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Assista à íntegra do Especial de Natal: https://youtube.com/live/dp8u5TvFDa0
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A quinta edição do Especial de Natal da Brasil Paralelo veio para celebrar o aniversariante. Com apresentação de Luís Ernesto Lacombe e Lara Brenner, recebemos convidados como Frei Gilson, Victor Salles Pinheiro e Elomar Figueira.

Todos uniram-se para falar sobre o nascimento de Jesus.

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Publicado originalmente em 18/12/2024, em YouTube.

Por que publicamos conteúdo já publicado em outros sites?




O Agosto de Rock foi um evento transformador para a cena rock conquistense, não apenas por ampliar suas perspectivas e firmar seu lugar enquanto importante grupo cultural local mas, ainda, por inovar em diversos aspectos, inspirando as gerações seguintes de produtores culturais.

Após o Agosto, festivais como o Rock Vertente, ACRock e Festival Suíça Bahiana perceberam a importância em ocupar espaços afastados do centro urbano, geralmente sítios, promovendo uma imersão do público ao ambiente do evento capaz, através da disponibilização de área para camping, restaurante, chuveiros e ambientes culturais independentes, de viabilizar o acolhimento de grande quantidade de pessoas durante o tempo de duração (2 a 3 dias, em fins de semana).

Este formato, inspirado pelo festival Woodstock de 1969 (EUA), fornece, a todos os envolvidos, sensações distintas de uma simples festa em ambiente urbano: para a produção, é uma solução simples para o problema do alto ruído, facilmente dissipado pelo relevo, neutralizando-o antes de incomodar alguma vizinhança. Para o público e os próprios artistas, o isolamento inspira a liberdade tão almejada pelos adeptos do rock: "morar" em uma comunidade alternativa durante um fim de semana fortalece laços sociais e o sentimento de pertença ao grupo que, inevitavelmente, retorna à sociedade mais robusto. Este foi justamente o efeito de três edições do Agosto para a cena rock conquistense do início dos anos 2000, implicando em avanços que duram até os dias atuais.

Um dos resultados, naturalmente, é tornar-se objeto de pesquisa. Há cada vez mais pessoas interessadas em conhecer a história da cena rock conquistense, inclusive em ambiente acadêmico. Neste ano, uma das principais iniciativas partiu do curso de Geografia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, a partir da disciplina Geografia Urbana, ministrada pela professora Ana Emília de Quadros Ferraz, que desenvolveu, junto à turma do 5º semestre, uma atividade envolvendo grupos de trabalho dedicados a diferentes aspectos da cidade de Vitória da Conquista, sob o olhar científico, com o objetivo de produzir videodocumentários, que foram exibidos publicamente. Destes, um debruçou-se sobre as peculiaridades geográficas do Agosto de Rock.

O grupo formado pelos discentes Venilson Souza Dias, João Gabriel Andrade Sampaio Oliveira, Mirian Vitoria Alves Moretti Vieira, realizou entrevistas com Alan Kardec e Adão Albuquerque, idealizadores e produtores do festival, e Plácido Oliveira, músico e pesquisador, também membro da produção da edição 2024, prevista para o último final de semana de agosto. Também foi realizada uma pesquisa documental, especialmente voltada à captação de imagens das edições anteriores (2001, 2002 e 2003).

O resultado foi um minidocumentário com 14 minutos de duração, que foi exibido em sala de aula e no teatro do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, em 20 de junho, com acesso aberto, abrigando, ainda, uma exposição fotográfica envolvendo todos os grupos. Os discentes também desenvolveram um roteiro e utilizaram de seus próprios recursos para o processo de edição. Posteriormente ao evento de exibição, o vídeo foi disponibilizado publicamente na plataforma YouTube, possibilitando sua consulta por toda a comunidade interessada, cumprindo um dos principais objetivos da universidade pública: a democratização do acesso ao conhecimento.

Apesar de se enxergar como um nicho "periférico", "alternativo", "underground", o rock escolheu o distanciamento espacial para cumprir o conceito proposto, e não por alguma hostilidade da sociedade externa, é o que explicam os entrevistados. O próprio slogan do festival, "se você não for, azar o seu!" reflete o espírito contestador e rebelde do gênero musical, em oposição aos explorados com maior ênfase pela indústria cultural. Este é um dos temas abordados pelo documentário. Assista, na íntegra, abaixo e contribua com suas impressões. 

O Agosto de Rock realizará sua quarta edição em 30 e 31 de agosto de 2024.





Publicado originalmente em 14/06/2023, no Instagram.

Um dos principais objetivos do projeto de pesquisa independente Memória Musical do Sudoeste da Bahia [@memoriasudoeste], para além do simples acumular material sobre a música da nossa região, como qualquer museu, é incentivar os artistas através da produção original de conteúdo: pensar não apenas o passado, mas o hoje, o agora.

No subprojeto TOCA AUTORAL! não há espaço para tributo: queremos mostrar que, em nossa região, há muita gente criando e se expressando através da arte. Apresentaremos diversos artistas, de variados gêneros musicais, mostrando suas próprias obras, muitas vezes ainda inéditas, e disponibilizando gratuitamente em plataformas de streaming, em formatos diversos. 

A primeira temporada, contendo três talentosos (e diferentes entre si) músicos locais encerra-se em seu terceiro Ato, com o cantor, guitarrista e compositor iguaiense-conquistense Weldon França, conhecido músico local, atuante desde o final da década de 1980.

Música é arte. Arte é expressão. O que nossos artistas têm a dizer atualmente?


A PRODUÇÃO

A ideia do subprojeto remonta a 2017, quando desenvolvemos uma experiência semelhante, no então interditado teatro do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, fechado para eventos com a presença de público, mas utilizado pela Distintivo Blue como local de ensaio e gravações desde 2015. Utilizando a mesma pauta (duas manhãs por semana), convocamos artistas locais para gravar vídeos no formato voz-e-violão, executando cinco músicas, sendo que destas, três deveriam ser autorais. O @memoriasudoeste ainda não existia: tudo foi realizado sob o seu projeto ancestral, a BLUEZinada! [confira aqui uma playlist com esses vídeos antigos], mais direcionado ao blues e jazz, portanto, as CCCJL Sessions extrapolavam sua temática e anunciavam a necessidade de um trabalho voltado à musicalidade da região sudoeste da Bahia, que só nasceria em 2019.

Desta vez, pensando na enorme popularização dos chamados "shows-tributo", onde a nostalgia pelos chamados "clássicos" termina por, não raro, desestimular a execução da música autoral nos diversos palcos da região, decidimos radicalizar a antiga proposta, convidando apenas artistas que não se limitam unicamente a reproduzir o que já foi consagrado, mas também criam arte nova, provando que a música contemporânea ainda existe e continua expressando seu tempo e espaço, papel de todas as artes desde tempos remotos. Desta vez são seis músicas, todas autorais, além de pequenas falas explicativas e uma autobiográfica de até cerca de dez minutos. O formato ainda é minimalista, geralmente voz-e-violão, dada a nossa limitação em equipamentos, pessoal e tempo para a produção dos materiais.

O título do subprojeto é uma clara provocação ao universo dos "shows-tributo": ao invés do famoso, exaustivo e, muitas vezes, automático "toca Raul!", incentivamos o artista a mostrar suas próprias criações. O "Toca Autoral!" surge, pela primeira vez, no texto da matéria de capa da primeiríssima edição da nossa zine, Memória Musical do Sudoeste da Bahia [Acesse aqui], nos inspirando a aprofundar o conceito que se materializa agora. Afinal, se o próprio Raul Seixas tivesse cedido e estacionado no confortável "tributo a Elvis" que marcou o início de sua carreira, não investindo em sua própria identidade artística, quem gritaria "toca Raul!" hoje?


O CONTEÚDO

O Toca Autoral! não se limita à produção de vídeos: o artista tem acesso a um sistema completo de produção original, que inclui a publicação de vídeos individuais de cada uma das faixas, além do vídeo completo, incluindo as falas explicativas e autobiográfica. Ainda, a uma sessão de fotos, que poderão ser utilizadas para a sua própria divulgação, como desejar. As músicas são mixadas e masterizadas para compor um EP de verdade e distribuído para as principais plataformas de música, como Spotify, Deezer, Apple Music, Amazon, etc. A gravação ainda será lançada no formato podcast e disponibilizada nos principais agregadores. Ao final da temporada, será lançada, ainda, uma edição especial da nossa zine, que será publicada tanto em formato digital (.pdf) quanto impresso, enriquecendo o portfólio do artista e, mais amplamente, a musicalidade da região em geral, valorizando a produção autoral e incentivando outros artistas a tocar suas próprias músicas.

Todo esse material é entregue ao artista, gratuitamente, para que o utilize como julgar adequado para o desenvolvimento de sua própria carreira artística. Assim, durante o período de lançamentos, ainda  buscamos formas de acesso aos veículos de Imprensa, como emissoras de rádio, TV, jornais, revistas, blogs, etc., sempre com a preocupação de registrar toda e qualquer participação nesse sentido e publicar em seguida.

