jornalismo, cultura e literatura a serviço da produção conquistense
Fundada em 12 de setembro de 2013, a Mega Rádio VCA é uma plataforma de comunicação digital sediada em Vitória da Conquista, Bahia. Além da cobertura jornalística diária, a Mega Rádio VCA desenvolveu um consistente núcleo de jornalismo cultural, reunindo colunas, programas e podcasts dedicados à divulgação de escritores, livros, eventos literários e manifestações artísticas, tais como: Enlivre-se, Correspondência Literária, Entrelinhas, Conquista Literária e Mega Conversa. Por meio dessas iniciativas, a emissora tornou-se um dos principais espaços de difusão da literatura produzida em Vitória da Conquista e no sudoeste baiano, aproximando autores, leitores, pesquisadores e agentes culturais e contribuindo para o fortalecimento da identidade literária da região.
Idealizada inicialmente como uma rádio web, a emissora iniciou suas atividades com uma estrutura composta por dois estúdios — um destinado às gravações e outro às transmissões ao vivo —, redação jornalística e um portal de notícias voltado à cobertura dos principais acontecimentos de Vitória da Conquista e da região Sudoeste da Bahia. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como um moderno sistema de comunicação via internet, integrando rádio digital, portal de notícias e produção de conteúdo multimídia para plataformas como YouTube, Instagram e Facebook. Sua linha editorial pauta-se pelo compromisso com a informação responsável, o interesse público e a valorização da cultura, destacando-se especialmente pela promoção da literatura, das artes e da produção intelectual regional.
Corpo diretivo e editorial
O núcleo jornalístico da Mega Rádio VCA é coordenado por profissionais responsáveis pela produção editorial, cobertura informativa e desenvolvimento dos projetos especiais da emissora.
Compõem esse corpo editorial:
- Marcos Primo – Diretor de Jornalismo.
- Júnior Patente – Coordenador de Jornalismo.
- Ane Caroline Sousa Xavier – Coordenadora de Jornalismo, jornalista, escritora e graduanda em Jornalismo pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), responsável pela concepção e coordenação dos principais projetos literários da emissora.
O núcleo literário
A Mega Rádio VCA desenvolve um conjunto de colunas, programas e podcasts dedicados à literatura, funcionando como um importante espaço de divulgação da produção editorial baiana e, especialmente, dos escritores de Vitória da Conquista e região.
Em Livre-se
Apresentado por Bianca Silva, o podcast Em Livre-se amplia a presença da literatura na programação da Mega Rádio VCA ao reunir entrevistas, indicações de leitura e debates sobre a produção literária contemporânea. Entre seus episódios destacam-se as entrevistas com Caio Aguiar Sirino, autor da saga poética Uma Coisa Chamada Eu, e Nélio Silzantov, que abordou sua trajetória como escritor, a publicação de suas obras, o projeto Foro Literário Sertão da Ressaca, os desafios da literatura independente e as iniciativas voltadas à formação de leitores em Vitória da Conquista.
Entre Linhas
Criada em abril de 2024, a coluna Entre Linhas é assinada por Ane Xavier e constitui um espaço permanente de reflexão sobre literatura, leitura, comunicação e cultura. Em formato de artigo de opinião e ensaio, a coluna estabelece conexões entre os livros e o cotidiano, discutindo o papel da leitura em uma sociedade marcada pelo excesso de informação e pelas mídias digitais. Entre os temas recorrentes estão a leitura lenta e contemplativa, o prazer de formar bibliotecas pessoais, o mercado editorial, a crítica literária e a valorização da produção regional.
Correspondência Literária
Criado em maio de 2025, o podcast Correspondência Literária constitui uma das principais iniciativas da Mega Rádio VCA voltadas à difusão da literatura. Apresentado por Ane Xavier, o programa recebe escritores, pesquisadores e artistas para conversas sobre criação literária, memória, processos criativos, mercado editorial e produção cultural. Ao privilegiar autores baianos e independentes, o podcast tornou-se um espaço de documentação da literatura contemporânea produzida no interior da Bahia. Entre os episódios publicados destacam-se:
- Luis Altério fala sobre o livro E e outras ficções.
