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“No rádio, todo dia eu me emociono, todo dia eu me entrego”, diz a locutora Sheila Lima


A radialista, com 20 anos de experiência, relembra sua trajetória e aponta quais são os planos para o futuro na carreira

Rose Aguiar e Yasmin Luene

Há mais de 20 anos no ar no rádio conquistense, a locutora da Band FM, Sheila Lima, é apaixonada pela área da comunicação e uma admiradora da educação. Natural de Vitória da Conquista, onde cresceu com sua família, ela é filha de Milton Ferreira dos Santos, já falecido, e Edineuza Pinto Santos, e defende que o amor que sente pelo rádio e pela música foi um presente vindo de seus pais. Com as irmãs Shirley e Síntia, a infância de Sheila foi repleta de vivências que despertaram o seu talento pela locução.

Ela estudou durante algum tempo Administração pela Faculdade Independente do Nordeste (Fainor) e, hoje, cursa Jornalismo na Estácio, a fim de se aprimorar na área que atua, o radiojornalismo. É uma das apresentadoras de um dos programas de rádio  mais ouvidos da cidade, o Jornal Band News, que vai ao ar na hora do almoço na Band FM de Conquista (99.1 FM).   

A voz da locutora ecoa nas ondas de rádio na cidade de Conquista e de toda a região Sudoeste. Até se consolidar na área, ela relembra que enfrentou desafios, já que é um mercado predominantemente masculino. “Já sofri assédio”, desabafou. 

Em entrevista exclusiva ao site Avoador, ela contou ainda quais são suas ambições e planos para o futuro, tanto no rádio quanto na comunicação.


Sheila Lima

Avoador – Você é vista por muitas mulheres, que desejam trabalhar com a locução no rádio, como uma inspiração e uma referência. Isso se deve à consolidação de sua carreira nesse segmento em Vitória da Conquista. Como foi sua trajetória para chegar até aqui?

Sheila Lima – Primeiro, eu gostaria de dizer que estou bem feliz de receber o Avoador aqui na Band FM. Vejo que valeu a pena todo o esforço que fiz até aqui, a ponto de ouvir palavras como essas sobre mim. No rádio é sempre como se fosse o primeiro dia. Todo dia eu me emociono, todo dia eu me entrego. E essa paixão começou por gostar de música, de pessoas e da comunicação. Eu fui apresentada à música por meus pais, Milton Ferreira dos Santos, já falecido, e Edineuza Pinto Santos. Somos três filhas do primeiro casamento – Sheila, Shirley e Síntia – e os meus pais sempre nos incentivaram a também gostar da música. (Sheila também é irmã de Natalícia, do segundo casamento de seu pai, e de Wadson, de outro casamento de sua mãe). Apesar do meu pai não ter “muita leitura”, como ele falava, – para dizer que não tinha estudado – ele tinha uma sensibilidade muito grande. Ele me apresentou vários artistas, MPB, Xangai, Alceu Valença… Gostava também do Michael Jackson. Já minha mãe gostava mais de música francesa e música italiana. E na infância, eu e minhas irmãs ficávamos brincando, cantando e ouvindo música nos discos de vinil, ou “bolachão” como eles falavam. Depois, eu tive acesso ao rádio, o 3 em 1. A gente colocava o vinil, tinha o rádio, o locutor e os apresentadores e tinham os programas de auditório. Eu já alcancei a fase final desse formato. (O 3 em 1 era um aparelho de som antigo que tocava o vinil, a fita cassete e o rádio). 

No rádio é sempre como se fosse o primeiro dia. Todo dia eu me emociono, todo dia eu me entrego. E essa paixão começou por gostar de música, de pessoas e da comunicação. Eu fui apresentada à música por meus pais, Milton Ferreira dos Santos, já falecido, e Edineuza Pinto Santos.

Avoador – Há quanto tempo isso?

