Há 9 anos a cena cultural de Conquista perdia um cara visionário e grande apoiador da cena rock alternativa local. Miguel Silva Côrtes Filho, partia aos 45 anos. Miguel mantinha o microfone do programa "Som da Tribo" sempre aberto aos artistas independentes e undergrounds, que não tinham espaço em outras mídias. Figura carimbada nos eventos culturais e shows da cidade, Miguel deixou um legado incrível, com sua humildade, tocava desde as bandas que tinham como gravar em um bom estúdio, até as que gravavam só um violão, dentro de um quarto, numa gravação simples e caseira. Assim era Miguel Côrtes. Um cara sensacional, além do seu tempo, e que nos deixa saudades!
Aqui fica a minha homenagem pra esse cara que respirava música de qualidade, com esse vídeo que é só uma parte do acervo do programa, e que anos após a morte de Miguel, um amigo em comum me disponibilizou! No link abaixo, tem o arquivo completo com todas as músicas autorais de bandas de Conquista e Região que Miguel tocava no quadro "Som Local".
Se vc curtir, se inscreva no canal, que essa é uma das propostas: Divulgar bandas!!!
00:00 BATALHANTES - POBRE DE NÓS BRASILEIROS
02:25 BENE - DIA LINDO, NOITE BELA (SÓ COM VOCÊ SEREI FELIZ)
06:03 CAMA DE JORNAL - O HOMEM
07:30 CHIRLEI DUTRA - RESSACA DE AMOR
10:39 CINCO CONTRA UM - BRINCANDO DE RODA
13:56 CONTRAMAO - BIJOUTERIAS
17:36 DEZOITO 21 - DEZOITO 21
21:05 DISTINTIVO BLUE - LUAR DO PONTAL
25:02 DP - O QUE VEM DO CÉU
27:53 KESSLLER - PANSY
31:56 LADRÕES DE VINIL - FORMAS
36:10 LIATRIS - VIOLENT VIOLET
39:27 MICTIAN - COSMIC CURSE
43:24 OS BARCOS - DE VIR
46:59 PARALIPS - MINHA CIDADE
51:09 PRINCIPIO ATIVO - VER ME
53:07 RAMANAIA - CANSEI DE ESPERAR
57:40 RELES FATOS - PALHAÇOS DE UM CIRCO CHAMADO BRASIL
01:01:18 RENEGADOS - TECNOLOGIA
01:04:50 SHAO & OS ANÉIS DE SATURNO - OS DIAS
01:09:39 SIGNISTA - A PORTA DA MORTE
01:14:10 SR. UILSON - VACILAR JAMAIS
01:16:51 THE PLANT - LAMENTO (DVD)
01:23:25 ZÉ DOS CAFÉS - PLANALTO DA CONQUISTA
01:27:15 ZERO 800 - SEJA COMO FOR
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Publicado originalmente por Tosco Todo - Selo de Divulgação, no YouTube.
A Série Cultura Conquistense é um projeto que tem como objetivos o registro e a divulgação de manifestações artístico-culturais do Planalto da Conquista e, em especial, as do município de Vitória da Conquista (BA). Essa região, localizada no centro sul-sudoeste da Bahia, caracteriza-se, culturalmente, por ricas influências sertânicas-catingueiras, com raízes ibérico-portuguesas, cuja expressão maior, musicalmente, em nível elaborado e erudito, é a obra de Elomar Figueira. Mas, simultaneamente, abriga e dá pulso a outras tendências, sobretudo, musicais, inspiradas, ou não, nessas raízes. Conhecida como uma cidade de poetas, cantadores, compositores, músicos e artistas, em geral, nos últimos anos, mesmo remando contra a onda da globalização e da massificação cultural, comandasas pela grande mídia, tem experimentado oportunidades, por meio da Prefeitura, para que importantes segmentos da cultura local-regional sejam registrados e reconhecidos.
É nesse ambiente que, com muita satisfação, fazemos o lançamento do CD número 2 desta série, no contexto dos 10 Anos do Natal da Cidade. - Uma celebração cultural.
