipal de Vitória da Conquista. Segue os arrobas. @luiscarlosdude @alexandrexando_ @valdemirdiasvereador @vereadordinhodoscampinhos @camaravc. Quem quiser, marca a prefeitura também para que eles entendam a força do povo da cultura. Sigamos! (Daniel Leite - SASB)
Olá Daniel Boa Noite... Então, para nós do MAC Movimento Artístico e Cultural de Vitória da Conquista, nenhuma Novidade. Afinal, quando foi que esse pessoal, teve ou demonstrou algum interesse legítimo sobre às Atividades Culturais deste Município...? Esse Pessoal, na verdade, se sente incomodado quando os Artistas se reúnem para reivindicar, para apresentar, para diagnosticar, ou ainda para denunciar, a real situação de profunda precariedade e abandono em que se encontra a Secretaria Municipal de CULTURA, ou mesmo, às poucas ações que foram voltadas para atender aos ARTISTAS, aos COLETIVOS, às Entidades CULTURAIS, enfim a todos aqueles que militam na área Cultural, os Fazedores de Cultura... Posso afirmar com muita tranquilidade, eu nunca vi uma administração municipal tão desastrosa para a área da CULTURA. Me recordo, perfeitamente, da última Conferência Municipal de CULTURA (2023), que foi marcada pela absoluta APATIA da Secretaria Municipal de CULTURA, que teve uma ausência da prefeita municipal, que se quer lá compareceu, pelo menos para cumprimentar aos ARTISTAS, ENTIDADES e COLETIVOS CULTURAIS... Enfim, uma Tragédia... Muito menos compareceu à Conferência Municipal de CULTURA, algum representante do Legislativo Municipal. Portanto, volto a ratificar, infelizmente nenhuma surpresa está mais do que provado, qual é o real interesse, que essas pessoas têm sobre a CULTURA... Ou seja, nenhum interesse. Assim, vamos fortalecer os movimentos e entrar com todas às Entidades CULTURAIS, para pressionar esses senhores, chamá-los às responsabilidades. Vamos fortalecer esse Movimento dos ARTISTAS e denunciar o que está acontecendo. (Dirlei Bonfim - MAC)
Senhores vereadores precisamos de um Conselho de Cultura atuante e forte. Que possamos juntos encontrar caminhos. @luiscarlosdude , @valdemirdiasvereador , @alexandrexando_ e @vereadordinhodoscampinhos . @camaravc (@bc.donaraca)
Só seguir o Regimento Interno do Conselho Municipal e divulgar para a população conquistense os motivos da substituição. O que não pode acontecer é um prejuízo para os artistas com relação às discussões e implementação de políticas públicas culturais. (@leandrofagsarno)
Boa tarde pessoal. De minha parte houve sim uma resposta (no próprio grupo do conselho), onde expliquei os motivos de minhas ausências - mesmo sendo apenas suplente. No que tange ao quórum, a ausência dos vereadores contribui, mas não é a única causa de não se atingir a meta, haja vista que o quórum é de 60% dos conselheiros, que são em 10 no total. Sendo assim, os vereadores tem responsabilidade, mas não foram os únicos a faltar nas reuniões. De todo modo, importante a mobilização da sociedade civil para a construção de uma política pública cultural participativa. Até segunda-feira ✌🏽 (@alexandrexando_)
@alexandrexando_ boa tarde, vereador. Não houve resposta a um documento encaminhado pela SASB e cobraremos toda vez que houver silêncio, assim como foi cobrado a prefeitura por não ter respondido um ofício solicitando uma reunião há alguns meses. Nesse sentido, não houve resposta de nenhum dos vereadores. E cobramos também os demais conselheiros que faltarem pois todos foram eleitos com voto da sociedade civil que precisa ser respeitada. Cobramos por um conselho atuante e forte, e pra isso, será necessário o compromisso de todos. Queremos te ver e também queremos ver os vereadores  titulares que até agora não se manifestaram. A gestão do conselho está ainda no começo e nos assusta ver essa ausência. Sigamos e nos vemos na segunda-feira. (@associacao.sasb)
Segue a regra do jogo, regimento interno, faltou duas ordinárias sem justificativa, encaminha o pedido de substituição para o presidente da câmara e segue o baile, o mesmo vale para os conselheiros, existe suplência justamente para não perder o quórum. Não pestanejamos em pedir o afastamento, e ainda denunciamos em audiência pública na câmara. (@purki_)

 
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Nota do Editor: os textos acima foram (re)publicados neste site para fins de preservação histórica das movimentações artísticas, especificamente musicais, existentes em nossa região (Fase 2 do Projeto), não representando, em qualquer nível, a opinião/posicionamento do Memória Musical do Sudoeste da Bahia. O espaço, reiteramos, é disponibilizado a todos, desde que guardando relação com o nosso objeto de pesquisa - a musicalidade da região sudoeste da Bahia.
Náufrago Urbano na primeira Temporada do Toca Autoral! (2022-23). Imagem: Plácido Oliveira.

Este é o FAQ oficial da II Temporada do Projeto Toca Autoral!, como complemento à Chamada Aberta publicada em 01/03/2024 (acesse AQUI). As regras gerais da seleção estão nesse documento. 

Nesta página, confira algumas questões previstas e direcionadas pelo público sobre o Projeto, portanto, será sempre atualizada. Volte aqui periodicamente.

Haverá cachê aos participantes?

Não. Buscamos formas de viabilizar a remuneração a todos os participantes, inclusive através de editais de cultura, mas sem sucesso. Assim, ainda não há a possibilidade de pagamento de cachês ou ajuda de custo. Para esta Temporada, o trabalho (incluindo o da equipe de Produção) é 100% voluntário e colaborativo: seremos artistas atuando em um projeto sem fins lucrativos, que beneficiará a todos.

Então a Produção do Projeto também não ganha nada?

