O reencontro dos músicos será no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em 4 de agosto. Os ingressos já estão à venda e custam a partir de R$ 90
Xangai. Foto: Asa Produções/Divulgação
Há sete anos o Centro de Convenções Ulysses Guimarães foi palco de um dos maiores encontros da música repentista do nordeste, com quatro dos principais cantores e compositores do gênero: Geraldo Azevedo, Xangai, Elomar e Vital Farias.
Aquele dia 12 de agosto de 2016, também marcou o reencontro histórico do quarteto após seis anos longe dos palcos, além da celebração dos 32 anos do disco Cantoria (1984) – grande responsável pelo sucesso do grupo.
Dada essa grande lembrança, os responsáveis por unir os músicos, a produtora goiana Asa Produções decidiu promover mais um encontro, novamente em Brasília, e no mesmo espaço, na sala master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em 4 de agosto.
Para este show, sobem ao palco Xangai, Elomar e Vital Farias – o cantor Geraldo Azevedo não poderá estar presente por motivos de agenda. Contudo, será homenageado pelos grandes amigos. Na formação, ambos dividem o palco simultaneamente, tocam músicas, contam causos e relembram histórias e suas vivências. Passeando por diversos gêneros como o literário, clássico e o erudito.
“Em 2016, quando trouxemos eles para Brasília, foi uma emoção muito grande do público que estava na plateia. Muitos dos que estavam ali conseguiram matar um pouco da saudade da sua infância e suas raízes do interior do norte e nordeste, onde as cantorias são típicas da região”, explicam os produtores Sandro Guimarães e André Moura.
Os ingressos estão à venda pela Bilheteria Digital e custam a partir de R$ 90.
Sobre o disco Cantoria
O primeiro disco foi gravado em 1984 e é considerado um dos primeiros álbuns ao vivo gravados em sistema digital. A apresentação foi registrada no Teatro Castro Alves, em Salvador. O disco é considerado referência e uma das principais obras da música de viola de repente.
O trabalho tem 13 músicas. Entre as faixas estão Ai, que saudade d’ocê, de Vital Farias, Desafio do auto da catingueira, de Elomar, e “O ABC do preguiçoso” (Ai d’eu Sodade), de Xangai.
Serviço
Cantoria com Xangai, Elomar e Vital Farias
Quando: sexta-feira, 4 de agosto, às 20h
Onde: Centro de Convenções Ulysses Guimarães (Eixo Monumental)
Ingressos a partir de R$ 90 na Bilheteria Digital
Para mais informações: (62) 9 9210-7441 e @asaproducoes
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Publicado originalmente em 30/05/2023, em Jornal de Brasília.
Publicado originalmente em 30/05/2023, em Jornal de Brasília.
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Texto de Luiz Carlos Figueiredo
Joshua nasceu Josué, e era filho de seu Joaquim de Albertina. Era o terror da região. Com doze anos de idade o moleque já mostrava que boa coisa não viria a ser na vida.
Ainda adolescente ficou fascinando com Ozzy Osbourne (líder da Banda de Heavy Metal, Black Sabbath) decepando com uma mordida certeira, a cabeça de um morcego vivo durante um show. Ao assistir o vídeo, o moleque ficou completamente fascinado. Foi a partir daí que decidiu que despertaria e assumiria de mala e cuia o roqueiro adormecido que existia dentro dele.
Ainda adolescente testemunhou o “afloramento” da sua porção rebelde. Sempre que surgia alguma oportunidade, ele quebrava os dentes de algum coleguinha da escola ou cuspia com desprezo no rosto da diretora. Atitudes que custavam caro aos seus pobres pais, que, constantemente eram intimados à explicar o comportamento violento e psicopata do filho.
Vira e mexe lá estava Joshua ensandecido e incontrolável quebrando à torto e a direito tudo o que encontrava pela frente, vitrines de lojas, janelas de residências, para-brisas e faróis de carros, cadeiras do colégio e quando topava com algum gatinho (ou até cachorrinho) inocente que dava o azar de lhe cruzar o caminho, botava fogo nos bichos e saía dando risadas.
Isto quando não era detido em algum mercado da cidade por tentar subtrair levando escondido na algibeira uma barra ou outra de chocolate laka, chegando ao cúmulo de amarrar um pobre paraplégico em sua cadeira-de-rodas e soltar ladeira abaixo.
Sempre que os pais o chamava para ter uma conversa séria, o moleque virava o capeta e saía xingando todo mundo.
- Meu filho, meu filho! Toma termo! Deixa de fazer a gente passar tanta vergonha! – Falava com o fiapo de voz o seu velho pai, o comerciante Joaquim. - Sua mãe está doente, se você não acabar com estas lambanças você vai matar ela. Mude este seu jeito de ser, se comporte!...
- Eu não estou nem aí pra vocês! Este sistema é podre e caótico! Quero que ele imploda e leve todos vocês à tiracolo! – Dizia com requintes de crueldade.
Nesta altura, além de integrar uma banda de rock chamada FILHOS DO MAUSOLÉU, também gostava de sair pelas ruas trajando roupas pretas de couro, com um corte punk no cabelo (pintado de lilás), tendo como adereço dois ou três alfinetes enfiados nos beiços, ventas e orelhas, sem falar que era constantemente despertado dormindo nas lápides do cemitério municipal que ele assumiu como sua morada. Era lá que fazia as reuniões da sua banda, levando os três únicos integrantes para fazer um churrasco nas noites de Halloween, em cima da lápide de Antônio Pintado, um falecido que a população jurava ter virado lobisomem.
O quarteto usava o fêmur do defunto como espeto para assar os testículos de boi adquiridos no açougue de Nhô Lau. Josué (agora com o nome de Joshua) fazia questão de expelir diariamente toda a sua revolta para com este mundo (que ele considerava vil e mesquinho) e com todos que o habitavam.