Neste CD, intitulado "Conquista da Música", dezessete artistas conquistenses aqui se apresentam como compositores e intérpretes, numa espécie de revista musical, na qual se expressa uma rica diversidade de estilos, em parte fruto de trajetórias marcadas por apresentações e premiações em festivais de música, não só em nossa cidade, mas, também, em festivais por todo país. São fragmentos e amostras da rica potencialidade da cultura musical regional, que compõem o grande mosaico que é a própria cultura brasileira. Este recorte na obra e no fazer dos artistas, aqui selecionados, marca nosso reconhecimento pelo esforço e dedicação com que têm, todos eles, sustentado a produção musical em nossa cidade ao longo destes anos. Ouçam, escutem, mirem e vejam.
José Raimundo Fontes
Prefeito de Vitória da Conquista
Vitória da Conquista é, em sua essência, um celeiro de grandes artistas e de diversos estilos musicais. Parte dessa essência está materializada no CD "Conquista da Música", coletânea que reúne uma significativa parte dos nossos melhores cantores e compositores.
As vozes e instrumentos que traduzem linguagens da interpretação e criação, harmonizando poesia, melodia e sentimento, deixarão aqui um legado de referência artística para que, tendo consciência da arte conquistense, as atuais e futuras gerações valorizem e fortaleçam sempre a nossa identidade cultural.
Que "Conquista da Música" cante e encante a alma do nosso povo!
Gildelson Felício de Jesus
Secretário Municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer
Nesta nova edição da série Cultura Conquistense, firmamos um encontro que marca a tônica que vem sendo empregada há dez anos. A de se voltar para a coletividade e a diversidade no âmbito cultural. É muito importante para o artista ter espaço para mostrar seu talento, sua obra, tanto quanto para o governo municipal atender a esses interesses. Mais uma vez afinamos cada vez mais esse instrumento de cultura.
João Omar de Carvalho Mello
Coordenador de Cultura, Regente e Compositor
Todo ser racional deve estar consciente do seu papel como ser gregário, portanto, animal social, que está dentro do contexto das múltiplas relações sociais e, assim, deve ter a responsabilidade da manutenção de práticas respeitosas junto aos seus semelhantes, na manifestação de todas as suas atitudes. Todo cidadão que tenha sido concebido em qualquer sociedade, com os mínimos princípios de civilidade, deve ter consciência e discernimento sobre a sua participação para o desenvolvimento da sociedade. Portanto, quando esta contribuição se dá por meio da MÚSICA e da POESIA, acreditamos ser uma das formas de manifestação mais sublimes e significativas, à posteridade
Prof. Dirlêi A. Bonfim
Coordenador do MAC
Por livre iniciativa e manifestação da vontade, um grupo de artistas se reuniu com o objetivo de produzir um espetáculo, cujo nome ficou definido como CONQUISTA DA MÚSICA. Este Projeto Cultural busca criar alternativas de mercado de trabalho para profissionais da área da música, intérpretes, compositores e poetas... Com a ampliação das discussões em torno da ideia inicial, se chegou a conclusão que se deveria gravar uma música de cada um e produzir uma Coletânea. Em seguida, o referido Projeto Cultural foi encaminhado à Prefeitura Municipal para apreciação, que se prontificou em patrocinar a prensagem e lançamento do disco. As reuniões foram provocadas e organizadas pelo MAC - Movimento Artístico e Cultural de Vitória da Conquista. mar/2003.
