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[2016] Conheça a música folk do brasileiro Benjamin

Músico baiano contou ao Guia da Semana mais sobre seu novo trabalho, o álbum Last.

O músico Diego Oliveira fala sobre seu projeto folk intitulado "Benjamin" (Divulgação)

Por Marina Marques

Um violão e letras que transbordam sentimentos cantadas em inglês, tudo isso embalado por um folk daqueles para ouvir de olhos fechados. Quando a música termina, vem a surpresa: não só o dono da delicada música é brasileiro, como carrega o sotaque baiano.

Benjamin, que na verdade é Diego Oliveira, já surpreendeu muita gente que acha que é preciso recorrer à cultura estrangeira para encontrar o estilo folk. O artista veio de Vitória da Conquista para São Paulo trabalhar em seu primeiro lançamento, o álbum Last, que marca a mudança do artista à capital paulista.

O músico produziu o disco sozinho, em seu próprio estúdio, e ele traz composições que carregam emoção e letras sinceras. Benjamin mistura dedilhados marcantes e batidas enérgicas, no estilo voz e violão, sobre arranjos cuidadosamente criados.


Confira na entrevista mais sobre o trabalho do cantor de 28 anos, que traz uma nova opção para quem é fã do estilo folk:

- Há quanto tempo você já se dedica à música?

Bem, me dedico de forma integral há cerca de 10 anos. Mas o ritmo em que isso aconteceu foi bem natural, eu nunca esperei a música me chamar pra que eu me doasse completamente a ela, sabe? Comecei a tocar em bandas, aqui e ali, dando aulas todos os dias, e de repente comecei a fazer umas gravações em casa, num computador simples, sem o mínimo de 'finesse', depois de um tanto me dividindo entre todas essas pequenas paixões, foi natural me dedicar por completo, porque isso era o que já estava acontecendo, então eu simplesmente aceitei, e levei a sério.

- Como surgiu o projeto "Benjamin"?

Benjamin nasceu junto com uma série de coisas, a sobra de algumas músicas quando tinha bandas de estilos diferentes, depois disso o reaparecimento dessas músicas quando estava sem banda, enfim... Tudo dependia de um momento certo para dar a largada, um momento em que fizesse sentido, foi quando uma banda em que eu tocava acabou se rompendo, e eu estava com umas noites livres para escrever, em 2012, assim o primeiro EP acabou saindo.

- Como se deu a escolha do nome?

O nome veio em um desses momentos, onde algo estava sobrando na vida, e ao mesmo tempo outras coisas faltavam, acabava pesando numa balança disso tudo, no que é novo e o que é real em minha vida, o que sempre esteve ali. Benjamin representa uma busca pela inocência, uma coisa de criança, que é objeto de curiosidade minha, e era assunto constante entre uns amigos poetas que tenho, assim acabou grudando esse nome. O momento em que ele ficou mesmo é nebuloso pra mim, mas o período foi mais ou menos assim.

- Antes deste projeto, com o que você já trabalhou?

Muita coisa, mas sempre na música, sério, difícil até de me lembrar, tive mil bandas quando adolescente, amei todas, algumas foram o foco de toda a minha atenção e profissionalismo, mas que acabaram não indo em frente. Gravei muito em estúdio com alguns artistas muito bons, dei aulas de todo instrumento que pude dominar, e gravei toda banda que confiasse em meu trabalho. Sou muito grato ao meu passado, muito grato às tentativas, aos primeiros ensaios, enfim, bons tempos.

- Como se deu seu interesse pelo folk?

Ele sempre existiu em minha consciência musical, digo isso porque de certa forma quando moleque era isso que eu escutava. Se você entender o Folk como essência, tendo em vista uma música com uma grande carga emocional sendo tocada por poucos instrumentos, arranjos contemplativos, singeleza estética, era isso que eu já ouvia, quando colocava um disco do Pink Floyd pra ouvir, aos 13, 14 anos. Essa nova leitura que o Folk tem hoje já é mais recente em minha vida, é algo do qual ainda tenho opiniões divididas sobre muita coisa, sobre o que é real e sobre o que é genérico nisso tudo. Mas pra encurtar a história vamos colocar da seguinte forma, conheci Almir Sater e Pink Floyd aos onze, doze... Comecei a ouvir Tim Buckley e Dylan lá pelos vinte, e nessa época muita coisa começou a fazer sentido, talvez nesse tempo eu comecei a entender o que era Folk.

- Você nasceu na Bahia, o lugar teve influência na sua veia musical?