- Eu detesto esta cidade, eu detesto este país, eu detesto este povo, eu detesto este mundo!
A principal “diversão” de Joshua era sair humilhando gays, lésbicas, gordos, nordestinos (como se não tivesse nascido aqui), negros e mulheres.
Sempre que os FILHOS DO MAUSOLÉU se apresentava na região cantando suas músicas machistas e sexistas, o que deveria ser uma festa, virava uma zona. Porrada, tiros, agressões verbais, quebra-quebra, o diabo a quatro.
Se tinha briga, lá estava Joshua sempre munido do seu par de soqueiras importadas – moendo os oponentes na pancada.
As apresentações dos FILHOS DO MAUSOLÉU trazia no mesmo pacote, raiva, gritos, uivos, socos, hematomas e desmaios.
Joshua e a sua trupe polarizavam apoteóticas batalhas entre roqueiros e pagodeiros (geralmente, moradores das cidades onde se apresentavam).
Depois do tumba era muito fácil encontrar o jovem vocalista cheio de escoriações, dormindo o sono dos justos em cima de alguma carneira do cemitério local, sempre empanturrado de cachaça, fumo, drogas e rock n’ roll – não necessariamente nesta ordem!
Eis que um belo dia, após voltar da maior apresentação que o grupo já fizera lá pelas bandas dos Gerais, Joshua resolveu cumprir o ritual de sempre, sair andando sem destino pelas estreitas ruas da cidade, visando espraiar a cabeça e, obviamente, reduzir um pouco a sua ressaca crônica, depois de virar a noite, tocando.
Quando começou a andar todo trôpego e desanimado, o roqueiro não deu de olhar bem dentro dos olhos de Lurdinha que também caminhava naquele justo momento?
Lurdes era uma jovem e atraente pernambucana que morava naquela rua, e ao trocarem um olhar inocente, foram mordidos pelo “bichinho do desejo” se apaixonando loucamente.
Baixinha, sararazinha, lindinha, sorridente, toda arrebitadinha, cabelos duros e boquinha de boneca, apesar de novinha, a jovem era extremamente sapeca, como era filha de Severino Amolador e de dona Florisbela Arcanjo - famosos por serem apenas pernambucanos -, a menina já havia perdido uma renca de pretendentes, ninguém se habilitava a namorá-la. Quem seria doido de flertar com a filha dos pais mais valentes da região?
Não foi que após Lurdinha "butucar" os dois “zoiões” negros naquela figura esquálida, desengonçada, com cara de espantalho e branca igual cera de vela, o seu pobre coração não disparou em um frenético “baticum” digno de bloco afro?
Pois foi. Não demorou muito para estarem rolando nos sedosos e confortáveis lençóis de cambraia da cama da moça.
Donzelo, Joshua ficou embasbacado com a experiência da jovenzinha que na cama matava mais que cobra de lajedo.
A moça levou o encrenqueiro por caminhos nunca "dantes navegados”.
A partir daí, Joshua já chegava dos shows correndo diretamente para os braços – e para outras partes do corpo – de Lurdinha. Em menos de três meses e no auge da pegação, o famoso roqueiro foi oficialmente comunicado que iria ser papai...
Ah!!! Pra quê? O jovem se retou, saiu completamente do prumo, endoidou de vez, bateu a cabeça na parede, ameaçou quebrar Lurdinha no pau e diante da fama da família se viu obrigado a recuar.
– Você está louca, garota! Eu sou lá homem de colocar filho neste mundo cão? Nunca trabalhei na vida, não sei dar com um prego em uma barra de sabão, a grana que ganho com a banda não paga nem minhas roupas, como vou sustentar uma família? Você ficou biruta! Aborte imediatamente este rebento ou ele vai nascer sem pai, tá ligada? Isso sem falar que você vai ficar gorda e feia e eu detesto gente gorda!
– Ah, é?! – Falou a confiante pernambucana. - Apôis se você não assumir este filho, meus pais vão arrancar e esticar o seu couro inteirinho bem no meio da feira pra todo mundo ver. Você não conhece os meus pais, né? São pernambucanos, viu?! - Ameaçou e saiu tranquilamente deixando “uma pulga” na imensa barba que o roqueiro cultivava.
Não se passara nem três meses completos e a barriguinha de Lurdinha ficou mais cheia que bexiga em aniversário de criança.
A pedido do rebelde, a jovem ainda ficou um tempinho disfarçando, tendo que usar cintas para esconder o volume.
Alas que o velho pai rabugento descobriu que a volumosa pança da sua querida filha não tinha só as lombrigas geradas pelas águas do Rio Pardo, mas, outra coisa pra lá de suspeita.
Desconsiderando os gritos desesperados da mãe, deu logo meia dúzia de cascudos na filha e antes de fazer a pergunta que ressonava por todo o bairro, Lurdinha deu com a língua nos dentes:
- Quem me tirou de casa, pai...foi o safado do Josué Roqueiro! Eu nem queria, porém, ele me ludibriou... E falou que não vai casar não. Prefere morrer que ser pai do neto do senhor. Ele é todo metido a valente! – Botou a pilha que faltava deixando o pernambucano mais vermelho que pimenta-dedo-de-moça!
No ato, o velho armou-se do seu fuzil de estimação e após se informar com a filha onde residia o “meliante”, montou em uma velha bicicleta e se dirigiu ao velho galpão onde a banda de Joshua ensaiava.