FAIXAS
1) Dom de Amar (Vinícius Silveira) - Vinícius Silveira
2) 31 de Maio (Andréa Cleoni) - Cídia Luíze
3) Terço (Geslaney Brito) - Geslaney Brito
4) Presente N'um Olhar (Gil Barros) - Gil Barros
5) Luz (Paulo Ladeia) - Paulo Ladeia
6) Acaso (Rita Pithon) - Rita Pithon, Carlos Porto
7) Roshie (Dão Barros) - Norberto Rocha
8) Portal (Evandro Correia) - Evandro Correia
9) Rouxinol (Carlos Moreno) - Carlos Moreno
10) Entre a Flor e o Espinho (Gutemberg Vieira) - Gutemberg Vieira
11) Amor do Mundo (Andréa Cleoni) - Andréa Cleoni
12) Música (Paulo Macedo) - Paulo Macedo
13) Os Anéis e os Dedos (Papalo Monteiro) - Papalo Monteiro
14) Na Varanda das Crianças (Dirley Bonfim) - Dirley Bonfim
15) Miragem (Chico Luz) - Chico Luz
16) Sonhando Compassado (Luciano PP) - Luciano PP
17) Choro de Vicente (Lúcio Ferraz) - Lúcio Ferraz
FICHA TÉCNICA
Realização: Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista
José Raimundo Fontes - Prefeito
Gilzete Moreira - Vice-prefeito
Gildelson Felício de Jesus - Secretário Municipal de Cultura e Turismo
João Omar de Carvalho Mello - Coordenador de Cultura
José Carlos Oliveira - Coordenador de Turismo
Gildásio Alves - Coordenador da Secretaria de Comunicação
Movimento Artístico e Cultural de Vitória da Conquista - MAC
Textos: Ana Isabel Rocha Macedo, Silvio França, Veruska Anacirema
Projeto gráfico - Alex Félix
Impressão - PoligráficaZero dB Stúdio - Remasterização (por Chico Luz)
Agradecimentos especiais:
Beto Batera (baterista)
Carlos Porto (maestro)
Clériston Cavalcante (maestro)
Daniela Oliveira
Emílio Bazé (percussionista)
Fábio Santana (tecladista)
Joscélio Ferreira (fotógrafo)
Leo Brasileiro (violonista/guitarrista)
Mércia Carvalho
Paulo Cezar Lisboa
Paulo Mascena (produtor)
Ricardo Marques
Rita Amaral
Rosenberg Evangelista Pinto (Petrobras)
Vivaldo Leão "Sabiá" (fotógrafo)
e tantos outros que colaboraram com a viabilização e realização deste projeto.
Coletânea da seletiva sudoeste do festival Canta Bahia, realizado pela TV Sudoeste, em 1994.
FICHA TÉCNICA
Direção Geral: Marcos Ferreira
Direção Musical: Clériston Cavalcante
Coordenação: Paulo Mascena
Produção: Clériston, Marcos e Mascena
Concepção da capa: VTV Propaganda
Gravação e mixagem: CP Studio
Realização: TV Sudoeste
FAIXAS
1) Chamegando no Salão (Tonico Almeida) - Tonico Almeida
2) Eterno Cavalgar (Raifran) - Raifran
3) Sertão Natureza (Paulo Sérgio Oliveira) - Banda L-Lás)
4) Dom (Juarez Rocha) - Juarez Rocha
5) Lenda (Paulo Macedo) - Paulo Macedo
6) Amor do Mundo (Andréa Cleoni) - Andréa Cleoni
7) Bye Bye, Verde (Arlindo Polvinthai) - Arlindo Polvinthai
8) Duplo Sentido (Gutemberg Vieira e Geslaney) - Gutemberg Vieira e Geslaney
9) Sampa Pra Todos (Musaé) - Musaé
10) Meu Paraíso (José Rodrigues Filho) - José Rodrigues Filho
11) Terra Brasil (Carlos Barros) - Grupo Barros
12) Bom Dia Brasil (Nei Pereira Lobão) - Ricardo Coronago
Em 2004 a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista lançou o selo Série Cultura Conquistense, com o objetivo de fomentar e preservar a musicalidade local. O terceiro disco da série resgata o talento e influência do poeta Jean Cláudio, figura querida e conhecida na cultura local, de uma forma valiosa: pela música, através de amigos igualmente talentosos.
O disco traz um encarte de 12 páginas, incluindo textos, letras das músicas (na verdade poesias musicadas) e poemas extras (Poeta é Rio e O Poeta de Cara Vermelha). Não há informações sobre tiragem e data de lançamento. A referência mais antiga encontrada até o momento sobre o disco na internet é de 2007. Este é mais um disco raro, distribuído em livrarias locais e de mão em mão. Conseguimos uma cópia e digitalizamos, para que não se perca este valioso registro da cultura conquistense. Ouça na íntegra, ao final do post. Abaixo, algumas informações presentes no encarte:
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A Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, vem desenvolvendo o projeto série cultura conquistense, tendo como objetivo central identificar, preservar e difundir gêneros e expressões artístico-musicais populares tanto mais remotas quanto recentes e atuais, que carreguem traços simbólico-culturais do Sudoeste da Bahia.
Este 3º CD da série registra letras-poemas de JEAN CLÁUDIO e canções de uma constelação de compositores, músicos e cantores conquistenses, ou aqui radicados de a muito, seus amigos e parceiros.