- Lucas Novaes fala sobre A morte do beberrão e outras histórias
- Caio Aguiar Sirino aborda relações entre literatura e sociedade
- Nadja Leite detalha processo de transformar luto em literatura com Cartas de Amor para Minha Vó
- Ybeane Moreira: “A poesia é cura e resistência” — fala sobre o livro Café das Três e reflete sobre o tempo e a escrita.
- Noi Soul detalha processo criativo, maternidade e missão poética
- Paulo Medrado fala sobre escrita, memória e o processo criativo
- Laís Sousa fala sobre os En(quadros) da sua escrita.
- Duda Nazaré fala sobre o lançamento de Contos de Maria Neta e Maria Vó.
Mega Conversa
Mega Conversa é um programa diário da Mega Rádio VCA que trata sobre os mais diversos temas em pauta de segunda a sexta-feira. Desde o seu primeiro epsódio, em 16 de jul. de 2023, foram mais de 200 conversas, entre as quais se destacam:
#14 – Ester Figueiredo fala sobre a Fligê, 8/8/2023
#30 – Bianca Silva fala sobre a 4º temporada do Enlivre-se, 21/09/2023
#38 – Durval Menezes, 7/11/2023
#39 – Elton Becker fala sobre a FliConquista , 10/11/2023
#44 – Raquel Dantas, A Conquista do Rock, 12/01/2024
#50 – Laís Sousa, lançamento do livro (Em)quadros: experiências de morar só, 06/03/2024
#58 – Natanael Oliveira do Carmos, lançamento do livro A era do Engano, 11/04/2024
#60 – Suzala Reis, 23/04/2024
#62 – Fernanda de Moraes, Flávia Assunção e Juliana Brito, Encontro com Escritores, 29/04/2024
#64 – Helder Silva, Sarau Somos Vozes, 10/05/2024
#70 – Charles Carvalho, Batalha de Rimas Revolusom, 12/06/2024
#79 – Juliana Brito fala sobre Biblioteca Donaraça, 30/07/2024
#81 – Aílton Dias, fala sobre o dia do Poeta da Literatura de Cordel, 1/08/2024
#86 – Edson Prado, lançamento do livro A urbanização do amor, 08/08/2024
#87 – Laiz Golçalves, Biblioteca Comunitária Kilombeco, 09/08/2024
#88 – Mickelle Xavier, Biblioteca Comunitária Miro Cairo, 12/08/2024
#96 – Fernanda de Moraes, lançamento do livro Quintal de Casa: Memórias, 05/09/2024
#97 – Micael Aquilah, 30/09/2024
#102 – Lucas Novaes, lançamento do livro A morte do Beberrão e Outras.. 08/10/2024
#109 – Ana Luz e Ybeane Moreira falam sobre o IX Encontro de Escritores, 05/02/2025
#116 – noi soul, Fernanda Quadros, Ybeane Moreira e Nádja Leite falam sobre o sarau Elas In Versos, 18/02/2025
#122 – Heliel Pessoa, lançamento do livro O Diário de Hass, 24/02/2025
#124 – Pawlo Cidade, 27/02/2025
#129 – Manuella Cajaíba fala sobre o 1º Feirão de Livros da UESB, 10/03/2025
#133 – Cristina Leilane Fernandes, lançamento do livro Agulha de Marear, 20/03/2025
#136 – Ana Luz, lançamento do livro As abelhas sabem que horas são, 31/03/2025
#150 – Luis Altério, 09/05/2025
#168 – Jorge Augusto fala sobre Modernismo Negro e o Prêmio Jabuti, 27/08/2025
#170 – Paulo de Tarso, lançamento do livro, 02/09/2025
#172 – Valdeique Oliveira, lançamento do livro Corpo Poético, 10/09/2025
#173 – noi soul, lançamento do livro Antologia Palavrilhas, 26/09/2025
#183 – Lucas Novaes, lançamento do livro O Diálogo dos sussurros, 29/10/2025
#195 – Paulo Dagomé, lançamento do livro A poética do abismo, 05/02/2025