Financeiramente, não só não ganhamos nada, como GASTAMOS: nosso equipamento, tempo, esforço (que não é pouco) e... Dinheiro. Sim: nós gastamos dinheiro para produzir o Toca Autoral!. Porém, o que está em questão não é isso. O Memória Musical do Sudoeste da Bahia nunca teve fins lucrativos. No texto de Apresentação, publicado em 2019, definimos três etapas fundamentais de trabalho: 1) Construção do projeto e do site; 2) Inserção de conteúdo externo (ou seja: o aspecto "museu" do Projeto) e; 3) Criação de  conteúdo original, uma vez que julgamos importante fomentar e viabilizar novas iniciativas, como a nossa zine e o Toca Autoral!. Portanto, sua realização é um dos nossos objetivos desde o início, pensando no fortalecimento da nossa cultura e do próprio Projeto, nos aproximando do objetivo final: a criação de um museu físico dedicado à musicalidade da região.

O que é um fonograma?

O fonograma é a gravação final de uma música, em formato de áudio, o que não se confunde com a composição (ou obra) em si. Ex.: a canção O Álcool Me Persegue foi composta pelos artistas Nem Tosco Todo e Lázaro Ribeiro (composição). Em 2009, foi lançada sua versão de estúdio no álbum Punk Rock de Conquista, da banda Cama de Jornal (fonograma). Em 2012, foi regravada e lançada no EP Riffs, Shuffles, Rock n' Roll, da banda Distintivo Blue (outro fonograma). Cada fonograma (o produto "áudio") possui um código chamado ISRC (International Standard Recording Code / Código de Gravação Padrão Internacional), que funciona como uma espécie de RG de cada gravação. Este código é gerado pelo produtor fonográfico (a Produção do Toca Autoral!) e acompanhará permanentemente o fonograma por onde ele estiver, possibilitando que seja rastreado e os devidos ganhos sejam entregues a quem for de direito (produtor, intérprete e autor). O registro da composição (a criação intelectual) é facultativo e é realizado na Fundação Biblioteca Nacional. O Direito Autoral brasileiro protege as obras já na sua concepção, portanto, o autor interessado em proteger seus direitos deve produzir provas da sua autoria àquele momento histórico (ex.: publicar a letra em um website, periódico, enviar por e-mail a si mesmo, etc.). O registro da obra é apenas a mais formal dessas provas, não a única válida.

Posso representar a minha banda no Projeto?

Sim. Você pode se apresentar utilizando o nome da sua banda, ao invés do seu nome individual. No Formulário de Inscrição, insira o nome da banda no campo "nome social / artístico". Não esqueça do item 6 da Chamada Aberta: a regra é a apresentação de apenas 1 artista mas, caso exista alguma limitação técnica (ex.: o vocalista não toca violão), há a possibilidade de inserir mais 1 músico como apoio.

Por que não é possível a participação de uma banda completa?

Porque temos várias limitações: equipamento de gravação (não temos equipamento suficiente para gravar várias pessoas de uma só vez), tempo de gravação (lembre-se que utilizaremos um espaço público ou de terceiros, por algumas horas, sem verba para pagar por isso), de edição (editar o Projeto consome MESES de trabalho não-remunerado, por isso, não há como se debruçar completamente sobre ele) e de publicação. Este é um trabalho realizado por apenas UMA pessoa, portanto, no momento, sem patrocínio, é tecnicamente impossível gravar bandas completas no Projeto. Mas continuaremos tentando apoio externo e editais de incentivo para as próximas Temporadas.

Há restrição de gênero musical?

Não. É possível a participação de qualquer gênero musical. Porém, não serão selecionados artistas cujas obras contenham incitação à violência, desrespeito à pessoa e suas crenças religiosas, conteúdo sexual explícito e/ou apologia a crimes previstos na legislação penal brasileira. Respeitamos a liberdade de expressão, mas deve-se atentar ao objetivo de manter o Projeto alcançável também por menores de 18 anos, inclusive com sua utilização didática por professores. 

O que é "caso fortuito ou de força maior" a qual se refere a Chamada Aberta?

Aqui utilizamos a terminologia do Direito para definir situações que fogem do controle do participante. "Quanto às diferenças, de maneira breve e simples, podemos dizer que o caso fortuito é o evento que não se pode prever e que não podemos evitar. Já os casos de força maior seriam os fatos humanos ou naturais, que podem até ser previstos, mas da mesma maneira não podem ser impedidos; por exemplo, os fenômenos da natureza, tais como tempestades, furacões, raios, etc ou fatos humanos como guerras, revoluções, e outros" (TJDFT). Assim, caso as faltas descritas no item 6 da Chamada Aberta não se devam a essa categoria de motivação, será desclassificado o participante e chamado o seu suplente, de acordo com o item 3.

Onde serão realizadas as sessões de gravação?

As sessões de gravação, bem como todas as demais etapas do Projeto, serão realizadas em Vitória da Conquista-BA. Portanto, artistas de outras cidades devem atentar-se à necessidade de deslocamento caso sejam selecionados, implicando na observância do item 5.3 da Chamada Aberta (gastos com transporte são de responsabilidade individual), uma vez que não há verba disponível para transporte. Cabe ao participante ponderar gastos X benefícios e decidir se é ou não viável participar do Projeto. No momento, não há como a Produção se deslocar a outra cidade para gravar.

Posso me inscrever em mais de uma categoria?

Sim. É possível que você se inscreva, por exemplo, como músico e fotógrafo, ou como músico e observador. Porém, será selecionado apenas em uma categoria. Faça uma inscrição separada para cada categoria que desejar, atentando para o Gmail utilizado: caso utilize o mesmo para login (e não o e-mail solicitado no formulário de inscrição em si) o sistema poderá interpretar como uma correção da inscrição anterior, apagando os dados da primeira inscrição.

Por que serão disponibilizadas apenas duas vagas para músicos?

A Chamada Aberta contempla apenas duas vagas para esta Temporada. As duas restantes foram preenchidas previamente pela Produção, sendo que uma das sessões já foi gravada, em agosto de 2023. Para a terceira Temporada (2025), ampliaremos novamente o número de vagas abertas.

Não tenho seis músicas autorais. Posso me inscrever ainda assim?

Pode, mas só serão selecionados artistas que enviarem seis músicas. No seu caso, melhor se inscrever como observador, aprender com os selecionados, trabalhar em suas composições e tentar como artista no ano que vem.

Ainda com dúvidas?

Envie seu questionamento para memoria@distintivoblue.com.