Sheila Lima – Eu tenho 46 anos e isso acontecia quando eu tinha 5, 6 anos de idade, ou seja, 40 anos atrás. Quando meu pai comprou esse som três em um e nos deu um microfone de presente, a gente fazia apresentações, eu e minhas irmãs. Então era pegar o microfone, colocar a fita cassete, eu falava e minhas irmãs cantavam, apertava o REC e gravava, a gente escrevia música, a gente dançava…

Avoador – E isso tudo acontecia onde?

Sheila Lima – Eu sou de Vitória da Conquista. Nasci aqui mesmo. E quando eu estava com uns 13 anos, estudando no Centro Integrado, houve um concurso de uma rádio aqui em Conquista para ser locutor por um dia. Eles diziam: “Se você gosta de rádio, se você quer ser um de nós…”. Naquele glamour, e a gente tinha aquela vontade de conhecer o locutor, então, falei: “Gente, que máximo!”. Pois, gravei a fita em casa, gravava um pouco o rádio, parava, gravava um pouquinho de locução, um pouco de música, e mandei para o concurso. Eu era muito nova. Dessas fitas mandadas para o concurso, foram escolhidas apenas algumas. Entre cem, escolheram dez e depois afunilou para quatro, e eu estava entre essas quatro. Eu fui a última a ser selecionada. Também selecionaram o Miguel Cortes, já falecido, que foi apresentador de rádio também, Alexandre Marques, que hoje é policial, mas trabalhou com rádio, Cacau Bolacha, que agora é locutor em Salvador e eu, Sheila Lima.

Eu tenho uma história de amor com todos os locutores de Conquista.Tem muita gente bacana que passou por minha vida e hoje são meus colegas de profissão.

Avoador – Você tinha algum locutor em quem se inspirava?

Sheila Lima – Eu tenho uma história de amor com todos esses locutores de Conquista, se eu falar um só, eu serei injusta. Tem muita gente bacana que passou por minha vida e hoje são meus colegas de profissão. Eu ouvia todas as rádios de Conquista. Ouvia e gostava mesmo e achava interessante a comunicação, não era só a música, mas também o jeito de trabalhar.

Eu fiz rádio um final de semana, apenas quatro horas, porque era essa a promoção do concurso, e me apaixonei.

Avoador – Foi após o concurso que você começou sua carreira de forma profissional?

Sheila Lima – Nessa época, eu era menor de idade e não sabia nada de operação de rádio, só aquela brincadeira que eu tinha em casa com minhas irmãs. Eu fiz rádio um final de semana, apenas quatro horas, porque era essa a promoção do concurso, e me apaixonei. Era lá na Rádio Clube. A gente fez um treinamento e tinham os locutores que auxiliavam, como a Patrícia Oliveira e o Maciel Júnior. Na época eu falei: “Gente, eu quero ser radialista!”. Desses quatro concorrentes no concurso que eu participei, só o Cacau foi contratado, ele ficou um tempo trabalhando aqui em Conquista e depois foi para Salvador. E todos os outros colegas também chegaram a trabalhar com o rádio. Só que por eu ser muito nova não consegui. Até fiz teste depois de um tempo na Rádio 100,1, porque eu queria muito trabalhar com rádio, mas, infelizmente, não surgiu a vaga. (A antiga Rádio 100,1 hoje é a Rádio Up FM de Vitória da Conquista. Foi fundada em 1991, com o nome Conquista Musical FM. Em 2000, a rádio se tornou a 100,1. Já em 2003, a emissora passou a afiliar a Transamérica Hits, rede de rádios de São Paulo. Em 2020, passou a ser afiliada da Rádio Up.)

Avoador – Você acredita que ser mulher afetou o início do seu ingresso no rádio?

Sheila Lima – Têm muito mais homens, sim, no rádio. Na FM, você contava duas mulheres no máximo, sempre isso. A referência sempre foi com quatro homens e só uma mulher ou até seis homens e no máximo duas mulheres. A mulher ou ficava na redação ou na parte artística. Duas locutoras em uma estação de rádio, por exemplo, uma de manhã e outra à tarde, você não ouvia.

