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Elomar se apresentando durante o Especial de Natal 2024 da Brasil Paralelo. Foto: Produção Brasil Paralelo. o

Redação Brasil Paralelo

Elomar compôs “O Violeiro”, música que ficou famosa na voz de Elba Ramalho, esse foi um dos sucessos do artista que é um dos mais respeitados na MPB. Chamado de “príncipe da Caatinga” por Vinícius de Moraes, ele criou um estilo único ao misturar elementos do sertão nordestino com as canções medievais europeias. 

Durante sua carreira, tornou-se um menestrel errante, um termo usado na Europa medieval que indica um poeta que viaja de cidade em cidade levando a sua arte. 

Elomar levou suas canções a públicos diversos por todo o Brasil. Sua singularidade foi uma das fontes de inspiração de Caetano Veloso na composição de suas obras.

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Quem é o Elomar? Biografia do músico

Elomar Figueira Mello é um compositor que une as tradições do sertão nordestino à música erudita. Sua obra é um reflexo de suas experiências no sertão, onde absorveu influências como a cantoria e o repentismo, além de elementos urbanos e clássicos, como o flamenco e a ópera. 

Com formação em violão clássico e arquitetura, suas obras são conhecidas pela linguagem rica e complexa, utilizando dialetos regionais para expressar a cultura sertaneja e explorar o conceito de um "sertão profundo". 

Vivendo afastado da vida urbana, Elomar se dedica à criação de bodes e à composição, enquanto sua música continua a desafiar classificações tradicionais, navegando entre o popular e o erudito.

O nascimento

Elomar Figueira Mello nasceu em 21 de dezembro de 1937, na Fazenda Boa Vista, situada na Zona da Mata do Itambé, em meio às grandes secas cíclicas do sertão nordestino. 

Filho de Ernesto Santos Mello e Eurides Gusmão Figueira Mello, cresceu em uma família tradicional de fazendeiros. Devido à saúde frágil, sua família mudou-se para a cidade de Vitória da Conquista quando ele tinha três anos. 

A infância

Durante a infância, Elomar foi exposto à música dos menestréis errantes e também à música eclesiástica, que despertaram nele o desejo de aprender e compor suas próprias canções.

Aos sete anos, Elomar começou a aprender violão, apesar da resistência social e familiar, já que músicos eram considerados irresponsáveis. As suas primeiras composições surgiram quando tinha apenas onze anos. 

Mudou-se para Salvador, em 1954, para cursar o ensino científico, mas interrompeu os estudos para servir ao exército em sua terra natal. Durante esse período, teve contato com diversos estilos musicais, incluindo a música nacional urbana e o tango argentino.

A faculdade

Em 1959, Elomar iniciou sua carreira acadêmica em arquitetura, graduando-se em 1964. Ao concluir o curso, decidiu retornar ao sertão, onde se casou com Adalmária e teve três filhos: Rosa Duprado, João Ernesto e João Omar. 

A música

Apesar de trabalhar como arquiteto, sua verdadeira paixão sempre foi a música. Nos anos 70, começou a ganhar reconhecimento como compositor e intérprete, destacando-se pelo estilo único e pelas temáticas relacionadas às virtudes do homem sertanejo.

Elomar compôs uma vasta obra, incluindo óperas, antífonas e galopes, muitas vezes permeadas pelas vivências e dificuldades enfrentadas na aridez sertaneja. 

Durante sua carreira, tornou-se um menestrel errante, um termo usado na Europa medieval que indica um poeta que viaja de cidade em cidade levando a sua arte. Elomar levou suas canções a públicos diversos por todo o Brasil. 

Hoje, aos 86 anos, Elomar continua a compor intensamente, buscando concluir suas obras para que sejam apreciadas pelas futuras gerações, permanecendo fiel às suas raízes sertanejas e à sua formação clássica.

Elomar participa do Especial de Natal 2024 da Brasil Paralelo. Sua performance musical, de forma inédita, pode ser ouvida com uma gravação em alta definição. 

Apresentado por Lara Brenner e Luís Lacombe, o Especial de Natal 2024 vai ao ar no dia 17 de dezembro, às 20h. Gostaria de assistir gratuitamente? Clique no link abaixo:


As 10 principais obras de Elomar Figueira de Mello: O Violeiro, Arrumação, Retirada e mais…  

A música de Elomar é uma fusão única entre as tradições do sertão nordestino e a música erudita. Suas composições incorporam elementos de cantoria e repentismo, enriquecidos por influências do flamenco e da ópera. 

As obras de Elomar são conhecidas por sua complexidade e uso de dialetos regionais, refletindo a cultura sertaneja. Ele explora temas como a vida rural e o "sertão profundo", criando um diálogo inovador entre o popular e o erudito. 

A música de Elomar desafia classificações tradicionais, destacando-se pela riqueza cultural e pela profundidade estética. Conheça as 10 principais:

  • O Violeiro - Uma das canções mais emblemáticas, que captura a essência do sertão e da figura do violeiro.
  • Cantiga de Amigo - Destaca-se pela sua melodia suave e poética, evocando sentimentos de amizade e saudade.
  • Arrumação - Uma música que reflete sobre a organização da vida e do mundo, com uma letra rica em simbolismo.
  • Campo Branco - Conhecida por sua introspecção e pela forma como aborda a solidão e a vastidão do sertão.
  • Na Estrada das Areias de Ouro - Uma narrativa musical que transporta o ouvinte para as paisagens áridas e belas do sertão.
  • O Pedido - Uma canção que combina o lirismo e uma melodia envolvente, explorando temas de amor e desejo.
  • Curvas do Rio - Destaca-se pela sua complexidade melódica e pela forma como retrata a natureza e a vida ribeirinha.
  • Incelença - Uma música que evoca tradições antigas, com uma atmosfera quase mística.
  • Retirada - Reflete sobre a migração e as dificuldades enfrentadas pelos sertanejos, com uma melodia tocante.
  • Boi da Mão de Pau - Uma canção que mistura humor e crítica social, com uma narrativa envolvente.

Elomar Figueira de Mello na Brasil Paralelo

“Eu estava lá em casa e aí a minha produção falou ‘tem um convite para você, da Brasil Paralelo, para fazer um cântico de Natal’, no que eu respondi, ‘onde?’, e eles disseram: ‘São Paulo’”, contou Elomar enquanto a plateia do Especial ria da sua reação ao saber que queriam que ele saísse do seu interior para a maior metrópole do país. Ele continuou: “Lá naquele fim de mundo? Pegar avião, hotel, elevador e tudo…, mas vim, estou aqui com alegria, neste programa que celebra o nascimento do maior homem que veio à terra.”

De forma divertida e eloquente, Elomar seguiu conversando com a plateia após apresentar uma de suas músicas:

“Tem um pregador famoso, em que um primo meu mandou uma pregação dele linda. Ele começa assim: ‘estava eu em uma pregação em Brasília e citei o nome de Cristo. Uma estudante levantou da plateia e irritada perguntou quem seria esse mito. Esse mito, minha senhora? Esse mito dividiu o tempo. Bach compôs suas músicas para Ele.’ Jesus ressignificou símbolos, como a cruz, usada em tantos lugares hoje. Para mim, estar aqui hoje é uma alegria e cantar essa música que eu compus para Cristo.”

