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[2017] Acendam as luzes

Foto: divulgação

Primeiramente, agradecemos ao el Cabong por listar nosso ep “Acendam as Luzes” para votação na eleição do melhor álbum baiano de 2016 por votação popular, a todos que votaram e à Revista Gambiarra pelos votos na eleição de melhor álbum segundo a crítica. Falando em crítica, segue a crítica ao lançamento, escrita pelo nosso amigo, poeta e literato Ian Lima. Ficamos extremamente felizes e agradecidos: 

Randômicos é um oásis no meio da produção de rock progressivo na Bahia. Seu primeiro EP Acendam as Luzes é uma fotografia dessa extraordinária fertilidade a lançar ao mundo essa potência musical tão próspera que é a proposta mais conceitual de música baiana. O Ep foi produzido por Andre Tavares (Retrofoguetes, Cascadura, Sua Mãe, etc.) e lançado em vinil em 2016. 

A arte da capa que guarda o vinil é muito bonita, composição do ilustrador Felipe Rezende e da aquarelista Ully Flôres que fizeram um trabalho muito bom ao mesclar referências de épocas e diferentes ações dentro de um mesmo quadro, porém com uma única tonalidade.

Antes de tudo sugiro bons fones para que nada interfira em manter seus ouvidos ilesos de qualquer ruído exterior porque este som anima e punge.

“Acendam as Luzes no alto de Faros” diz Tales Dourado no primeiro verso do disco. Como se quisesse iluminar nossa tão degradada cena de música alternativa, onde nossos artistas são exautorados de sua própria senda e ficam à penúria das grandes empresas que manipulam e monopolizam nossa produção fonográfica. No entanto, “avante marinheiro, mais rica que o próprio ouro é a vida no mar”. Porque resistência e resiliência devem ser o primeiro pulso para qualquer artista independente.

...

A Ilha de Faro, que na verdade é uma península, é um deleite. Suas dunas e canais açulam a qualquer um que a observe. A primeira canção do registro se chama Ilha de Faros e seus primeiros acordes me remeteram a uma grande banda progressiva alemã chamada Eloy. Porém, diferentemente desta, a banda trabalha com cadências mais lentas, o que nos transporta imediatamente para aquele universo de cais e porto, de maré, saudade, navios partindo com o perfume das rosas de seus florais. O som marítimo tem tudo a ver com graves, e aqui o baixo de Linauro (Now) dá a base essencial à canção. Ela se desenvolve descompassada, como uma partida incerta, como um navegar obscuro. A banda afinadíssima dá um tom singular ao debut e executa uma linda composição de abertura.

O monte Moriá é um lugar consagrado pela bíblia onde vários sacrifícios e milagres aconteciam. Tornou-se um símbolo de santuário. A Segunda canção “Moriá” nos apresenta uma espécie de metáfora para uma história existencialista sobre o tempo. O vocal de Tales aparece mais versátil e mais pesado, visceral e contagiante. A bateria de Raoni Botelho está perfeita, dando uma base cadenciada muito viva para a música – aliás, a mixagem de bateria merece um destaque neste álbum – A maré de pratos que assolam a última parte do refrão é de um auge incrível. Aqui parece que estamos diante de um Hard Setentista onde o baixo ocupa um lugar de peso e melodia e as guitarras variam entre o riff potente e a base exata. Lembrou-me muito a primeira fase do BANG (E.U.A), banda com esse tipo de vanguarda.[Ouçam The Queen]

A música que abre o segundo lado do Ep tem a letra (lindíssima) do meu amigo poeta e músico Pablo Luz. É uma música mais antiga que as demais, talvez por isso ofereça certa discrepância com relação ao conceito instaurado pelo restante da obra. Um Hard progressivo muito potente, as guitarras estão muito bem colocadas, dando uma sensação de psicodelia bem precisa, sem se perder. O baixo mais uma vez está o “bixo”, construindo uma base bem ritmada (aliás, a construção das bases do disco é de uma sensibilidade muito ausente no rock nacional atual). Os riffs muito bonitos preparam uma melodia vocal de rara justeza e simplicidade. O andamento da música é bem preciso e nos deixa sempre com os ouvidos atentos ao que virá. O vocal de Tales se acentua com qualidade diplofônica e de extensão e deixa a música mais pesada. É uma música perfeita para single, refrão simples e inteligente. Nota 10.

Para não perder as referências históricas, o nome da última música é “Salé” , cidade do Marrocos onde há um dos centros religiosos mais importantes do continente Africano. Mas ela se tornou famosa mesmo pela sua atividade marítima, o que nos traz de volta ao tema inicial do álbum. Parece mais uma vez uma metáfora amorosa para um pedaço de história da cidade de “Salé” que viveu venturas e infortúnios com notável intensidade. 

A canção começa com uma balada de violões substituindo as guitarras, que aparecem bem tímidas pela faixa e se encerra como uma música de remate mesmo (inclusive com a última frase sendo a mesma da primeira faixa). No entanto é a música que menos me agrada no disco. Acho o andamento meio incerto, a melodia vocal não é tão boa e a execução pelo vocalista é meio perdida (não atingiu minha sensibilidade para o bem e me surpreendeu ter Tales tentado fazer tantos floreios com a voz); os violões bem comuns, a bateria singular se transforma em um acompanhamento de qualquer balada despretensiosa e o baixo tem menos destaque. Para uma música de remate poderia ter sido mais apoteótica.

Enfim, o resultado é um excelente debut que certamente ouve-se mais de uma vez quando termina os inconsequentes treze minutos de sonzeira dessa banda Baiana. Refrões, riffs e melodias de primeiro nível e uma grande obra de arte iluminada pelo farol da cena”. 


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Publicado originalmente em 07/02/2017, no Facebook da banda.

I. Malförea

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