Com certeza, especialmente porque eu amo a cena de Rock Independente na Bahia, embora ela seja uma montanha russa, mas é muito criativa e eu sou muito feliz em ter feito parte dela por um tempo. A cidade onde nasci, Vitória da Conquista, é um caso à parte, por lá não se sustentam cenas, tem de tudo, mas nunca foi um polo pra um estilo especifico de música, contudo, é sem dúvidas um dos maiores berços artísticos do qual tenho conhecimento no Brasil, além de abrigar muitos festivais interessantes no cenário independente, e de ter sido onde tudo começou pra mim. Eu amo a Bahia, amo a música independente baiana, e acho que vou levar um pouco disso comigo sempre, não importa o que eu estiver tocando.

- Quais músicos mais te inspiram?

Eu gosto de artistas e bandas que se apaixonam constantemente pelo que fazem, pela fase que estão vivendo, enfim, pela verdade em sua obra. Eu vejo isso em artistas como Interpol, Ryan Adams, Fionn Regan, Almir Sater, Pink Floyd, e por aí vai. Além disso eu sou muito influenciado pelo Heavy metal, especialmente Metal Extremo, e por mais que isso soe divergente ao estilo que escolhi pro Benjamin, enquanto atitude e abordagem artística eu aciono constantemente essas referências mais incomuns que tenho.

- Muitos não associam o folk com música brasileira, qual você acredita ser o cenário do estilo hoje no Brasil?

O Folk no Brasil "vai muito bem, obrigado". Ele anda acontecendo em poucos lugares, em poucas cidades, e para poucas pessoas, por enquanto. Acho que isso tudo deve-se ao fato de a produção no estilo ainda ser um pouco limitada, não são tantos artistas assim que surgem nesse estilo pelas ruas de nosso Brasil, mas os que tem tido alma pra coisa tem encontrado bons espaços sim, ainda meio underground em sua maioria, mas a abertura existe sim. Em São Paulo já é possível assistir uma cena se moldando, com alguns artistas tocando em lugares de qualidade e com certa notoriedade perante a mídia e tal. Além de produtoras como a Folk Music Brazil sempre ativa com ideias para que o estilo tenha seu espaço, para que as músicas feitas nesse estilo, por artistas sérios, cheguem aos ouvidos das pessoas que se interessam, então eu acho que com um pouco mais de tempo, as coisas começam a tomar o rumo certo.

- Como tem sido a repercussão do álbum "Last?

Tem sido maravilhosa, não poderia ser melhor. Eu vivo recebendo palavras de pessoas que foram tocadas pelo disco, e que de uma forma ou de outra trouxeram o disco pro seu mundo, e esse é o objetivo principal disso tudo, sendo assim eu só posso dizer que estou sendo bem sucedido com o disco. Comercialmente falando ele foi também bem aceito, tem sido buscado pelas pessoas e pela mídia, e tem atraído cada vez mais a atenção de bons shows pra que essas músicas aconteçam também ao vivo. Eu sou só agradecimento desde que lancei esse disco, me emociono constantemente com o carinho e atenção que as pessoas têm me dado. Numa avalanche de informações e artistas como a que temos hoje em dia, encontrar espaço em seu player ou em sua agenda pra mais um artista independente é de fato um sacrifício para algumas pessoas, e eu me sinto honrado em ter a atenção de quem decidiu me ouvir.

- Como músico, qual a importância de eventos como o Estéreo MIS para você?

Extrema importância. No caso do Estéreo MIS em especial eu digo que ele foi divisor de águas, porque foi uma oportunidade que tive de tocar em uma estrutura de produção e palco muito acima da média, além de uma plateia muito comprometida e generosa, enfim acredito que todos os envolvidos no projeto, tanto da Folk Music Brazil e do MIS, quanto das bandas e do público, eram pessoas comprometidas com a arte, e isso faz toda a diferença. Mais eventos assim irão acontecer com certeza, e eu espero estar por perto para fazer parte. A única coisa que me deixa triste com isso tudo, é ver que alguns artistas ainda não entenderam o quão precioso isso é para nossas carreiras, pra que a cena tenha uma vida, que se sustente, o quão importante cada show é para que uma base de fãs seja criada, e que um respeito exista, enfim... Pra mim essas oportunidades devem ser abraçadas com todo o ânimo que temos.

- Quais são os próximos passos do seu projeto agora?

Tocar ao vivo, e tocar e tocar e tocar. Quero ter a oportunidade de tocar pro maior número de pessoas que puder, e isso não quer dizer apenas grandes públicos, podem ser shows com poucas pessoas na plateia, não me importo com isso. Quero de fato poder tocar pra quem se interessa, e celebrar esse momento que tem sido único pra mim, devolver essa generosidade das pessoas com gratidão e com o que sei fazer, que é tocar.


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Publicado originalmente em 09/03/2016, em Guia da Semana.

I. Malförea

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