Ao artista é exigido, para a participação, certo nível de comprometimento: ensaiar suficientemente suas músicas para uma boa execução, ser pontual às participações e fornecer as letras cifradas de todas as canções, afinal, o "'Toca' Autoral!" também significa incentivar e permitir que o público conheça sua obra a ponto de também desejar/conseguir executá-la, de onde estiver. Trata-se de um projeto de fomento ao artista, mas, também, de formação de público. Demonstrar que o artista regional guarda, em si, tanto valor quanto o "consagrado" e divulgado em grandes proporções é uma das máximas mais caras do @memoriasudoeste


WELDON FRANÇA

"Eu me chamo Weldon França. Sou músico, compositor, instrumentista. Minha carreira musical e artística começou em Vitória da Conquista, na década de 1980 (1989). Participo ativamente da vida cultural da cidade, e tenho tocado com grandes artistas aqui e fora. Representei meu país na Europa, onde eu toquei na Cia. do Brasil, em uma banda chamada Stan Groove, na França, e venho desempenhando esse trabalho de uma maneira positiva, porque eu acho que a música tem o poder de nos transportar, de levar a mensagem para as pessoas.

A música que eu faço é numa linguagem simples e direta, aquela fácil de se assimilar de uma maneira mais simples, mais rápida. Então, eu uso três, quatro acordes em algumas canções. Eu acho que a beleza está na simplicidade, então, a música tem essas vertentes, nuances, onde a gente expressa os sentimentos de uma maneira positiva. 

Atuei aqui em Vitória da Conquista em algumas bandas, em trios elétricos, acompanhei Papalo Monteiro, nas décadas de 90, 2000. Morei em belo Horizonte, Natal, Brasília, Rio Grande do Norte, estive um tempo na Europa também, representando meu país, em Grenoble, sudeste da França, onde toquei na banda Companhia do Brasil. Para mim, é uma honra levar o nome de Vitória da Conquista nos lugares por onde passo, atuando como músico, como artista. 

A arte tem esse poder de nos levar a lugares, nos transportar, mas viver dela em nosso país é um pouco difícil, e a gente tem uma força muito grande para isso. A gente vive e sobrevive, porque é muito difícil ser artista. O poeta já dizia: “ser artista no nosso convívio, pelo inferno e céu de cada dia”. Isso já diz a própria letra do nosso querido Cazuza. Mas a música tem esse poder, realmente, de abrir um leque muito grande de informação, de passar a informação, porque, na realidade, ela vai no próprio contexto da poesia. Como eu digo em uma das minhas músicas, O Verso, porque o verso ninguém explica, né? Então, a música tem essa grandiosidade e potência na vida da gente. Eu me sinto, nessa passagem na vida, privilegiado de ter me tornado um artista. 

E é com muita honra que represento meu país, minha cidade, por onde passo, sendo músico, artista. Porque ser artista em nosso convívio, não quer dizer que sou melhor ou pior que ninguém, muito pelo contrário: acho que um país sem cultura, sem educação, é muito difícil de se encontrar uma saída, então, acho que a música ainda é um meio em que as pessoas possam levar esse conhecimento através da própria poesia para uma infinidade de pessoas, porque a música não tem fim. Acho que a música é a linguagem da alma, a expressão dos sentimentos."


Confira a íntegra do vídeo:



🟢 Playlist completa no Youtube [músicas separadas]



MÚSICAS

1) PLANALTO DA CONQUISTA (QZNJW2301367)

"Eu considero que essa música, Planalto da Conquista, não chega a ser um frenesi, mas uma música mais dançante, com uma pegada de soul, onde o fato de eu morar aqui em Vitória da Conquista, uma cidade que é a “princesa do sertão baiano” [sic], fica ali no Planalto da Conquista mesmo, então, fiz essa música que fala de amor também, porque quando eu falo “há muito tempo faz que eu não te vejo; Mas aumenta a minha saudade, o meu desejo; Diga onde você mora ou se esconde, ou se é além da ponte; Nem a distância vai tirar você de mim; É pra você que eu fiz esta canção, meu amor, meu amor”. Eu tô falando de uma segunda pessoa. Na realidade, também tem um refrão que fala que 'dali do alto do Planalto da Conquista a vista é muito mais bonita pro lado da Chapada Diamantina'. Como a gente já pega ali um pedaço, um pouco da Chapada Diamantina, em Vitória da Conquista, pro lado de Lençóis, Mucugê, etc, eu coloquei esse refrão, '[…] O visual me alucina', é porque são visuais maravilhosos ali. Quem conhece Mucugê, Lençóis, a Chapada Diamantina, pode perceber que são visuais maravilhosos, então encaixei justamente também pensando nessa hipótese de que a distância do olhar, aquela coisa de 'perdidos na paisagem', né? Então, essa música fala de amor e também cita um pouco da cidade onde participo ativamente da vida cultural e artística, que é Vitória da Conquista."

Há muito tempo faz que eu não te vejo 
Mas aumenta a minha saudade o meu desejo 
Diga onde você mora ou se esconde ou se é além da ponte 
Nem a distância vai tirar você de mim 

E pra você que fiz essa canção que sai de dentro do meu 
É pra você que fiz essa canção 
Meu amor, meu amor

Daí do alto do Planalto da conquista
A vista é muito mais bonita 
Pro lado da chapada Diamantina 
O visual me alucina 

E pra você que fiz essa canção que sai de dentro do meu 
É pra você que fiz essa canção 
Meu amor, meu amor


2) DESERTO TROPICAL (BR7PI2300014)

"Deserto Tropical também é uma música com uma linguagem simples e direta. A gente vive num país tropical, de uma cultura bem diversificada. É uma miscigenação linda que nós temos. Deserto Tropical relata na própria letra lugares, cidades… Quando eu falo 'quando o sol se por em Salvador, pisar no chão do Maranhão' é muito bonito. Essa música já é uma composição minha, de Paulo Sérgio Oliveira junto do pessoal da Banda L-Lás. Não deixa de ser também uma música autoral, não posso deixar de citar, da banda L-Lás, que foi um projeto que eu tive na década de 80, então essa música é nossa: minha, de Paulo Sérgio e da Banda L-Lás. Uma música simples, direta, que retrata  nosso país, quando eu falo “no meu deserto tudo é tropical” estou falando do nosso país, de Salvador: 'o sol de por em Salvador, pisar no chão do Maranhão, o chimarrão, Rio Grande do Sul, tão lindo é o céu azul', então é uma música que retrata vários cotidianos, de cidades diversificadas, aqui dentro do nosso país que é o Brasil, imenso, com essa miscigenação imensa de cultura, etc. Acho bonito a gente salientar esse poder que nosso país tem com essa diversificação cultural, artística. É muito bonito."

Saudade vem matando a gente 
Consigo avistar a brisa do mar
Meu violão tangente nas estrelas 
No meu deserto tudo é tropical 
A noite vira sono a noite vira o dia
Se te faço uma canção a minha mão te acaricia 

Te pego em casa te levo pra escola 
Te conto uma história e lhe encho de amor
Não vou ficar nem mais um segundo 
Ajoelhado no mundo e pedindo perdão 
 
Baby vem comigo 
Baby vem
O sol se pôr em Salvador 
Dia raiar no Paraná 
Pisar no chão do Maranhão 
Chimarão Rio Grande do Sul 
Tão lindo é o céu azul


3) O VERSO (BR7PI2300015)

"Essa música eu fiz também pensando numa segunda pessoa. Na realidade, as músicas, quando falam de amor, você pode ouvir e dedicar à sua namorada, porque eu falo: 'é da minha autoria', mas a música é nossa. A música é pras pessoas. O compositor faz a música e só tem o papel de escrever, mas a música é do povo, é das pessoas. Então a música é pra vocês, então vocês dedicam essa música pra quem vocês quiserem, né? O Verso também era pra uma pessoa que eu amava, e que amo na qualidade de ser humano, porque a gente nunca deixa de amar as pessoas. Ela também é uma poesia numa linguagem simples e direta. 'Bateu o amor, bateu você, a porta entrou', olha que coisa linda… 'E fez morada em mim, meu bem-querer. Um verso meu em cada canto é seu. Você é a canção em mim no toque do tempo, no contratempo, no descompasso do amor, no verso que não se explica, na poesia que ainda rima e que em você ficou'. Isso é lindo demais, cara! Quando eu falo 'no toque do tempo, no contratempo do amor', é como Camões dizia lá, porque Renato Russo tem uma passagem da música dele que fala: 'o amor é o fogo que arde sem se ver', isso é de Camões. Então, eu quis dizer que nesse descompasso, o amor também dói, arde sem se ver, como Camões disse na poesia dele. A gente que já passou por vários tipos de leitura, eu já li vários livros. 