Última atualização: 01/03/2024

A música autoral de uma região é um dos mais valiosos elementos de identidade e cultura de seu povo, capaz de expressar sentimentos individuais e coletivos acerca da sua relação com o tempo e espaço onde se encontra. Em tempos de forte apelo aos nostálgicos "shows-tributo", a música autoral contemporânea independente (a não acolhida pela grande indústria) sofre uma crescente desvalorização, motivando artistas autorais a "abandonarem" suas próprias criações para atender ao "mercado dos clássicos", empobrecendo o cenário cultural da nossa região, tão acostumada a referir-se a si mesma como "celeiro de grandes artistas".

O Memória Musical do Sudoeste da Bahia, projeto de pesquisa, fomento e preservação musical, 100% independente,  em atenção e apoio à cultura local, publica a Chamada Aberta para músicos autorais, fotógrafos/cinegrafistas e observadores interessados em participar da segunda Temporada do Projeto multilinguagem Toca Autoral!,  a se realizar entre março e novembro de 2024 em Vitória da Conquista.

O Projeto prevê a produção de vasto material em áudio (fonogramas), vídeo, texto (analítico e descritivo, incluindo letras de músicas), fotografias, zine (impressa, digital e em formato áudio), sobre a obra original dos artistas, com disponibilização gratuita ao público, inclusive em plataformas de streaming, em uma grande união de mentes criativas. Após a realização, com sucesso, da primeira Temporada (2022-23), essencialmente experimental,  amplia o número de participantes, possibilitando a fotógrafos/cinegrafistas complementarem, com seus olhares, a criação. 

Compreendendo, ainda, o aspecto educacional do Projeto, abre-se espaço para observadores acompanharem o processo de produção in loco, conhecendo os bastidores e os participantes em plena atividade, absorvendo uma valiosa e profunda vivência cultural.

Inscrições abertas, de 01 a 15 de março de 2024, gratuitamente. Leia atentamente a Chamada Aberta antes de se inscrever. Links abaixo:

Chamada Aberta:


Inscreva-se:


Cronograma:

01/03/2024 - Publicação da Chamada Pública e início das inscrições
15/03/2024 - Encerramento das inscrições
10/04/2024 - Publicação do resultado

Dúvidas e outras informações:


Material de apoio (Manual do Músico):

Criando um release com ajuda da IA (em produção. Aguarde até 06/03/2024)



PROJETO “TOCA AUTORAL!” - II TEMPORADA (2024)


CHAMADA ABERTA

Versão em PDF


O projeto independente MEMÓRIA MUSICAL DO SUDOESTE DA BAHIA, de pesquisa, fomento e preservação cultural, sediado em Vitória da Conquista-BA, convoca músicos autorais residentes à região sudoeste da Bahia para integrarem a segunda Temporada do Projeto TOCA AUTORAL!, a ser realizado entre março e novembro do corrente ano, de acordo com as seguintes normas:



1 APRESENTAÇÃO


Arte é, antes de tudo, expressão humana, reflexo de seu tempo e espaço. Mas o que dizer sobre uma época em que a nostalgia se tornou objeto de um forte e dominante mercado, abrangendo segmentos diversos? No contexto da música, os "shows-tributo" constituíram verdadeira “febre”, sobretudo em bares e eventos de nicho – onde a maioria dos músicos obtêm seu sustento – sendo enfaticamente incentivados à produção desta categoria de apresentação, evocando sempre a palavra “clássicos” como atrativo. Tal demanda tornou-se tão forte que músicos autorais passaram a, gradativamente, “abandonar” suas obras para atender a esse mercado, considerando o ambiente como profundamente desfavorável à arte original, conforme constatamos por meio de entrevistas com artistas locais e outras análises, condenando-as ao esquecimento e, consequentemente, privando a comunidade de conhecer importantes fragmentos de sua própria identidade.

O projeto de pesquisa, fomento e preservação Memória Musical do Sudoeste da Bahia, totalmente independente e mantido com (limitados) recursos próprios, como forma de resistência a esta realidade e incentivo aos artistas autorais locais, criou o projeto Toca Autoral!, em alusão ao bordão "toca Raul!", símbolo da música cover no Brasil. O Projeto, multilinguagem, objetiva não apenas destacar a importância da produção autoral contemporânea na região sudoeste da Bahia, mas colaborar para com a trajetória dos próprios artistas, reconhecendo dificuldades de gestão comuns à categoria, fornecendo material multimídia de boa qualidade e a própria experiência da participação, como contribuição ao processo de solidificação de suas carreiras.

Cada “episódio” do Toca Autoral! envolve a ocupação de algum espaço local culturalmente simbólico para a realização de uma sessão de gravação em vídeo e áudio do artista correspondente, executando seis de suas canções, seguidas de seis pequenas falas explicativas sobre cada uma das músicas e um relato autobiográfico, de até dez minutos. Aproveitando a ocasião, é realizada uma sessão de fotos. O resultado é transformado em uma web série, onde o vídeo completo, contendo todas as canções e falas, é publicado na plataforma YouTube e demais redes sociais e, ainda, as canções separadamente, com o objetivo de facilitar a autodivulgação do artista.

É produzida, ainda, uma edição especial da zine Memória Musical do Sudoeste da Bahia, publicada em formato digital (PDF), impresso e áudio (podcast), para distribuição gratuita, contendo informações sobre todos os artistas da temporada. As falas são transcritas e publicadas com textos explicativos e analíticos, no website do Memória Musical do Sudoeste da Bahia. O áudio é mixado, masterizado e publicado nas plataformas de streaming (Spotify, Deezer, Apple Music, etc.) em formato EP (Extended Play), tornando-se, para alguns, o primeiro "disco" da carreira.

Todo o material gerado e editado é disponibilizado para acesso gratuito e fornecido gratuitamente ao artista para que o utilize da forma que julgar mais adequada. É buscada, também, a participação do artista em programas de rádio, TV, podcasts e outras formas de acesso à imprensa, sob a tutela do Projeto, que registrará e republicará também esse material em suas plataformas. Não é cobrada qualquer taxa aos participantes. A produção é viabilizada com recursos próprios do Projeto.

Não há previsão de remuneração direta a qualquer dos envolvidos, incluindo-se a própria equipe de Produção, considerando a ausência de patrocinadores ou verba disponível. O interesse é puramente a contribuição voluntária para com a cultura local, através da produção de conteúdo original, implicando o enriquecimento do acervo do Projeto por meio da produção documental.