#198 – Ana Isabel, lançamento do livro Tempo de Intensa Credulidade, 25/02/2025
Conquista Literária
O projeto Conquista Literária constitui uma iniciativa permanente de mapeamento e valorização da produção bibliográfica de Vitória da Conquista e região. Desenvolvido em formato de reportagens especiais, entrevistas e conteúdos multimídia, busca catalogar escritores, divulgar lançamentos e aproximar o público dos principais eventos literários do sudoeste baiano. Produzido por Danilo Souza, com edição de áudio de Pablo Hernandez e direção-geral de Fábio Agra, o projeto estreou entrevistando o escritor Nélio Silzantov, semifinalista do Prêmio Jabuti de 2023, em uma conversa sobre sua trajetória, o mercado editorial independente e o Foro Literário Sertão da Ressaca. Além da divulgação de autores, o projeto acompanha eventos como a Fligê – Feira Literária de Mucugê, feiras do livro, clubes de leitura, antologias e outras iniciativas voltadas ao fortalecimento da literatura regional.
Relevância cultural
Ao integrar jornalismo, crítica literária, entrevistas, podcasts e reportagens especiais, a Mega Rádio VCA consolidou um dos mais importantes núcleos de jornalismo cultural do sudoeste baiano. Seus programas e colunas não apenas divulgam escritores e obras, mas documentam a produção intelectual da região, estimulam a formação de leitores e contribuem para a preservação da memória literária de Vitória da Conquista, desempenhando papel relevante na construção e fortalecimento do ecossistema cultural do município.
Fonte:
ENLIVRE-SE. Canal no YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/@Enlivrese. Acesso em: 6 jul. 2026.
MEGA RÁDIO VCA. Mega Rádio VCA. Vitória da Conquista, [2013]–. Disponível em: https://megaradiovca.com.br/. Acesso em: 6 jul. 2026.
MEGA RÁDIO VCA. Mega Conversa [podcast]. Vitória da Conquista: Mega Rádio VCA, [2024?]–. Disponível em: https://open.spotify.com/show/0rFnsIaYRrrCVWTTUj9b7y. Acesso em: 6 jul. 2026.
XAVIER, Ane Caroline Sousa. Correspondência Literária. Spotify. Vitória da Conquista, 2025–. Disponível em: https://open.spotify.com/show/1lh4PLRyu2FLJVye8z0dhn. Acesso em: 6 jul. 2026.
Publicado originalmente em 07/2026, em Foro Literário Sertão da Ressaca.
Por que publicamos conteúdo já publicado em outros sites?
“Alguns desses lançamentos são como velhos e verdadeiros amigos, daqueles que podem até sumir de vez em quando, mas quando reaparecem é como se nada houvesse mudado. O mesmo nível de intimidade e afeto continua intacto.”

O músico, pesquisador e historiador Plácido Oliveira. Foto: Arquivo pessoal
“Escolher cinco álbuns essenciais não é tarefa simples para quem respira música há mais de quatro décadas…”, foi o que disse o pesquisador e historiador Plácido Oliveira, responsável pelo projeto Memória Musical do Sudoeste da Bahia, site que documenta cada passo do que acontece no cenário local de Vitória da Conquista, ao ser convidado para participar do “O que cresci ouvindo”. De fato, para um apaixonado por música e que vê discos como amigos, pode não ser tão fácil. Mas ele aceitou a tarefa.