O artista, o músico, compositor, os artistas de uma maneira em geral, temos esse hábito de ler, procurar se informar, procurar estar dentro desses padrões culturais e artísticos, que envolvem a leitura, a literatura, a poesia, então isso é de uma grandiosidade imensa… Eu não sei como em um país de uma miscigenação muito grande, de uma cultura vasta, ainda há pessoas com vergonha de uma pessoa porque é artista. Então, não é porque a gente tem uma dificuldade de expor os trabalhos… Hoje tá até mais fácil, por conta das redes sociais, das plataformas, então eu tenho orgulho de ser artista no nosso convívio, e ser artista no nosso país, porque como eu morei na Europa, a gente quando diz que é artista, eles te recebem até de uma maneira agradável. Perguntam: 'ah, você é músico'; 'Ah, sim, sou músico, sou brasileiro'. 'Sim, sim, bem-vindo'. Quer dizer, a nossa arte é muito mais benquista no exterior, em outros lugares da Europa, talvez do que até aqui dentro do nosso país, né? 

Eu sou de uma cidade que é um celeiro de artistas. Vitória da Conquista nós temos grandes músicos tocando com os artistas renomados. Temos Léo Brasileiro, Luisinho, Vários… Plácido mesmo, que vem desenvolvendo um trabalho maravilhoso em Vitória da Conquista, com o programa dele de memória musical do sudoeste, que é de uma grandiosidade imensa. Então, essas pessoas são maravilhosas. Só contribuem para o desenvolvimento e o crescimento de um país, porque um país sem cultura e sem arte, acaba a história do país. E como as pessoas têm vergonha de dizer: 'ah, o cara é artista!', quer dizer: falam num sentido pejorativo. 

Cara, eu escolhi a melhor profissão do mundo. Eu tenho orgulho de ser artista. Não me sinto nem melhor nem pior que ninguém, muito pelo contrário. Eu acho que o artista tem esse poder de elevar o nome do nosso país, do lugar, da cidade, seja lá onde quer que ele esteja. Porque, sem cultura e sem educação, jamais um país vai ter a sua história. Então, a arte, a música, a cultura têm esse poder de desenvolvimento e representatividade como um todo, em qualquer lugar do mundo. Um país sem sua história, sua cultura não é nada. Então, fica a minha fala pra vocês, porque eu acho que vai servir, um dia, para as pessoas que não acreditam no poder da arte, que têm vergonha de ter um namorado ou alguém que seja artista. Então, continuem sendo artistas, porque é uma bênção. É muito bacana, muito gostoso."

Ah, bateu amor 
Bateu você a porta e entrou
E fez morada em mim 
Meu bem querer 
Um verso meu em cada canto é seu 
Você é a canção em mim 
No toque do tempo 
No contratempo 
No descompasso do amor 
No verso que não se explica 
Na poesia que ainda rima 
E que em você ficou


4) UM XOTE DO BOM (BR7PI2300016)

"Essa música eu fiz mesmo pensando no São João, naquela coisa do São João, porque eu, como rock n’ roll, um cara que gosta de blues, na realidade, passei por várias vertentes da música. Eu gosto do blues, do jazz, do pop-rock, do rock n’ roll, e como um bom roqueiro, descobri que sou também um ótimo forrozeiro. Eu canto forró de uma forma muito bacana, original, com uma identidade própria, que eu sempre tive. O artista tem de ter identidade própria. Um Xote do Bom eu fiz pensando em Targino Godim. Eu fui tocar num determinado local em Vitória da Conquista, na época do São João, e o repertório muito bacana, de forró pé-de-serra, então fiz essa música justamente para complementar o meu repertório de autorais nessa área. Então, Um Xote do Bom também é uma música gostosa de se ouvir, e uma música simples: é pensando no São João. 'Venha pra cá, venha dançar comigo, agarradinho até o dia amanhecer. Um xote do bom agarradinho, eu e você'. Essa é a história dessa música, uma música feita para tocar no São João, inclusive muitos forrozeiros já renomados, como Targino Godim, etc, ficaram de gravar essa música, mas ainda não mandaram nenhuma proposta, estou aguardando, que é uma música que pode explodir na voz desses caras, música simples e numa linguagem direta. Um Xote do Bom."

Amor tô precisando desse seu carinho 
Não posso mais ficar aqui sozinho 
Me dá uma vontade de te abraçar 
Então venha prá cá
Venha dançar comigo 
Agarradinho até o dia amanhecer 
Um xote do bom agarradinho eu e você  


5) UMA CANÇÃO DE AMOR (BR7PI2300017)

"Eu tava conversando com a minha filha, na casa dela, e de repente, essa música veio pronta. A música tem esse poder também. Às vezes ela já nasce pronta. Às vezes você tem que pensar um mês, dois, pra tirar uma frase ou criar outra, pra terminar um contexto, um refrão, e requer um tempo. Às vezes você muda a estrutura da música, a estrutura poética… E essa música eu fiz pra uma filha minha, ou pra minhas filhas. Maria Teresa, Fernanda Caroline… Mas na verdade pensando em Ivete Sangalo ou Marisa Monte gravar essa música. Essa música nasceu assim, do nada. Tava tocando violão na casa da minha filha, de repente os versos foram se encaixando, rimando, e ficou linda, ao meu ver, porque é uma música, como eu disse, numa linguagem simples e direta, que é uma canção de amor. Então, essa música nasceu dessa maneira, quase que já pronta e tal… Eu tive que acertar alguns acordes e tudo, e acabou ficando sol, lá menor e dó menor, três acordes, e música ficou de uma maneira muito bacana, agradável aos ouvidos”. 

Eu vou fazer uma canção pra ela 
Uma canção singela 
Uma canção de amor 
Para tocar no disco voador 
Pro mundo inteiro ouvir 
O que eu sinto por ela 
Ela é uma flor 
Linda flor do meu jardim 
É lindo de admirar 
Quando ela passa seu sorriso brilha mais que a luz do sol 
É lindo de admirar o seu sorriso, sua pele a sua cor
O jeito dela 
Ela é uma flor
Linda flor do meu jardim 


6) ABRIGO (BR7PI2300018)

"Essa música, fiz pra uma pessoa que me inspirou, que é uma ex-namorada. E na realidade, a gente tinha brigado nesse dia, eu tava muito pra baixo, meio triste, pensativo pra caramba, porque, do nada, as pessoas mudam de ideia, aí veio essa música em minha mente. Eu comecei a cantar, os versos começaram a surgir e foram rimando, porque, na realidade, a música, em cada artista, se manifesta de uma maneira Às vezes você procura se excitar pra fazer uma música, pra descobrir alguns versos que se encaixam, que rimam… E geralmente, comigo a música parece que já vem pronta, na maior parte das vezes. Foi o caso de Abrigo. Ela pintou de um amor que tava dentro de mim e que tava prestes a acabar. Então eu disse: 'anda, vem ficar comigo. Meu peito é teu abrigo. Um novo amanhecer'. Isso é lindo demais. 'Vem, vem ficar comigo. Você é meu paraíso. É tudo natural'. Então, isso é muito bonito, quando você expressa de uma maneira positiva um amor perdido através da música ou as desilusões da vida também contribuem muito quando você tá numa fase dessa, porque, na realidade, a música é feita de silêncio também. Às vezes você na sua solidão, você compõe… O artista aproveita esses momentos para expressar os sentimentos através da escrita. Então, a escrita tem esse poder na vida de qualquer artista, qualquer escritor, compositor. Então essa música, Abrigo, nasceu dessa forma, e praticamente veio pronta, através de um amor perdido."

Anda 
Vem ficar comigo 
Meu peito é seu abrigo 
Um novo amanhecer 

Vem 
Vem ficar comigo 
Você é meu paraíso 
É tudo natural 

Anda 
Que a estrada é longa 
E nos leva a algum lugar 
E nos leva s algum lugar 

Amor você é um encanto 
Em cada canto da cidade 
Eu amo você 


DIVULGAÇÃO





FICHA TÉCNICA

Memória Musical do Sudoeste da Bahia e Museu do Rock Conquistense apresentam: Toca Autoral!
Produção: Plácido Oliveira Mendes [http://linktr.ee/placidomendes]
Agradecimentos: Leonardo Gois e Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima
Gravado em 07 de novembro de 2022, na sala principal do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima. Vitória da Conquista, Bahia, Brasil.
Todas as músicas por Weldon França, exceto Deserto Tropical, por Weldon França e Paulo Sérgio Oliveira.
Publicação: 29 de maio de 2023


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Podcast | Memória Musical do Sudoeste da Bahia [zine] Edição Especial | Letras cifradas

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Um dos principais objetivos do projeto de pesquisa independente Memória Musical do Sudoeste da Bahia [@memoriasudoeste], para além do simples acumular material sobre a música da nossa região, como qualquer museu, é incentivar os artistas através da produção original de conteúdo: pensar não apenas o passado, mas o hoje, o agora.