O relato dos presentes, sobre a performance de Elomar, era de muita emoção. A música popular brasileira trouxe um ar único para esse Especial de Natal 2024 que conseguiu unir o trabalho de Elomar ao da BP resgatando os bons sentimentos, ideias e valores no coração de todos os brasileiros.

Pela primeira vez, Elomar cedeu direito de imagem e vídeo e teve sua performance registrada em alta qualidade no Especial de Natal da Brasil Paralelo. Foto: Produção Brasil Paralelo.

Conheça todos os convidados do Especial de Natal 2024 da Brasil Paralelo

Pessoas de diferentes formações e com impressionantes biografias, se reunirão para refletir sobre o verdadeiro significado do Natal e contar experiências únicas que viveram ao longo de suas vidas. Conheça os convidados:  

  • Frei Gilson: sacerdote católico e cantor, ele lidera o movimento Som do Monte e usa as redes sociais para pregar a palavra de Cristo. Suas lives chegam a reunir milhares de pessoas na madrugada para rezar o rosário. 
  • Elomar: compositor, cantor, violinista e escritor, suas músicas já foram cantadas por nomes como Elba Ramalho e Raimundo Fagner. Elomar é um dos maiores nomes da música popular brasileira. Essa será a primeira vez que ele cedeu o seu direito de imagem e áudio. Você verá uma rara gravação em vídeo, com alta qualidade, da performance do artista.  
  • Victor Sales Pinheiro: doutor em Filosofia pela UERJ, ele é professor na Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Academia Atlântico. Pesquisa temas como crise na cultura e História da Filosofia. 
  • Laise Sales Pinheiro: graduada em Direito e doutora em História Social da Cultura pela PUC-RJ, ela possui seu foco de pesquisa em Teoria da História. 
  • Dr. Jorge Rodrigues: médico graduado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), ele estuda o processo de amadurecimento humano e ajuda seus pacientes a lidarem com as próprias emoções, vencendo a ansiedade, burnout e tendo bons relacionamentos. 
  • Rasta: João Nogueira trabalha na Brasil Paralelo apresentando o Rasta News. Comediante e músico, ele acredita que o Natal é o momento de maior alegria do ano e da vida. 
  • Larissa Menegatti: teóloga, professora de Teologia e mentora de mulheres. Durante sua carreira, ela abriu mão de uma bolsa de doutorado pleno na Pontifícia Universidade Lateranense de Roma para se dedicar ao nascimento do seu primeiro filho. Para ajudar mais mulheres em sua jornada de busca da verdade, ela criou a Formação IntusLegere. 
  • Raphael Tonon: graduado em Filosofia pela PUC de Campinas e graduado em História pelo Centro Universitário Claretiano, Tonon escreve e leciona sobre a História da Igreja, História do Brasil e Filosofia. Também é professor escolar para alunos do Ensino Fundamental e Médio. 
  • Roberto Mallet: ator, diretor de teatro e professor, desde 2015 ele desenvolve um trabalho na internet para ajudar as pessoas a se comunicarem melhor. Mallet interpreta um dos protagonistas do primeiro filme da Brasil Paralelo, Oficina do Diabo, que será lançado em janeiro de 2025. 
  • Michele Bonano: sócia e diretora de RH da Brasil Paralelo, ela é especializada em carreira e sucessão. Bonano possui MBA em gestão de pessoas e dedica a sua vida a entender qual a melhor forma de se relacionar com o próximo. 
  • Rogério Vilela: apresentador de um dos podcasts mais famosos do Brasil, o Inteligência ltda., ele também é comediante, ilustrador e roteirista. 
Apresentado por Lara Brenner e Luís Lacombe, o Especial de Natal 2024 vai ao ar no dia 17 de dezembro, às 20h. Caso você queira assistir gratuitamente e ver o que todos esses convidados têm a dizer, clique no link abaixo e cadastre-se gratuitamente:


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Publicado originalmente em 09/12/2024, em Brasil Paralelo.

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Quase 4 anos da última edição em 2019, comunicamos com alegria a volta das Guariba, um encontro de malungos na Casa dos Carneiros. Uma imersão no Sertão de Elomar. 🌵🐴🦙🎼🎻❤️

Também com alegria, convidamos você para o Lançamento das “Guariba 2024”, que acontecerá de forma remota, numa transmissão ao vivo, aqui pelo Instagram, com presença de Elomar. 🌵🎼🎻❤️

📌 Você que deseja viver essa imersão no Sertão Profundo, que deseja viver essa experiência, garanta a sua vaga, não deixe de participar.

📌 Além de explicar o termo “Guaribas”, divulgaremos tudo sobre esse encontro, o formato do evento, a programação, transporte, hospedagem, número de vagas e como participar.

📌 Envia esse convite para outros malungos.

📌 Aguardamos você!

📌 Serviço:
Live de lançamento das Guariba 2024.
Remotamente.
Dia: 23.07, terça-feira
Hora: 19h
Onde: Instagram no perfil @elomaroficial

🎼🐴🌵❤️🎻🦙

- Você sabia que as músicas de Elomar estão disponíveis em todas as plataformas digitais! Escolha a sua plataforma preferida e escute os álbuns deste nosso menestrel.

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#musicadeelomar #vitoriadaconquista

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Publicado originalmente em 21/07/2024, no Instagram.

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Apresentamos, eu e o amigo Paulo Macedo, no FENAVIOLA, Itapina ES. E foi tudo muito bonito. E foi tudo muito mágico e respeitoso como arte deve ser.

Acredito que consegui representar o que produzimos de música em Vitória da Conquista, desde sempre. E fomos dividindo fome e fartura, com o querido amigo educador músico de Cândido Sales, Ba., Jaivan Aciolli. A quem agradeço profundamente.

Ainda recebi o belíssimo presente confeccionado pelas crianças da escola municipal, também tão belo, tão mágico e tão respeitoso como arte deve ser.

Ainda toquei com o querido Zebeto Correia, a canção dele, também com essa amplitude e alcance das coisas belas da arte e do processo coletivo, do trabalho respeitado como deve ser.

Ainda fomos recebidos com um carinho e um cuidado próprios de pessoas que ainda querem ver isso tudo dar certo. E fomos tratados com a amplitude desse respeito, dessa magia, desse querer bem, a partir da irmandade proposta por Dimas Deptulsk, Marlene, Flávio e Adélia. Belíssimas pessoas que nos acolheram.

E ainda fomos tratados super bem e também com a dignidade e respeito pela querida D. Tânia e seu filho também músico, o Dr. Alexandre, sua esposa e filho.

Ainda encontramos pessoas colegas muito queridas desde sempre, daqui e de outros cantos do País.

Tudo isso é soma; tudo isso é ampliação; tudo isso é troca; tudo isso é vontade de fazer acontecer; tudo isso é muito trabalho e celebração da cultura.

Continuamos levando o nome da nossa Região a todos os cantos do Brasil.

Gratidão e muito respeito pela coragem e insistência dos trabalhadores e trabalhadoras da música brasileira independente.




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Publicado originalmente em 03/06/2024, no Instagram.

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Os cantadores Dirlêi Bonfim e Papalo Monteiro participam do programa "Tarde UESB" (UESB FM) em 19/04/2024.



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Com 18 canções inéditas, o compositor celebra 80 anos e apresenta uma obra-prima poética com participações especiais de Xangai, Ana Barroso, Borega, Ivan Sacerdote e mais


No último dia 14, data em que foi celebrado o Dia Municipal da Cultura em Vitória da Conquista, Guilherme Menezes brindou o público com o lançamento de seu mais recente álbum, intitulado "Palavra". Aos 80 anos de idade, Menezes demonstra uma vitalidade artística impressionante, apresentando 18 canções inéditas que revelam sua riqueza poética e seu talento.