A primeira Temporada [https://bit.ly/TOCAUTORAL01], de caráter experimental, foi produzida e publicada entre setembro de 2022 e junho de 2023, com os músicos Paul Bergeron, Náufrago Urbano e Weldon França, originários de diferentes contextos, mas residentes em Vitória da Conquista. As sessões aconteceram no palco principal do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima. Na segunda temporada, a se realizar entre março e novembro de 2024, o número de participantes foi ampliado para quatro, com duas vagas oferecidas por meio desta Chamada, com o objetivo de produzir um conteúdo rico, dinâmico, democrático e de grande importância cultural para toda a região sudoeste da Bahia, ampliando a experiência a fotógrafos, cinegrafistas e observadores, formando um grande conjunto de perspectivas e fazeres autorais.



2 DAS INSCRIÇÕES


As inscrições serão realizadas entre 01 e 15 de março de 2024 até às 23:59h, sem prorrogação, através do link: https://bit.ly/insctoca2024, contendo as informações necessárias e o formulário de inscrição on-line, de acordo com as seguintes especificações:


2.1 MÚSICOS


Serão selecionados 2 (dois) músicos, residentes à região sudoeste do estado da Bahia há pelo menos 2 (dois) anos, que desenvolvam trabalho artístico autoral. Ao preencher o formulário, o candidato deverá enviar dados de identificação (RG e CPF), comprovante de residência e 6 (seis) de suas canções, obrigatoriamente autorais, em formato áudio ou vídeo, bem como as respectivas letras. É permitida a inscrição de músicas instrumentais, desde que autorais. O envio de cifras, tablaturas e partituras é opcional, mas incentivado, uma vez que um dos objetivos do Projeto é facilitar o acesso à obra dos participantes e incentivar a sua execução por outros músicos.

Em incentivo a novos artistas, não é necessário lançamento anterior de EP, single ou álbum. Para artistas dotados desses materiais, é solicitado o envio de videoclipes e fonogramas, que serão inseridos ao acervo do Memória Musical do Sudoeste da Bahia e disponibilizados ao público, através de seu website, redes sociais e demais formas de publicação utilizadas pelo Projeto.

A curadoria não se baseará em qualidade de gravação, mas nas obras em si, bem como o contexto geral de cada artista (sua trajetória, conceituação artística e outras subjetividades). É fundamental, ainda, o envio de um release básico, contendo informações gerais sobre o artista, sua obra e sua interação com o local em que reside. Para amenizar eventuais dificuldades, preparamos um material de apoio, disponível ao mesmo link.

Não há restrição de gênero musical, entretanto, não serão selecionados artistas cujas obras contenham incitação à violência, desrespeito à pessoa e suas crenças religiosas, conteúdo sexual explícito e/ou apologia a crimes previstos na legislação penal brasileira.


2.2 FOTÓGRAFOS e CINEGRAFISTAS


Serão selecionados até 2 (dois) fotógrafos / cinegrafistas interessados em participar e contribuir com os trabalhos, em caráter voluntário e complementar, de acordo com o item 1, que fornecerão, quando da inscrição, informações sobre seus trabalhos (portfólio, amostras, links, release, etc.), bem como os dados de identificação e comprovante de residência. A inscrição compreende a concordância em fornecimento do material gráfico produzido (fotografias e vídeos), editado ou não, à Produção, que poderá utilizá-lo em qualquer etapa do Projeto, incluindo edição, a posteriori, e o publicará junto ao restante do material previsto para disponibilização pública e gratuita.


2.3 OBSERVADORES


Serão selecionadas até 6 (seis) pessoas, residentes na região sudoeste do estado da Bahia, interessadas em conhecer os bastidores da Produção como observadoras, com objetivo de aprendizado / vivência, sendo autorizada a formulação de perguntas ao Produtor e aos Artistas, de acordo com as regras a se definirem em reunião preliminar. A inscrição, para este propósito, deverá ser efetuada através do mesmo link descrito ao item 2.


Parágrafo único. O resultado da seleção será publicado em 10/04/2024, no endereço: https://memoria.distintivoblue.com/2024/02/RESULTADO.html



3 DA SUPLÊNCIA


Dentre os inscritos, serão selecionados até 2 (dois) suplentes, que ocuparão as vagas subsequentes às dos selecionados, em decorrência das situações previstas ao item 6. Uma vez enquadrado o participante, não será concedida segunda chance, sendo desclassificado. Sua vaga será automaticamente movida ao fim da lista e destinada ao primeiro suplente da lista de espera.



4 DO CONCEITO


O objetivo geral do Projeto é incentivar a produção autoral local em sentido amplo: não apenas a personalidade musical é objeto de trabalho e amostra, mas a personalidade do trabalho fonográfico, fotográfico, videográfico, textual e da própria Produção do Projeto, constituindo uma grande união de personalidades artísticas e técnicas sobre um conteúdo ímpar e de grande valor cultural à região sudoeste da Bahia, a ser disponibilizado gratuitamente e permanentemente à sua população, demonstrando essas culturas também às pessoas externas aos limites geográficos locais.

O formato da apresentação musical é minimalista, devido a limitações técnicas. É permitida a participação de apenas um (1) músico para cada sessão, exercendo, simultaneamente, as funções de instrumentista e vocalista. O formato preferencial é o “voz-e-violão”, porém, pode-se utilizar outros ou ainda adicionar mais instrumentos (ex.: canto + violão + gaita). Em caso de inscritos limitados exclusivamente à função de vocalista ou instrumentista, é permitida a adição de um músico instrumentista ou vocalista acompanhante.



5 DA EXECUÇÃO


Toda a execução do Projeto considerará o fator “escassez” (de recursos, tempo, oportunidade de uso do espaço, etc.) em todas as etapas e atividades, buscando obter-se o melhor possível com os recursos disponíveis.