Sua lista traz nomes do rock brasileiro e internacional, além de Robert Johnson, uma grande referência para Plácido, que também é músico na banda Distintivo Blue, e o conterrâneo Elomar, um conquistense que furou a bolha e teve canções gravadas por Fagner e Elba Ramalho, por exemplo. “Alguns desses lançamentos são como velhos e verdadeiros amigos, daqueles que podem até sumir de vez em quando, mas quando reaparecem é como se nada houvesse mudado. O mesmo nível de intimidade e afeto continua intacto”, reforça o pesquisador.
Em maio, Plácido participou do quadro “Dentro da Cena” e contou mais detalhes sobre os seus projetos de pesquisador e músico em uma conversa com Danilo Souza. Na ocasião, ele já havia falado sobre parte das suas referências musicais. “Eu me interessava por músicas que eram da época da minha mãe ou da época da minha avó. Comecei com Guns n’Roses, Dire Straits, que até hoje é uma das bandas que eu mais gosto e que eu mais admiro dos anos 80, Legião Urbana, Raul Seixas, eu fui pegando as influências desse pessoal”, relembra.
Leia a seguir a lista dos cinco discos que mudaram a vida de Plácido Oliveira.
Dire Straits – On Every Street (1991)
Sexto e último álbum da discografia do Dire Straits, o disco “On Every Street” chegou ao público em 9 de setembro de 1991, seis anos após o aclamado “Brothers In Arms”. Para Plácido, apesar do “On Every Street” não ter tanto sucesso comercial quanto o seu antecessor, é um disco “ainda mais maduro, como um bom whisky escocês. Simplesmente brilhante”.
“Mark Knopfler é um dos artistas mais coerentes que conheço. Sua música sempre me transmitiu a união perfeita entre competência, criatividade e elegância, sem excessos ou faltas. On Every Street, último álbum de estúdio do Dire Straits, impecavelmente gravado, mixado e masterizado, encerrou com maestria o ciclo iniciado na década de 70 (simultaneamente à explosão punk, contrariando a hostilidade da época reservada aos “guitar heroes”), sinalizando o que viria dali em diante, em sua carreira solo, igualmente brilhante. Sem dúvida é o meu guitarrista favorito e um grande exemplo de alguém que soube, seguindo os passos de Dylan, utilizar uma voz aparentemente sem grandes recursos a seu favor, imprimindo tamanha personalidade a ponto de ser impossível imaginar outra pessoa ao microfone. Este não foi um álbum tão conhecido quanto seu antecessor, Brothers in Arms (1985), mas considero tão rico quanto, e ainda mais maduro, como um bom whisky escocês. Simplesmente brilhante.”
Pink Floyd – The Dark Side of The Moon (1973)
“Sempre que escuto descubro ou sinto algo novo”, relatou Plácido sobre a obra-prima do Pink Floyd, que também apareceu na lista dos cinco discos favoritos de Danilo Souza. O pesquisador admite que, apesar de escolhido o “The Dark Side of The Moon”, gosta de escutar os álbuns da considerada fase de ouro da banda – que para ele começa no “Meddle”, de 1971 e vai até o “Animals”, de 1977, deixando de fora o “The Wall”, de 1979, o favorito do baixista e letrista Roger Waters.
“O grande clássico dos álbuns conceituais é repleto de camadas escondidas. Sempre que escuto descubro ou sinto algo novo. Reflete um momento extremamente criativo da banda, e ainda não contaminado pelos pesados conflitos internos. Também é bem interessante conferir as inúmeras releituras do álbum por outros artistas, em gêneros como o reggae, chiptunes e até mesmo guitarrada paraense, além das versões ao vivo (eles quase sempre executavam o álbum inteiro em seus shows) e a mais recente, pelo próprio Roger Waters, de sonoridade bem diferente e recheada de seus discursos. Também gosto de escutar, na sequência, o Meddle (1971), o The Dark Side of The Moon (1973), o Wish You Were Here (1975) e o Animals (1977) como capítulos de um único livro, dada a perfeição com que se conectam, contando a história da banda e os temas escolhidos para abordarem musicalmente. Vale, ainda, escutar em sincronia com ‘O Mágico de Oz’ (‘The Dark Side of the Rainbow’), ler os livros e assistir aos documentários sobre esta obra-prima. É uma fonte inesgotável de inspiração.”