O álbum "Palavra" marca um momento significativo na trajetória musical do compositor e destaca a importância de sua herança familiar na cena musical baiana. Com participações de músicos como Xangai, Ana Barroso, Guigga, Alisson Menezes, entre outros, Menezes traz à tona uma linha hereditária musical que perpassa gerações, desde a recuperação de versos de seu pai, Guilherme Rabelo, até a participação ativa de seus filhos, Gustavo Menezes e Guilherme Filho.

A obra foi considerada um verdadeiro primor, com arranjos e letras que tocam a alma dos ouvintes, como descreveu o jornalista Ernesto Marques: “quem começar a ouvir a primeira das 18 canções de ‘Palavra’, com certeza chegará à última alternando entre encantamento e perplexidade. Primeiro, porque é difícil para qualquer vivente com mínima sensibilidade, resistir aos versos do compositor quase desconhecido, convertidos em música para mais que simplesmente ouvir – Guilherme faz música para sentir. E, sim, perplexidade ao saber que o compositor em questão é um homem branco de 80 anos. Como e por que atravessou décadas sem nos oferecer a possibilidade de conhecer tanto talento?”, afirmou.

Além das participações especiais, o álbum conta com a colaboração de músicos de primeira linha do cenário artístico brasileiro, como os violonistas Borega e Tarcísio Santos e o clarinetista Ivan Sacerdote. Produzido por Nagib Barroso, "Palavra" promete ser reconhecido como um dos maiores lançamentos musicais baianos de 2024. 

Sobre Guilherme Menezes

Embora mais conhecido por sua trajetória na política, Guilherme Menezes revela-se também um notável músico e compositor. Sua influência em Vitória da Conquista é inegável, tendo sido prefeito da cidade por quatro vezes, deputado estadual e duas vezes deputado federal. 

Seus mandatos foram marcados pela promoção da cultura e pelo fortalecimento das políticas públicas, contribuindo significativamente para a estruturação do SUS e dos serviços de assistência social, especialmente durante os governos de Lula e Dilma. Em uma cidade com um viés cultural tão forte, berço de renomados artistas nacionais como Glauber Rocha e Elomar, o legado de Guilherme Menezes é reverenciado não apenas pela sua atuação política, mas também por sua contribuição à música. 

Guilherme Menezes também deixou sua marca como compositor e parceiro de Carlinhos Brown na música "A Bota", escolhida como uma das canções mais representativas do aniversário dos 50 anos dos blocos afro em Salvador.

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Publicado originalmente em 19/03/2024, em Conquista de Fato.

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"(...) na canção “Boi de ciranda”, de Geslaney Brito e Iara Assessú, se desconstrói essa pedagogia do medo e a racialização do "boi da cara preta" ao resinificar o boi como sendo um animal alegre e de diversas cores festivas que se assemelha as celebrações populares do “Bumba Meu Boi”." 
 
* Por Herberson Sonkha

Já faz algum tempo que tive uma conversa casual interessante com um modesto intelectual, dedicado educador de arte e um notável musicista conquistense Geslaney Brito sobre os rumos da política cultural do país com base no conceito de cultura de massa e massificação. Relembramos de algumas relevantes contribuições dos principais expoentes teóricos da primeira geração da Escola de Frankfurt, a exemplo dos filósofos e sociólogos Theodor Adorno, Max Horkheimer, Herbert Marcuse, Erich Fromm, Otto Kirchheimer, Friedrich Pollock e Leo Löwenthal.

Uma conversa que ocorreu no interregno do golpe de 2016, marcado pela ascensão golpista de frações da extrema-direita ao do governo municipal, cujo prefeito se tornara uma espécie de führer Baiano e seu governo um comitê fascista de apoio a ascensão ao governo federal do movimento pró-Bolsonaro. Nesse meio termo, a realização do Festival de Inferno e de algumas atividades do “Circuito Fora do Eixo” em nossa cidade. Foi exatamente a partir daquele momento que passei a observar esse movimento emergente com alguma expectativa, pois não passava de observação vagas de quem desconhecia (ainda considero desconhecer) a origem e a produção sociocultural do “Circuito Fora do Eixo”.

No que pese o acordo como frankfurtianos no sentido de que a cultura popular é uma expressão autêntica de fazimento de arte e cultura vinculadas às culturas tradicionais dos povos (africanos e originários), considerando nossa produção artístico cultural de caráter regional faço apenas uma ressalva à Escola de Frankfurt em relação ao “menor refinamento técnico e intelectual” que desde a década 80 já não fazia nenhum sentido para Vitória da Conquista e norte de Minas Gerais. E o faço em decorrência de se afirmar que essa produção é mais intuitiva como se a intuição fosse um “espirito” despojado da capacidade cognitiva de ler o mundo para a além da aparência e absolutamente alheia ao discernimento.

Conheço relativamente bem a produção artístico-cultural de Vitória da Conquista, localizada na região sudoeste e norte de Minas Gerais para considerá-la de “menor refinamento técnico e intelectual”. Basta analisar a produção regional, citando como exemplo o álbum “De tambores e sementes” de Geslaney Brito e Iara Assessú ou as obras regionalistas dos artistas plásticos Silvio Jesse e o itapetinguense radicado em Vitória da Conquista Romeu Ferreira.

Sobre o “Circuito Fora do Eixo”, sabe-se que é uma rede brasileira de coletivos culturais fora do eixo industrial Rio-São Paulo que emerge com muita força social em meados da primeira década do século XXI, precisamente em 2005. Meteoricamente, ascende a cena cultural brasileira em 2012 com fortes críticas aos padrões culturais industrializados brasileiros ou estrangeiros com mais duas centenas de espaços culturais distribuídos em todo o país. O saldo positivo é de 2.000 agentes culturais com parcerias indiretas com 2.800 pessoas espalhadas pelos 27 estados brasileiros e 15 países latino-americanos.

No bojo desse movimento, surgem comunidades com modus vivendi e vivencias alternativas de organização social, formando agentes que realizam intervenções na realidade social por meio de oferta de produção de cultura, rodas de conversas com debates abertos que vem contribuindo para alterações efetivas que constroem novas políticas públicas que vão da cobrança do acesso à educação de qualidade, pública, laica, gratuita, inclusiva e socialmente referenciada à democratização da mídia. 

É inevitável que se discuta a indústria e a circulação dessa produção cultural sem perder de vista a crítica frankfurtiana ao padrão de valor embutido no conceito de cultura musical denominado de “ecletismo” musical na sociedade contemporânea que menoscaba qualquer estrutura clássica ou popular na cultura para alavancar os indicadores de consumo apontado pelo mercado musical industrial. Mas, também altera a forma física tradicional do produto da indústria do disco, modificado radicalmente para adequar as plataformas digitais impulsionadas pela internet.

O disco tradicional se manteve por mais de um século desde a invenção do primeiro disco musical por Emil Berliner em 1888 ao criar o gramofone, uma experiência inovadora com um disco de zinco coberto por uma fina camada de cera denominado de 78 rotações (78 rpm, ou de disco de goma-laca). A substituição do mesmo ocorreria meio século depois com o aparecimento do novo disco de vinil em 21 de junho de 1948, mantendo as características físicas e alterando só o tipo de material utilizado.