No subprojeto TOCA AUTORAL! não há espaço para tributo: queremos mostrar que, em nossa região, há muita gente criando e se expressando através da arte. Apresentaremos diversos artistas, de variados gêneros musicais, mostrando suas próprias obras, muitas vezes ainda inéditas, e disponibilizando gratuitamente em plataformas de streaming, em formatos diversos. 

A primeira temporada, contendo três talentosos (e diferentes entre si) músicos locais segue em seu segundo Ato, com o cantor e compositor jequieense Náufrago Urbano, que vive em Vitória da Conquista há mais de uma década.

Música é arte. Arte é expressão. O que nossos artistas têm a dizer atualmente?


A PRODUÇÃO


A ideia do subprojeto remonta a 2017, quando desenvolvemos uma experiência semelhante, no então interditado teatro do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, fechado para eventos com a presença de público, mas utilizado pela Distintivo Blue como local de ensaio e gravações desde 2015. Utilizando a mesma pauta (duas manhãs por semana), convocamos artistas locais para gravar vídeos no formato voz-e-violão, executando cinco músicas, sendo que destas, três deveriam ser autorais. O @memoriasudoeste ainda não existia: tudo foi realizado sob o seu projeto ancestral, a BLUEZinada! [confira aqui uma playlist com esses vídeos antigos], mais direcionado ao blues e jazz, portanto, as CCCJL Sessions extrapolavam sua temática e anunciavam a necessidade de um trabalho voltado à musicalidade da região sudoeste da Bahia, que só nasceria em 2019.

Desta vez, pensando na enorme popularização dos chamados "shows-tributo", onde a nostalgia pelos chamados "clássicos" termina por, não raro, desestimular a execução da música autoral nos diversos palcos da região, decidimos radicalizar a antiga proposta, convidando apenas artistas que não se limitam unicamente a reproduzir o que já foi consagrado, mas também criam arte nova, provando que a música contemporânea ainda existe e continua expressando seu tempo e espaço, papel de todas as artes desde tempos remotos. Desta vez são seis músicas, todas autorais, além de pequenas falas explicativas e uma autobiográfica de até cerca de dez minutos. O formato ainda é minimalista, geralmente voz-e-violão, dada a nossa limitação em equipamentos, pessoal e tempo para a produção dos materiais.

O título do subprojeto é uma clara provocação ao universo dos "shows-tributo": ao invés do famoso, exaustivo e, muitas vezes, automático "toca Raul!", incentivamos o artista a mostrar suas próprias criações. O "Toca Autoral!" surge, pela primeira vez, no texto da matéria de capa da primeiríssima edição da nossa zine, Memória Musical do Sudoeste da Bahia [Acesse aqui], nos inspirando a aprofundar o conceito que se materializa agora. Afinal, se o próprio Raul Seixas tivesse cedido e estacionado no confortável "tributo a Elvis" que marcou o início de sua carreira, não investindo em sua própria identidade artística, quem gritaria "toca Raul!" hoje?


O CONTEÚDO


O Toca Autoral! não se limita à produção de vídeos: o artista tem acesso a um sistema completo de produção original, que inclui a publicação de vídeos individuais de cada uma das faixas, além do vídeo completo, incluindo as falas explicativas e autobiográfica. Ainda, a uma sessão de fotos, que poderão ser utilizadas para a sua própria divulgação, como desejar. As músicas são mixadas e masterizadas para compor um EP de verdade e distribuído para as principais plataformas de música, como Spotify, Deezer, Apple Music, Amazon, etc. A gravação ainda será lançada no formato podcast e disponibilizada nos principais agregadores. Ao final da temporada, será lançada, ainda, uma edição especial da nossa zine, que será publicada tanto em formato digital (.pdf) quanto impresso, enriquecendo o portfólio do artista e, mais amplamente, a musicalidade da região em geral, valorizando a produção autoral e incentivando outros artistas a tocar suas próprias músicas.

Todo esse material é entregue ao artista, gratuitamente, para que o utilize como julgar adequado para o desenvolvimento de sua própria carreira artística. Assim, durante o período de lançamentos, ainda  buscamos formas de acesso aos veículos de Imprensa, como emissoras de rádio, TV, jornais, revistas, blogs, etc., sempre com a preocupação de registrar toda e qualquer participação nesse sentido e publicar em seguida.

Ao artista é exigido, para a participação, certo nível de comprometimento: ensaiar suficientemente suas músicas para uma boa execução, ser pontual às participações e fornecer as letras cifradas de todas as canções, afinal, o "'Toca' Autoral!" também significa incentivar e permitir que o público conheça sua obra a ponto de também desejar/conseguir executá-la, de onde estiver. Trata-se de um projeto de fomento ao artista, mas, também, de formação de público. Demonstrar que o artista regional guarda, em si, tanto valor quanto o "consagrado" e divulgado em grandes proporções é uma das máximas mais caras do @memoriasudoeste


Foto: Plácido Oliveira

NÁUFRAGO URBANO


"Eu me chamo Júlio Náufrago. Sou jequieense. Estou em Vitória da Conquista há doze anos. Foi aqui que comecei a alavancar um pouco mais na música. Represento a minha família, que não tem nenhum músico, mas foi minha irmã e meu irmão que me colocaram para ouvir rock n’ roll. Isso influenciou muito a minha vida. A partir daí, comecei a querer tocar violão, cantar… Participei de alguns projetos em Jequié, na época da escola, mas quando eu vim morar em Conquista, em janeiro de 2011, e vi o cenário daqui… A galera, um monte de roqueiro, umas gatas [risos], as praças, aquele frio, as roupas… Falei: “cara, é aqui. É aqui que eu quero ficar”. 

E comecei a tocar violão, compor, tocar uns covers… Agora estou aqui, com um projeto autoral chamado Náufrago Urbano, que segue agora para um caminho também de cover, onde eu tenho algumas músicas autorais gravadas, que estão em plataformas digitais, outras prontas para lançamento também. Mas estamos agora em processo de transição. Vou transformar em uma bandinha de baile, de bar, uma banda cover também, mas pareando com meu trabalho artístico autoral, ou seja: "Náufrago Urbano" sou eu e ao mesmo tempo uma banda. Pensei em desvincular o meu nome pessoal e colocar com as minhas músicas, mas decidi manter com minhas músicas e as cover também.

Tudo começou com a influência de um amigo de infância, lá em Jequié, em meados de 2009. Ele ganhou um violão e começou a aprender sozinho pela internet. Eu fiquei comecei a ficar com aquela inveja boa, sabe? Falei: “esse cara é meu brother, tocando violão. Quero tocar violão com ele”. E comecei a perturbar meu pai: “me dê um violão. Eu quero tocar violão”. Aí, meu pai: “pra que você quer violão? Vou lhe dar um violão”. Me deu um, com as cordas bem altas. Para tirar um acorde demorou muito. Também, com muito esforço, peguei três meses de aula de violão, com um rapaz que morava na rua, que tocava há muitos anos, tocava muito bem.  Então, esses três meses mudaram tudo: a partir daí, eu chegava em casa, colocava os acordes, pegava as cifras, ouvia bastante música, e foi como tudo começou. E já tinha aquela influência da minha irmã e do meu irmão, ouvindo muito Nirvana, Legião Urbana, aquele rock dos anos noventa, que prevalece até hoje. E essa foi a minha influência, para começo de história. 

Quando eu comecei a tocar violão, minha primeira música foi, se não me engano, Será, Que País É Esse?, algo assim. Comecei  a deixar o cabelo crescer, queria ser grunge. Morava em Jequié, um calor danado, não podia usar um flanelado, sair com a calça rasgada que o povo: “é louco, é doido”. Fui para o colégio com a calça rasgada, não pude entrar, e fui me sentir melhor em Conquista, onde fui mais abraçado por essa loucura. 

Essa questão de compor veio junto com a ideia de tocar violão e cantar, porque era uma inquietação, aquela vontade de falar alguma coisa. Quando percebi que conseguia cantar e tocar alguma música, falei: “agora já posso criar algo meu.” Me motivei a compor para mostrar aos amigos. Depois vieram os festivais, de colégio mesmo, para mostrar a composição. Então, isso foi me empolgando e comecei a escrever. Escrevi muitas coisas que não cheguei nem a musicar mas, com o tempo, foi ficando mais sério. Na verdade, eu comecei, também, a me endoidar um pouco do juízo: bebi muito, fiz muita loucura. Isso também me deixou com a vontade de falar sobre essas coisas em músicas. Músicas de quando eu tinha dezoito anos. O tempo as levou.

Hoje eu já componho com um pouco mais de lógica, de criatividade, então, hoje, eu exponho as músicas que tenho. Há um retorno bacana do público. Lancei umas músicas na pandemia, em meados de 2020, voz e violão no seco, gravadas dentro de um quarto de madrugada, com um guarda-roupas (como forma de isolar o som). O pessoal abraçou a ideia, apesar de ter ficado até bem tosco, particularmente falando, mas o que vale é a intenção: o feito é melhor que o perfeito. Estou feliz pelo que eu fiz, e de participar de novo de um projeto mostrando as minhas músicas, e continuo compondo sim. Há músicas novas, que ninguém nunca ouviu, e que vou mostrar neste projeto, o Toca Autoral!, então, muito obrigado. 

