Eu não saberia falar se ele foi injustiçado, mas não hesitaria em afirmar que foi desprezado. Antônio Carlos Fernandes Limongi, o Mini Hippie, se foi. Ariano, faria 73 anos no próximo dia 11 de abril. Levou com ele os inumeráveis espetáculos que sonhou, programou e não realizou em Vitória da Conquista.
É uma perda que eu, pessoalmente, sinto muito. Durante muitos anos, desde que eu era chefe de jornalismo na TV Sudoeste, cada vez que nos encontrávamos, ele falava de um show que queria produzir, de uma apresentação maravilhosa de música que marcaria a história cultural da cidade.
Não raro, nossos encontros eram no Bar Cai 1, no Bar de Paulinho, no extinto Café Maniff, ou em qualquer lugar da cidade que ele percorria a pé todo santo dia. Chegava, com a indefectível capanga pendurada no ombro: “E aí, camarada, tudo bem?”. Nunca queria nada do que eu oferecia, no máximo um copo de água e poder conversar sobre cultura, sobre Elomar, sobre Xangai, sobre o maestro João Omar. Em um das últimas vezes que nos vimos comentou sua pretensão de trazer Arthur Moreira Lima para um concerto ou a Orquestra de Ouro Preto para um espetáculo com Alceu Valença.
Chapéu, barba por fazer, falando baixinho, mas com a excitação de quem acreditava profundamente no que sonhava, os olhos dele brilhavam, e o homem de pequena estatura ficava grande (como de fato era), o que me despertava empatia e uma vontade imensa de ver os projetos ganhando os holofotes. Ficava acertado que assim que ele tivesse as respostas dos patrocinadores, da Prefeitura e do Governo do Estado, sentaríamos para fazer um projeto de divulgação. Depois se ia, andando, como sempre. “A gente se vê depois, conto com você”, se despedia.
Isso durou muito tempo e até bem recentemente. Não dava para dizer se o que ele dizia seria um sintoma de demência, senilidade, essas coisas que atropelam idosos, ou se era mesmo um plano, com a ilusão de quem passou a vida sonhando com cultura, arte, teatro, música… vivendo com isso correndo nas veias, mas, infelizmente, com as possibilidades escorrendo pelos dedos finos das mãos pequenas. Eu, simplesmente, gostava de participar daquela fantasia e imaginava, junto com ele, a Arena Miraflores explodindo em aplausos, ou uma “coisa mais intimista” no teatro do Centro de Cultura.
Mas, ele desapareceu de Conquista e eu fiquei esperando ele voltar. Demorava. Há uns dias eu perguntei ao fotógrafo Zé Carlos D’Almeida, outro andante, assim como Limongi, se ele sabia de Mini Hippie. Ele me falou que o velho produtor de sonhos, ops!, de cultura, estava em um abrigo ou hospital em Salvador, com Alzheimer. Certamente, lá dentro, no mais profundo do que lhe restasse de pensamento, programando um show, um disco, um ep.
Segundo o site Metro 1, de onde tomo emprestada uma parte do final deste texto, Limongi estava internado por causa de uma pneumonia e morreu ontem (30). Poucos sabem quem foi o cara, o que fez. Poucos ligaram para quem foi o cara, o que ele fez e o que ele queria fazer enquanto teve lucidez, mas lhe faltou força exterior, o tal apoio.
Para quem não sabe de quem eu falo, Antônio Carlos Limongi foi o idealizador e produtor do histórico encontro entre Elomar, Xangai, Vital Farias e Geraldo Azevedo, no Teatro Castro Alves, em 1984, que se transformou naquelas maravilhosas obras com o título de Cantoria. Detalhe: Cantoria 1 foi o primeiro disco brasileiro gravado ao vivo digitalmente.
Limongi nasceu em Vitória da Conquista e se mudou para em Salvador aos 15 anos de idade, em 1966. Teve aulas de música no Colégio Anísio Melhor, no bairro da Liberdade, com o maestro Almiro Adeodato de Oliveira. Já na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (Ufba), foi aluno de Nelson de Araújo, que considerava seu grande mestre em matéria de cultura popular. Também produziu, para driblar a ditadura, uma série de shows de Gonzaguinha no colégio Brasileiro de Almeida, da irmã de Tom Jobim, no Rio de Janeiro.
O velório aconteceu neste domingo (31), às 12h, no Cemitério do Campo Santo. A cremação foi à tarde.
No vídeo abaixo, uma produção do programa Visão de Mundo, produzido pela TV Ufba, em 2011, Limongi é entrevistado e fala um pouco de sua atuação como produtor cultural Carlos Limongi. Ele rememora produções como Cantoria, e fala da dificuldade de trabalhar com cultura no tempo da ditadura.