Autor de odes e epopéias, quase todas ainda inéditas, inspiradas em temas e personagens da realidade regional brasileira, JEAN é também poeta visceral, flagrando, com seus sentimento e palavras, dilemas, impasses, perplexidades, sonhos, aspirações, alegrias e celebrações das vidas de muita gente. Sobretudo, seus versos livres procuram desentranhar a rima e métrica do próprio significado do viver e do estar no mundo.
Para todos nós, seus amigos, admiradores e leitores, é um privilégio e uma honra contribuir para a divulgação e uma parte de sua obra, emoldurada em harmoniosas canções e belas interpretações.
José Raimundo Fontes
Prefeito de Vitória da Conquista
JEAN CLÁUDIO
Conquistense, vencedor de dois concursos de poesia, de três que participou na década de 80, e com um livro de poemas já publicado, embora tenha produções para muitos outros, gosta mesmo é de distribuir poemas de mão em mão, os quais passam a ser admirados imensamente. Também possui trabalhos publicados em jornais e revistas literárias da Bahia, resultado de uma conquista poética que o conduz desesperadamente. Esta guia-o ao quase supostamente invisível e indizível e, assim, sente suas cócegas inevitáveis, fazendo-o produzir cenas, sentidos e manifestações, quando atravessado criativamente por grandes emoções e críticas que conseguem envolver intensamente aqueles que a lêem.
Seus poemas costumam ser musicados por artistas de renome, de Conquista e região, e a maioria está presente neste disco, já que é poeta, "irmão do vento e da água, e deixa seu ritmo por onde passa":
A leveza do vento leba-o para o mar,
O mar transforma-o em metáfora constante,
E a metáfora é a imagem sempre desejada.
Salve, seu moço!
Esmeraldina Raquel
FAIXAS
1) Humanos Manos (letra: Jean Cláudio; música: Graco Lima Jr.)
2) Menino da Vida (letra: Jean Cláudio; música: Evandro Correia)
3) Serra do Periperi (letra: Jean Cláudio; música: Papalo Monteiro)
4) Palmares Terra Zumbi (letra: Jean Cláudio; música: Evandro Correia)
5) Vadeia Vadim (letra: Jean Cláudio; música: Gutemberg Vieira)
6) Virgínia Rodrigues (letra: Jean Cláudio; música: Graco Lima Jr.)
7) De Cá (letra: Jean Cláudio; música: Diro Oliveira)
8) Conversa de Nariz (letra: Jean Cláudio; música: Graco Lima Jr.)
9) Violino de Feira (letra: Jean Cláudio; música: Gutemberg Vieira)
10) Rolete de Cana (letra: Jean Cláudio; música: Dinho Oliveira)
11) Viola Peneira (letra: Jean Cláudio; música: Lili Correia)
E vejo entre porto de areia e mata
O canto do bicho camacã.
E vejo o uivo do rio que atraca
Cia e mata pela mata
Onde o gavião voa
Liquidamente nas asas da terra...
E novamente aqui estou
A ver luzes
Pequeninas luzes
Tragando o abio do sereno!
Jean Cláudio
FICHA TÉCNICA
Produzido por: Graco Lima Jr. /Luciano PP
Gravado no STUDIO LUART
Vitória da COnquista - BA - Agosto/Setembro de 2004
Técnico de Gravação e Mixagem: Arthur Fabiano
Masterização STUDIO LUART por: Arthur Fabiano
Arte e fotos: Diro Oliveira
Direção Musical: Luciano PP
Produção Executiva: Jean Cláudio
Foto da capa:
Criação de Rachel Moreira Gomes
Olhos de Rachel Moreira Gomes e Mariana Costa (Salvador).
Montagem: Diro Oliveira
Desenhos de Romeu Ferreira
Em 2004 a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista lançou o selo Série Cultura Conquistense, com o objetivo de fomentar e preservar a musicalidade local. O primeiro lançamento da série foi o CD Alegrementes Cantano - Ternos de Reis de Vitória da Conquista, valiosíssimo registro da música folclórica da nossa zona rural e periférica, infelizmente já desconhecida por boa parte da população urbana.