Sobre a atualidade, em relação à música, estou voltando a viver dela, tocando em bares, festas particulares, aniversários... Amigos me chamam pra tocar, então, estou com um duo, com um baterista, alguns amigos freelancers que fazem guitarra, baixo, mas ando muito mais “trovador solitário”; toco muito mais sozinho, voz e violão, pelos bares e tem virado uma forma de sobrevivência. As portas estão se abrindo, mas creio que isso vai servir como uma escola. Depois da pandemia, o que escancarou realmente, de oportunidade para nós, foi tocar nos bares. Esses showzinhos em todos os lugares na cidade, que vem investindo bastante nisso, então, é pagar o embalo: aproveitar para estudar e fazer disso uma escola mesmo. Dá para aprender muita coisa. Então, para o momento é isso. Tem músicas novas chegando, logo logo, e vocês me encontram pelos bares e festas da cidade.


Confira a íntegra do vídeo:




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MÚSICAS


1) ANTIGO REFRÃO (BR-7PI-23-00006)

"Essa música surgiu há uns sete anos. É o meu maior sucesso, ao menos de feedback do público. Considero uma balada romântica, chega a ser pop. É uma música que toco muito ao vivo. Tenho gravada, também, em voz e violão, em vídeo, estúdio, então, a música está bastante explorada, e continuo explorando bastante até hoje. Creio que é uma balada romântica. A própria letra já diz, onde falo sobre um reencontro de almas, de um casal que se conheceu em uma época e, anos depois, se juntou no mesmo barco e encarou mais uma maré, mais uma onda de romance. Então, se tornou um antigo refrão, depois um refrão moderno e uma música."

Vejo navegar em águas provocantes 
O desejo quer nos afogar 
Outra vez nós dois 
Nesse mesmo barco 
Tempos depois 

Não tente disfarçar 
Eu não vou me afastar 
No fim da noite sei onde quero te levar 
Pro mesmo refrão 
Vou por seu quarto nessa canção 
Só pra ver se ainda podemos rimar 

Vejo mergulhar em águas provocantes 
No teu beijo quero me afogar 
Outra vez nós dois 
Entregues ao acaso 
Tempos depois 

Vejo navegar em águas provocantes 
O desejo quer nos afogar 
Outra vez nós dois 
Nesse mesmo barco 
Tempos depois 

Não tente disfarçar 
Eu não vou me afastar 
No fim da noite sei onde quero te levar 
Pro mesmo refrão 
Vou por seu quarto nessa canção 
Só pra ver se ainda podemos rimar 

Não devemos parar 


2) PERSISTIR (BR-7PI-23-00007)

"Persistir se tornou a música que mais curti ter escrito. Considero, um pouco, como crítica social, onde a gente vai embora de casa, começa a encarar o mundão e vê como são as pessoas, deixa de confiar, fica no achismo, em cima do muro, com medo, e começa a se isolar cada vez mais. Mas, como não se vive só de solidão, também temos de ter esperança.  Então, vem a segunda parte, trazendo a sensação de 'preciso ver o sol também', aquela ideia de persistência mesmo, o que é totalmente diferente de insistir: quando você persiste, é porque acredita, gosta, quer. Não está só batendo o martelo: você persiste porque acredita. Então, foi onde eu acreditei que a minha vontade passaria a ser verdade pra mim, quando encarei melhor a minha vida, várias fases que eu tive: virar pai, morar sozinho, perder um pai, cidade nova, amigos novos, amigos se perdendo, morrendo, várias coisas acontecendo. Então, essa música foi muito importante pra mim, ainda é hoje, então, gosto muito de persistir." 

Somos todos iguais 
Esperando sempre algo a mais 
De qualquer um 
Por qualquer um 

E largamos a mão 
De quem nos deu a proteção 
Nesse mundo inseguro 

Somos partes iguais 
De um quebra-cabeça de mortais 
Bem no fundo 
Sabemos disso tudo 

E deixamos de achar 
Que podemos confiar 
Observando 
Tudo de cima do muro 
Observando 
Tudo de cima do muro 

Até desabar 
Até desabar 

E o que parecia apenas 
Ser uma vontade 
Passará então a ser 
A minha verdade 

Persistir percorrer 
E ao sonhar, poder viver 
Vou chegar, lhe dizer 
Pode vir e traz o teu sofrer 
Vem mudar e ficar


3) PRA ELA (BR-7PI-23-00008)

"Pra Ela é uma música até meio bobinha. Está comigo há uns nove anos. Acho que é a mais velha que tenho. “Bobinha” porque eu era um cara muito romântico, muito 'bobo apaixonado', então, eu entrava no ônibus, via algo que achava interessante, já pensava em escrever sobre aquilo. E, embora pareça ser para uma menina, pode ser que não seja: 'pra ela' pode ser que eu esteja falando de uma cidade, de uma época específica… Falo: 'Teu sorriso me mostrou a sua paz interior', mas o sorriso é só isso aqui, os dentes arreganhados? Não: pode ser que eu viajei, vim morar em Conquista, gostei daqui, e o sorriso de Conquista me mostrou a paz interior que eu precisava. Enfim: na verdade, é uma música bobinha, sobre uma uma garota que conheci, uma vez, no ônibus. [risos]"

Teu sorriso me mostrou a sua paz interior
E pra quem sonha com amor, será bem mais que um sonhador
Veio assim
Sem querer
Por um atraso descuidado
Meio assim
Sem saber
Como um acaso combinado
E por aí eu descobri
Tem algo novo a fluír
E pude ainda perceber
Seu olhar a me envolver
Parecia disfarçar a vontade de olhar
E eu imaginando
Natural como pensar
Doce dúvida a rolar
Acabei me entregando
Foi assim
Meio sem querer
Que nós nos encontramos
Meio assim
Sem saber
Será apenas um engano?
Meio assim
Sem querer
Por um atraso descuidado
Veio assim
Sem saber
Como um acaso combinado


4) REMETIDO A MIM 3) (BR-7PI-23-00009)

"Remetido a Mim é a música mais pessoal que tenho, no momento. É até um pouco chato de explicar, faz parte demais de minha inquietude enquanto músico, pessoa mesmo, e sobrevivente: um cara que cansou de dormir e acordar pensando em um monte de lorota. Então, Remetido a Mim, como o próprio título diz, é, nada mais, nada menos que uma pessoa oscilando entre a vontade de viver e de morrer, 'como uma criança perdida dos seus pais', que não sabe onde está, para onde ir, o que fazer, o que ser, sem qualquer instrução que, então, você se alguém que precisa de alguém. Alguém para te ouvir, te ajudar, te dar a mão. Remetido a Mim veio para dizer muito sobre a minha crise existencial, como músico, como pessoa, enfim… Sobre a minha existência. "

Ando meio calado como uma criança perdida dos seus pais
Triste e desabrigado, como se fosse castigo perdi minha paz
E quem vai dizer como vou crescer?
Eu mesmo irei me encontrar
Quem vai responder quando eu perguntar?
Que o silêncio me faça entender
Vejo atormentado o louco que essa vida previa
Sinto-o, ainda, em prantos, numa reza fogo e parafina
Quem sabe assim possa ressurgir?
Em meio a esperança e a dor
Coragem que vem e faz enfrentar
Todo ódio em busca de amor


5) SOLSTÍCIO (BR-7PI-23-00010)

"Solstício é uma música mágica. O próprio nome já é mágico. É uma oração. Escrevi no dia 21 de junho de 2020, durante o isolamento. Eu estava em São Paulo. Nessa madrugada de solstício de inverno, resolvi escrever uma música que seria uma oração para mim. Uma tentativa, também, de mudar o meu ciclo, a minha vida, com tudo o que acontecia em relação à pandemia, às mudanças que eu encarava: voltar para a música, escrever algo, gravar, algo… Então, ela veio como um pedido, que é para mim mas, ao mesmo tempo, Para todo mundo, porque a música não é feita para você: é feita para as pessoas.

Na verdade, era só uma letra, e musiquei, dois anos depois, que foi este ano [2022]. Então, ficou ali, guardada, como uma oração daquela noite específica… 'Quando A noite chegar', não é 'a noite', que vem todos os dias, dia após noite, noite após dia: é uma noite específica, em que fiz essa oração. É inédita, ninguém a conhece, e ela tem essa mensagem para as pessoas, de que a gente deve abrir as janelas, sabe? 'Do quarto, do coração', dos armários, para deixar sair o que não tem mais, e o que é novo entrar. Essa é a transição, a magia da coisa: você abre as janelas da sua casa, da sua vida, da sua mente, do seu ser, deixa sair aquilo que não faz sentido mais, e recarrega, abastece com algo de melhor pra continuar seguindo a estrada. Então, esta é a magia da coisa. Esta é a ideia do solstício."