É bom que se diga que após Severino arrombar (na base do chute) a reforçada porta de ferro da garagem que servia para ensaiar a banda, bastou o roqueiro olhar para o seu futuro sogro (munido do seu inseparável fuzil “Papo-Amarelo”) completamente ensandecido, para já ir se ajoelhando (diante dos olhares estupefatos dos companheiros de banda) e mesmo com toda a sua gana e fama de valente, Josué levantou logo foi os braços, gritando em alto e bom som que não restasse nenhuma dúvida:
- Pera lá seu Biu, Pera lá! Eu sou da paz e avesso à violência! Eu me caso, eu me caso, não carece desta violência toda não, por favor! Baixe a arma! Pode marcar a data que eu juro que me caso com a sua filha. Inclusive, já comprovaram cientificamente que eu serei um bom pai para o seu neto. Pode marcar a data que eu me caso, eu adoro bebês.
Um padre chamado às pressas, um delegado como garantia e meia dúzia de testemunhas depois e logo o jovem e rebelde roqueiro passava a ser o principal “secretário” dos pais de Lurdinha carregando madrugada à dentro, sacos e mais sacos de feijão, milho e farinha nas feiras livres da região.
O rock, a revolta, a arrogância e a agressividade do “Rebelde sem Causa” foi rapidamente tangido para o ralo.
Nos dias de hoje ainda é possível se ver nas feiras da região, a agora não tão exuberante Lurdinha, com um embornal enorme pendurado no pescoço, dando um duro danado, vendendo aos gritos de “aqui tem promoção”... farinha, batata e jerimum (deixando explícito quem verdadeiramente é o chefe da família ali).
Enquanto a garota rala em busca do sustento da sua prole, vê-se em um cantinho da barraca, todo nervoso e escabreado, o outrora roqueiro rebelde e brigador, balançando sutilmente no carrinho de neném o seu filhinho de alguns meses – ambos usando camisas negras da banda Black Sabbath.
– Bilu, bilu, biluzinho... é o meu roqueirinho, é? Fala papai, fala!
Enquanto ele se entretém dengando o feliz filhote, os demais componentes da banda riem escondido, olhando sutilmente pela fresta da barraca.
Sabe qual o moral da história?
Na vida não basta apenas ser pai, tem que participar!
FIM
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Publicado originalmente em 18/10/2023, em Conquista de Fato.
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O cantor e compositor jequieense Shau Saturno participa do programa "Tarde UESB" (UESB FM) em 15/09/2023.
Apresentação: Caique Santos
Produção: Yasmin Luene
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Coordenação de Programação: Jacqueline Silva
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Produção: Yasmin Luene e Jacqueline Silva
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As cantoras Eulá e Mina, acompanhadas por Lincoln Bispo, participam do quadro "Duetos", no programa "Tarde UESB" (UESB FM) em 15/12/2023.
Apresentação: Caique Santos
Produção: Yasmin Luene e Jacqueline Silva
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As apresentações do Natal Estrela de Belém vão acontecer neste final de semana.
Neste final de semana, entre sexta-feira (15) e sábado (16), o Boulevard Shopping recebe os Corais Batista Centenário e Yelt Cursos de Idiomas, que se apresentarão na Praça Central do Shopping no especial Natal Estrela de Belém, realizado em homenagem aos festejos de fim de ano que se aproximam
Na sexta, o espetáculo terá início às 19h, com o coral Batista Centenário, enquanto no sábado, a partir das 17h, o coral Yelt Cursos de Idiomas dará continuidade às apresentações, encerrando os shows.
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Publicado originalmente em 14/12/2023, em Jornal Conquista.
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O Conservatório Municipal de Música irá promover na tarde de hoje (14) e também nesta sexta-feira (15), o Recital de Natal.
Os alunos irão apresentar o aprendizado adquirido durante o ano. Nesta quinta-feira, às 15h30, irão se apresentar as turmas de saxofone e flauta transversal; violão clássico; e piano e teclado. A apresentação será na sede do conservatório, em frente à Praça Tancredo Neves.
Já na tarde desta sexta-feira, às 15h30, no Centro de Convivência do Idoso, também em frente à Praça Tancredo Neves, haverá a apresentação das turmas de violão, com os idosos; canto coral infanto-juvenil; turma de viola; turma de violão popular; turma de ukulele; e turma de guitarra.
“É um momento de confraternização entre alunos e instrutores, quando acontece uma interação também entre alunos de outros cursos, se apresentando e trocando experiências do aprendizado”, disse o coordenador do Conservatório Municipal de Música, Alex Lacerda.
Confira abaixo a programação:
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Publicado originalmente em 14/12/2023, em PMVC.
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A praça Nove de Novembro será palco de diversos shows de artistas regionais. A partir desta quinta-feira (14), às 18h, quem estiver no centro da cidade vai curtir boa música ao som do cantor, compositor e instrumentista, Papalo Monteiro. Também sobe ao palco a banda Café com Blues, com seu rico repertório e diversidade instrumental.
A programação segue até o dia 23 de dezembro com a valorização dos artistas regionais. Segundo a prefeita Sheila Lemos, essa é mais uma forma de apoiar os artistas da terra, que ainda sofrem prejuízos por causa da pandemia da Covid-19. “Nós estamos resgatando as apresentações dos nossos artistas porque entendemos a importância de incentivar a cultura local”, disse a gestora.
Na praça Tancredo Neves, seguem as apresentações dos ternos de reis de diferentes bairros e povoados do município. Na sexta-feira (15), a partir das 19h, o louvor ao nascimento de Jesus fica por conta do Terno das Rosas, do distrito de José Gonçalves. No sábado (16), se apresenta o terno de reis Três Reis Magos, do Iguá, e no domingo (17) é a vez do Raio de Sol animar a praça. Na Tancredo Neves, a programação irá até o dia 30 de dezembro e retornará no dia 6 de janeiro, Dia de Reis, com o Encontro de Terno de Reis.
