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Paulo Pires (*)
O maestro e agora também compositor João Omar, filho do rapsodo Elomar, é uma pessoa que demonstra personalidade. Olha que ser filho do grande bardo, o Elomar, e escapar de suas influências no plano artístico, não é tarefa para iniciante. Mas o nosso João Omar conseguiu! Outras personalidades pelo mundo afora não conseguiram. Os filhos de Chaplin, por exemplo, não conseguiram. Geraldine e Sidney pararam suas carreiras porque não conseguiam escapar da influência fortíssima do grande Charles Chaplin. Nancy Sinatra foi outra que não agüentou o rojão de ser filha do maravilhoso Frank Sinatra. Bebel Gilberto disse que teve que se afastar de João Gilberto, artisticamente falando, porque estava se considerando prisioneira do “sotaque” musical do pai. Em suma, as pessoas não agüentam, ou quando acontece, declaram logo, como os filhos de Dorival Caymmi fizeram.

Com o João Omar ocorreu o que ninguém esperava. Ele conseguiu se desapegar da influência artística do pai, Elomar, com uma independência digna dos maiores elogios. Neste sentido, penso que também Elomar deve estar se sentindo muito orgulhoso, observando que o seu filho sabe alçar vôos próprios e tem muita originalidade e autonomia para isso.

Estive no lançamento do disco Corda Bamba e pude observar algumas coisas também dignas de nota. Para iniciar, confesso que Conquista está muito gostosa para se viver. O ambiente em que foi lançado o disco, a Livraria Letras & Prosa, estava repleto de pessoas adoráveis e igualmente admiráveis: A poeta Mariângela Borba, os professores Luis Otávio e Rita, Hilário e Célia Tanajura, Expedito Maia e Meire, José Carlos D”Almeida, Lana Sheila, Rosália Maria, Vilson Moreira, esposa e amigos, e um número enorme de moças e rapazes bonitos. O maestro depois de uma breve apresentação iniciou a sessão de autógrafos e com a educação e o sorriso que lhe é costumeiro, pacientemente escrevia seus agradecimentos a quem adquiria a sua obra. É bom assinalar, que João Omar, ao contrário do pai, é extremamente afável e está sempre com o sorriso aberto para ser abordado. Ele é consciente desse encantamento e sabe que isso lhe confere um charme a que muitas moçoilas não resistem.

E o disco, hein? Ah, o disco é muito bom! Em nosso pequeno comentário diríamos que o João tem absoluto domínio sobre o que deve misturar para atingir o espírito da música. Dentro da simplicidade que convém a musica popular, ele, no primeiro tema convoca a flauta de João Liberato e acrescenta o seu cello para propiciar ao ouvinte a idéia de uma rua do interior com aquele apascentamento inerente às cidades pequenas. O resultado é muito bom; ele consegue traduzir este sentimento. Na segunda faixa o maestro percorre um tema do saudoso Paulinho Nogueira (Bachianinha nº 1). Não tenho a menor dúvida em dizer que se o Paulinho estivesse vivo ficaria felicíssimo com a execução. No terceiro tema, intitulado de Nordestilhas, ele vai para os cafundós do sertão e com a proposta de representar a secura agreste coloca entre o violão e a flauta uma zabumba seca e um triângulo tipo espinho de quiabento, batidos no chão de terreiro pelo percussionista Ferreti.

Nas Curvas do Rio, de Elomar, comparece ao disco a flauta de Elena Rodrigues e o cello de Marcos Roriz para dar ao tema o timbre solene que lhe é devido. Este tema de Elomar é uma obra prima e João e os seus músicos não deixam por menos para nos oferecer uma execução de altíssimo nível.

As faixas seguintes são do mesmo nível e acrescentaríamos apenas que na última faixa, ele faz uma incursão pelo samba e com o auxilio valioso de Gilberto Santiago, Giba Conceição e do bandolinista Armandinho apresenta-nos um samba (Corda Bamba) que é um show de ritmo, harmonias e fugas. É, o samba de João Omar não cai na vala comum das manjadas melodias e harmonias, tão comuns à maioria dos nossos compositores. Muito interessante também é que ele não deixa que o seu samba caia para o lado que a gente pensa que vai. Ele faz um arremete como os pilotos conscientes fazem quando prevêem o perigo de alguma coisa ruim. No caso, João Omar faz o arremesso para nos tirar do lugar comum musical. Pelo fato de o CD trazer interessantes contribuições harmônicas e melódicas para o nosso patrimônio musical vale a pena ouvi-lo. Vale a pena comprar e ouvir o Corda Bamba de João Omar. Um abraço cordial e até a próxima.

(*) Paulo Pires - Professor UESB-FAINOR


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Publicado por I. Malforea

Memória Musical do Sudoeste da Bahia é produzido gratuitamente pela Distintivo Blue. Saiba mais sobre a banda:

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