De tanto eu falar com um repórter para me avisar quando surgisse uma oportunidade de emprego, ele um dia me disse que tinha uma vaga. Não era no rádio, mas era de locução e lá na rodoviária.

Avoador – Essa distinção adiou o início de sua carreira?

Sheila Lima – Então depois desse concurso, eu, ainda menor e na batalha por uma ocupação, um emprego, continuava tentando o rádio, mas acabei indo trabalhar na rodoviária. Surgiu uma vaga na rodoviária de Vitória da Conquista para locução. – “Atenção senhores passageiros com destino a São Paulo, dirija-se ao local de embarque!”. Pensei: “Bom, é um começo, eu vou fazer!”. Como eu fazia amizade com colegas repórteres e ficava acompanhando o trabalho deles, de tanto eu falar com um repórter para me avisar quando surgisse uma oportunidade de emprego, ele um dia me disse que tinha uma vaga. Não era no rádio, mas era de locução e lá na rodoviária. Ele perguntou se eu tinha interesse e eu disse que tinha. “Você vai ter que gravar uma fita de rádio” – Ele me emprestou o gravador quadradinho dele, mas me disse que eu precisava devolver cedinho no outro dia, porque ele iria trabalhar.

Avoador – Você então não perdeu a oportunidade?

Sheila Lima – Eu, já com 17 anos, gravei a fitinha e fui levar lá na rodoviária. Cheguei meio acanhada e disse: “Queria falar com seu Mac”. (Mac Donald, hoje, colega de Sheila no Jornal Band News, no horário do almoço na Band FM). Ele ouviu o material e fez uma cartinha, me entregou e disse para eu procurar Franklin Andrade no Arco – Apoio Rodoviário Coletivo. Franklin me disse que havia três vagas de locutor na rodoviária, nos três períodos do dia, e me perguntou qual eu iria preferir. Como eu estudava à tarde, então eu disse que preferiria à noite. Quando ele perguntou minha idade e eu disse que tinha 17 anos, ele falou: “Não posso te contratar!”

Avoador – Esse fato atrasou mais uma vez sua carreira como locutora?

Sheila Lima – Eu tive um problema com a minha documentação na infância e meus pais não consertaram, então nela constavam dois anos a mais em minha idade. Eu tinha 17 anos, mas constavam 19 em meus documentos. Eu disse: “Seu Franklin, nos meus documentos eu tenho 19.” Depois que eu lhe disse isso, ele falou: “O emprego é seu!”.

Avoador – O primeiro emprego formal como locutora?

Sheila Lima – Sim. Eu trabalhei na rodoviária durante uns dois anos. Eu tinha que tocar uma música que não agredisse o ouvido de ninguém, porque as pessoas estavam ali de passagem. Eu tinha uma fita, com umas dez músicas de um lado e mais dez do outro, um aparelhinho de som e o microfone. E mesmo somente com essas ferramentas, eu ficava tentando mixar. Tocava três músicas de Elis Regina e depois então tocava mais três de Carpenters, de Chiclete com Banana… Só que os textos eram os mesmos, já que os horários dos ônibus eram sempre iguais todos os dias e eu tinha que chamar os passageiros para o carro. Quando acontecia algo excepcional, como uma criança que se atrasava, por exemplo, eu pensava – muito empolgada: “Opa, um texto diferente!”. Aí era o meu momento! (risos).  Eu tinha essa vontade, eu era muito criativa!

Avoador – Da rodoviária para o rádio, como foi essa transição?

Sheila Lima – O locutor Nilton Júnior, por quem eu tinha muita admiração, passava lá pela rodoviária e sempre me ouvia. Em um desses encontros, eu disse o quanto gostava do trabalho dele. Houve uma outra vez que ele foi conhecer o estúdio e me passou a proposta de uma rádio comunitária de uma cidade que ele iria trabalhar como assessor de comunicação da prefeitura, e perguntou se eu tinha interesse. E eu fui, era uma oportunidade. (Nilton Júnior teve uma longa trajetória no rádio em Vitória da Conquista e Salvador, inclusive como diretor da Rádio Uesb.  Ele também era professor da Fainor e da antiga UniFTC, hoje Unex. Faleceu aos 60 anos, em fevereiro de 2023).