Robert Johnson – The Complete Recordings (1990)
Cercado pela lenda de que “vendeu a alma ao diabo” para ficar famoso, Robert Johnson é um dos mestres do Blues. Entre novembro de 1936 e junho de 1937, o músico gravou 41 faixas que posteriormente foram agrupadas na compilação “The Complete Recordings”, lançada somente em 1990.
“Se você quer conhecer a verdadeira alma do blues é neste álbum que a encontrará, em todos os sentidos: a figura mítica que supostamente vendeu sua alma para aprender a tocar e encontrou seu fim de forma trágica pouco tempo depois, o violão tão bem tocado a ponto de soar como dois instrumentos simultaneamente, a configuração harmônica que se tornou o padrão do gênero em todo o mundo e as letras profundas e perigosas como o próprio Rio Mississippi. Tudo isso gravado em cinco sessões, entre 1936 e 1937, uma delas em um quarto de hotel adaptado como estúdio, faz a perfeita conexão entre o blues rural acústico primitivo com o futuro elétrico e urbano que seria encabeçado por Muddy Waters, anos depois. Assim como não existe forró sem a influência de Luiz Gonzaga, não existe, por conta destas faixas, blues posterior ou qualquer rock sem alguma dose de Robert Johnson.”
Raul Seixas – Gita (1974)
Segundo disco da carreira solo de Raul Seixas, “Gita” consolidou o cantor baiano entre os artistas de sucesso no Brasil dos anos 70. Sucessor do “Krig-ha, bandolo!”, o LP tem como destaque a parceria entre Raul e o escritor Paulo Coelho, que já existia no Krig-ha e que ficou ainda mais assertiva. No disco, estão faixas como “Sociedade Alternativa” – que chamou atenção dos militares e foi usada como um “motivo” para a prisão e a tortura de Paulo, a própria faixa-título, uma das cem maiores canções da história da música brasileira, de acordo com a Revista Rolling Stone, e “Medo da Chuva”.
“Meu ídolo musical máximo ‘ainda hoje me comove’. Raulzito não era apenas um exímio letrista, mas um grande e visionário produtor, capaz de inserir, em seus álbuns, mensagens altamente profundas, envoltas em arranjos perfeitos, executados por grandes músicos. Escutamos, em uma só faixa, os instrumentos típicos do rock n’ roll, do baião, além de naipes de sopro, cordas, harpas, pianos, elaborados trabalhos de backing vocals e tudo o mais. Assim como com o Pink Floyd, gosto de escutar, como se fossem uma obra única, o Krig-ha, Bandolo! (1973), Gita (1974) e o Novo Aeon (1975), sendo difícil decidir qual ‘capítulo’ seria o mais inspirado. Aqui temos o auge da parceria entre o ícone maior do rock brasileiro e seu principal parceiro, Paulo Coelho, responsável por tornar o ‘raulseixismo’ uma espécie de religião não-oficial, viva até hoje. Raul conseguiu, ao mesmo tempo, se tornar Bob Dylan, Elvis Presley e John Lennon, suas grandes referências, em um lugar e momento histórico particularmente perigosos para pessoas tão abertamente transgressoras, revelando também o alto nível de coragem que carregava em nome do que acreditava. Raul não apenas fazia rock n’ roll: ele É o próprio rock n’ roll.”
Elomar – … Das Barrancas do Rio Gavião (1972)
Álbum de estreia de Elomar, “... Das Barrancas do Rio Gavião” foi lançado quando o artista já tinha os seus trinta e poucos anos e foi na contra-mão de outros artistas baianos relacionados ao Tropicalismo, como Caetano Veloso – que admitiu, em 2009, no Jornal A Tarde, ter escrito a faixa “Beleza Pura” ao se inspirar na canção “O Violeiro”, de Elomar. O disco é sobre a simplicidade, o sertão e as suas figuras, a exemplo do jagunço e do vaqueiro.