Quando a noite chegar
Abre os teus armários
Põe na porta o teu melhor perfume
Uma música pra dançar
Uma reza para cantar
Quando a noite chegar

Quando a noite chegar
Revele a intenção
Ela diz que os sonhos vivem
E o fogo jamais a de se apagar

Da cozinha, do quarto e do coração
Abro os meus armários
Lembrei do que é velho
E eu não quero, não
Haverá espaço então
Para nova estação

Da cozinha, do quarto e do coração
Abro os meus armários
Lembrei do que é velho
E eu não quero, não
Haverá espaço então

Para nova estação
E revelo que já não quero viver
Do frio ou do calor


6) JOYCE (BR-7PI-23-00010)

"Joyce conta a história de um casal, e a considero uma música extremamente romântica, mas, também, com uma mensagem interessante no refrão. Surgiu justamente porque o violão estava lá, largado em cima do colchão, e a minha gatinha resolveu fazer um xixizinho básico, falar bem assim: 'toma aí o teu presente'. Quando peguei o violão, senti o cheiro, falei: 'véi, cheiro de xixi de gato no meu violão!'. Comecei a cheirar o violão e falei: 'é, véi: é isso mesmo!'” Ficou impregnado na minha mente. Na época, eu era motoboy e comecei a cantar versos na moto, fazendo entrega. Então, estava ali na moto, e pensando no violão com cheiro de xixi de gato. Comecei a cantarolar isso: 'cheiro de xixi de gato no meu violão', aí, 'você que lute'. 

Eu lutei mesmo pra tirar aquele cheiro. Deu muito trabalho, e acabou se tornando uma música sobre: às vezes, a gente reclama demais. Eu reclamei pra caramba desse cheiro no meu violão, do gato em cima da cama. Eu sofro de rinite, e os pelos do gato me incomodam muito, mas eu gosto demais, amo, os gatinhos. Então, reclamei, reclamei de várias coisas para, no final, cair a ficha e eu pensar que a vida tem um gosto, que vai muito além de ficar reclamando, e seria isso que tá o amar. 

A vida tá aqui, a toda hora, acontece a todo momento e mostrando várias formas de viver, e lugares onde você pode ficar bem, se sentir bem, e fazer alguma coisa também, por isso, não ficar só reclamando,  negativando as coisas, pessimismo, essa reflexão. Eu reclamo, pego a primeira parte da música para reclamar, chego no refrão e caio no bom senso. Falo: 'tá na hora de parar de reclamar'. Depois, reclamo de novo, caio no bom senso, falo: 'Não, véi, acho que tem um negócio melhor pra fazer aqui: é amar'. [risos]"

Cheiro de xixi de gato no meu violão
E Joyce disse: você que lute então, amor
Sei que sou chato
Mas com razão
Tira esse gato
De cima do colchão

A vida tem
Um gosto além
De reclamar
Que tal amar?
A vida vem
Te mostra algum lugar
Um abraço pra morar
Vem te dar a mão

Cê tá gordinha
Né por nada não
-Será possível?
Não brinca com isso não
Por favor

Sei que sou chato
Mas com razão
Tô preocupado, amor
Com essa situação

A vida tem
Um gosto além
De reclamar
Que tal amar?
A vida vem
Te mostra algum lugar
Um abraço pra morar
Vem te dar a mão

Vim te dar a mão.


DIVULGAÇÃO






FICHA TÉCNICA

Memória Musical do Sudoeste da Bahia e Museu do Rock Conquistense apresentam: Toca Autoral!
Produção: Plácido Oliveira Mendes [http://linktr.ee/placidomendes]
Agradecimentos: Leonardo Gois e Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima
Gravado em 11 de outubro de 2022, na sala principal do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima. Vitória da Conquista, Bahia, Brasil.
Todas as músicas por Náufrago Urbano
Publicação: 11 de maio de 2023


AGUARDE MAIS UM POUCO...

Podcast | Memória Musical do Sudoeste da Bahia [zine] Edição Especial | Letras cifradas

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Um dos principais objetivos do projeto de pesquisa independente Memória Musical do Sudoeste da Bahia [@memoriasudoeste], para além do simples acumular material sobre a música da nossa região, como qualquer museu, é incentivar os artistas através da produção original de conteúdo: pensar não apenas o passado, mas o hoje, o agora.

No subprojeto TOCA AUTORAL! não há espaço para tributo: queremos mostrar que, em nossa região, há muita gente criando e se expressando através da arte. Apresentaremos diversos artistas, de variados gêneros musicais, mostrando suas próprias obras, muitas vezes ainda inéditas, e disponibilizando gratuitamente em plataformas de streaming, em formatos diversos. 

A primeira temporada, contendo três talentosos (e diferentes entre si) músicos locais começa aqui, com o guitarrista, cantor e compositor californiano Paul Bergeron, bastante conhecido no circuito de bares de Vitória da Conquista nos últimos anos.

Música é arte. Arte é expressão. O que nossos artistas têm a dizer atualmente?


A PRODUÇÃO

A ideia do subprojeto remonta a 2017, quando desenvolvemos uma experiência semelhante, no então interditado teatro do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, fechado para eventos com a presença de público, mas utilizado pela Distintivo Blue como local de ensaio e gravações desde 2015. Utilizando a mesma pauta (duas manhãs por semana), convocamos artistas locais para gravar vídeos no formato voz-e-violão, executando cinco músicas, sendo que destas, três deveriam ser autorais. O @memoriasudoeste ainda não existia: tudo foi realizado sob o seu projeto ancestral, a BLUEZinada! [confira aqui uma playlist com esses vídeos antigos], mais direcionado ao blues e jazz, portanto, as CCCJL Sessions extrapolavam sua temática e anunciavam a necessidade de um trabalho voltado à musicalidade da região sudoeste da Bahia, que só nasceria em 2019.

Desta vez, pensando na enorme popularização dos chamados "shows-tributo", onde a nostalgia pelos chamados "clássicos" termina por, não raro, desestimular a execução da música autoral nos diversos palcos da região, decidimos radicalizar a antiga proposta, convidando apenas artistas que não se limitam unicamente a reproduzir o que já foi consagrado, mas também criam arte nova, provando que a música contemporânea ainda existe e continua expressando seu tempo e espaço, papel de todas as artes desde tempos remotos. Desta vez são seis músicas, todas autorais, além de pequenas falas explicativas e uma autobiográfica de até cerca de dez minutos. O formato ainda é minimalista, geralmente voz-e-violão, dada a nossa limitação em equipamentos, pessoal e tempo para a produção dos materiais.

O título do subprojeto é uma clara provocação ao universo dos "shows-tributo": ao invés do famoso, exaustivo e, muitas vezes, automático "toca Raul!", incentivamos o artista a mostrar suas próprias criações. O "Toca Autoral!" surge, pela primeira vez, no texto da matéria de capa da primeiríssima edição da nossa zine, Memória Musical do Sudoeste da Bahia [Acesse aqui], nos inspirando a aprofundar o conceito que se materializa agora. Afinal, se o próprio Raul Seixas tivesse cedido e estacionado no confortável "tributo a Elvis" que marcou o início de sua carreira, não investindo em sua própria identidade artística, quem gritaria "toca Raul!" hoje?


O CONTEÚDO

O Toca Autoral! não se limita à produção de vídeos: o artista tem acesso a um sistema completo de produção original, que inclui a publicação de vídeos individuais de cada uma das faixas, além do vídeo completo, incluindo as falas explicativas e autobiográfica. Ainda, a uma sessão de fotos, que poderão ser utilizadas para a sua própria divulgação, como desejar. As músicas são mixadas e masterizadas para compor um EP de verdade e distribuído para as principais plataformas de música, como Spotify, Deezer, Apple Music, Amazon, etc. A gravação ainda será lançada no formato podcast e disponibilizada nos principais agregadores. Ao final da temporada, será lançada, ainda, uma edição especial da nossa zine, que será publicada tanto em formato digital (.pdf) quanto impresso, enriquecendo o portfólio do artista e, mais amplamente, a musicalidade da região em geral, valorizando a produção autoral e incentivando outros artistas a tocar suas próprias músicas.

Todo esse material é entregue ao artista, gratuitamente, para que o utilize como julgar adequado para o desenvolvimento de sua própria carreira artística. Assim, durante o período de lançamentos, ainda  buscamos formas de acesso aos veículos de Imprensa, como emissoras de rádio, TV, jornais, revistas, blogs, etc., sempre com a preocupação de registrar toda e qualquer participação nesse sentido e publicar em seguida.