5.1 A participação de cada artista será limitada a apenas uma sessão de gravação, não sendo possível pleitear sessões extras. Destarte, é fundamental o preparo prévio. Não há a possibilidade de uso do tempo de sessão para ensaios, indecisões ou outras atividades pertencentes à etapa de pré-produção. O participante deve comparecer devidamente preparado para cumprir sua atribuição da forma mais fluída possível, de acordo com seu próprio conceito artístico/técnico;


5.2 A Produção fornecerá equipamento básico para a execução musical: 1 microfone, 1 pedestal, 1 cabo P10, 1 cabo XLR, extensões de tomada. É facultado ao artista substituir qualquer desses equipamentos pelos seus próprios. Instrumentos musicais, câmeras (no caso de fotógrafos e cinegrafistas) e outros equipamentos de uso pessoal deverão ser fornecidos pelo próprio participante;


5.3 Gastos relacionados a transporte são de responsabilidade individual;


5.4 Não é permitida a entrada de convidados às sessões de gravação sem prévia solicitação à Produção e sua expressa autorização;


5.5 A escolha, negociação e viabilização do espaço para as sessões é de responsabilidade da Produção. Entretanto, sugestões podem ser fornecidas por todos os participantes;


5.6 A fase de edições é de responsabilidade da Produção, sendo possível o voluntariado de qualquer participante, de acordo com o disposto nesta Chamada Aberta;


5.7 A observância a prazos e pontualidade deve ser uma das máximas do Projeto, conforme item 6;


5.8 Será criado um grupo de WhatsApp ou Telegram incluindo todos os participantes para facilitar a comunicação imediata;


5.9 Todo o Projeto será realizado na cidade de Vitória da Conquista-BA.



6 CRITÉRIOS DE DESCLASSIFICAÇÃO


O bom andamento dos trabalhos depende diretamente da colaboração e iniciativa de todos os participantes, uma vez que o tempo disponível é escasso, bem como a disponibilidade de uso do espaço físico. Assim, são fatores passíveis de desclassificação do(a) participante:


6.1 Faltar a reunião previamente marcada, exceto em caso fortuito ou de força maior;


6.2 Faltar a sessão de gravação previamente marcada, exceto em caso fortuito ou de força maior;


6.3 Não assinar ou se recusar a assinar os termos de compromisso, autorização de uso de imagem e áudio fornecidos;


6.4 Desrespeitar as regras, prazos (incluindo de entrega de materiais solicitados) e demais especificações do Projeto.


Parágrafo único. O tempo de tolerância padrão para comparecimentos é de 20 (vinte) minutos. Ultrapassado este limite, é facultada à Produção o cancelamento da sessão/reunião, tipificando os itens 6.1 e 6.2.



7 APOIO EXTERNO


O Projeto é realizado, originalmente, através da iniciativa e recursos próprios da Produção, sem qualquer remuneração. Iniciativas externas de apoio são bem-vindas. Demandas comuns são: equipamentos de informática (em especial HDs externos), de captação de áudio e imagem, iluminação e custos operacionais. Doações de valores podem ser direcionadas para a chave Pix: memoria@distintivoblue.com contendo a devida informação na descrição da operação bancária.



8 CREDITAÇÃO, CERTIFICAÇÃO E ROYALTIES


A proposta do Projeto é unir diversas manifestações autorais em um conjunto de produtos culturais (áudio, vídeo, fotografia e texto). Todos os participantes serão devidamente creditados nas fichas técnicas, vídeos e outras publicações. Também serão citados os observadores e, de acordo com o item 7, apoiadores externos. A todos os participantes será fornecido certificado em formato digital ao final dos trabalhos da Temporada.

Ao se inscreverem, os artistas manifestam concordância em divisão de royalties relacionados aos fonogramas e eventuais ganhos de qualquer espécie, resultantes dos produtos gerados, na proporção 50% artista, 50% produtor.



10 CONSIDERAÇÕES FINAIS


É de suma importância a leitura atenta desta Chamada Aberta, bem como de todo o conteúdo disposto na página https://bit.ly/insctoca2024, contendo o link para as FAQ (perguntas frequentes). Permanecendo, após a leitura, dúvidas, questionamentos e a necessidade de outras manifestações, deve-se solicitar esclarecimento através do e-mail: memoria@distintivoblue.com.


Vitória da Conquista, 28 de fevereiro de 2024.