“O álbum de estreia do nosso ilustre conterrâneo Elomar foi o responsável por mudar toda história e identidade musical da região: sua figura carregada de misticismo tornou-se um personagem que desperta admiração e a curiosidade de muitos mundo afora. A partir deste trabalho a musicalidade do sudoeste baiano passou a tomar uma forma típica e ‘exportável’, criando uma verdadeira escola estética tão rica quanto dual: ao mesmo tempo em que mantém vivas as temáticas do povo simples da zona rural, remonta a cenários da Europa medieval com surpreendente naturalidade, utiliza instrumentos sinfônicos e adquire um caráter consideravelmente elitista. Elomar é o ‘caatingueiro erudito’, revelando um sertão distinto do cantado por Luiz Gonzaga, evidenciando nunca ter existido um só nordeste, ao contrário do que costuma simplificar o eixo Rio-São Paulo, onde se desenvolveu o mercado fonográfico e midiático brasileiro. Elomar é o líder incontestável de uma corrente musical formada por inúmeros grandes músicos, a começar pelo também icônico Xangai. Este foi o álbum que me apresentou ao seu universo. Considero como um dos mais representativos da nossa identidade cultural. Audição obrigatória para todos os interessados em música-arte, para muito além da música-produto.”
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| Plácido Oliveira no estúdio da Mega. Foto: Danilo Souza |
Danilo Souza
Um dos principais pesquisadores e historiadores da música em Vitória da Conquista, Plácido Oliveira documenta as obras dos artistas do passado e do presente em seu projeto “Memória Musical do Sudoeste da Bahia”, além de também continuar na ativa como músico no Distintivo Blue. Com anos de dedicação na área, chegando a escrever uma dissertação de mestrado sobre a cena Rock no município, ele tem muita história para contar.
Nessa entrevista, Danilo Souza e Plácido conversam sobre o que é ser artista em uma cidade do interior, como Vitória da Conquista, e as dificuldades enfrentadas para documentar o trabalho de bandas locais.
O Dentro da Cena é produzido e apresentado por Danilo Souza, com apoio e publicação da Mega Rádio
Danilo: Plácido, quando surgiu o seu interesse pela música?
Plácido: Bom, como artista, acho que sempre teve comigo. Quando eu era criança, eu era mais ligado na arte das histórias em quadrinhos, tanto que meu primeiro emprego foi como roteirista de histórias em quadrinhos freelancer na Mauricio de Sousa Produções. Quando eu fui chegando ao final da adolescência, eu tive contato com o pessoal da cena rock daqui de Conquista. Eu estudava ali no Paulo VI, conheci o pessoal e aí meio que “troquei de arte”, comecei a me interessar pelos bastidores da música e nos ensaios das bandas. E aí eu percebi que eu também poderia cantar.
Eu comecei a fazer parte da banda TomaRock, depois eu fui pra uma banda chamada The New Old Jam e em 2009 eu fiz a Distintivo Blue, que já é essencialmente autoral e voltada pro blues.
Danilo: Quais influências formam sua visão sobre música e cultura?
Plácido: A maioria dos blueseiros brasileiros tem primeiro um contato com o rock clássico dos anos 60 e 70, como Led Zeppelin e Deep Purple, que era o estilo da TomaRock e da The New Old Jam. Eu fui me interessando mais por música mais velha do que pelas músicas de momento, sempre tive essa sensação quando era adolescente, que todo mundo buscava as músicas do momento e eu não.
Eu me interessava por músicas que eram da época da minha mãe ou da época da minha avó.Comecei com Guns n’Roses, Dire Straits, que até hoje é uma das bandas que eu mais gosto e que eu mais admiro dos anos 80, Legião Urbana, Raul Seixas, eu fui pegando as influências desse pessoal. Aí cada vez mais para trás, Muddy Waters, Rolling Stones também, até chegar em Robert Johnson, por exemplo, de 1927.