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Publicado originalmente em 31/03/2024, em Blog de Giorlando Lima.
Publicado originalmente em 31/03/2024, em Blog de Giorlando Lima.
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O cantor e compositor Eugênio Avelino, conhecido no Brasil inteiro como Xangai foi uma das pessoas vacinadas nesta quarta-feira (24) em Vitória da Conquista. No Instagram, o artista nascido em Ituberá, mas radicado em Conquista, postou: “Acabei de tomar a primeira dose da vacina, meu amigos! Que alegria! VACINA SIM!!”
Xangai tem 73 anos, completados no último sábado (20). Quando o BLOG quis saber qual tinha sido a vacina que aplicaram nele, já que a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) recebeu tanto da CoronaVac, do Instituto Butantan, e da AstraZeneca, produzida pela Fiocruz, Xangai respondeu, por escrito: “Nem perguntei, mas vacinei. CORONAVAC-BUTANTAN”.
Outra personalidade conhecida de Vitória da Conquista que também se vacinou foi o decano do radialismo conquistense e âncora do programa Sudoeste Agora, na Rádio Clube, Humberto Pinheiro, de 76 anos. Ele recebeu a primeira dose na segunda-feira (22) e fez questão de compartilhar a foto do momento com os amigos. Pelo WhatsApp, Humberto comemorou a oportunidade de estar sendo imunizado: “Uma emoção”.
A vacinação da faixa etária dos idosos a partir 70 anos segue durante esta semana de forma escalonada, sempre de 9h00 às 16h00 nos drive-thrus da Ufba (bairro Candeias) e no Comando de Policiamento da Região Sudoeste (CPRSO), além dos pontos fixos de vacinação.
As doses da AstraZeneca recebidas são destinadas para 34% dos idosos na faixa etária entre 70 e 74 anos e 20% da população quilombola com mais de 18 anos. Já o quantitativo recebido da CoronaVac vai vacinar 51% dos idosos de 70 a 74 anos, além de 100% dos pacientes renais crônicos que fazem hemodiálise no município.
Os idosos das etapas anteriores, que ainda não tiveram a oportunidade de ser vacinados, também podem se dirigir a um dos pontos de vacinação para receber a primeira dose.
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Publicado originalmente em 24/03/2021 em Blog do Giorlando Lima.
Na Wikipedia ele é Edigar Evangelista dos Anjos, nascido em Macarani, há 60 anos, filho de Ridalva e Exupério. É radialista, músico e político. Os estilos são música junina, forró e sertanejo. Por causa do vitiligo que lhe tirou a morenice das mãos, tornou-se Edigar Mão Branca. Morava no Lodo das Jegas, zona rural de Macarani, depois foi para Itapetinga e de lá para São Paulo, onde cantou na noite e teve mais do que certo de que nascera para alegrar as pessoas com música. Hoje ele é de muitos lugares e é também de Vitória da Conquista, sendo do mundo, como é a música, como é sua arte.
Embora insista com a política, já tendo sido candidato a quase tudo (chegou a assumir um mandato de deputado federal), Mão Branca é mesmo um músico, cantador, um dos sinônimos de forró, de música de São João, de boa música regional, de coisa do sertão. É uma das vozes mais conhecidas da Bahia, principalmente na região Sudoeste. É um grande artista, um querido, como se diz hoje em dia. Nem sempre o seu talento é reconhecido por essa bandas. Ontem, ele foi a principal atração (entre tanta gente boa que se apresentou) na abertura do Arraiá da Conquista, promovido pela Prefeitura que, pela primeira vez o contratou para tocar no São João.
É bom demais ver que o público o reconhece, o abraça, pede selfie. E pedir selfie, hoje em dia, é muito mais do que pedir autógrafo, é querer guardar para sempre o momento em que o artista a quem admiramos nos deu um abraço, sorriu para nós. É fazer parte, ser íntimo. Selfie é reconhecimento popular, celebrização. Edigar Mão Branca tem arte e história que justificam isso. Do Arraiá da Conquista deste ano poderá ser dito qualquer coisa depois que acabar, que foi bom, que lotou, que foi animado, seguro, etc. Mas, também entra para a história como a festa da prefeitura que Mão Branca cantou e, para quem foi, fez valer estar no Espaço Glauber Rocha.
Parabéns, Mão Branca. Paulo Mascena ia gostar de ver. Obrigado pela presença, velho amigo.
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Publicado originalmente em 22/07/2019, em Blog do Giorlando Lima.