Confira a programação completa dos shows na Nove de Novembro e dos ternos de reis na Tancredo Neves.
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Publicado originalmente em 12/12/2023, em PMVC.
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Banda Renegados, no Point do Rock 2004 (Praça Guadalajara). Fonte: Acervo Memória Musical do Sudoeste da Bahia (cedida por Crescêncio Lima) |
Em Vitória da Conquista, entre a segunda metade da década de 1990 e toda a seguinte, havia um certo espaço público, com histórico de ocupação majoritariamente por estudantes, que passou a ser conhecido por concentrar um grupo específico de jovens, geralmente trajando camisas pretas, estampadas por logotipos e imagens relacionadas a músicos e bandas. A música, aliás, era o principal elo entre essas pessoas que, não raro, eram vistas segurando violões, discos, fitas k-7, pôsteres e outros elementos afins. Falamos aqui da Praça Guadalajara, ou, como comumente conhecida, a “Praça da Normal”, em referência ao Instituto de Educação Euclides Dantas, colégio público outrora denominado “Escola Normal”, cuja extensão do muro frontal coincide com praticamente toda a da praça.
O amplo espaço é naturalmente preenchido principalmente pelos próprios estudantes. Gerações e gerações de jovens a mantiveram como local de encontros. No período em questão, um interessante fenômeno se verificou: estudantes de outras regiões da cidade passaram a frequentá-la, em busca de inclusão ao grupo. Não necessariamente moradores das imediações (bairro Recreio, Alto Maron, Centro e Candeias) estudavam na escola, o que contribuiu para essa integração. Representantes de toda a cidade eram encontrados ali, discutindo, escutando, tocando, conhecendo e criando música. Amigos levavam amigos, que levavam amigos. Florescia ali a cena rock conquistense enquanto um verdadeiro movimento cultural jovem, em busca de mais espaço e reconhecimento junto à comunidade externa, mais voltada musicalmente aos gêneros que dominavam os programas dominicais da TV aberta ou, mais restritamente, ao regionalismo intelectualizado, representado pela figura de Elomar Figueira, que inaugurou e formatou uma verdadeira escola musical de cantadores e violeiros.
Este fenômeno – espaços geográficos urbanos ocupados por grupos de pessoas em torno da música – foi introduzido, no início da década de 1990 ao universo acadêmico pelo canadense Will Straw, aproveitando o termo cena musical já utilizado desde a década de 1940 pelos jornalistas musicais ao escreverem sobre os clubes de jazz nos Estados Unidos. O conceito vem sendo aperfeiçoado desde então, por diversos pesquisadores em todo o mundo, inclusive no Brasil. Grosso modo, podemos considerar uma cena musical como um conjunto de pessoas, espaços e iniciativas voltadas à manutenção de si enquanto grupo e movimento, tendo a música como elemento central. Assim, há “funções” bem definidas no âmbito da cena: o artista, o técnico de som, o produtor cultural, o proprietário de estúdios, o jornalista especializado, o público consumidor, e o próprio espaço urbano.
A cena, ao menos até o período abordado, tinha início em espaços físicos, que são ocupados por motivos externos, como a conveniência de uma praça localizada em frente ao um colégio com grande concentração de roqueiros entre o corpo discente. Essas pessoas se detectam e, pouco a pouco, o grupo assume uma forma cada vez mais sólida, marcando o espaço e atraindo pessoas afins. Em um contexto onde o rock não representava os ideais da cultura mainstream, sendo até mesmo marginalizado por toda sorte de estereótipos, encontrar pessoas com gostos semelhantes era uma verdadeira conquista, sobretudo para adolescentes. Assim, o espaço público que atraiu e influenciou esse grupo passa a ser modificado por ele, tornando-se conhecido pela sua presença. A Praça da Normal torna-se, também, a “praça dos roqueiros” em Vitória da Conquista:
Essa troca de influências “cidade-cena-cidade” se dá de forma orgânica: primeiro, a realidade urbana faz com que as pessoas busquem espaços específicos para ocupar. Com o tempo, esses espaços passam a se tornar associados a esse grupo também pela sociedade em geral, que passa a responder proporcionalmente. (MENDES, 2022, p. 34)
A cena passa, então, a formar um circuito de ambientes relacionados ao grupo. Não por acaso, a Praça da Normal contém, ainda, a porta de entrada para a Concha Acústica do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, um dos mais importantes e icônicos espaços públicos da cena rock conquistense, onde aconteceu a maioria dos shows e festivais temáticos até os dias atuais. Nessa época, ainda era possível se chegar, em poucos minutos, ao Paraki Bar (fechado em 2013), um dos principais espaços locais para se socializar ao som do rock. Outras iniciativas privadas semelhantes, como o Viela Sebo-Café, a Casa Fora do Eixo, a Casa do Rock e o Odeon Bar também aconteceram em um raio não muito distante da praça, em diferentes momentos.
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| Recorte da Praça da Normal, exibindo, ao fundo, a entrada da Concha do Centro de Cultura. Fonte: Google Street View (visão em 2019) |
Obviamente, aconteceram diversos eventos em outras regiões da cidade, mas a Praça da Normal parece ter exercido maior atração ao movimento, o que se comprovou em 2003, quando a Prefeitura Municipal, reconhecendo a importância do espaço para o grupo (e inclusive a importância cultural do grupo em si, anteriormente ignorado em grandes eventos), passou a instalar o Point do Rock, palco dedicado ao rock durante a micareta, financiado com dinheiro público. A praça, importante destacar, também era reconhecida como o ponto de partida do circuito da festa desde seu início, em 1989. O rock local, literalmente, posicionou-se “cara a cara” com o axé – considerado um antagonista – reivindicando sua devida valorização enquanto um nicho cultural igualmente válido.