 Avoador – Qual era essa cidade?

Sheila Lima – Jânio Quadros. E lá foi muita paixão, porque a cidade tinha 32 mil habitantes, na época, ou seja, era uma cidade pequena. Eu tive treinamento com um pessoal de Salvador, eu recebia cartas, presentes dos ouvintes, eu era tratada como uma rainha. Era muito bacana. (A cidade de Presidente Jânio Quadros, localizada no Sudoeste da Bahia, fica a pouco mais de 120 km de Vitória da Conquista). 

Avoador – Foi quando realizou seu sonho de trabalhar no rádio?

Sheila Lima – A cidade e tudo isso foi muito legal, mas eu queria estudar, dar continuidade aos meus estudos. E lá, as alternativas eram poucas. Além disso, aquela rádio comunitária não tinha perspectiva de se tornar uma rádio FM comercial. Então, por mais que estivesse tudo muito gostoso e muito bom ali, já que eu tinha meu emprego, com hospedagem, alimentação, salário, mas eu queria muito fazer rádio profissional. E nisso, eu já tinha feito o teste da Rádio 100,1 FM, só que não tinham chamado. Então, enquanto eu estava em Jânio Quadros, uma locutora da rádio [100,1] precisou sair de licença à maternidade, e surgiu uma vaga. Aí me chamaram para fazer outro teste. Como eu queria voltar a estudar, e eu só vinha a Conquista a cada quinze dias, eu fiz o teste. O Carlos Albuquerque gostou, mas disse que eu precisava começar em uma semana. (Carlos Albuquerque era empresário e radialista em Vitória da Conquista. Ele implantou na cidade a Rádio 100,1, hoje Up FM. Também foi ele quem deu a Sheila Lima o seu nome artístico. Carlos Albuquerque faleceu aos 68 anos, em 2018). 

Comecei na rádio, fiquei com um horário ótimo, à tarde. Eu nunca tinha feito rádio profissional e foi muito bom, uma delícia. Foi uma experiência incrível.

Avoador – Precisou deixar Jânio Quadros?

Sheila Lima – Aí eu conversei com o Nilton Júnior e ele me apoiou muito, disse que era uma grande oportunidade. Eu tinha pouco mais de vinte anos na época. Comecei na rádio, fiquei com um horário ótimo, à tarde. Eu nunca tinha feito rádio profissional e foi muito bom, uma delícia. Foi uma experiência incrível. Quando eu entrava no estúdio, e isso acontece até hoje, era eu e o ouvinte. Nessa hora a vergonha passa, mesmo que eu ainda sinto um frio na barriga, mas eu tenho o maior prazer nisso aqui [trabalhar com o rádio]. Só que também passei por muita coisa…

Avoador – Quais foram os maiores obstáculos que você enfrentou para se firmar como locutora e se tornar Sheila Lima?

Sheila Lima – O ambiente é sempre muito masculino. Aí vem aquilo que toda mulher passa e, infelizmente, isso acontece em todas as profissões.

Avoador – Você já sofreu assédio?

Sheila Lima – Já sofri assédio.

Já teve um artista que me disse assim: “A gente vai ser ver mais tarde, viu?”. Aí, você vai entrevistar e recebe uma ‘apertada’, um ‘puxão’, um cheiro que você não pediu.

Avoador – Como você lidou com isso?

Sheila Lima – Hoje, a gente fala mais sobre isso, a gente percebe mais. Até mesmo fala os termos no ar. Falar do corpo de uma mulher ou usar uma determinada expressão… não dá mais. Ou então um convite para sair de uma forma mais inoportuna. Já teve um artista que me disse assim: “A gente vai ser ver mais tarde, viu?”. Aí, você vai entrevistar e recebe uma ‘apertada’, um ‘puxão’, um cheiro que você não pediu. E isso não se faz quando o repórter é homem. Já a mulher passa por isso. Às vezes até com um companheiro seu, essas situações acontecem.