Ao artista é exigido, para a participação, certo nível de comprometimento: ensaiar suficientemente suas músicas para uma boa execução, ser pontual às participações e fornecer as letras cifradas de todas as canções, afinal, o "'Toca' Autoral!" também significa incentivar e permitir que o público conheça sua obra a ponto de também desejar/conseguir executá-la, de onde estiver. Trata-se de um projeto de fomento ao artista, mas, também, de formação de público. Demonstrar que o artista regional guarda, em si, tanto valor quanto o "consagrado" e divulgado em grandes proporções é uma das máximas mais caras do @memoriasudoeste


Foto: Plácido Oliveira


PAUL BERGERON

"Eu nasci em 1985, no Mission Hills, um bairro lá em Los Angeles. Quando eu era criança, as primeiras músicas que escutei vieram através dos meus pais: a primeira que eu me lembro, me afetando, acho que era Elton John, no carro do meu pai, quando ele dirigia conosco para as lojas e a escola. Ele só tinha aquelas fitas no carro. Eu fiquei escutando aquela de Elton John, com os hits dele. E depois, na escola, fizemos aulas de canto, e eu tive interesse, porque teve uma menina tocando piano, aquela música de Beethoven… “Nanananana nana...” [solfeja Für Elise]. Eu disse: 'quero aprender piano também'. Minha avó tinha um piano, e morava no outro lado da rua. Nessa época, morávamos no Vale de San Fernando, em Los Angeles, e eu falei para a minha mãe que eu queria aprender piano. Ela disse: 'tá bom, sua avó pode dar algumas aulas para você'. Então eu fui lá na casa da minha avó, e ela apenas me deixou no piano e falou: 'toque isso', colocou um papel na minha frente e foi para a cozinha fazer algumas coisas, escutando rádio, então, não foi realmente uma aula. 

Eu fiz mais uma dessas aulas com a minha avó, e a minha mãe: 'como estão indo as aulas?' E eu não gostei. Eu tinha sete ou oito anos e não estava gostando, porque ela não estava me dando aulas, na verdade. Então, eu meio que larguei a música por um tempão, até depois, quando comecei a aprender violão, com quinze anos. Entre oito e quinze anos, os esportes tomavam mais conta… Eu praticava esporte e fazia arte: pintava e desenhava muito na escola. Mas, finalmente, quando eu tinha quatorze, quinze anos, quis tocar de novo. Minha mãe tinha só um violão, o único instrumento que tivemos na casa, um violão clássico que ela teve quando estava na faculdade. Peguei o violão e usava o computador para ver tablaturas. Eu falei aos meus pais que queria aprender violão, e eles disseram: 'tá bom, mas não vamos comprar um violão para você. Você pode usar esse violão para ver se realmente vai ficar nessa coisa'. Então, meu pai me inscreveu para tomar aulas de violão em uma loja pertinho de casa, uma loja de música. E eu comecei a tomar aulas. 

Nessa época, com quatorze anos, eu escutava muita música dos anos sessenta, mas eu pulei para a frente: daquela época, em San Fernando, quando tentava aprender piano, escutávamos muito rádio no carro. Tinha uma estação que tocava só flahsbacks dos anos cinquenta e sessenta. Nada dos setenta e oitenta: tudo dos cinquenta e sessenta. E escutávamos aquela estação todos os dias, indo e voltando da escola, dirigindo para o Vale de San Fernando. O trânsito de Los Angeles é horrível, então quando você entra no carro, fica lá por um tempão. Então, acho que meu cérebro ficou sugando aquelas músicas, aqueles flashbacks dos anos cinquenta e sessenta. Muito Beatles, Beach Boys, Motown, Marvin Gaye, The Supremes, Ritchie Valens, Elvis, todas aquelas músicas e hits… Frankie Valli… Dos anos cinquenta e sessenta. Então, isso foi grande parte da influência. 

Mas eu não percebi isso até depois, porque quando cheguei a quatorze, quinze anos, estava no Ensino Médio e teve aquela pressão das pessoas… Naquela época eles escutavam tipo… Linkin Park, Limp Bizkit, Korn… Mas eu nunca gostei daquelas músicas. Não me identifiquei, então, naquela época, eu escutava Jimi Hendrix, The Doors, Black Sabbath, Led Zeppelin… Coisas dos anos sessenta, porque meu irmão mais velho comprava alguns álbuns do Led Zeppelin, Black Sabath, The Clash, The Doors, etc. E, em casa, minha mãe tinha um gosto muito eclético. Ela gostava muito de música clássica, folk dos anos setenta, porque ela cresceu nos anos setenta, ela estava na faculdade nos setenta. Muito Jim Croce, Gordon Lightfoot, John Denver, Linda Ronstadt, e meu pai escutava mais rock: mais Creedence, Elvis, Jethro Tull… [risos] Essas coisas. 

Então, eu tudo isso acho que formou minha influência de música que eu gosto: aquela estação de rádio, minha mãe, com a música eclética, meu pai, com o rock, e minha avó também, porque eu fiquei muito tempo na casa da minha avó, e a época dela era a década de 40, então, sempre que eu estava na casa dela era jazz dos quarenta e música clássica, Frank Sinatra, Benny Goodman, Glenn Miller e Ella Fitzgerald… Muito Ella Fitzgerald. Eu escutava muito disso na casa da minha avó. Então, eu passei por aquela fase dos quinze, dezesseis, dezessete escutando mais música alternativa, rock mais pesado, mas depois, com vinte e um, vinte e dois, vinte e três, eu apenas voltei às minhas raízes, eu acho. Pensei: 'eu realmente gosto mais das músicas dos cinquenta e sessenta. Eu gosto muito de jazz e música folk, música raiz. Eu gosto mais dessas músicas'. Agora vejo que, por muito tempo, essa linha me influenciou muito. 

Aos dezoito, dezenove, vinte, vinte e um, eu toquei em várias bandas. Algumas eram boas, algumas não. Eu toquei muito baixo, porque as pessoas sempre precisavam de baixista. Fiquei meio preso ao baixo, porque bandas precisavam de baixistas, então era mais fácil achar shows sendo um baixista, mas eu sempre quis mais cantar e escrever músicas, fazer minhas próprias músicas. E eu gosto de violão, de guitarra, mas também gosto de todos os instrumentos. Pra mim é só um meio de interpretar. Se as coisas dessem certo desde o início, eu tocaria piano. Acabei tocando violão e guitarra, mas gosto de todos os instrumentos. Considero quase igual. Acho que todos são 'voz'. E, pra mim, o melhor instrumento de todos é a voz humana. Eu acho que tem mais variação, é mais pessoal. Eu gosto de ouvir a voz de pessoas diferentes. 

E é isso: aos vinte, tocava em bandas, em Los Angeles e por perto, também em Ventura, que fica na Califórnia e, com 28, 29, eu vim pra cá, para o Brasil. Eu conheci uma mulher através da internet, e ela me perguntou se eu queria vir ao Brasil, para conhecê-la e ver se iria rolar, se seria uma coisa boa, e eu vim, acabei gostando do Brasil, gostando dela e rolou bem. Depois eu voltei para a Califórnia, para arranjar coisas com a minha família, depois eu vim para o Brasil de novo, e eu estou aqui faz uns seis anos. Eu morava em Luís Eduardo Magalhães, Brumado e agora Conquista. Eu gosto mais desta cidade que das outras em que fiquei. E eu apenas estou tocando, seguindo a mesma linha: tentando gravar minhas músicas, tentando tocar nesses bares e restaurantes, formas bandas, parcerias com outros músicos, continuando com a música, eu acho que vou tocar música para sempre, nunca vou desistir. Vou continuar na música para sempre, eu acho".


Confira a íntegra do vídeo:




🟢 Playlist completa no Youtube [músicas separadas]



MÚSICAS

1) ORDINARY MAN (BR-7PI-22-00001)

"Essa música se chama Ordinary Man (Homem Ordinário/comum), que eu escrevi quando trabalhava em um mercadinho e, sei lá, a ideia só veio para mim, sobre como alguém se sente sendo normal, sendo comum e não sendo especial, como as pessoas veem como alguém deve ser, especial, alguma coisa… Me inspirou porque hoje em dia tem muito isso, muitas redes sociais, e todo mundo precisa se mostrar e ser mais do que talvez sejam. Para mim, só foi isso: só uma ideia sobre como um homem normal e comum sente e a vida dele". 

I’m an ordinary man 
Doing all the things an ordinary man can 
With my ordinary wife 
I live a very ordinary life 
Ordinary me 

I drive an ordinary car
It doesn’t get me very far 
To get my ordinary pay 
It’s such an ordinary day 
Ordinary me 

And when I die, no one will weep
Nobody cares about me
Why do you treat me this way?
Is it because I’m so ordinary? 

I’ve got ordinary kids 
They’re already off to college 
They’ve got kids of their own 
They got an ordinary home 
Ordinary me 

I’m an ordinary old man 
Grandkids come by when they can 
Johnny and Julie,
We’re such an ordinary family 
Ordinary me

And when I die, no one will weep
Nobody cares about me
Why do you treat me this way?
Is it because I’m so ordinary?


2) WITHOUT A CARE (BR-7PI-22-00002)

"Essa é Without a Care (Sem Preocupações), e é uma música baseada num tempo lá na California. Tem um cacto lá, e é um alucinógeno. Eu e meus amigos roubávamos o cacto de um jardim e colocamos em um liquidificador, e essa música é inspirada nesse cacto alucinógeno. [risos] Era uma aventura". 