Halbwachs, em seus estudos sobre a memória coletiva, intimamente relacionados a conceitos como identidade e pertencimento, enfatiza a importância do espaço para o grupo e toda a gama conceitual que o envolve:
[…] não há memória coletiva que não se desenvolva num quadro espacial. Ora, o espaço é uma realidade que dura: nossas impressões se sucedem, uma à outra, nada permanece em nosso espírito, e não seria possível compreender que pudéssemos recuperar o passado, se ele não se conservasse, com efeito, no meio material que nos cerca. É sobre o espaço, sobre o nosso espaço – aquele que ocupamos, por onde passamos, ao qual sempre temos acesso, e que em todo o caso, nossa imaginação ou nosso pensamento é a cada momento capaz de reconstruir – que devemos voltar nossa atenção; é sobre ele que nosso pensamento deve se fixar, para que reapareça esta ou aquela categoria de lembranças. (HALBWACHS, 1990, p. 143)
Assim, percebemos a importância do espaço, sobretudo público, para a(s) dinâmica(s) social(is). A cidade é tão viva quanto seus habitantes. Os espaços públicos são construídos por pessoas, mas com a função/missão de transformá-las, viabilizar seus anseios e esperanças. Na cena rock, pessoas de diferentes bairros se reuniram em espaços como o da Praça da Normal. Bandas foram formadas integrando pessoas de diferentes classes sociais, que dificilmente teriam se conhecido em nível de igualdade sob outras circunstâncias. Não raramente, instrumentos musicais eram tomados emprestados de pessoas mais abastadas para viabilizar a existência de uma banda contendo membros de condições financeiras restritas. A cena musical, bem como outras manifestações socioculturais, é um fenômeno tipicamente urbano.
A cidade é uma construção humana que, ao longo do tempo, vai se constituindo como um núcleo regente da sociedade contendo em si o poder seja político, econômico, religioso, cultural, da educação, da saúde, do lazer. Não é um fenômeno novo, pois que todas as grandes civilizações tiveram como centro a cidade: Babilônia, Atenas, Roma, Constantinopla, Londres, Paris. Continuadamente, ao longo da trajetória humana, a cidade se constitui como o lugar de encontro de diversos interesses e de vários segmentos da população, seja o simples mercado nas civilizações antigas, seja o grande centro do mundo capitalista da cidade atualmente. Nesse sentido, a cidade tem sido sempre o cérebro e o coração civilizatório. Portanto, compreender a dinâmica da vida urbana é condição para compreender a dinâmica do conjunto da sociedade. (CALLAI, 2018, p. 3-4)
Viver na cidade, portanto, significa ter (e reivindicar) o direito à cidade. Como seria possível o desenvolvimento da cena musical sem espaços capazes de reunir pessoas com interesses afins ou, ainda, sem que essas pessoas possuam o fundamental direito a um lar para onde se possa recolher-se ao fim do dia? Diversos fatores fizeram da Praça da Normal, um espaço tradicional e central da cidade, um dos principais espaços da cena musical. Em contrapartida, a própria cena, incomodada com a alta concentração de eventos à região, organizou shows e outros encontros em regiões mais periféricas, como os bairros Zabelê, Jurema, Ibirapuera e Brasil.
O rock conquistense refletiu a inquietude típica do gênero musical frente ao Poder Público, reivindicando direitos. Para isso, o programa radialístico O Som da Tribo (encerrado em 2012, com o falecimento do radialista e agitador cultural Miguel Côrtes Filho, homenageado com a nomeação de uma praça próxima à sua casa, em 2019) exerceu um fundamental papel, não raro, denunciando injustiças e cobrando soluções ao vivo, através das ondas FM. A cena rock lutou não apenas por espaço e reconhecimento, mas por cidadania, fundamental elemento social que “se concretiza de fato quando seus portadores adquirem status de partícipes dos rumos que toma a sua cidade” (CARVALHO; RODRIGUES, 2023, p. 59).
Tal é a função social da arte: denunciar, provocar e promover reflexões e mudanças. A arte é capaz de interpretar realidades e expelir ideias com objetivos diversos. Recentemente, conceitos como o de cena musical foram flexibilizados pela realidade virtual, alcançando níveis de expansão inimagináveis quando dos primeiros escritos de Straw. Atualmente, analisar a realidade cultural em relação à urbana é tarefa mais complexa, repleta de elementos novos. A cena modificou-se, mas ainda utiliza espaços icônicos como a Concha do Centro de Cultura, demonstrando a força do espaço urbano para determinados grupos ao passar das gerações. Ocupemos a cidade e a transformemos à nossa imagem. A cidade e a arte existem porque as pessoas existem. Viver na cidade significa exercer o direito à cidade.
REFERÊNCIAS
CALLAI, Helena Copetti. A Cidade como conceito e como conteúdo. In: CALLAI, Helena Copetti; OLIVEIRA, Tarcísio Dorn de; COPATTI, Carina. A cidade para além da forma. Coleção cidade: Conhecer e interpretar para compreender o mundo da vida. Vol. 1. Curitiba: CRV, 2018. p.115-128.
CARVALHO, Claudio; RODRIGUES, Raoni. Fundamentos do direito à cidade. 1. ed. João Pessoa: Porta, 2023.
HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. Tradução: Laurent Léon Schaffter. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1990.
MENDES, Plácido Oliveira. A vez dos camisas pretas: memória, formação e consolidação da cena rock de Vitória da Conquista-BA. Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Programa de Pós-Graduação em memória: Linguagem e Sociedade, Vitória da Conquista, 2022.