Avoador – Na FM 100,1 foi o seu primeiro trabalho profissional no rádio conquistense?

Sheila ima – Fiquei dois anos lá na 100,1. Mesmo ainda muito jovem, eu tive oportunidades maravilhosas de entrevistar artistas que eu sempre admirei.

Quando eu vou entrevistar alguém do meio artístico, não vou de qualquer jeito. Eu estudo o artista, eu acompanho.

Avoador – O locutor de rádio tem uma relação muito próxima com os artistas, como é lidar com isso?

Sheila Lima – Quando eu vou entrevistar alguém do meio artístico, não vou de qualquer jeito. Eu estudo o artista, eu acompanho. Porque, se você for falar com um artista e não saber o que ele fez e está fazendo em sua carreira, é um desrespeito tanto com ele quanto com você mesmo, com a sua própria imagem profissional. Agora, claro, que eu também demonstro alegria. Sempre me lembro que estou trabalhando, não é porque eu tenho uma credencial para estar próximo a eles, que eu vou tietar os famosos. Gostando ou não do artista, é preciso fazer meu trabalho.

Na Band eu comecei com os flashes na rua, depois fui para a parte artística musical e hoje estou no jornalismo

Avoador – Além do rádio, o que você já fez ou quer fazer no ramo da comunicação, pensa em TV?

Sheila Lima – Eu faço parte de um dos maiores grupos de comunicação da América Latina [Grupo Bandeirantes]. Em breve a Rede Bandeirantes vai instalar a Band TV aqui em Vitória da Conquista, e eu já tenho 20 anos na Band FM. Quando eu saí da Rádio 100,1, foi porque surgiu a oportunidade de vir trabalhar aqui. Na Band, eu comecei com os flashes na rua, depois fui para a parte artística musical e hoje estou no jornalismo. Então, eu já estou fazendo algumas coisas nesse sentido, mas eu também já fiz apresentação de festas, locução de cavalgadas, que eu gosto bastante, cerimonial de eventos corporativos, TV.

Eu amo o carinho das pessoas por mim, a ponto de ter pessoas que eram meus ouvintes e depois se tornaram grandes amizades.

Avoador – Como é a reação das pessoas, que já conhecem sua voz, quando te veem pessoalmente nesses espaços?

Sheila Lima – Não pode nem ficar falando qualquer coisa, viu? Às vezes, eu estou ali cobrando alguma coisa e aí chega um ouvinte e diz: “Então fala isso amanhã na rádio, Sheila Lima”. E no caso de relacionamentos afetivos, seja de amizade ou amoroso, eu fico pensativa também. Eu penso que se o interesse em mim ou na minha amizade é de verdade ou se é algo platônico, pela admiração que se tem pelo meu trabalho, enfim. Eu amo o carinho das pessoas por mim, a ponto de ter pessoas que eram meus ouvintes e depois se tornaram grandes amizades.

O importante é ter pé no chão, não se deslumbrar com os elogios e saber aceitar quando alguém não gosta. Eu não sou muito radical, minha palavra de ordem é o respeito.

Avoador – E quanto às críticas, você já enfrentou alguma referente ao seu trabalho?

Sheila Lima – Já e aceito todas também. No rádio, você tem mais pessoas elogiando, só que vai ter quem critique. O importante é ter pé no chão, não se deslumbrar com os elogios e saber aceitar quando alguém não gosta. Eu não sou muito radical, minha palavra de ordem é o respeito. Eu presto muita atenção no que vou dizer, pois quero sempre escutar o outro. Uma vez quando eu disse que torcia para o Flamengo, um ouvinte me disse que eu tinha que torcer para um time da Bahia, e eu tive que me expressar com todo o respeito ao ouvinte: “Eu torço para o Flamengo, mas admiro e sou apaixonada pelo Bahia, pelo Vitória, pelo Conquista, o Serrano…” Então a pessoa entendeu, mas se eu fosse agressiva ou desrespeitosa seria muito ruim.