A era do LP, do inglês Long Playing Record, idealizado pelo engenheiro Peter Carl Goldmark, então empregado da Columbia Records responsável pela aposentadoria dos glamorosos discos de 78 rpm, caracteriza a geração dos premiados álbuns, coletâneas memoráveis da indústria fonográfica que movimentou bilhões de dólares com a venda de discos de vinil (Long Play). Enquanto circulava entre as franjas da sociedade mais empobrecidas a fita cassete e o cartucho ou estéreo 8.

Veio a geração da tecnologia ótica com o laserdisc (LD) comercializado como MCA DiscoVision nos Estados Unidos a partir de 1978, seguido do disco óptico digital de multimídia o "Digital Video Disc" (DVD) em 1995. 2008, a era DVD aposentou totalmente o padrão Video Home System (VHS) destinado aos consumidores de gravações analógica em fitas de videoteipe pela Victor Company of Japan (JVC), rapidamente sai de circulação por causa da obsolescência do mercado de mídia física (DVDs e Blu-rays).

O mundo no final dos anos 90 começou a se desfazer de suas estruturas mercadológicas básicas, transformando o planeta cada vez mais em uma única aldeia mundial com a globalização, toda interconectada pela internet. Esse é o mundo desigual erguido pelo capitalismo, totalmente fluido. Isso tornou possível viralizar os serviços de streaming e download digital que fizeram despencar toda a ações de capitais de empresas capitalistas que comercializavam DVDs e Blu-rays controlado pelo imperialismo dos EUA e no Reino Unido.

Como diria Karl Marx e Frederick Engels no Manifesto do Partido Comunista em 1848, "tudo que é sólido se desmancha no ar" e o capitalismo subordinou todas as relações socioculturais a essas novas formas de produção e de mercado, cumprindo essa predição ao substituir as formas físicas solidas de armazenamento de áudios e vídeos em um gigantesco banco de dados virtuais, trafegando em tempo real de canto a canto do planeta. Esse é o serviço de streaming que transmite dados de áudio e vídeo pelo protocolo de dados em uma rede IP denominado de “Hypertext Transfer Protocol” - HTTP.

No final do século XX, a indústria musical clássica colapsara e uma reengenharia liberal alterou as empresas capitalistas e seus produtos, levando-os a sublimação dessas formas físicas, convertendo as suas mercadorias físicas em produtos digitais. Uma nova onda de consumo vem impulsionando a produção e a venda desses produtos com base na liquidez cultural, no qual se imputa um novo modelo de controle social mundial que omite singularidades culturais de caráter local/regional e universaliza aspectos imperialistas como sendo cultural local e regional.

Contudo, esse molde não acolhe valores socioculturais históricos de caráter popular e dimensão geopolítica latino-americana com recortes de classe, raça e gênero. Essa música universal, causa estranhamento a essas populações porque não lhes representam e, por isso, o modelo de controle social serve para anular o estranhamento e reprimir a resistência local, impondo a maioria dessas populações a aceitação via conformação.

Muitas pessoas buscam de qualquer jeito se encaixar nesse padrão sociocultural universal com a intenção de ser aceito, mesmo que essa produção artístico-cultural não diga absolutamente nada sobre a história do seu grupo social, sua trajetória de vida, sobre os preconceitos que atinge em cheio a sua condição de classe social, sua ancestralidade, sua religiosidade e sua orientação sexual, especialmente as suas expectativas afetivas e suas realizações sociais.

O que não significa que parcelas conscientes dessas populações aceitaram tranquilamente, sem refutar. Entre essas reações de resistência, cito movimento regional articulado por artistas que defendem essa produção local mesmo sendo uma produção underground. Essa produção foge dos padrões preestabelecidos considerados “normais” e aceitos pela sociedade.

Essa é a produção sociocultural que me interessa nessa discussão sobre música “fora do eixo”. Outro dia estava ouvindo minha playlist de Geslaney Brito e Iara Assessú pela plataforma de streaming musical Spotify e fiquei encasquetado com a beleza e a força da canção “Boi de Ciranda”. Passei a refletir criticamente sobre a relevância do papel da música regional na desconstrução de surpreendentes composições de cantigas populares politicamente incorretas da infância, a exemplo de “Atirei o pau no gato”, “Marcha soldado cabeça de papel”, “Samba Lelê tá doente”, “Pai Francisco entrou na roda”, “Cuca vai pegar” e, especialmente, a cantiga “Boi da Cara Preta”.  

Nascido num bairro pobre de Vitória da Conquista, vivi cercado de cantigas, folguedos e de “algemas” de “bicho papão”, ainda cuido de alguns desses gatilhos que trago de criança. Engatilhado, os traumas imediatamente me arremessaram à cantiga popular “Boi da cara preta” porque era uma das que aprendi a cantar na infância. A canção “Boi de Ciranda” me trouxe alegria e não deixei analisar que esse trauma se tratava de uma tentativa conflitante de estimular o aprendizado de encorajamento da criança, usando de hostilidade com a pretensão de acabar com o medo de careta. Essa é a pedagogia do medo, baseado no método violento de intimidação de criança como mecanismo de ensino-aprendizagem que impõe a vontade de alguém por meio da aversão. 

Não é tão somente uma tentativa errônea de transferir o medo da criança de careta para o “boi de cara preta”, mas de racialização ao transformar a cor preta do boi, associando a cor preta a algo terrivelmente ruim, no tipo especifico de animal que se deve temer. Observe que na canção “Boi de ciranda”, de Geslaney Brito e Iara Assessú, se desconstrói essa pedagogia do medo e a racialização do "boi da cara preta" ao resinificar se desconstrói essa pedagogia do medo e a racialização ao resinificar o boi como sendo um animal alegre e de diversas cores festivas que se assemelha as celebrações populares do “Bumba Meu Boi”.

“Boi de ciranda”, de Geslaney Brito e Iara Assessú, se desconstrói essa pedagogia do medo e a racialização do "boi da cara preta" ao resinificar

Segundo a jornalista Lorraine Vilela[1], em artigo publicado no site UOL (denominado de “Brasil Escola”) é um conto popular surgido na região Nordeste no século XVIII, no ciclo do gado que era de suma importância na economia local. Inspirando no conto “auto do boi” tornou-se uma tradição popular que sem manter por várias gerações.

O enredo relata o acontecimento de um casal de africano escravizados que viviam num casebre próximo a uma fazenda no sertão nordestino: “Mãe Catirina e Pai Francisco é um casal de escravizados que vive em uma fazenda no sertão. Grávida, Catirina sente o desejo de comer a língua do boi mais bonito do dono da fazenda. Para satisfazer o desejo de sua mulher, Pai Francisco rouba o boi preferido do dono da fazenda, mata o animal e retira a língua para que sua esposa possa comê-la”.

O vaqueiro toma conhecimento do roubo e da morte do boi e leva ao conhecimento do seu patrão que fica enfurecido e promete vingança e sai na busca do casal. Busca-se ajuda de orixás do panteão africano que ressuscita o boi e devolve ao dono da fazenda que decide dar uma grande festa. 

Geslaney Brito e Iara Assessú transformam o boi em um animal alegre e não violento com várias cores, brinca de ciranda com a criança e ensina como girar na dança. Na estrofe seguinte, o boi dar lugar ao Sol que acaricia todo tipo de flor que transforma a caatinga no adorno de fita para mostrar quem não é daqui como se traceja a cor do sol.  Depois a mão que toca o tambor, conecta o zelador e os filhos ao sagrado que dançam no ritmo da pulsação, tambor comunicador do terreiro com os orixás, caboclos e preto velhos.