STRAW, Will. Systems of Articulation, Logics of Change: Communities and Scenes in Popular Music. Cultural Studies, v.5, n.3, 1991, p. 368-88.
Não misture
Nosso forró, não,
Nem profane
Nossas festas juninas,
Com suas músicas assassinas.
Nosso forró,
Nasceu do fifó,
Na poeira do arrasta-pé,
Ao som do triângulo,
Da zabumba e da sanfona,
No melaço da cana,
Com cultura, tradição e fé.
Nosso forró é nordestino
Dos santos Antônio, João e Pedro
Brinca idoso, jovem e menino.
Seu prefeito predador safadão,
Não misture nosso forró, não
Com sua propina de mocotó.
Não misture nosso forró, não
De penetras estrangeiros,
Com chapéu de couro,
Indumentária de cangaceiros,
Que roubam nosso ouro,
E nem sabem lá cantar,
Xote, xaxado e baião.
Salvem Jachson do Pandeiro,
Marinês, Sivuca e Gonzagão,
Sem essa plástica indecência,
De misturar sertanejo e pagodão,
Axé, arrocha e sofrência.
Não misture nosso forró, não,
Pra nóis dançar é forrozeiro,
Na letra agreste do Nordeste,
Com licor, quentão e mungunzá,
Como nos tempos do candeeiro.
💙 Em 2024 o DISTINTIVO BLUE completa 15 anos de uma trajetória repleta de arte, feeling, perseverança e sinceridade musical, representando o sudoeste da Bahia junto ao cenário do blues autoral brasileiro.
Na última apresentação de 2023, abriremos oficialmente a temporada comemorativa, da maneira que mais gostamos: "de graça, na praça", integrando o Natal Conquista de Luz. O show O som que vem do sudoeste passará por toda a discografia e homenageará artistas conterrâneos, em formato pouco convencional, incluindo várias participações, em uma bela celebração musical entre amigos. Você, claro, não pode ficar de fora.
⚠ Nos encontraremos na Praça 9 de Novembro (centro de Vitória da Conquista), no dia 21 de dezembro (quinta-feira), às 16h. Aproveite para pegar gratuitamente a sua zine Memória Musical do Sudoeste da Bahia [@memoriasudoeste] e uma cópia do nosso primeiro CD, Aplicando a Lei, lançado em 2011, que levou o blues do sudoeste aos quatro cantos do mundo.
👊🏼😎 Agora é com você: escolha seu cartaz favorito (abaixo) e compartilhe por aí, com este texto. Esta é uma ótima forma de ajudar a fortalecer a música independente da nossa região.
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Formato stories
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A Prefeitura de Vitória da Conquista inaugurou oficialmente, neste domingo (10), a ornamentação natalina do Parque Ambiental da Lagoa das Bateias. Ao entardecer, após uma rápida contagem regressiva, a prefeita Sheila Lemos acionou o controle remoto e as luzes foram finalmente acesas, sob o som dos fogos de artifício instalados num barco, bem no centro do espelho d’água.
Sob uma árvore de natal com quase 15 metros de altura, que divide o espaço ao redor do museu com outros adereços natalinos, todos iluminados e coloridos, o palco montado pela Secretaria Municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer (Sectel) foi ocupado por uma série de apresentações musicais.
Passaram por lá o grupo Brincando de Cordas, que trouxe uma participação especial da cantora Emily Coelho, e o terno de reis Santos Reis, do povoado de Volta Grande, comandado pelo mestre Valdeci Xavier Santos. Em seguida, o evento foi animado pelo cantor e compositor Alex Simpatia.
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| Alex Simpatia |
Na solenidade oficial, da qual participaram integrantes do Governo Municipal e os vereadores Hermínio Oliveira, Edijaime Bibia, Nildo Freitas, Subtenente Muniz e Nelson de Vivi, a prefeita Sheila Lemos comentou sobre a decisão de incluir o Parque Ambiental da Lagoa das Bateias na programação do Natal Conquista de Luz. “A nossa praça Tancredo Neves está lá, linda e maravilhosa. Mas a Lagoa das Bateias também merecia”, afirmou.
“Este ano, trouxemos pela primeira vez a ornamentação por entender a importância que o Parque Ambiental da Lagoa das Bateias tem para toda a região oeste e para a nossa cidade”, explicou a gestora, mencionando o programa de investimentos em infraestrutura que inclui, por exemplo, a revitalização do parque e as melhorias que vêm sendo iniciadas na avenida Brumado. “E nós resolvemos trazer também esta parte cultural aqui para a Lagoa. O equipamento está sendo revitalizado e vai ter espaço de lazer, de esportes, para a família, para a música. E já iniciamos com o Natal Conquista de Luz”, disse Sheila.
O secretário Xangai, titular da Sectel, também defendeu o direcionamento do olhar governamental para a área verde situada no extremo oeste da cidade. “Este era um lugar belo, mas era um sujeito oculto. Então, com a retirada da vegetação de taboas, é um lugar aprazível”, relembrou. “Fico numa posição de aplaudir e reconhecer o benefício que isso traz para a cidade. Não é só a avenida Olívia Flores, não é só o lado da Uesb e da Ufba. É trazer para este lado, que é o lado mais populoso”, afirmou o secretário, que obteve ainda a concordância do presidente da Câmara, Hermínio Oliveira: “Este é um lindo olhar para a Zona Oeste da nossa cidade”.
“Uma maravilha”
A avaliação manifestada por Xangai foi semelhante à do auxiliar de tráfego Ricardo Roberto Alves, que mora no bairro Brasil. “É bom, né? Porque foca também no lado de cá da cidade, e não deixa só do lado de lá. Achei importante essa iniciativa da Prefeitura, de revitalizar a Lagoa e trazer também coisas que não tinham deste lado da cidade”, disse Roberto.