Com patrocínio da Petrobras e direção musical do maestro João Omar, foi gravado "ao vivo" no Teatro Glauber Rocha (UESB). O encarte, com 28 páginas, traz um texto do professor Ruy medeiros e do próprio João Omar, bem como todas as letras e informações sobres os ternos de reis. Com tiragem de apenas 1000 unidades, esteve disponível em alguns locais da cidade, numa época em que o CD começava a perder espaço para o MP3. Não houve reedição, o que hoje o torna raro.
Felizmente, tivemos acesso a uma cópia, que foi digitalizada para continuar o trabalho de preservação e circulação. Confira, abaixo, informações presentes no encarte:
TERNO DE REIS
Ruy Medeiros - advogado, pesquisador e professor universitário
Ternos de Reis estão presentes há muitos anos em Vitória da Conquista. Trata-se de uma tradição europeia que fincou raízes no Brasil. Já em seu Compêndio Narrativo do Peregrino da América, por volta de 1720, Nuno Marques Pereira documenta a existência do festejo grupo de homens, numa vila, de porta em porta, cantando reis, acompanhados de instrumentos musicais.
Espalhado pelo Brasil afora, também chega a Vitória da Conquista. Tem seu florescimento aqui sobretudo nos anos 20 a 50 do século passado, embora antes já aqui estivessem.
Durante vários anos, os ternos de Reis eram acompanhados de pastorinhas, cujo número variava, podendo ser superior a 30 ou mais, com roupas coloridas, entoando cantigas religiosas ou não.
Depois, os Ternos de Reis tornaram-se mais simples, nas vilas, povoados e na cidade de Vitória da Conquista.
E não são poucos os Ternos de Reis. Dentre outros, podem ser citados: Brasil Vencedor, Cruzeiro do Sul, Estrela Dalva, Flores de Boa Nova, Reis de Campo Formoso, Reis de Iguá, Divino Espírito Santo, Deus Seja Louvado, Os Três Reis Magos e Deus Segue Nossa Guia, estes quatro aqui representados.
Os Ternos de Reis fecham as comemorações do Natal, celebrando a caminhada e a visita dos Reis Magos aos recém-nascido Jesus Cristo. Embora as cantigas que entoavam geralmente apresentem semelhanças, há variantes. Apesar da simplificação verificada nos últimos 50 anos, os ternos desenvolvem suas atividades como há séculos: um grupo de homens e mulheres, cantando, e tocando instrumentos musicais, andando pelas ruas e visitando casas.
A primeira parte consiste na passeata, entoando cantiga, acompanhada de tambores, pandeiro, caixas, flautas e matraca, alusiva à viagem dos Reis Magos e ao nascimento de Jesus Cristo. A segunda parte é o cântico à porta da casa visitada (que deve estar fechada até o fim do canto do pedido de visita). A terceira parte é a visita ao presépio (lapinha) ou à imagem de Jesus Menino e, feito o canto em homenagem a esse, segue-se a parte final com a "brincadeira" em que algumas quadras são cantadas em ritmo de samba de roda, com acompanhamento de instrumentos musicais, e exibição coreográfica, e bebida (licor, de preferência) é servida aos reiseiros.
Os Ternos de Reis sobrevivem no Planalto da Conquista e podem ser encontrados dos dias 25 de dezembro a 6 de janeiro de cada ano. A Prefeitura Municipal tem incentivado apresentação a um público maior, por vários ternos, durante festejos natalinos em Vitória da Conquista. Vale a pena vê-los em sua indumentária típica e em sua alegria contagiante.
A COREOGRAFIA SONORA DOS TERNOS DE REIS EM VITÓRIA DA CONQUISTA
João Omar de Carvalho Mello - compositor e regente graduado pela UFBA e mestre em regência orquestral
Nos reisados da região sudoeste da Bahia, vamos encontrar um vasto material rítmico e melódico que apresenta, à sua maneira, um modo de utilização dos instrumentos e dos maneirismos típicos dos cantos folclóricos em geral. Para apresentar estas características, é necessário fazer um comentário sobre os elementos musicais que fazem parte deste contexto.
Entre os elementos que compõem o quadro fundamental do conceito de música na tradição ocidental (ritmo, melodia e harmonia), segundo vários estudos especializados, o ritmo seria, hipoteticamente, o elemento musical mais primitivo. Nesse sentido, o ritmo é perceptível de maneira mais imediata, enquanto a melodia encontra-se num nível um pouco mais complexo, como uma "derivação" do ritmo (frequência que equivale à quantidade de oscilações por minuto), no qual se combinam durações e parâmetros de "altura". Já para a harmonia, de conceito vasto, cabe a organização simultânea desses elementos.