Essas leituras subjetivas não são possíveis sem uma boa educação escolástica porque a arte é uma expressão cultural que educa. A pessoa que se entende como artística, no sentido mais estrito da palavra, possui um vasto conhecimento intuitivo e a imaginação fecunda que determina a qualidade da produção artística com base não apenas em sua sensibilidade.

Existe um intelecto por detrás dessa pessoa forjado com leituras, isso inclui também as várias dimensões do conhecimento racional e objetivo que torna a intuição e a subjetividade dessa pessoa artista muito mais robusta e enriquecida. Portanto, o artista é uma pessoa que está no mundo e sente os fenômenos, inclusive aquele que ainda não se mostrou, com tamanha intensidade e violência e decodifica o que está à sua volta com muito mais rapidez que algumas racionalidades.

Como isso aparece na composição poética e a força como tocará as pessoas vai depender da interação dessas pessoas no processo de formação cognitiva. Tanto para a pessoa que escreve/canta, quanto para a pessoa que ler/escuta. Esse processo educativo deve ser oferecido coletivamente pela educação formal escolástica tanto as pessoas como os artistas, sobretudo os artistas que captam determinados padrões sociais com rapidez e antecedência. 

Essa poética de Geslaney brito e Iara Assessú deve e pode ser apresentada e discutida amplamente na rede municipal de educação por duas razões: primeiro porque são trabalhadores da arte e segundo porque sua produção artística contribui para desconstrução de alienações ou violências verbais persentes no senso-comum. Assim como qualquer trabalhador vivente de sua profissão (ou pelo menos deveria), o artista não é diferente e não vive apenas de luz porque não realiza fotossíntese.

Por isso, a sua produção artística precisa garantir o seu bem-estar e de sua prole. Enfim, qualquer vivente nesse mundo precisa de alimento, beber, vestir, moradia, educação, saúde, de transporte, livros, teatro, cinema, museu e o lazer. Afinal, como disse Arnaldo Antunes da Banda oitentista Titãs, "A gente não quer só comida. A gente quer saída para qualquer parte...".

Uma cidade sem políticas públicas efetivas e emancipacionistas criam o abissal da ignorância humana e, como consequência, inexiste política pública de cultura que promova o resgate, a proteção e o fomento cultural. O que existe mesmo é a cultura de massa e movimento de massificação de cultura comercial sob a égide do império da mediocridade governado por outro tipo de “artista” de espantalho e fantoche.

É a própria imagem do arquétipo do artista pedinte com matulão com características de um sujeito cognitivamente malversado, que amarra a calça com imbira, segurando com a mão direita para cair e decapitou a mão esquerda com a lata de doce de banana, prostrado na porta de uma prefeitura esperando pela benevolência de um governo do escarnio ou da figura da prefeita que ao passar joga umas moedas como se fosse um conto de réis para aplacar o moral abatido e em estado periclitante. Isso não condiz com o papel vanguardista do artista.

Geslaney Brito e Iara Assessú estão em quase todas as plataformas de streaming musical mais populares do país. Óbvio que nem sempre se utiliza qualquer tipo de filtro com a finalidade de compreender a trajetória do artista porque ainda não tem essa opção nas plataformas. Por isso é questionável o critério adotado por esses cais tecnológicos musicais para propagar a música sem jogar todas as pessoas do mundo musical na mesma vala comum que demuda a identidade cultural individual e coletiva de todas as pessoas que compõem, arranjam, colocam melodia e cantam numa imensa geleia geral.

Tive o cuidado de verificar não intencionalmente o ranking desses artistas baseando em quantidades de acessos ou like feitos nesses aplicativos, mas observei que a Spotify, Apple Music, Amazon Music, YouTube Music e Deezer são as principais plataformas digitais de streaming musical mais acessadas em todo o planeta com 7,8 bilhões de pessoas. Apesar de ser um mercado digital relativamente novo no Brasil, é indispensável observar que todas elas são empresas de capital internacional com ampla difusão musical em escala global.

Tudo isso a um preço, óbvio para o capitalismo, pois, essas empresas cobram para hospedar em seus aplicativos toda (ou parcial) a obra musical e vende o acesso ao App para acessar toda essa produção que é oferecida 24 horas diárias por todos os dias para a superpopulação da comunidade global.

Estou integrante digital do grupo family no Spotify que tem quase tudo que ouço, sobretudo naquelas canções que me proporciona pertencimento regional com o que é disponibilizado na playlist de músicos conquistenses de amplitude nacional e internacional. Especialmente a antologia musical das duas pessoas de Vitória da Conquista compilada na obra memorável do musicista Geslaney Brito e da musicista Iara Assessú. Mas, pode-se encontrá-los também nas outras plataformas digitais da Apple Music, YouTube Music e Deezer, exceto a Amazon Music.

No que pese a importância da amplitude dessas difusões musicais que ajudam a pagar as contas desses artistas ao propagar a produção dessas genialidades artístico-culturais, não se pode negar aquilo que o sociólogo polonês Zygmunt Bauman vem dizendo sobre a fluidez da modernidade líquida.

Bauman é categórico ao fazer a crítica a “geleia geral” da qual compartilho, como sendo particularidade inevitável de liquidez e a volatilidade como característica predominante que desorganiza todas as dimensões da vida social, sobretudo o amor, a cultura, o trabalho e outras esfera da vida social não menos importantes que referência a gente como sujeito daquela localidade.

Como disse no início do texto, recorro sempre a rica produção musical organizada numa playlist desse dueto conquistense, mas diz muito pouco ou quase nada sobre a vida desses artistas, nomeadamente do compositor, violonista e arte-educador conquistense graduado em Geografia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), especialista em Direitos Humanos e Contemporaneidade pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) com pós-graduação em Educação Musical pela Faculdade Venda Nova do Imigrante (FAVENI) e Ensino de Artes pela mesma faculdade.

Recentemente recebi em meu WhatsApp (um privilégio que muito me honra) uma mensagem do poeta Geslaney Brito com um link de sua entrevista concedido ao site “Ritmo Melodia”, uma revista eletrônica que se propõe promover bons musicistas mundialmente. Li a entrevista e a considero muito forte de modo que a torna interessante, pois a entrevista não fala apenas sobre repertório musical, canções autorais e parcerias, mas da panorâmica artístico-cultural colorida de constrições poéticas solidas e musicalidades atravessadas de imagens coloridas, repletas de significado regional e do país.

Não se espera outra coisa de um intelecto de artista genial que debruça sobre as categorias geográficas senão colher algumas pétalas coloridas no florejar da poesia, calcadas em elementos conceituais gerais que comparecem para demonstrar as diferentes relações que podemos ser estabelecidas entre ideias ou fatos sociais que constroem a poética do espaço-tempo desse poeta de seu povo conquistense, baiano, brasileiro.

As canções de Geslaney Brito e Iara Assessú compõe a perspectiva crítica do espaço-tempo geográfico que traduz a relação entre o humano e a natureza com abordagens histórica das andanças dessas pessoas sobre as paisagens, território, região e o seu lugar. Isso reflete essas andanças por festivais cantando a boa música que embala o Brasil, impelido pela genialidade do instrumentista que tece o mais perfeito arranjo para a poética que transforma seu dueto no canto considerado por críticos a melhor música não apenas no Nordeste, mas também para o sudestino.