Ele foi ver o acionamento das luzes ao lado dos familiares: a esposa Ana Carolina e a cunhada Stefahni, que trabalham como cobradoras, e os sogros, o soldador Jailson de Jesus e a professora Elza Rocha.
Elza Rocha, também gostou de ver a nova iluminação natalina no espaço onde ela faz suas caminhadas diárias. “É uma maravilha, muito bom para a população”, afirmou.
A estudante Giovana Maria Coqueiro, 16 anos, também foi ao Parque acompanhada por parte da família, e elogiou tanto a iluminação quanto o trabalho de revitalização do local. “Ficou bom, porque trouxe mais movimento para a Lagoa. Achei bacana, e espero que continue. Este lugar estava precisando voltar à ativa”, observou Giovana.
“Momento histórico”
O coordenador municipal de Cultura, Alecxandre Magno, descreveu como um “momento histórico” a montagem da decoração e da iluminação natalina na Lagoa das Bateias. “Nunca se teve um olhar tão importante para esse bairro. E a prefeita Sheila Lemos tem nos dado a orientação para que a gente faça o possível e o impossível para trazer os benefícios que essa população da zona oeste precisa”, afirmou Alecxandre.
O coordenador também ressaltou a revitalização do local, iniciada em março, que já retirou boa parte do excesso de vegetação aquática e deixou novamente à mostra o espelho d’água, e que, na segunda etapa, vai requalificar toda a infraestrutura de lazer e esportes existente no local.
“Nada melhor do que a gente abrilhantar ainda mais o trabalho que já está sendo feito pelo coordenador do Deserg, Lucas Batista, e toda sua equipe, trazendo a ornamentação de Natal”, defendeu Alecxandre.
Todas as fotos
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Publicado originalmente em 10/12/2023, em PMVC.
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| Foto: reprodução. |
Neste final de semana o Camarote Beer, bar que está presente em Vitória da Conquista há 10 anos, anunciou oficialmente o encerramento de suas atividades ao término de dezembro de 2023. O anúncio foi realizado através das redes sociais, onde a empresa expressou sua sincera gratidão pela fidelidade dos clientes e pelos momentos compartilhados ao longo desse período.
Por meio de nota, o Camarote declarou despedida não é um adeus definitivo, mas sim um até logo, e declara que o último mês de funcionamento conta uma programação especial com diversas atrações.
Confira a nota na íntegra:
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Publicado originalmente em 11/12/2023, em Jornal Conquista.
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Em meio à ornamentação natalina instalada pela Prefeitura de Vitória da Conquista na praça Tancredo Neves, a tradição popular da folia de reis foi representada, na noite deste sábado (9), pelo terno de reis Santa Bakhita, fundado em 2013 e formado por 14 foliões – a maioria deles, moradores do Assentamento Cedro, localizado na região de São Sebastião.
Sob o comando do mestre Sinval Gomes Ribeiro, 76 anos, o grupo tocou, primeiro, diante do presépio montado em frente à cascata, sob os olhares e as câmeras dos celulares das pessoas que visitavam a praça Tancredo Neves. Em seguida, os foliões subiram para a parte superior, localizada em frente à Catedral de Nossa Senhora das Vitórias, onde se apresentou novamente.
Para o mestre Sinval, trata-se de manter e tentar levar adiante uma tradição que remonta aos seus antepassados. “Isso foi de geração a geração. Meu avô era reiseiro. Depois, passou para meu pai. Depois, eu segui. E estou seguindo até aguentar, até Deus mandar me chamar”, contou o folião.
Segundo ele, a manutenção dessa cultura é reforçada pela opção da Prefeitura de Vitória da Conquista por continuar a incentivar a tradição dos ternos de reis. “A ajuda da Prefeitura, aqui, foi boa demais. A gente não pode perder a oportunidade. Eles têm muito amor com os ternos de reis, recebem a gente muito bem. E eles também ajudam a gente, para poder comprar os instrumentos”, relatou.
O terno de reis Santa Bakhita volta a se apresentar na praça Tancredo Neves em 6 de janeiro, dia de Santo Reis. Até lá, o grupo poderá ser visto nas localidades rurais de São Domingos, Estiva e São Sebastião, além de outras eventuais apresentações para as quais for convidado.
“O colorido me encanta”
Além do som característico dos reiseiros, a decoração natalina atraiu as atenções de centenas de visitantes – tanto conquistenses quanto de outras cidades, e até de outros estados. Foi o caso da aposentada Helena Andrade Silva, 83 anos, que mora em São Paulo (SP). Ela aproveitou a viagem de fim de ano a Vitória da Conquista para voltar à praça Tancredo Neves, depois de muitos anos sem visitá-la. “Admirei a beleza. E vou voltar, se Deus quiser. Com essa idade que eu tenho, mas torno a voltar”, garantiu.
A professora Helô Silva, 59, filha de Helena, também se disse admirada com as luzes e os adereços natalinos que viu na praça. “Muito bonito, bem ornamentado e iluminado. A iluminação é excelente. É raro a gente ver cidades com essa iluminação”, comentou. A decoração também atraiu a atenção do propagandista Carlos Ribeiro, sobrinho de Helena. Mesmo reconhecendo não ser um grande apreciador de festejos do tipo, ele se disse surpreso com o aspecto da Tancredo Neves: “Não costumo prestigiar esses eventos. Minha esposa prestigia mais vezes. Mas, hoje, eu realmente fiquei encantado com o que eu vi aqui. Ficou realmente muito bonito”.