Plácido Oliveira Mendes

Memória Musical do Sudoeste da Bahia


Por Dirlêi A Bonfim*
Ao iniciar esse ensaio, estava aqui fazendo uma releitura da última edição do Livro do Professor Roberto DaMatta, acerca do carnaval, bem como, todas as relações sociais, representativas, culturais, políticas, recreativas e simbólicas, que esta festa nos apresenta. O Carnaval é sem dúvida uma das maiores festas populares do mundo. Um evento que leva às ruas todas as manifestações de todas as classes, cores e raças, todos os credos, misticismos, utopias, valores, motivos e compreensões pela diversidade que os desfiles se apresentam nas ruas das cidades brasileiras, cada uma das pessoas com a sua forma e maneira peculiar de se manifestar. Na busca de uma alegria coletiva, um prazer da carne, quiça imaterial, espiritual, que se compartilha e é compartilhado por multidões em todas as praças e avenidas pelas cidades afora. Sobre a origem do Carnaval, segundo o Professor Meuli, filólogo suíço Karl Meuli(1971), a palavra Carnaval deriva da palavra italiana Carnavale, mas explicações linguísticas, mitológicas e etimológicas são mais amplas e diversas. Que vão desde as festas pagãs do Sec. V, A/C, passando pelas festas e comemorações advindas para além do iluminismo, até os nossos dias, naquilo que cada sociedade compreende e se manifesta através dos encontros e das festas populares. O Professor Meuli lembra que já se pensou que “carnaval” derivaria, ou do carus navalis (carruagem naval), do deus grego Dionísio em Atenas, ou até mesmo do navio da deusa egípcia Ísis. Mas para o etimólogo suíço, foram Merlo e Wartburg os linguistas quem demonstraram de modo irrefutável “que a palavra [carnaval] se refere ao início dos quarenta dias de jejum, não no sentido de carne, vale! — Carne, adeus! –, mas no sentido de carnem levare, ‘trazer, retirar a carne da mesa’ (Roma, século XIII: carnelevarium; Milão, século XIV: carnelevamen)”. O Carnaval no Brasil, há quem diga que o ano realmente só começa após essa data, que é uma cultura enraizada no nosso país. Há pessoas físicas e jurídicas, que trabalham o ano inteiro para a concepção e construção das fantasias e alegorias, bem como, os Foliões, que muitas vezes pagam seus carnês, durante um ano inteiro para garantir sua participação no desfile em alguma Escola e ou Bloco de Trio Elétrico. Ela é uma data transitória que arrasta multidões pelo Brasil e costuma parar as cidades. O Carnaval é uma data tão presente na cultura brasileira que a sociedade já conta e espera por essa data. Como sabemos, o carnaval não é produto do pensamento moderno. Ele já existia até na Idade Média e nas sociedades Medievais, portanto, não é algo tão novo e moderno. Como se dá a realização dessa festa? Aí perpassa por todo um processo de planejamento invejável até para as grandes corporações, voltados e pautados pelo resultado/lucro, expressão maior do mundo capitalista, que transforma tudo em mercadoria.  Há ainda, aqueles que classificam como a indústria do carnaval, que vai gerar muito turismo, emprego e renda e claro, vai trazer consigo todos os desdobramentos de uma festa com essa dimensão. (tudo demais, muito sexo, diversão, droga, crimes de toda natureza, consumo, e consumo). Por vezes, somos induzidos a pensar nessa festa, apenas como o desfile de escolas de samba e trios elétricos com os patrocínios públicos e privados, do estado, das cervejarias, emissoras de rádio e tvs e outras empresas capitalistas que estão visando nele apenas o lucro. Será o carnaval aquele que é televisionado nas ruas de cidades como Salvador, Rio e outros Estados do Brasil onde você tem que comprar uma fantasia qualquer ou abadá para festejar? E assim, alimentar essa tal indústria do Carnaval, será que é só isso? Numa sociedade de aparências, hipocrisias, fantasias, mentiras e simbolismos, tudo isso está muito bem representado nas Avenidas, ou para além delas. O Capitalismo faz tudo que o interessa “permitido ou não” em prol do Lucro e da sua acumulação. É lógico que o capital sempre se apropria de “produtos” em transformar o carnaval em mais um produto de consumo para potencializar os Lucros. Mas, existem outras formas de fazer a festa (o carnaval), com a participação popular de forma mais simples e barata. Segundo o Professor  DaMatta (1997), no seu clássico: Carnavais, Malandros e Heróis, em que  traça relações entre o carnaval, a religiosidade e a hierarquização da sociedade. Ressalta as inversões e entrelaçamentos entre as classes sociais e gêneros durante a festa e analisa, o “politicamente correto” em uma festa pautada pela irreverência. O antropólogo comenta, ainda, se o país tão marcado por tragédias e notícias ruins, deveria interromper os festejos carnavalescos. Mas, ao mesmo tempo, pondera que o Carnaval, na verdade, é o momento do encontro, entre os amigos, família, momento também da reflexão e extravasamento de todas as angústias do dia a dia, bem como, a crítica sobre o cotidiano das mazelas na política partidária, inclusive com a encenação e execração das personagens tortas e tortuosas no mundo político. Assim, como a tradição da queima do Judas, todos os anos no (sábado de Aleluia), para os dias de Carnaval, há sempre os blocos com muita criatividade e irreverência para a crítica aberta e a execração pública aos mal feitores do mundo político, por toda a patifaria, corrupção, incompetências, crimes e malversação, que os seus atos desumanos, causam de dores e sofrimentos às sociedades. Segundo D. Hélder Câmara (1975), o “Carnaval é a alegria popular. Direi mesmo, uma das raras alegrias que ainda sobram para a minha gente querida. Peca-se muito no carnaval? Não sei o que pesa mais diante de Deus: se excessos, aqui e ali, cometidos por foliões, ou farisaísmo e falta de amor por parte de quem se julga melhor e mais santo por não brincar o carnaval. Brinque, meu povo querido! Minha gente queridíssima. É verdade que na quarta-feira a luta recomeça, mas ao menos se pôs um pouco de sonho e alegria na realidade dura da vida!”O pensamento anarquista surgiu com as ideias do político e filósofo francês Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865). Membro do Parlamento francês, durante certo tempo, e oriundo de uma família de pequenos burgueses, Proudhon criticou severamente a presença do Estado nas organizações políticas e a aquisição da propriedade privada.