Um bom artista, não menos importe que o geógrafo, jamais negligenciaria o berço de nascimento, habitat de sua ancestralidade africana e de povos originários que bebe da fonte de uma boa ciranda e do folguedo, pois a tradição ancestral aguça a percepção desses artistas. Aliás, não amealham as percepções de culturas afrodescendentes e de povos originários nas relações musicais (urbana e camponesa) porque heranças pulsam nas veias poéticas desses conquistenses. 

Esse período durante o qual algo se elabora, antes de assumir existência musical efetiva, tem como fonte movimento musicais estruturantes da cultura (Tropicália, Clube da Esquina, Bossa Nova), a escuta afinada recebe influência também da produção alternativa de caráter regionalista, uma espécie de underground. Como dizia o filosofo grego Aristóteles, “Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Por isso, a excelência não é um ato, mas sim um habito”, Geslaney Brito vocaliza saberes científicos e populares e aperfeiçoa movimentos e o habito da pesquisa não o tornou apenas um educador musical, mas o levou a perfeição musical.

Sem bairrismo musical acerca do regionalismo, o artista conhece a música brasileira e latino-americana que brota do berço ancestral de matriz africana e de povos originários. Por isso, sempre esteve atento as múltiplas produções musicais intrínsecas de cada regionalismo desse país, além da vivencia com a produção do Sudoeste da Bahia e do Norte de Minas Gerais.


[1] CAMPOS, Lorraine Vilela. "Bumba meu boi"; Brasil Escola.


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Publicado originalmente em 07/08/2023, em Blog do Sonkha.
Geslaney Brito e Iara Assessú, artistas do interior da Bahia, da cidade de Vitória da Conquista, Sudoeste baiano.

Propõem no repertório musical, além das canções autorais, as parcerias que retratam o colorido que já existe na música que pensam como diversa. Música brasileira e universal, cheia de imagens tanto do lugar que moram como dos lugares que passaram.

Participaram de alguns Festivais de Música pelo Brasil, com premiações diversas, que foram desde melhor instrumentista (Violão Geslaney Brito), melhor arranjo, melhor música em pódios também diversos. Destaque para participação nos últimos festivais das cidades de Ibotirama, Ba., Bertópolis, MG, Ilha Solteira, SP., Avaré, SP., Três Pontas, MG, Paracatú, MG.

As cirandas, os folgues e demais tradições habitam em suas percepções. Bem como as relações das músicas urbanas e rurais, particulares e ao mesmo tempo, interdependentes, sinestésicas, convergentes com a musicalidade brasileira. Estas, contribuíram para suas produções solo ou em parceria. Exemplo da coprodução e participação em dois CDs e várias apresentações em shows, através de projetos idealizados por Geslaney Brito e Iara Assessú.

Marcam suas composições a africanidade, muito bem evidenciada na composição intitulada Mucunã. Mas também o universo brincante situado em Boi de Ciranda. Ambas, articuladas por vertentes rítmicas do Candomblé, do Bumba-meu-boi, do Maracatú, do Baião. O CD gerado por essas convergências, intitulado De Tambores e Sementes, foi premiado pelo edital Calendário das Artes no ano de 2011, pela Fundação Cultural do Estado da Bahia.

Geslaney Brito continua a trabalhar com música, compondo, estudando e ministrando aulas no Conservatório de Música Municipal de Vitória da Conquista, Bahia.

Além de atuar ainda como compositor e intérprete em muitos festivais de música pelo Brasil adentro. Oxalá também, pelos países da América e demais continentes.

Além de artistas, atuam também na arte-educação, no caso de Geslaney Brito e na advocacia, Iara Assessú. Ambos, servidores públicos municipais.

Segue abaixo a entrevista com Geslaney Brito para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 02.08.2023: 


01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Geslaney Brito: Nasci no dia 15 de março de 1967, em Vitória da Conquista, sudoeste da Bahia. 

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Geslaney Brito: É difícil precisar. Minha família não tem músicos. Ouvia música cristã, canto coral da igreja, cantigas infantis, cirandas… Somente a partir dos 14/15 anos é que comecei prestar atenção na Música Popular Brasileira e em movimentos culturais como Tropicália, Clube da Esquina, Bossa Nova. Mas sobretudo, me chamou a atenção a produção musical dos artistas independentes, dos que são classificados como regionais.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Geslaney Brito: Foram cursos técnicos de música e participações em diversos minicursos e oficinas, até o contato com o curso livre de extensão promovido pela Universidade Federal da Bahia, onde tive a oportunidade de aproximar com temas relacionados à arte-educação. De lá pra cá, não parei de pesquisar sobre música, nos aspectos de educação.

Sou graduado em Geografia (licenciatura plena), especialista em Direitos Humanos e Contemporaneidade, especialista em Educação Musical, também especialista em Arte e Educação.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Geslaney Brito: Música brasileira e latino-americana – com todas as maravilhosas características das ancestralidades das matrizes africanas e indígenas. Sobretudo as que apresentam características próprias de cada Região, como as que tive contato aqui no Sudoeste baiano e Norte de Minas Gerais.

Mas as expressões de outras regiões, de outros Estados me chamam a atenção e recebem meu respeito profundo também. Acredito que todas as manifestações são importantes em suas particularidades e nenhuma delas deixaram de habitar meu inconsciente, minhas afetividades. 

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Geslaney Brito: Minha irmã mais velha, Lucyene (Cene) me presenteou com um violãozinho que o marido (Nilson – in memoriam) recebeu em dívida de um amigo. Violão da marca Tonante com braço empenado, cordas de aço. Foi em uma cidade baiana, beira-rio São Francisco, chamada Carinhanha.

A minha irmã me matriculou em um curso gratuito, oferecido pela paróquia local. A professora (que me perdoe não lembrar o nome da professora, qual agradeço todos os momentos quando eu pego no violão, mesmo que a dislexia não me deixe recordar o seu nome) passou com toda didática própria de grandes educadores (as), algumas cifras e algumas fórmulas para tocar Samba, Valsa, Guarânia, Canção. Na guarânia aplicou logo a música Para Não Dizer que Não Falei das Flores do Geraldo Vandré. Além de Manga Rosa do Alceu Valença e Trem das Onze do Adoniram Barbosa.

Como eu estava na cidade somente passando as férias, tive somente quatro aulas. De volta à Vitória da Conquista – BA, tive acesso a pequenos cursos e trocas de informações, revistas de cifras. Minha sorte é que na década de 80/90, tínhamos muita MPB para enriquecer nossos ouvidos e aprendizados: Milton Nascimento, Djavan, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Lulu Santos… além dos Festivais de Música que nos presentearam com expressões que até então eu não tinha ouvido, como Amelinha, Lucinha Lins, Eduardo Duzeck, Raimundo Sodré, Grupo Tarancón…

Daí para ouvir Elomar Figueira, Xangai, Geraldo Azevedo, entre outros tantos e chegar até o Dércio Marques, com a característica de música mais próxima das nossas realidades, ao mesmo tempo, músicas atemporais e universais, foi um pulo. Um excelente pulo, eu diria. 

06) RM: Quantos CDs lançados?