A música folclórica realiza todo esse complexo sem que haja uma separação de seus componentes, ainda que cada instrumento realize sua performance específica. As maneiras de execução refletem o vigor, a energia e a introspecção com que os participantes mergulham, enquanto vivenciam os seus cantos. Geralmente os reisêros não separam a música da ritualística que se desenvolve em torno dela. As gravações aqui apresentadas são um exemplo disso: os participantes tinham a sua lógica de apresentação começando sempre pelo canto de santo reis, seguido pelos sambas, concluindo com o canto de retirada, que estava definida pela ordem ritual própria da tradição e não pelas vicissitudes técnicas das gravações.
Os instrumentos utilizados pelos diferentes grupos comportam uma formação básica que consiste no canto a duas vozes (quase sempre em terças paralelas), no pandeiro, no bumbo ou, às vezes, zabumba, nas caixas (primeira e segunda) e nos pífanos (sempre em par). Em alguns momentos, vamos encontrar também sanfona, violão, viola, além de grupos que se utilizam de um número maior de pandeiros, triângulo, querrequexé, etc.
Os acompanhamentos dos cantos mantêm um formato no qual tanto a percussão, que é predominante, quanto as melodias dos pífanos, seguem um padrão típico. O bumbo emite os sons graves com timbre denso, especialmente quando feito de couro. Ele ajuda na acentuação básica do compasso e, em alguns momentos, desenvolve uma série de improvisações rítmicas (acompanhadas por algum tipo de movimento corporal) combinadas com as caixas. As caixas, por sua vez, compõem os timbres médios, mantendo um "diálogo" entre si. Enquanto uma segue com a célula rítmica básica, a outra desenvolve uma série de acentuações em contratempo. Tanto as caixas quanto o bumbo utilizam esporadicamente um toque com a baqueta na borda do instrumento, sempre de maneira muito apropriada e cadenciada.
Os pandeiros, junto com triângulos e querrequexé, compõem os timbres agudos deste conjunto de percussão e, junto com as caixas, formam a "esteira sonora" de volume reduzido que acompanha o canto. Esta "esteira" às vezes é composta por triângulo, pandeiros e caixas, que mudam o toque, reduzindo a força (em alguns casos, como os das caixas, usando o toque na borda do instrumento), contribuindo para um equilíbrio sonoro no qual o canto se faz entendido.
Os pífanos ou gaitas, como são chamados pelos membros dos ternos, geralmente são os que realizam a "puxada", que faz a chamada dos cantos. Anunciam por alto a melodia principal e ficam em pausa, enquanto o canto é entoado. Logo em seguida, eles respondem com variações da melodia. Entre o primeiro e o segundo pífano se estabelece uma relação intervalar predominante de terças paralelas. Em alguns momentos devido não somente à limitação da extensão do instrumento como também à compreensão melódica do executante surgem outros intervalos de passagem, que chegam a realizar cruzamentos de vozes, ostinatos em um instrumento, enquanto o outro se movimenta, etc.
Um aspecto, que aparece tanto nos pífanos (devido à sua estrutura física), quanto em certos momentos dos cantos, é o emprego intuitivo de microtons. Estes microtons (monesis e triesis) ressaltam a expressividade das melodias. Eles também refletem aspectos do modalismo nordestino, pois tendem a alterar, comumente no sétimo e quarto graus, a escala modal jônica (modo mais comum na tradição ocidental), dando um singular colorido a vários aspectos da melodia entoada. Nos pífanos, muitas são as notas que dificilmente poderiam ser grafadas em linguagem musical, pois ficam indefinidas as alturas, ainda que seja clara a sua expressividade. As variações melódicas realizadas pelos pífanos superam, através dos floreios, as limitações naturais da escala do instrumento.
A compreensão técnica dos elementos apontados nesta introdução não é essencial para a apreciação da riqueza sonora aqui apresentada. O que importa é que estes personagens, agentes históricos de nossas tradições, realizam os cantos com grande habilidade e musicalidade. Se para os compositores, poetas e estudiosos do assunto a informação se faz imprescindível, para o ouvinte o que interessa é a plena fruição da arte do nosso povo e a sensibilidade de reconhecer esses grandes artistas "anônimos".