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| O músico e historiador Plácido Oliveira. Foto: Plácido Oliveira |
Danilo: Você se lembra do momento em que percebeu que queria dedicar parte da sua vida a preservar a memória musical da região?
Plácido: Bom, eu acho que isso tem origem no meu interesse por bastidores, eu sempre gostei de entender os bastidores das coisas, então eu gostava muito de ouvir música de videogame. Eu gravava as trilhas sonoras do Street Fighter II, do Sonic, de várias coisas, e ouvia. Eu gostava de ter essa sensação de que eu tenho acesso a algo dos bastidores e geralmente a pessoa tá jogando ali e nem presta atenção na música.
Em 2001 eu fiz o vestibular para História na UESB, foi o primeiro vestibular que eu fiz, eu consegui passar e comecei a cursar. Coincidentemente, nessa época que eu estava começando a ter acesso com a cena rock e ter acesso aos bastidores das bandas. E nessa época a sensação que a gente tinha é que algo muito grande e inédito tava acontecendo, porque nós tivemos movimentações de rock em Conquista desde os anos 80 ou até antes, mas aquela sensação de cena, de movimento de todo mundo, todos por todos, isso aí me deu a clara sensação de que eu tava vivendo alguma coisa interessante.
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| A primeira edição da BLUEZinada!, um dos projetos de Plácido, em 2011. Foto: Plácido Oliveira |
Plácido: Qualquer manifestação artística, porque é a memória musical do sudoeste da Bahia, memória musical, ou seja, relacionada à música, não necessariamente de música em si. Então não é só o músico e nem só o músico do sudoeste da Bahia, às vezes é um músico de fora que tá passando por aqui e dá uma entrevista. Tá valendo!
É uma coisa muito ampla, tem a ver com música e é associada a nossa região. Então se você está aprendendo a tocar violão, compôs sua primeira música, tá naquela fase de ainda não ter coragem de mostrar pra ninguém, você também é bem vindo. Se quiser mandar seu release, tá lá, é só entrar em contato, as portas estão sempre abertas, escancaradas. Se você gosta de escrever sobre música, a gente tem a fanzine, que é um dos principais subprojetos. Quer escrever um texto para ser publicado na próxima edição? Manda, se couber no formato, a gente faz. Se não couber, a gente bota no site.
Danilo: Como você vê a relação entre música e mercado? O Sudoeste baiano é devidamente reconhecido no cenário estadual e/ou nacional?
Plácido: A questão é que quando se fala em mercado musical, é um mundo completamente diferente. Elomar veio de uma época lá no final da década de 70, numa época em que para você ouvir alguém na rádio, necessariamente essa pessoa passou por uma gravadora e teve toda aquela questão de empresa com o artista e tal. A gravadora era quem decidia o que você ouvia, você não tinha muita liberdade. Esse era o mundo de Elomar. Então, uma gravadora, a Kuarup, chegou e viu que ele era um grande artista, investiu, gravou o LP, distribuiu e ele é mundialmente famoso por isso.
A Dona Iracema já tá num mundo completamente diferente. Esse podcast vai tocar no mesmo Spotify que o Led Zeppelin toca, a gente não teve que pagar R$1 milhão pra poder estar nessa mesma plataforma. Então a gente tá muito no nicho da música, do rock independente… Dona Iracema é grande, mas no mainstream ninguém sabe quem é, assim como no mainstream, hoje em dia, pouca gente sabe quem é Elomar. Hoje, a gravadora já não tem mais tanto poder, o poder da gravadora hoje em dia, basicamente, é grana para investir em divulgação.
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| Plácido Oliveira em uma apresentação da sua banda, a Distintivo Blue. Foto: Emerson Marvin |
Danilo: Como a tecnologia tem ajudado – ou dificultado – esse processo de arquivamento e divulgação da música local?
