Músicos e bandas

Artigos

Notícias

Discografia

Shows

Banda de Vitória da Conquista (BA) lança álbum de 5 minutos e com 10 faixas

'Música rápida para pessoas apressadas' é o terceiro álbum da banda de punk rock/hardcore Nem Tosco Todo e as Crianças Sem Futuro, projeto paralelo do vocalista da banda Cama de Jornal

'Música rápida para pessoas apressadas' é o terceiro álbum da banda Nem Tosco Todo e as Crianças Sem Futuro: Ed Goma (bateria), Christian Bernardis (Guitarra), Nem Tosco Todo (Voz e letras) e Filipe Gomes. Foto: Christian Benardis/Autorretrato/Divulgação
Devana Babu*

"Não gosto de celular. Não gosto de estar no meio da rua conversando uma coisa pessoal no meio de todo mundo”, diz, ao telefone, o mesmo cara que escreveu os versos "Eu queria que alguém me ligasse/ Pra conversar qualquer assunto fútil/ Eu queria que alguém me ligasse/ Pra eu não me achar um cara inútil. Quem liga, quem liga. Quem liga”. 

Nem Tosco Todo, músico e fotógrafo de Vitória da Conquista (BA), se defende da aparente contradição entre sua vida e obra afirmando que a música não é autobiográfica, mas apenas uma observação sobre o cotidiano: "Engraçado que eu nem tinha telefone. Quem me deu foi minha irmã, mas eu nem uso". Quem liga, quarta faixa do álbum Música rápida para pessoas apressadas, dura apenas 36 segundos. As outras nove músicas do álbum, juntas, dão pouco mais de cinco minutos.


"Eu vi um filme, ou um documentário — não lembro, até pelo tanto de informação a gente recebe —, aí o cara falou que o ser humano só ia ter 5 minutos livres por dia. Eu parei pra pensar que, realmente, a gente tem muito pouco tempo pra ficar de boa, ler um livro, escutar um som. Aí decidi gravar um disco de cinco minutos pra todo mundo ouvir, que aí o cara não vai poder falar 'pô, tô corrido'", explica o compositor. 

Em 25 de janeiro, Nem e seus comparsas começaram a discutir o projeto. Em 4 de julho, entraram no estúdio Drummond e gravaram tudo ao vivo, em quatro horas, depois de apenas dois ensaios acústicos na casa de Nem. Em 13 de julho, o disco estava no ar. “Fiz seis letras em um dia, depois mais duas, os caras fizeram outras duas e deu 10”, contabiliza o vocalista, e explica o processo criativo: "Eu faço as letras, mando pra galera botar as notas, eles me mandam de volta e eu tento encaixar as letras na nota que eles mandaram".

Nem é autor da fotografia da capa, fez a diagramação e até a mixagem das faixas. "Se fosse pagar, tem a questão do dinheiro e do tempo que o cara ia demorar, muito mais do que eu quero. Eu queria uma coisa mais apressada". Para completar o apressado ciclo do projeto, Nem filmou, editou e publicou nesta terça-feira (16/7) um lyric vídeo com as letras de todas as músicas, o que dá 5 minutos e 20 segundos de duração.

No vídeo, os membros da banda aparecem em locais movimentados da cidade enquanto as pessoas, apressadas, caminham para trás. "São imagens da cidade, a gente andando, tomando uma pelo Ceasa. Botei, no vídeo, o pessoal andando ao contrário, tipo, a sociedade tá andando pra trás, as pessoas passando e a gente parado, observendo o movimento e vendo que tá tudo errado”, descreve o produtor, que já deu aulas de edição de vídeo em escolas públicas.


Cama de Jornal

Nem Tosco Todo e as Crianças Sem Futuro é um projeto solo, e paralelo, de Nem. O projeto principal é a banda Cama de Jornal, fundada em 2001, que circulou pelo Brasil e alcançou reconhecimento no underground nacional. Em 2014, o vocalista reuniu alguns músicos para gravar um álbum tributo com clássicos do cancioneiro punk de que gostava. Em 2018, saiu o primeiro álbum de inéditas, e em 2019, o trabalho mais recente. 

"O projeto não era nem ter uma banda fixa. Se você tem uma banda fixa, sempre tá dependendo de alguém pra viajar, pra gravar. Do outro jeito, se precisar viajar sem algum dos integrantes, a gente vai". Apesar disso, Ed Goma (bateria), Christian Benardis (guitarra) e Filipe Gomes (baixo) estão firmes na formação mais recente do grupo. "O projeto é meu, mas eu sempre consulto os caras. Às vezes você faz uma parada, acha massa, mas está uma porcaria”, conta Nem. 

Além da banda, Nem possui também um selo e um blog, que divulgam a cena underground, e tem uma autobiografia, que é também uma história sobre a cena, no prelo, esperando apenas o aval do patrocinador para se publicado.

Poucos dias depois do lançamento do álbum, Nem já consegue fazer um balanço do resultado da estratégia do disco: "Você sabia que, mesmo sendo um disco de cinco minutos, as pessoas não escutam até o final? No Bancamp é possível ver estatísticas de quem ouve o álbum ou uma faixa até o fim. Um monte gente não escuta, só escuta a metade". 

*Estagiário sob supervisão de Adriana Izel

---
Publicado originalmente em 17/07/2019 em Correio Braziliense

I. Malforea

O "Memória Musical do Sudoeste da Bahia" é um projeto que precisa da sua colaboração. Tem algum material guardado? Gostaria de publicar seu próprio texto aqui? Entre em contato através do "fale conosco".

Nenhum comentário:

Leave a Reply

Temas

Twitter

Novidades em seu Email

Imagem do Mês

Vídeo do Mês