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Meio século de História e Memória da Música em Vitória da Conquista: uma herança religiosa e familiar (1950-2000)


Priscila Correia de Sousa Carneiro

Investigamos a história e a memória da música em Vitória da Conquista a partir dos materiais empíricos levantados que, somados à luz da teoria, nos permitiu recuperar, parcialmente, a história e a memória da Música em Vitória da Conquista de 1950 a 2000, focando as igrejas batistas conquistenses, especialmente as fundadoras, relacionando-as com a formação de musicistas e a instalação de academias e conservatórios de música. 

Os depoimentos coletados e a documentação analisada confirmaram a hipótese de uma aprendizagem musical, sobretudo o ensino de piano, acordeom, órgão e canto coral, com finalidades ligadas à fé, à evangelização na concepção protestante na vertente batista. Grande parte dessas escolas ainda está atuante e vigorosa, formando músicos que cantam e regem os corais das igrejas, tocam piano e órgão nas atividades religiosas e, sobretudo, vêm na música um importante e imprescindível instrumento de evangelização. Estas instituições possibilitaram uma formação musical para muitas pessoas, dentro ou fora da comunidade religiosa, que se realizaram como músicos profissionais, diletantes e/ou professores de música. 

Identificamos qual o papel que algumas instituições (igrejas, conservatórios, filarmônicas, etc.) exerceram na formação musical de determinados grupos em Vitória da Conquista e tomamos conhecimento de que as duas escolas de música que existiam na cidade, entre 1950 e 1970, foram as de Dona Nair Borges de Oliveira (católica, esposa de um dentista) e a de Dona Almerinda Figueira de Oliveira (batista e esposa de um pastor). A primeira, vinculada ao Instituto de Música da Bahia, criado em 1897 e, posteriormente, incorporada à Universidade Católica de Salvador- UCSAL. Almerinda Figueira de Oliveira, que foi aluna de Dona Nair, iniciou suas atividades em sua própria residência e, somente em 1964, sob a direção da primeira filha, Vanilda Figueira de Oliveira Freitas, se transformou no Conservatório de Música de Vitória da Conquista, vinculado ao Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro. 

Constatamos que, embora as duas professoras tenham sido responsáveis pela aprendizagem musical de muitas pessoas, a escola administrada por Dona Nair deixou poucos discípulos, ao contrário da escola administrada por Dona Almerinda, que permitiu uma imensa cadeia sucessória ─ razão do presente estudo. Para desenvolver esta pesquisa, utilizamos a história oral, visto que focamos as vivências de sujeitos cujas memórias remeteram ao contexto religioso e musical que tratamos neste trabalho. Tomamos como grupo de análise a Família Gusmão Figueira, tendo como figura central Dona Almerinda Figueira de Oliveira, seus filhos, netos e sobrinhos, assim como ex-alunos do conservatório. Também utilizamos outras fontes documentais, escritas e imagéticas, como jornais, fotografias e/ou revistas e, por fim, entrecruzamos os dados coletados à luz da teoria da memória, o que nos fez perceber que o cenário em torno da música na cidade neste período, fazia parte de um todo muito maior e construído de forma coletiva, guardado por sujeitos unidos pelo tríplice liame: música, igreja e família. 

PALAVRAS-CHAVE:
Memória. Educação Musical. Família. Religião Protestante.


I. Malforea

O "Memória Musical do Sudoeste da Bahia" é um projeto que precisa da sua colaboração. Tem algum material guardado? Gostaria de publicar seu próprio texto aqui? Entre em contato através do "fale conosco".

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