FAIXAS
1) Vinheta: Passo Preto - Terno de Reis Deus Seja Louvado
2) Samba - Terno de Reis Divino Espírito Santo
3) Reis da Lapinha (Alegrementes Cantano) - Terno de Reis Deus Seja Louvado
4) A Maré Encheu - Terno de Reis Coração de Jesus
5) Preá Corredeira - Terno de Reis Os Três Reis Magos
6) Samba Vira Mão - Terno de Reis Três Reis Magos
7) Reis do Divino Espírito Santo - Terno de Reis Divino Espírito Santo
8) Vinheta: Moça Bonita - Terno de Reis Deus Segue Nossa Guia
9) Passo Preto - Terno de Reis Deus Seja Louvado
10) Mariquinha - Terno de Reis Os Três Reis Magos
11) É Hora de Viajar - Terno de Reis Os Três Reis Magos
12) Hora da Viagem - Terno de Reis Deus Segue Nossa Guia
13) Viva Maria no Céu - Terno de Reis Três Reis Magos
14) O Galo Cantou - Terno de Reis Divino Espírito Santo
15) Preá Corredeira 2 - Terno de Reis Santo Reis
16) Moça Bonita - Terno de Reis Deus Segue Nossa Guia
17) Samba - Terno de Reis Deus e as Águas, Terra, Mar e Céu
18) Viva Janeiro - Terno de Reis Deus Seja Louvado
19) Contra-Dança - Terno de Reis Três Reis Magos
20) Samba de Despedida - Terno de Reis Deus e as Águas, Terra, Mar e Céu
21) Despedida do Santo Reis - Terno de Reis Divino Espírito Santo
TERNOS DE REIS
Deus Seja Louvado - Povoado de Dantelândia. Mestre: Dermevaldo Sales
Deus Segue Nossa Guia - Bairro Panorama. Mestre: Irênio Lima
Três Reis Magos - Povoado Rancho Alegre, Distrito de Iguá. Mestre: Clemente Francisco da Silva (Seu Lezinho)
Três Reis Magos - Povoado Baixado Cedro, Distrito de José Gonçalves. Mestre: Joaquim Ribeiro de Oliveira
Deus e as Águas, Terra, Mar e Céu - Bairro Alto Maron. Mestre; Agapito Pereira da Silva
Coração de Jesus - Bairro Cidade Modelo. Mestre: Anelita Matos dos Santos
Terno de Santo Reis - Fazenda Volta Grande. Mestre: Otacílio de Jesus Santos
Três Reis Magos - Fazenda Gameleira. Mestre: Francisco Fernandes (Tançá)
Divino Espírito Santo - Povoado de Baixão. Mestre: Maria Rosália dos Santos
FICHA TÉCNICA
Realização: Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista
Patrocínio: Petrobras
Direção Musical: Maestro João Omar de Carvalho Mello
Produção Executiva: Paulo Cézar Lisboa, Ricardo Santos Marques, Chico Luz, Sônia Leite
Assistente de Produção: Mércia Carvalho, Corita Andrade
Estúdio: Zero db Studio
Técnico de gravação, Mixagem e Masterização: Chico Luz
Técnico de Som: Beda
Transcrição das Letras: Solange Paixa
Revisão de Texto: Elomar Figueira Mello, Ana Isabel Rocha Macedo
Capa / Encarte / Projeto Gráfico: Beto Veroneze
Ilustração: Sílvio Jessé
Fotografias: Jocélio Ferreira
Esta coletânea produzida pela Acrock! em parceria com O Som da Tribo, traz 9 bandas autorais do sudoeste baiano e foi distribuída gratuitamente em shows e no próprio programa. Em capa slim e mídia queimada, não traz maiores informações.
Setlist:
1 - Formas (Ladrões de Vinil)
2 - The body is the faulty mule of my mind (1 em Pé 2 Alados)
3 - Dezoito vinte um (Rony Voxx)
4 - O contato (Supercílio)
5 - Figment (Liatris)
6 - Sonhos sobre você (Princípio Ativo)
7 - Estamos sob pressão (Kessller)
8 - Recado pra ioiô (Cinco Contra Um)
9 - Blues na caatingueira (Café com Blues)
Ouça na íntegra:






