Entre um show e outro, no bar ou no camarim, saca só o que alguns artistas falaram:
1 – Você se considera a rock girl do momento?
Não sei se é isso não (risos). Mas eu acho é que gosto mesmo de chamar atenção. E que falem mal de mim, mas que falem! E se falarem bem, melhor ainda (mais risos).
2- Você pareceu sentir o show neh...
Eu adorei ter tocado aqui. Achei todo mundo muito atencioso. E Vitória da Conquista precisa muito mais de shows assim, que valorizem os artistas e não seja só o lance de dinheiro na frente.
ARLINDO POLVINTHAE
1- Você parece sempre mostrar com o reggae, uma energia a mais. Que simbologia é essa?
Tudo o que acontece no meu trabalho e na minha música é natural. Eu nem sei como explicar como eu consigo captar isso. Tem música que só depois que eu estou cantando é que eu vou perceber a essência.
2- Você acredita que isso vai além da matéria?
Eu acredito que sim. Já aconteceu que eu estava num momento que não tinha nada a ver e eu parei tudo e corri pra colocar em prática a letra, a música, tudo.
3- Você acredita que num evento com multivertentes, como este, as pessoas conseguem assimilar o trabalho que você faz?
Não vou dizer que é 100%. Tem uns mais sensíveis e outros que só vêm curtir a pegada do reggae, do rock, ou de outro som, de um modo geral. Se quatro ou cinco saíram com aquela mensagem, pra mim já é interessante. A gente vai semeando devagarzinho.
BRUNO CAIRES, DA PAPOOCALADO
1- A PapooCalado tem um mix de sonoridades. De onde surgiu isso?
Há bastante tempo que eu tinha idéia com essa coisa da fusão, que é uma influência das bandas de rock dos anos 90, que mesclavam outros estilos com o rock´n´roll. Nós somos muito ecléticos. A gente mistura disco, samba rock, salsa, pra tentar buscar uma sonoridade própria. A intenção é um caldeirão pra chegar num máximo de denominador comum, como dizia Raul Seixas.
2- O que vocês sentiram depois do show num Festival com estas propostas de várias vertentes?
Estávamos apreensivos porque a gente já tocou em outras oportunidades, mas não pra o público do rock´n´roll. Foi um pouco diferente, mas acho que o pessoal gostou e isso é o que importa, é por aí mesmo.
3- Vocês são considerados os queridinhos do mundo fashion. Vocês são ligados em moda?
A gente se preocupa com a música, mas já que você falou em moda, a gente está lançando uma grife que tem o nome da banda, pra gente poder usar, pras os nossos amigos, pras pessoas que curtem um estilo diferente. Vamos usar a imagem de pessoas que foram reprimidas de alguma maneira, como Che Guevara, Raul Seixas, Bob Marley, e todas elas vão estar com uma tarja na boca.
MARTA MORENO, DA MPBLUES
1- Você se considera musa?
Eu nunca acho. A gente tem um trabalho que precisa ser melhorado a cada dia e essa coisa de musa fica com cara de convencimento, neh? Mas também é importante ser uma cantora onde as pessoas te observam, gostam e vêem uma qualidade no seu trabalho. Isso é muito legal.
2- É tipo assim: quem ama Marta Moreno e quem odeia Marta Moreno. Você liga pra isso?
Eu não ligo não. É sempre assim (risos). Como diz o ditado antigo: se nem Jesus agradou a todos, porque eu vou agradar? Eu não me importo, pra mim já basta quem me ama.
3- Depois de toda a trajetória musical, você está satisfeita com o que você faz ou você quer mais?
Estou super satisfeita, mas eu estou voltando com um trabalho que eu fiz, que, na verdade, a MPBlues nasceu deste trabalho com música popular brasileira, junto com Mano de Souza. É um trabalho onde eu e Mano tocamos muito samba, bossa, pop, tudo muito pra cima.
THOMAZ OLIVEIRA, BATERISTA DA THE NEW OLD JAM
Encaro com muita felicidade, mas é uma banda que só está começando.
2 – A gente chegou à seguinte conclusão: a galera jovem precisa de informação musical e vocês trouxeram isso. De onde surgiu essa idéia de só trabalhar esse tipo de som?
A gente só toca rock dos anos 70, é um som que dá clima. É um som que todo mundo da banda curte.
3- E esse otimismo seu no show. Veio de onde?
Sempre vai ser assim.
ENTREVISTA E FOTOS: Marco Antonio J. Melo
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Publicado originalmente em novembro de 2004 no VOceve.
O incendiário Diro e o lendário Mazinho tocam juntos. O site Voceve sorteia ingressos.
Depois do incensado show-solo no Odeon, no dia 04/12 do ano passado (que, sem sombra de dúvida, foi um dos melhores de 2004), o incansável e elétrico músico Diro Oliveira monta mais uma empreitada. Desta vez ele se une ao já lendário gaitista Mazinho (que fez um dos momentos mais incríveis no show de Diro) e, ambos, farão um show no absurdo espaço da Rinha do Galo, que se firma como um dos mais bacanas pra shows alternativos. Com o sucesso de público e crítica na noite do dia 04/12, eles conversaram sobre a possibilidade de uma apresentação conjunta e oficializaram a idéia.
O show vai ter momentos de back to back, em que os dois apresentam músicas em comum e performances solo. Vão tocar faixas de Eric Clapton, BB King, Blues Etílicos e até coisas mais retrô, como as canções da antiga banda de Mazinho, SS433, super incensada na década de 80 em Conquista. Pra quem não sabe, Mazinho fez sucesso por aqui em outros momentos até decidir morar em São Paulo por um bom tempo. Retornando agora à cidade, voltou a freqüentar a noite conquistense.
Apesar do último show ter tido um caráter intimista, este vai ter uma proposta mais ampla, valorizada pelo incrível espaço da Rinha do Galo e pela intensidade com que Diro e Mazinho costumam emprestar às suas apresentações. É um típico show de blues, mas com generosas pitadas de rock’n’roll, numa atmosfera musical voltada pra todas as tribos. E quer saber mais? Durante o show, vão ser exibidas imagens de backstage num telão, em sintonia com as performances.
As imagens são assinadas pelo próprio staff dos gaitistas, que também conta com o apoio dos super músicos Júlio Caldas, Thomaz Oliveira, Rômulo Fonseca e Luciano PP. O show vai rolar dia 26/02, a partir das 22:30hs. A entrada individual custa R$5,00 e a mesa, para quatro pessoas, custa R$30,00. Quer ganhar ingressos? O site Voceve está sorteando 5 ingressos. Clique no link e se joga!
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Publicado originalmente em 10/02/2005, em VOceve.
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| A cantora Marta Moreno, à frente da banda. Foto: I. Malförea |
Em 2004 existia uma banda de blues conquistense com público fiel: a MPBlues, formada por Marta Moreno (voz), Diro Oliveira (voz, gaita, flauta), Luciano PP (baixo), Lúcio Ferraz (guitarra), Júlio Caldas (guitarra, voz) e Thomaz Oliveira (bateria, voz), seguia à risca o estereótipo da banda de blues: muito virtuosismo regado a whiskey, com forte influência da veterana colega carioca Blues Etílicos.
A Prefeitura Municipal mantinha o projeto Música na Praça, realizado na Praça Tancredo Neves, coração de Conquista. No dia 05 de setembro, o grupo se reuniu e montou um palco na parte sul da praça, próximo ao banco Bradesco, onde se apresentou ao final da tarde, inclusive com a presença de familiares. O público compareceu em peso e curtiu o bom e velho blues misturado à MPB, ao estilo da banda. Confira, abaixo, a galeria de fotos do evento:
Que a banda Café com Blues é a formação musical mais completa e interessante do cenário conquistense, isso ninguém tem dúvidas. Formada por nomes de peso como Diro Oliveira (o incansável vocalista e band leader), o irmão Thomaz Oliveira (bateria e vocais), os guitarristas Júlio Caldas e Lúcio Ferraz, o baixista Luciano PP e o saxofonista Horton Macedo, depois de longa trajetória sob o codinome MPBlues (ainda com a presença de Marta Moreno), a banda amadureceu a sonoridade, experimentou novas camadas, pesquisou referências populares, uniu ao universo negro do blues, lançou um inusitado e incrível álbum, intitulado apropriadamente de “Tipo Exportação” e fez um show impecável no último sábado, 10 de maio.
começar pela fabricação do CD, lançado oficialmente na última edição do projeto “Natal da Cidade”, que empresta manufatura à arte, construído com material de saca de café e papel reciclado, num design primoroso, composto de textos e imagens assinados por gente que reconta a estrada do grupo paralelo ao caminho do sentimento do blues e com participações essenciais como demonstrativo deste estilo que a banda assume, nesta mistura do universal com o popular, os estilos clássicos se juntam a cadências modernas e ritmos puramente nordestinos, passeando até por samba e efeitos de música eletrônica.
Há quem torça o nariz pra esta sacada da banda, mas o fato é que a Café com Blues deu uma animada com approach brasileiro. E, melhor, acompanhada de gente interessante. No disco, as linhas, imagens e sons de gente como as historiadoras Patrícia Sanches e Maria Luíza Aguiar, o ilustre advogado Rui Medeiros, o prefeito de Vitória da Conquista e historiador José Raimundo Fontes, os fotógrafos Edna Nolasco, D’Almeida e Sabiá, telas de Romeu Ferreira, Sílvio Jessé, Sônia Leite, e mais participações de Bazé, Bule-Bule, Antônio Queiroz, Tança da Gameleira, Xangai, Walter Lajes, Manno di Sousa, Terno de Reis. No palco, uma banda poderosa, com direito a sopros, flautas, pífanos, pick up, gaitas (no absurdo duelo e já conhecido duelo de Mazinho e Diro) e instrumentos clássicos.
Dando mais um passo rumo a novas fronteiras, a banda fez show de lançamento oficial do site, assinado pela agência vOceve Multicomunicação e mesclou música com surpresas bacanas, como um clipe, também da vOceve, mostrando a dinâmica de construção da página de Internet, fotos de gente que estava na platéia e entrevistas. A tirar pela platéia, definitivamente o blues deles não chora.
Foto: Júlio César e Leonardo Ishi
Fonte: Blog do Anderson (2008)
O ano era 2003: a única banda de blues de Vitória da Conquista-BA se chamava MPBlues. Tinha forte influência dos cariocas da Blues Etílicos e conquistava seu público a passos largos: em tempos onde a internet era muito limitada e a maioria das pessoas usava a conexão discada, o grupo sempre estava em bons eventos locais. Alguns dos melhores músicos da cidade estavam aqui: Diro Oliveira (gaita), Luciano PP (baixo), Lucinho Ferraz (guitarra), Júlio Caldas (guitarra), Thomaz Oliveira (bateria) e a cantora Marta Moreno à frente de todos. Posteriormente entraria um naipe de metais, próximo ao encerramento das atividades.
Um belo dia o Brasil conheceu o grupo através de um quadro do Jornal Hoje (Globo) que apresentava bandas independentes. Muita gente os procurou depois disso e a repercussão foi considerável. Estavam no caminho certo: já haviam gravado um clipe de "Tigresa" (Caetano Veloso) e já possuíam algumas canções autorais. Era, sem dúvida, a banda mais respeitada da cidade. Mas, como muitas, chegou ao fim: Em seu lugar, surgiu a Café com Blues, com uma proposta mais específica, voltada à musicalidade regional, com praticamente todos os integrantes, exceto Marta, que seguiu em carreira solo, mas detendo os direitos da marca MPBlues. Confira, abaixo, o vídeo com a reportagem no JH, bem como seu texto original, retirado do próprio site da Globo:
Blues com tempero baiano. Essa é a receita da banda que vem de Vitória da Conquista. O MPBlues também gosta de misturar o ritmo do Mississipi com clássicos da música popular brasileira. E faz tempo que este grupo deixou de ser adolescente. Mas, na hora de achar lugar para ensaiar, eles enfrentam as mesmas dificuldades de qualquer banda teen.
O som nostálgico do blues ainda hoje ecoa no vale do Mississipi, nos Estados Unidos. E, seguindo esse ritmo, tem muita gente na estrada. Gente como o pessoal da banda MPBlues.
A banda surgiu em 99. A proposta: difundir o blues numa mistura com a música popular brasileira.
A idéia de fazer um trabalho diferente com qualidade uniu músicos de várias bandas. Um desafio na terra do axé e do samba de roda. “Fazer com que o trabalho de música alternativa aconteça, onde a coisa é muito popular, é muito difícil. Mas a aceitação de nosso trabalho é ótima”, conta o guitarrista Júlio Caldas. “Nós fazemos o nosso som dando uma pegadinha no nosso blues da Bahia e botando um pouco de berimbau”, completa o gaitista Diro Oliveira.
Da garagem, eles passaram a ensaiar na casa de um dos integrantes da banda. Os ensaios não param. Os arranjos buscam uma sintonia perfeita entre vocal e instrumentos.
Fonte: Jornal Hoje
Publicado originalmente em 2017, na BLUEZinada!
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