Geslaney Brito: Lancei dois álbuns. Ambos, artesanais, caseiros. O primeiro “Toré”, que contou com a participação de Iara Assessú, Gutemberg Vieira, Paulo Macedo, Andreia Sanches, Elder Oliveira, Júnior Damaceno (in memoriam), Alane Alves. E o segundo álbum “De Tambores e Sementes”, premiado no Edital da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (SECULT e FUNCEB), chamado Calendário das Artes, em 2011. Contou com a participação de Iara Assessú, Gutemberg Vieira, Achiles Neto – Guigga, Tereza Raquel, Pablo Pereira, Braguinha, Andreia Sanches, Date Sena, Diro Oliveira, Thomaz Oliveira.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Geslaney Brito: Sinceramente eu não saberia dizer. Sempre indico como música brasileira e aplico o termo Regional, por identificar como música do interior baiano. Mas não me prendo a rótulos. Cumpre destacar também que penso esse termo “estilo” como serventia da Indústria Fonográfica para reduzir à mercadoria, as categorias diversas da música brasileira. 

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Geslaney Brito: Muito pouco, infelizmente. 

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Geslaney Brito: Eu classificaria esse estudo como vital; de extrema importância. Infelizmente não tínhamos esse tipo de informação no início dos trabalhos com a música. Ou se tínhamos, não dávamos a devida importância.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Geslaney Brito: Pra mais de um milhão (risos). Desde Bidú Sião, passando por Marinês, Dalva de Oliveira, Zizi Possi, Amelinha, Mônica Salmasso, Mercedes Sosa, Cássia Eller, Marina, Gal Costa, Sueli Costa, Elis Regina, Clara Nunes, Maria Rita, Alcione… Sá, Guarabira, Kleiton, Kledir, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Caetano Velosos, Juraildes da Cruz, Paulinho Pedra Azul, Miltinho Edilberto, Dércio Marques, Lulu Santos, Djavan, Luiz Melodia. 

Além das pessoas artistas que tive o prazer de conhecer recentemente no grupo de WhatsApp Uma Terra Só, são inúmeras e cada uma com suas particularidades maravilhosas de composição, de interpretação, suas manifestações artísticas e criatividades. Sem falar nas pessoas com quem convivo, trabalho e encontro pelos festivais de música, Brasil adentro. Os festivais de música são dignos de pesquisas e teses. 

11) RM: Como é seu processo de compor?

Geslaney Brito: Muito variado. Por vezes, componho letra e música de uma vez só. Simplesmente vem saindo. Via de regra, por estar atrelado a algum tema que martela no período em que tento compor. Algumas vezes, vem o texto primeiro, a poesia.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Geslaney Brito: Iara Assessú, Gutemberg Vieira, Paulo Macedo, Dorinho Chaves e ultimamente musiquei um texto de uma querida amiga poeta, Elta Mineiro, da cidade de Ibotirama, Bahia.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Geslaney Brito: Até então só vivenciei os “contras”. Um dos fatores que é bem contra o desenvolvimento, está atrelado à falta de informação. Outro fator é o medo de sair da cidade, da zona de conforto. Não são todos que trazem a coragem de buscar trabalhos em outras cidades, em outros Estados. 

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Geslaney Brito: Como não tive informações suficientes para implementação e manutenção de carreira, sempre tive outras atividades laborais para sobreviver. Em função disso, mantive a projeção artística de forma bem limitada. 

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Geslaney Brito: Como apontei acima, não tive tanta informação sobre estratégias de ação e empreendedorismo. Mas a perspectiva cooperativa sempre me atraiu. Em toda atividade que presume coletividade, faço questão de participar. Além disso, tenho meus arquivos de contatos sempre ativos e atualizados. Mantenho a agenda dos festivais (concursos) de música sempre em mãos e faço questão de me associar às plataformas que ajudam com a manutenção dos trabalhos independentes.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Geslaney Brito: A internet ajuda mais do que atrapalha. Após ter conhecido formas de difusão dos trabalhos independentes, em plataformas, na maioria gratuitas, minhas composições estão sendo ouvidas no Brasil, na América e em outros Continentes. Consigo trabalhar em quase todas ações em relação à música, pela net. Desde a organização das pastas com as músicas, cifras, partituras, áudios, letras, vídeos até processos de inscrição em plataformas e eventos culturais. Enfim, a net só aponta na direção de implementar e dinamizar as atividades relacionadas ao trabalho em arte. 

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Geslaney Brito: De quando conheci e tive acesso ao home estúdio, nunca vi nada que oferecesse desvantagem. Tudo é acessível. Desde equipamento até tutoriais de mixagem e masterização. Claro que a qualidade prescinde de custo também. Mas o benefício supera o custo em muitos aspectos. Mas deixo claro que uma gravação em um bom estúdio físico, com profissionais competentes, direção de estúdio etc, supera em muito as gravações caseiras. 

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Geslaney Brito: Vejo o disco como um cartão de visita e ao mesmo tempo um objeto de arte que todos deveriam ter em casa. Mas os custos do processo de prensagens, considerando todo aparato de produção de imagens, inserção de gráficos, ajustes, arte-finalização, até o produto final, para artistas independentes estão ainda muito altos.

Outro aspecto é que a saída do produto das prateleiras (que já não existem mais no formato físico, não existe mais a comercialização em lojas físicas), é mínima. Repito que para artistas que não transitam pela grande mídia, não há como investir em um produto que não há muita procura. As plataformas de streaming são as saídas mais democráticas. Algumas mais democráticas que outras, ressalto.

19) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileiro. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Geslaney Brito: É uma questão digna de tese de doutorado. Acredito que a música, ela caminha, ela sobrevive, mesmo sob o fogo cerrado promovido pela indústria fonográfica. Mesmo sob as limitações de criatividade que os meios de comunicação promovem. E nem se trata da expressão “ressignificação”, por essa se tratar de uma relação de troca e de implementação que ocorre nas manifestações culturais, de forma bem natural.

A indústria está forçando a barra na produção de nomes e expressões, que promovem uma sistemática perda nos processos identitários. Desde aplicação de termos dos mais variados possíveis e impossíveis de se entender em expressões artísticas que não vinculam a qualquer povo ou lugar, ou ainda, que não nascem de povo ou de lugar nenhum, que não, dos laboratórios das fábricas de mercadoria de circulação rápida. Esquecimento rápido também.

Mas como afirmei antes, há no Brasil uma música persistente sendo produzida de forma independente das engrenagens da grande mídia. E é música que consegue transitar pelo globo terrestre (também por intermédio da infonet), sem que a mídia saiba.

Ao mesmo tempo, sem que o povo saiba. Ou seja, a grande maioria acaba por não acessar aos produtos musicais que são gestados fora dos meios de comunicação vinculados ao aparato consumista.

Mas a música, repito, consegue se manter em atividade. E a cooperação e colaboração, atrelado às emissoras independentes na maioria e às plataformas dispostas na internet ajudam com a manutenção e difusão dessa música que está sendo produzida desde sempre.

20) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Geslaney Brito: Os festivais de músicas, caracterizados por encontros sempre muito agradáveis, brincalhões, mas, de concorrências também. Por vezes éramos “presenteados” com operadores de som que não aceitavam esse ou aquele periférico, por achar que não cabia no evento. Uma vez, um operador de som contestou o meu pedal para violão. Um equalizer. Justificando que os outros concorrentes não usaram. Portanto eu não usaria também.