“Segundo o francês, a propriedade privada, símbolo maior do capitalismo, era o maior motivo da desgraça humana” e o Estado era apenas um aparato repressor criado para controlar a vida das pessoas e mantê-las presas à lógica capitalista. Outro grande pensador do anarquismo foi o teórico político russo Mikhail Bakunin (1814-1876). Bakunin conheceu os ideais de Proudhon e o socialismo científico de Marx e Engels. Ele divergiu dos teóricos comunistas, em especial, na questão da presença do Estado nas revoluções populares, e também elevou a um grau mais radical as ideias do francês Proudhon, bem como, de outros pensadores. Para Bakunin(1852), “era necessária uma revolução sangrenta, a partir de ações práticas e fortes que derrubassem de vez o Estado e implantassem um sistema político democrático direto, livre, autônomo, baseado na autogestão e sem figuras de lideranças políticas.” Por que muitos, tentam classificar as atividades e manifestações do carnaval como manifestações do anarquismo? Primeiro, por ter havido ao longo dos anos, uma desconstrução do vocábulo: real significado de Anarquismo substantivo masculino[Política] Teoria política que afirma ser a sociedade uma instituição independente do poder do Estado; teoria social e política que não aceita a submissão da sociedade aos poderes governamentais e/ou à autoridade do Estado. O anarquismo tem como princípio básico a autogestão democrática da política, ou seja, no sistema anarquista não existe governo, não existe Estado, não existem lideranças, não existem instituições econômicas, e a lei é criada e exercida pela participação de toda a população. O anarquismo prega a valorização da liberdade individual, a partir da extinção do capitalismo e das instituições estatais, por isso é chamado também de comunismo libertário. Para os anarquistas, não deve haver qualquer tipo de força repressora da liberdade humana, assim o Estado deve ser extinto. O ser humano deve ter o princípio da liberdade como força motriz de sua ação, pois na visão anarquista, se todos têm as mesmas condições socioeconômicas e submetem-se às mesmas condições legais autogestionárias (submetem-se a uma lei comum que não privilegia uns e absolve outros e não têm como figura central as instituições), as ações contra o bem comum desaparecerão. O princípio da liberdade anarquista é elevado ao máximo, ao concluir que o ser humano deve ter total direção e controle de sua vida individual, desde que não interfira na vida alheia. Dessa forma, os anarquistas veem a maioria das leis como artifícios de controle que apenas mantêm as pessoas conformadas com a ordem vigente, pois temem serem punidas, com base nas leis, constituições e regulamentos”. Na Etimologia (origem da palavra anarquismo). Anarquia + ismo. O anarquismo critica principalmente exploração econômica do sistema capitalista e o que chama de dominação político-burocrática e da coação física do Estado. Os anarquistas não buscam uma revolução política, mas uma revolução social. O pilar mais conhecido da teoria anarquista é a crítica ao Estado e a crença em um território baseado na autogovernança. A crítica se estende a todo e qualquer tipo de sistema em que há Estado, dos que agem com intervenção mínima à máxima, dos mais autoritários aos mais liberais. Do ponto de vista histórico e científico: “Na visão anarquista todo e qualquer governo tinha como fim último legitimar uma nova classe no poder e cercear as liberdades individuais. Por isso, a Ditadura do Proletariado era vista pelo ideal anarquista enquanto uma mera reprodução dos Estados Liberal-Burguês ou Absolutista.” Sem a figura opressora do Estado, potencialização das liberdades, conquista da autogestão, uma sociedade livre, ética, respeitosa e responsável para decidir de forma civilizada, educada, consciente e qualificada o melhor para toda a coletividade”. Por isso mesmo, ainda num processo de Utopia… Do grego “ou+topos” que significa “lugar que não existe, ou a se alcançar um lugar do esplendor”. No sentido geral, o termo é usado para denominar construções imaginárias de sociedades perfeitas, conforme os princípios filosóficos de seus idealizadores. Na visão de M.Bakunin(1855), vai afirmar: “Só serei verdadeiramente livre quando todos os seres humanos que me cercam, homens e mulheres, forem igualmente livres, de modo que quanto mais numerosos forem os homens livres que me rodeiam e quanto mais profunda e maior for a sua liberdade, tanto mais vasta, mais profunda e maior será a minha liberdade, quanto maior a liberdade, igualdade, consciência ética, fraternidade, mais possibilidade de uma sociedade altiva, independente, livre e justa”. Segundo Proudhon (1862), “Ser governado significa ser observado, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, cercado, doutrinado, admoestado, controlado, avaliado, censurado, comandado; e por criaturas que para isso não tem o direito, nem a sabedoria, nem a virtude… Oh personalidade humana! Como pudeste te curvar à tamanha sujeição durante sessenta séculos? Não compreendeu ainda, que a liberdade, igualdade, autonomia, ética, intelectualidade, são fontes da dignidade humana…?  O que fazes, que ainda se-submete a tanta opressão”…? Segundo Malatesta (1897), “Anarquista é, por definição, aquele que não quer ser oprimido, nem deseja ser opressor; é aquele que deseja o máximo bem-estar, a máxima liberdade, o máximo desenvolvimento possível para todos os seres humanos, de forma solidária, fraterna e justa”. A partir de Paul Feyerabend (1949), que vai representar a radicalização sobre os fundamentos da ciência. Ele postula que a ciência é uma atividade metodologicamente anárquica e que é apenas um dos modos de vida possíveis. Isto porque há vários fatores que determinam o desenvolvimento científico, desde a metafísica até a política e a economia. Ainda, segundo Feyerabend (1955), a ciência, assim como a religião, foi imposta pela cultura ocidental de forma unilateral. Assim, nos faz crer, num sentido maior e mais profundo, quanto a relação de liberdade da sociedade, na  “festa carnavalesca”, do mesmo modo que ocorre em rituais religiosos, seja católico, ou não,  suspende as ordens hierárquicas, provocando verdadeira contraposição não apenas da temporalidade, mas também da estrutura de poder normativa que o cotidiano estabelece. E isso está relacionado com aquela “anarquia legal”. A analogia entre carnaval e o anarquismo, que se coloca, pela forma em que a liberdade é pensada e exercida de forma possível, não integral, mas com toda potência peculiar das manifestações mais legítimas advindas do povo. E isso nos remete a imaginar uma sociedade com amplo poder de liberdade e autonomia, autogestora, senhora dos seus rumos e percursos, o povo/sociedade integralmente livre, organizado e senhor de si, sem as amarras, a vigilância e a opressão do estado, com todo o seu aparato e despotismo autocrático, presente em qualquer regime político e ou modelo existente. 

**contribuição do Professor DsC. Dirlêi A Bonfim, Doutor em Desenvolvimento Econômico e Ambiental,  Professor de Sociologia da SEC/BA**E no Curso/Plano de Formação Continuada SEC/IAT/BA.*02/2024.1**

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Nota do Editor: o texto acima, disponibilizado espontaneamente pelo autor, foi publicado neste site para fins de preservação histórica das movimentações artísticas, especificamente musicais, existentes em nossa região (Fase 2 do Projeto), não representando, em qualquer nível, a opinião/posicionamento do Memória Musical do Sudoeste da Bahia. O espaço, reiteramos, é disponibilizado a todos, desde que guardando relação com o nosso objeto de pesquisa - a musicalidade da região sudoeste da Bahia.
Quem perde é a cidade que vai deixar de elaborar e publicar uma obra inédita sobre a história da fotografia em Vitória da Conquista

Jornalista Jeremias Macário

Confesso que sempre fui reticente e arredio em participar desses editais “burrocráticos” na área cultural, mas por incentivo de amigos terminei entrando nesse barco, mesmo desconfiando dos critérios utilizados no processo de seleção e eliminação. 

Outro motivo pelo qual me levava a ficar de fora é o excesso de burocracia, que me atrevo a denominar aqui de “burrocracia”. Eles são publicados com um emaranhado de exigências que, de início, deixa o artista irritado e sobrecarregado.  

  Como a maioria não lida na área e se dedica apenas fazer sua arte (meu caso), a tendência é contratar um especialista para inscrever seu projeto. Diante de tantos pedidos de certidões e documentos, para os técnicos que elaboram esses editais, todos artistas são desonestos e trapaceiros. 