A esposa, Nélia Ribeiro, 56, por trabalhar com design de moda e artes plásticas, apreciou a ornamentação com uma sensibilidade diferente da maioria das pessoas que passam pelo local. “A festa de Natal é uma coisa que me encanta. E a luz, como eles colocaram, está diferente. Está muito bonito. E ver as pessoas prestigiando, também, eu acho interessante”, disse.
“O colorido me encanta, me chama. Tem muita coisa aqui que as pessoas veem, que eu não consigo ver. E tem muita coisa que eu vejo e as outras pessoas não conseguem. Então, é a forma como cada um olha. Mas acho que, no geral, todo mundo está gostando, porque está muito bonito”, analisou a designer e artista plástica, que disse valorizar, também, a possibilidade de frequentar os espaços públicos e sentir a presença das outras pessoas, sem as limitações impostas pela pandemia da Covid-19: “São João e Natal, para mim, são as melhores festas. É essa coisa do encontro, de voltar depois de uma pandemia, de estar todo mundo junto novamente e esquecer um pouco do que está acontecendo”.
“Cidade maravilhosa”
O pedreiro Alex Pereira de Oliveira, 46 anos, viajou mais de 900 quilômetros desde Nova Serrana (MG), onde mora, para passar as festas de final de ano em Vitória da Conquista. Na primeira visita à praça Tancredo Neves, ele também gostou do que viu. “Achamos muito importante esse trabalho que a Prefeitura fez. Ficamos muito agradecidos por essa oportunidade de estarmos aqui, junto com os conquistenses”, afirmou o visitante. “Temos orgulho de estar aqui esta noite, nesta cidade maravilhosa”, disse ainda Alex.
A novidade foi completa para a filha dele, Emilly Cristina, 10 anos, que veio à Bahia pela primeira vez: “Gostei bastante da cidade e daqui, também. Amei, achei surpreendente. Na minha cidade, não tem isso”.
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| Ana Cláudia (à esq., de rosa) com as filhas Ludimilla, Elena e Ana Beatriz. À direita, Alex Oliveira e a filha Emilly Cristina |
Quem levou Alex e Elena para conhecerem a ornamentação natalina foi a irmã dele, a confeiteira Ana Cláudia Oliveira, 36 anos, moradora de Vitória da Conquista, que também levou as filhas Elena, 10, Ana Beatriz, 12, e Ludimilla, 17. “Já vim outras vezes. E, a cada ano, tem ficado mais bela a ornamentação. Sempre surpreendendo”, analisou.
Entre as muitas crianças que passaram pela praça na noite de sábado, a pequena Ana Morena, de 5 anos, destacou-se pelo entusiasmo com que manifestou suas impressões. “Tô achando legal. Tá muito lindo”, disse, abraçada ao tio, o policial militar Uilliam Alves, 33 anos, que também elogiou o aspecto da praça Tancredo Neves: “Está muito bonito, mais do que nos outros anos. É um atrativo, principalmente para as pessoas que vêm de fora”.
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…têm atraído as atenções de visitantes – conquistenses e turistas |
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Publicado originalmente em 20/12/2023, em PMVC.
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A banda punk conquistense Escravos da Merenda participa do programa "Tarde UESB" (UESB FM) em 06/10/2023.
Apresentação: Caique Santos
Produção: Yasmin Luene e Jacqueline Silva
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MAR SOBRE PEDRAS
Vitória da Conquista recebe show de lançamento do álbum de Tarcísio e Guigga
No próximo dia 1º, às 20h30, o Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima será palco de um encontro potente entre dois talentosos artistas baianos. O instrumentista, arranjador e compositor Tarcísio Santos se une ao cantor, compositor e ator Guigga para apresentar o espetáculo de lançamento do álbum "Mar sobre Pedras".
O álbum, lançado em setembro deste ano, é fruto da colaboração entre os artistas, e conta com onze faixas, incluindo uma performance inédita de "Letra Fera", uma poesia de Glauber Rocha musicada pelo cantor e compositor conterrâneo Gutemberg Vieira. A gravação da música foi autorizada pela família do renomado cineasta baiano, conferindo um toque especial e histórico ao projeto.
Ouça Mar sobre Pedras (2023)
"Mar sobre Pedras" apresenta um repertório que combina composições autorais inéditas de Tarcísio Santos e Guigga, além de versões de músicas em parceria com artistas como Paulo Monarco, Conrado Pera e André Fernandes. Guigga destaca a influência direta da cidade sobre seu trabalho e sobre o disco: “tivemos a sorte de conhecer cantadores numa terra em que Elomar é menestrel da erudição e Glauber Rocha o capitão da novidade”, destaca.
"O projeto reúne a atualidade das nossas canções, síntese de uma vida de dedicação ao fazer artístico, num realinhamento de compromissos. Julgamos necessário reafirmar a atualidade das questões que nos assaltam, sem restrições de estilo ou linguagem. Quando converso/toco com Guigga sinto que acreditamos na grandeza da canção brasileira, sinto vontade de honradez”, avalia Tarcísio, que é instrumentista, arranjador e compositor, formado em Violão pelo Conservatório Municipal de Vitória da Conquista.
Os ingressos para o evento estão disponíveis para compra no site Sympla com preços de R$40,00 (inteira) e R$20,00 (meia).
SERVIÇO
Show de Lançamento do álbum Mar sobre Pedras | Vitória da Conquista (BA)
Local: Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima (Av. Rosa Cruz - Candeias, Vitória da Conquista - BA, 45028-045)
Data: 1º de dezembro de 2023
Horário: 20h30
Ingressos: Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/show-de-lancamento-do-album-mar-sobre-pedras/2242106)
01 dez - 2023 • 20:00 > 01 dez - 2023 • 22:00
Local
Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima
Avenida Rosa Cruz, 45 Recreio
Vitória da Conquista, BA
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Publicado originalmente em Sympla.
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