Outra vez, quando apresentei em dupla com um grande amigo e parceiro de composições, também em um festival, o operador de som perguntou quem era a “primeira voz” da dupla. Por mais que explicasse que tinha momentos em que eu cantava em solo e momentos que o colega cantava em solo, mais os momentos em que as vozes se encontravam, o moço não entendia, porque achava que tinha que ter um “primeiro artista” da dupla. Pensei em mil formas de explicar pra ele que não era aquela a configuração da apresentação, exemplifiquei com Sá & Guarabira e não teve jeito.

São várias as ocasiões inusitadas que causavam desconforto. Mas os benefícios sempre forma maiores que os custos. (risos).

21) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Geslaney Brito: O que mais me deixa feliz é o próprio contato com a arte e com pessoas belíssimas, gestos belíssimos, eventos inesquecíveis. O trabalho como arte-educador sempre me deixou muito feliz e com ar de contemplação. Sobretudo quando vejo resultados maravilhosos, a exemplo de estudantes que se tornam colegas professores ou artistas. 

22) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Geslaney Brito: Penso que existe o dom de estudar, de insistir, de buscar. 

23) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Geslaney Brito: Sempre achei que improviso é fruto de muito estudo. 

24) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Geslaney Brito: Acredito que o músico que improvisa, o faz com a segurança de conhecer os caminhos a serem passados. Há também um elemento que considero crucial para o improviso. A sensibilidade, a poesia da entrega, o saber quando e como aplicar determinadas técnicas previamente estudadas, a vontade de experimentar na medida certa. 

25) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Geslaney Brito: Não os acessei. 

26) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical? 

Geslaney Brito: Só há benefícios. Sobretudo quando vêm acompanhados de instrução em aula, seja presencial, seja on-line. 

27) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios? 

Geslaney Brito: Nas rádios convencionais, dificilmente minhas músicas tocarão sem pagar o jabá. 

28) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Geslaney Brito: Estudos, organização, muito trabalho, vivências, escolhas do próprio caminho, respeito ao trabalho, a si e ao outro. 

29) RM: Festival de Música revela novos talentos?

Geslaney Brito: Não só revela como transforma. Mas deixo claro que não são todos os festivais de música que traduzem a perspectiva de revelar novos talentos. 

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Geslaney Brito: Como afirmei antes, a grande mídia poderia ser um caminho democrático e um elemento de afirmação do pluralismo, além de apontar na direção da celebração cultural nacional. Mas é só mais um braço do consumismo e das relações de poder, além de ser extremamente excludente. 

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Geslaney Brito: Eu posso dizer que figuram como espaços que deveriam ter em todos os setores e em todas as cidades.  Pois traduzem exatamente o que penso ser como elementos de sustentação e fomento à cultura. Acredito que quanto mais espaços como esses, tanto mais possibilidades de agregar mais ações, eventos, manifestações, expressões artísticas. 

32) RM: Quais os seus projetos futuros?

Geslaney Brito: Por enquanto estou em processo de composição das canções para mais um CD a ser lançado somente em plataformas, por ser mais próximo ao que posso custear. 

33) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs? 

Geslaney Brito: (77) 9 8802.6430 | geslaney@gmail.com







Antonio Carlos da Fonseca Barbosa
Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.


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Publicado originalmente em 02/08/2023, em Ritmo Melodia.

BIOGRAFIA

Cantora e compositora conquistense e compõe desde os 12 anos de idade. Durante a pandemia decidiu lançar seu primeiro single nas plataformas digitais, Barcoeu chegou por lá em 2021, gravado no seu home studio e totalmente independente, o single foi destaque no Caderno 2 do Jornal A Tarde, um dos principais jornais da Bahia. Além de entrevistas na TV e rádio UESB e rádio UP, tendo sua música tocada em ambas. Rádios locais mais escutadas na cidade de Vitória da Conquista -BA. 

Como artista independente sempre recorreu aos pequenos editais de cultura e eventos da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista e foi contemplada em alguns como o Natal da Cidade (2010, 2012, 2015); Beco do Samba (2010, 2011 e 2012), Tom da Terça (2011 e 2012) e outros. 

Participou de diversos saraus e recitais promovidos pelo Conservatório Municipal e foi finalista do Festival de Música da UESB (2011), tendo ficado em quarto lugar naquele ano. Durante 2010 a 2013 se apresentou diversas vezes no Teatro Municipal Carlos Jeovah com shows autorais e de interpretações. 

Em 2016, tocou no Fanfolia em Jequié-BA e dividiu o palco com o consagrado Armandinho Macêdo. Morou na Irlanda por 1 ano e meio, e participou do Music Matters, tendo se apresentado no Teatro Axis Ballymun, em Dublin. Morou em Salvador por 6 anos para fazer Mestrado e Doutorado na UFBA, estudou Tom Zé e os Malditos da MPB, além de participar de saraus na Casa da Mãe, Porto dos livros e Casa da Felicidade. 

Em 2019, promoveu junto com Teu Soares, o Sarau Baianos de Dois com canções autorais e interpretações. Em 2021, promoveu em Conquista o show ÍRIS, totalmente autoral, com Marcos Marinho, Yuri Sanxes e Teu Soares. 

Em 2022, tocou na Noite Fora do Eixo do Coletivo Suíça Bahiana dividindo o palco com o artista capixaba André Prando. Além de participações no Sarau Multiverso e shows em bares da cidade como Bestes Bier, Lar Doce Bar e Cactus Pub em Vitória da Conquista. 

Em 2023, lançará o EP “Bahia Interior” e vem divulgando suas músicas em festivais de música, sendo semifinalista do Festival Ouro MPB, do Recife, com a música Barcoeu.
 
A música brasileira sempre foi seu esteio e por isso surgiu “Bahia Interior”, que será lançado no final de maio. O projeto será composto por um EP com 5 canções, 2 clipes e shows de lançamento que trazem as suas raízes conquistenses e influências soteropolitanas. O cancioneiro popular de Vitória da Conquista, as serestas do quintal de casa, os sambas dos anos 30 e 40, a bossa nova, a tropicália e a música nacional e internacional dos anos 70 e 80 compõem o seu universo musical.  “Bahia Interior” é a realização de um sonho, um disco autoral e independente que rememora as suas raízes e que traz as influências dos tambores afrobaianos. Influência advinda de 6 anos morando na cidade de Salvador. 

Uma mistura de interior e capital, uma música que surge de um interior que é da alma e que também é geográfico, temporal e potente. Vitória da Conquista é um celeiro de artistas e essa cultura precisa ser valorizada, “Bahia Interior” nasce disso e vem para isso. Mas vem também para cantar as Bahias que habitam em nós, a Bahia do litoral ao sertão, a Bahia miscigenada e específica, a Bahia de A a Z, a Bahia dos compositores conquistenses e soteropolitanos, pois no palco, “Bahia Interior” trará canções autorais de Larissa e de compositores conquistenses como Geslaney Brito e Iara Assessú, Guigga e Marcos Marinho (Caim), Dinho Oliveira, Gutemberg Vieira, porém, também trará a Salvador de Gerônimo e das cantigas da umbanda e do candomblé.

“Bahia Interior” é um projeto que visa mostrar a Bahia conquistense e soteropolitana e como elas se misturam entre o cancioneiro dos cantadores e poetas do sertão e os tambores que ecoam pela cidade de Salvador. 

(Texto fornecido pela artista, adaptado.)


DISCOGRAFIA

Âmago (2013) - álbum
Simulacro (2015) – EP 
Barcoeu (2021) – single


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Última atualização: 18/05/2023.

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