Se fosse para eu dar um conselho hoje, sempre vou dizer para buscar a formação acadêmica. Eu sou uma incentivadora do estudo. Acho lindo quando a pessoa estuda e me emociono.

Avoador – Deixe uma mensagem às pessoas, principalmente, às mulheres que se inspiram em você e que têm o interesse de trabalhar com o rádio.

Sheila Lima – Vamos fazer rádio, rádio é uma delícia. Abrem-se muitas portas e é preciso gostar do que faz. Ouvir os outros. Não ficar preso ao seu próprio mundo. Abrir a mente. E estudar é muito importante. Eu já estudei Administração, na Fainor, e estou concluindo também o curso de Jornalismo. Então, se fosse para eu dar um conselho hoje, eu sempre vou dizer para buscar a formação acadêmica. Quando eu comecei no rádio aqui na Band, o que me auxiliou foi a academia. Por eu estar fazendo Administração, foi muito melhor para fazer as entrevistas, para elaborar os roteiros. Porque para entrevistar o prefeito, um deputado, um senador ou um artista famoso, você tem que se posicionar como um profissional. Então para isso, é preciso ter entendimento, ter estudo. E o estudo também é usado para se checar as informações, para confrontá-las, para saber buscar fontes confiáveis. É preciso se preparar. Além de não se abalar com os “nãos” no início da carreira. A cidade de Vitória da Conquista também é muito propícia para a comunicação, tem muitos veículos, a Band está vindo aí instalar a TV, tem aeroporto, temos os cursos de pós-graduação, temos mestrado, doutorado. A pesquisa da Uesb, por exemplo, nos oferece tantas oportunidades. Então, eu sou uma incentivadora do estudo. Acho lindo quando a pessoa estuda e me emociono. 

Avoador – Você tem mostrado isso na prática, pois mesmo com o talento para o rádio desde à infância, nunca deixou de estudar, de se preparar para chegar até aonde chegou. Conte sobre isso. 

Sheila Lima – Aqui na Band, por exemplo, a colega Luciana Nery, que já é mestre, fez o programa Universo Diverso com a professora Carmen [Carvalho], abordando exatamente isso, como se faz para checar uma informação, checar as fontes, pois não é só receber um release ali e publicar sem checar… Então, você só aprende isso na academia. O rádio é uma concessão pública, você não pode brincar com isso, e infelizmente tem gente que faz de qualquer jeito e não pode. Então, a gente que está estudando precisa se impor e defender que é preciso ter responsabilidade. O jornalismo é lindo! Meu colega Léo Pereira escreveu um livro, e com certeza a sua formação acadêmica contribuiu para que ele pudesse fazer isso. (Luciana Nery é educadora e também comunicadora, atualmente é colega de Sheila Lima na Band FM e apresentadora do quadro de entrevistas com especialistas, Universo Diverso. Léo Pereira é jornalista e apresenta ao lado de Sheila um programa de premiações na Record TV). 

Avoador – Pensa em fazer pesquisa, fazer um mestrado, depois um doutorado?

Sheila Lima – Eu tenho vontade! Inclusive já me disseram que eu tenho facilidade para ensinar, para atuar na sala de aula. Meu ex-marido, Mário Bittencourt, se formou na Uesb, trabalhou com jornalismo investigativo, e eu sou muito fã desse segmento da área da comunicação. (Mário Bittencourt é jornalista especializado na cobertura do Agronegócio. Foi colunista da Band FM, em Vitória da Conquista, e já atuou como repórter dos jornais A Tarde, Correio e Folha de S.Paulo). Ele seguiu para o mestrado no Sul do país e sempre escreveu e escreve muito bem, estuda muito e gosta disso. Não há limite para o estudo! 


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Publicado Originalmente em 19/11/2023, em Avoador.

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