Picking fruit from other peoples trees 
Hanging over backyard walls
Help yourself please 
Peaches, pomegranates, pears, picking fruit without a car

Plucking up a cactus from someone else’s lawn 
Put it in a blender then you’re really gone 
Dive into a juice glass
Watching all the time pass by 

Howling at the moon,
I’ll be there soon, 
If I can find the time, 
Right now I feel fine,
Right now I feel fine. 

Let’s go somewhere where we can get a drink 
I would like to listen to the way that you think 
About June bugs, stupid thugs, and flying magic Persian rugs
 
Please mister could you turn your radio down 
It’s making a really annoying sound 
People always running round and clouds never ever touch the ground

Howling at the moon,
I’ll be there soon 
If I can find the time, 
Right now I feel fine, 
Right now I feel fine 

Kicking a yellow ball against a brick wall, 
Going to the old school and acting like a fool, 
Writing things everywhere 
And everyone really loves to stare 

Howling at the moon,
I’ll be there soon,
If I can find the time, 
And right now I feel fine,
Right now I feel fine


3) NEVER AGAIN (BR-7PI-22-00006)

"Never Again (Nunca de Novo), é uma música sobre uma amizade que não pode se repetir. A música é sobre isso. Algumas pessoas que conheci, no passado, e acho que não dá mais para ter amizade daquela forma. Algumas coisas ficam no passado, para sempre". 

I remember all those times again 
I remember the way it used to be again 
I remember how it used to be 
You really loved me, you really loved me 
But never again, never again, never again could it be like it was back then 

Somehow you cast your magic spell again 
Those times feel so real again 
I remember when it was just we two 
I really loved you, I really loved you 
But never again, never again, never again could it be like it was back then 

Never again, never again, 
Way back then, never again 

I remember how it used to be. You really loved me, really loved me 
But never again, never again, never again could it be like it was back then 
Never again, never again, way back then, never again


4) I’M A DOG (BR-7PI-22-00003)

"Essa música, I’m a Dog (Eu Sou um Cachorro), é inspirada daqui, dos cachorros de rua daqui. Escrevi esta música baseada nisso. Lá na Califórnia não tem cachorros andando na rua, esses bandos de cachorros. Mas aqui tem, e eu fiquei pensando sobre isso. Eu achei uma forma meio romântica… Que os cachorros que vivem na rua são livres, a vida deles… Ficam perambulando pela cidade. Eu escrevi essa música sobre eles. [risos]"

I’m a dog
Yea that’s right
Going through your trash
In the middle of the night

I go through what you 
Have thrown away
Roaming round at night 
And sleeping through the day 

Leave something nice for me 
When you throw it out 
Please think of me 

I survive in the streets 
And your trash is my treasure 
It’s everything to me
I was born out here 
Freedom is my pleasure 
Oh it’s everything to me 
To me 

I’m a dog 
Yea that’s right 
I wander through the streets 
Under the moonlight 

I feel the wind 
Blow through the trees at night
Every now and then
I get into a fight 

Leave something nice for me 
Before you throw it out 
Think of me 

I survive in the streets 
And your trash is my treasure 
It’s everything to me
I was born out here 
Freedom is my pleasure 
Oh it’s everything to me 
To me


5) WILD STRAWBERRY (BR-7PI-22-00004)

"Wild Strawberry (Morango Selvagem/silvestre) é sobre a minha filha e o que eu sinto por ela. Eu a chamo de “Morango Selvagem”. Esta música é sobre ela". 

I flew far from my home 
I left you all alone 
But I got your letter 
And it made me feel better 
I’m wasting my time 
Here slowly dying 
Wasting my time 
Over here slowly dying 

I got your letter 
I read the words you wrote to me 
And I cried 
Remembering how we used to be 
How we used to be

Ill come back for you 
And hold you close to me
Well be together 
My wild strawberry 

And I’ll never ever leave again 
To my dearest friend


6) WHERE DO YOU THINK YOU’RE GOING (BR-7PI-22-00005)

"Where do You Think You’re Going (Onde Você Acha que Vai), é sobre uma noite lá na Califórnia. Eu dei uma louca e falei para meu amigo que queria ir ao deserto, então fomos lá, pegamos o carro dele, só com dinheiro para o combustível, e levamos cachorro-quente [risos] e uma garrafa de Jack Daniel’s e fomos lá, no deserto de Joshua Tree, e ficamos lá à noite, dormimos no carro dele, e eu levei o violão e só ficamos lá no deserto por um dia, e depois ficamos fazendo trilha e bebendo whiskey, tentando escrever músicas… Foi legal, essa música é sobre isso. É sobre vida, eu acho… Onde você vai com a sua vida, memórias, essas coisas".

Yesterday 
I drove into the desert very far away 
For a change of scenery just to get away 
No money on me and a car my only place to stay 
Place to stay 

Late at night 
I slept inside my car under the desert lights 
The stars and moon the wind and dust 
Nothing else in sight 
Just desert me and a bottle of whiskey 
It’s all right 
It’s all right 

Hey now where do you think you’re going 
Hey now where do you think you’re going boy?
Hey now what’s the future holdin 
Hey now what’s the future holdin boy?

The sky was blue 
I awoke and the desert sun came shining through 
I had a million things that want to do 
Walk through the dirt with my guitar and write a song or two 

I could see
No matter how hard I tried nothing came to me 
No words, harmony and no kind of melody 
So I just wandered around the sands aimlessly 

I felt so low 
I came so far but now I did not know where to go 
I sat beneath a tree and felt the hot wind blow 
I guess I’ll think and I’ll drink till I go back home 
Go back home 

Hey boy what do you think you’re doing
Hey boy what do you think you’re doing now 
Hey boy where do you think you’re going
Hey boy where do you think you’re going now 
Going now 
Going now 
Going now


DIVULGAÇÃO






FICHA TÉCNICA

Memória Musical do Sudoeste da Bahia e Museu do Rock Conquistense apresentam: Toca Autoral!
Produção: Plácido Oliveira Mendes [http://linktr.ee/placidomendes]
Agradecimentos: Leonardo Gois e Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima
Gravado em 10 de outubro de 2022, na sala principal do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima. Vitória da Conquista, Bahia, Brasil.
Todas as músicas por Paul Bergeron
Publicação: 18 de abril de 2023


AGUARDE MAIS UM POUCO

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Joe Malfs, pseudônimo do cantor, compositor, pesquisador e produtor Plácido Mendes, mais conhecido por seu trabalho musical autoral "Distintivo Blue" (onde também utiliza o pseudônimo  "I. Malförea"), estreia seu novo projeto, Orgânico, na Sala Angelina Timóteo de Oliveira, executando a canção autoral "O Andarilho" no formato voz e violão. 

De forte carga emocional, a letra trata da dura realidade enfrentada pelos animais de rua, expressada no ano passado através do lyric video [ https://youtu.be/WZdng7ycI4U ] produzido em casa, com todos os instrumentos e o processo de gravação, mixagem, masterização e produção do fonograma e do vídeo executados pelo autor, contando com a colaboração de fãs, que enviaram vídeos de animais para integrarem a obra.  A pandemia forçou o artista a produzir suas próprias canções solitariamente, utilizando os recursos disponíveis. 

Neste novo vídeo, experimenta o formato minimalista, num cenário especial: a Sala Angelina Timóteo de Oliveira, batizada em homenagem à sua avó que, assim como centenas de idosos, sofreu com o isolamento causado pela pandemia iniciada em 2020 e faleceu em 5 de outubro de 2022. 

O Andarilho é o vídeo de estreia deste projeto há muito pensado pelo artista, que planeja desenvolver diversos conteúdos musicais no espaço, inclusive incluindo outros artistas locais.

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O vídeo foi gravado em 7 de agosto de 2021 para o I Edital de Premiação Arte e Cultura da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista-BA e, conforme as suas especificações, manteve-se à disposição para uso exclusivo pelo Poder Público pelo prazo de 1 ano após o recebimento da premiação.
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O ANDARILHO
(I. Malförea}

Noite escura
Vento e chuva
A rua sem ninguém

Não devia estar só
Mas podia ser pior
Esperar quem não vem

Todo um mundo girando
Falando, sorrindo, cantando
E ele sempre só

Já cansou de chorar
E é difícil sorrir
Desistiu de amar
É mais fácil fugir

Madrugada
Alvorada
Até o pôr-do-sol

Não devia estar só
Mas é até melhor
Depois do que passou

Todos passam olhando
Censurando ou ignorando
Mas sente, como nós

Não adianta chorar
Ninguém vai acudir
Não merece um olhar
Nem devia existir

Não tem alma
Nem vale nada
Consigo apenas dor

Não devia estar só
O mundo é bem melhor
Pra todos nasce o sol

Uma mão se estendendo
Um abraço apertado
Um sonho, ou algo assim

Eu te ouvi chorar
Então vim até aqui
Chega deste lugar
A dor chegou ao fim



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