    Bem, vamos sair dessa introdução, ou “nariz de cera” no jargão jornalístico e falarmos do real que são os critérios duvidosos no processo de julgamento desses projetos pelos pareceristas contratos pela Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel. No caso específico estou me referindo ao edital da Lei Paulo Gustavo no âmbito municipal (o estadual recebeu um monte de queixas, denúncias e ações na Justiça).

  No edital do município entrei com dois projetos, um do audiovisual para elaboração de um documentário sobre os treze anos do “Sarau A Estrada” e o outro com o propósito de lançar um livro inédito sobre a história da fotografia em Vitória da Conquista, um resgate do século passado aos tempos atuais. 

  Na primeira etapa, em ambos fui habilitado, mas terminei ficando na suplência. Pela sua importância histórica e por ter sido bem montado e amarrado, meu maior questionamento de ter sido praticamente excluído recai sobre o projeto literário de uma obra que deixa uma grande lacuna na memória de Conquista. Trata-se de uma pesquisa sobre a fotografia e os grandes fotógrafos que retrataram nosso município ao longo desses últimos cem anos.

  Quero aqui deixar bem claro que não sou melhor que ninguém nesse setor. Não ia escrever sobre isso, mas resolvi encarar as bordoadas. A esta altura muitos já devem ter dito que minha queixa é típica de um perdedor que não sabe aceitar a derrota, ou que a crítica não procede. 

  Pode ser presunção da minha parte, mas não me sinto perdedor porque quem mais perde nisso é a cidade. Não estou simplesmente arguindo porque fiquei na suplência, mas me reservo no direito de duvidar dos critérios adotados por esses pareceristas. 

   Ouvi de um preposto da Secretaria de Cultura que eu devo ter ficado de fora por causa das cotas para negros e LGBTs estabelecidas na Lei Paulo Gustavo. Caso tenha sido este o motivo, considero um absurdo dos absurdos um projeto ser julgado pela cor da pele. 

Não tenho nenhum medo de ser rechaçado dizer isso, mesmo porque sou um pardo. Nesse país tão miscigenado e misturado, o pardo é o mais prejudicado e confundido porque ele não é nem negro e nem branco. É uma coisa do meio, sem definição.

   Muitos me recomendaram que eu recorresse à justiça, mas não vou fazer isso, porque com esta idade só iria me aporrinhar e me estressar mais ainda. Repito que não sou eu que está perdendo. Prefiro deixar aqui o meu protesto que também é de muitos que participam desses editais “burrocráticos”. 

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Publicado originalmente em 10/02/2024, em Blog do Paulo Nunes.

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O Decreto nº 23.068, publicado nessa terça-feira (30), no Diário Oficial do Município, traz o novo Regimento de Uso e Funcionamento da Praça da Juventude. Com isso, alteram-se as regras para utilização do equipamento, cujo caráter público, cultural e esportivo abrange a realização de atividades de inclusão digital e de lazer para a população de todas as faixas etárias – especialmente os jovens de Vitória da Conquista.

Entre as principais mudanças no regimento interno, a praça volta a ser diretamente administrada pela Coordenação da Juventude, vinculada à Secretaria Municipal de Trabalho, Renda e Desenvolvimento Econômico (SMDE). O setor será responsável por coordenar o uso e a manutenção do anfiteatro, dos quiosques, do auditório, da academia e do parque infantil.

Já a responsabilidade pelos espaços destinados a práticas esportivas, será feita de forma compartilhada entre a Coordenação da Juventude e a Coordenação de Esporte e Lazer, ligada à Secretaria Municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer (Sectel).

A outra novidade é a criação de novas regras para regulamentar o uso do equipamento por pessoas, grupos e entidades de caráter público ou privado, com finalidades educacionais, sociais, políticas, culturais ou esportivas.

Quem quiser utilizar os espaços para a realização de eventos que se encaixem nessa descrição, deverá preencher um formulário próprio, que pode ser entregue de forma on-line ou presencial. A solicitação deve ser feita formalmente com pelo menos 30 dias de antecedência em relação à data do evento. A equipe da Coordenação vai analisar o pedido e dar uma resposta, que poderá ser positiva ou não. “Vamos dar o deferimento ou o indeferimento, de acordo com as normas do regimento”, explica o coordenador municipal da Juventude, Anderson Rocha.

Caso o pedido seja indeferido, a Coordenação informará ao proponente sobre as justificativas para a resposta negativa. E, no caso de a solicitação for deferida, o solicitante deverá assinar o Termo de Compromisso e Responsabilidade.

“Também estamos bolando um plano de ação para ser executado na praça. Vamos chamar a juventude para esse equipamento e desenvolver várias atividades ao longo ano, para restaurar o local e fazer com que a comunidade tome conta dela. Não queremos que ela caia no esquecimento”, anuncia Anderson, referindo-se ao mapeamento que a Coordenação está fazendo desde novembro de 2023, a fim de identificar organizações da sociedade civil que se dedicam a trabalhar com jovens entre 15 e 29 anos. O principal objetivo dessa investigação é elaborar estudos e, a partir dos resultados, traçar estratégias para que o Governo Municipal atue em conjunto com essas organizações.

Já foi registrada a participação de associações de moradores, movimentos político-partidários, coletivos e instituições educacionais e religiosas. O mapeamento continua em aberto e, para participar, a organização deve preencher um formulário disponível neste link.

Como solicitar

Para solicitar a utilização do espaço da praça da Juventude de forma on-line, basta preencher o formulário “Pedido de Pauta” e enviar para o e-mail da Coordenação da Juventude: juventude.pmvc@gmail.com. No caso de resposta positiva, o Termo de Compromisso e Responsabilidade também deve ser entregue.

Se optar por entregar os documentos presencialmente, o solicitante deve ir a uma das unidades da Coordenação da Juventude:

– SMDE: Edifício Reis & Meira, 2º andar / Rua Góes Calmon, 118, Centro ( das 8h às 12h e das 13h às 17h)

– Centro Integrado de Direitos Humanos / Avenida Otávio Santos, 744, bairro Recreio (das 8h às 12h)

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Publicado originalmente em 31/01/2024, em PMVC.

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