Plácido: Para mim não faz muita diferença, porque quando eu comecei já era a internet já tava caminhando a passos largos. Tudo bem, eu tinha mais material físico para poder ir numa banca de revista, pegar uma revista e tal, mas não tinha tanto livro, por exemplo, como hoje. Quando eu fiz meu TCC de História sobre Luiz Gonzaga, eu tenho lá uns dez livros sobre Luiz Gonzaga, mas quando eu comecei não tinha.
Hoje você tem muita informação, às vezes até atrapalha. Você pode ter também o banco de Teses da CAPES para pegar todas as dissertações de mestrado, teses de doutorado sobre o tema que você quiser e fazer sua pesquisa, isso é bom, mas também deixa você meio pirado. Se você não tiver método, você não sai do lugar. Eu mesmo já passei por isso aí de falar assim “velho, eu não tenho capacidade de ler tudo até eu chegar aos 90 anos de idade, então eu tenho que filtrar”. Você tem muita coisa de tudo, mas você tem que ter foco e método de pesquisa.
Danilo: O que você sente ao ajudar outros artistas da cidade a terem o seu trabalho publicado nas plataformas, como o Spotify, através do Toca Autoral!, subprojeto de Memória Musical do Sudoeste da Bahia?
Plácido: Toca Autoral é em alusão ao Toca Raul, né, que eu considero como se fosse um símbolo da música cover, então é uma forma de contrariar mesmo esse conceito para valorizar mais o trabalho autoral. Aí eu gravo seis músicas deles em áudio e vídeo e faço pequenas entrevistas para falarem da própria história e explicarem cada uma das músicas. A pessoa tem que ser do Sudoeste da Bahia ou estar morando no sudoeste da Bahia. Tanto que o primeiro participante do toca autoral foi Paulo Bergeron, que é de Los Angeles, mas escolheu morar aqui com a família dele. E eu lembro do primeiro teaser do Toca Autoral era assim: “Artistas da região, nativos ou não”.
Eles [os artistas que participaram do Toca Autoral] cumpriram todos os pré-requisitos, a seleção é rígida mesmo, porque ela subentende que você quer levar a sua carreira a sério, você tem que realmente levar a sério. Teve projetos que se inscreveram para tocar, que eu até conheci e falei “pô, esse cara é um baita de um músico, tem umas músicas legais”, mas aí o cara não se dá o trabalho de escrever um release.
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| Da esq. para dir.: Naúfrago Urbano, Paul Bergeron, Weldon França, participantes da primeira temporada do Toca Autoral!, e Plácido Oliveira. Foto: Plácido Oliveira. |
Danilo: Se você tivesse que resumir em uma frase o seu trabalho de preservar a memória musical de Vitória da Conquista, o que diria?
Plácido: Preservar a música local é necessário, em todos os sentidos da palavra, e demorou. É isso, é necessário e demorou.
Publicado originalmente em 31/05/2025, em Mega Rádio VCA.
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Publicado originalmente em 13/09/2024, em Mega Rádio VCA.
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| Nem Tosco Todo, da Cama de Jornal, durante apresentação no festival Point do Rock, em Vitória da Conquista. Foto: Caique Santos |
Hoje é dia de rock, bebê! A data 13 de julho, comemorada em todo mundo, foi escolhida em homenagem ao concerto Live Aid, que reuniu diversos artistas do gênero musical, em 1985, para levantar fundos e combater a fome na Etiópia, país do continente africano. Mas não é preciso ir tão longe, já que Vitória da Conquista é palco para que muitas bandas vivam o bom e velho Rock n’ Roll. Acompanhe a seguir uma seleção de grupos que têm o seu nome marcado no Rock conquistense.
Cama de Jornal
Outra Conduta
Ladrões de Vinil
Publicado originalmente em 13/07/2024, em Mega Rádio VCA.
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A ideia que movimentou uma região
Homenagens
Agosto de Rock 2024
Publicado originalmente em 17/06/2024, em Mega Rádio VCA.







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